{"id":8043,"date":"2025-05-27T06:16:13","date_gmt":"2025-05-27T05:16:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8043"},"modified":"2025-05-27T06:16:14","modified_gmt":"2025-05-27T05:16:14","slug":"possivel-sinal-de-vida-no-espaco-profundo-enfrenta-novas-duvidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/05\/27\/possivel-sinal-de-vida-no-espaco-profundo-enfrenta-novas-duvidas\/","title":{"rendered":"Poss\u00edvel sinal de vida no espa\u00e7o profundo enfrenta novas d\u00favidas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/heic1916a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"598\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mkjl7gvR_o-1024x598.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8044\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mkjl7gvR_o-1024x598.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mkjl7gvR_o-300x175.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mkjl7gvR_o-768x448.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Mkjl7gvR_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta impress\u00e3o art\u00edstica mostra o poss\u00edvel aspeto do distante planeta K2-18b, da sua estrela hospedeira e de um planeta que o acompanha neste sistema. Uma nova an\u00e1lise da Universidade de Chicago p\u00f4s em d\u00favida uma descoberta anterior que conclu\u00eda que os dados mostravam evid\u00eancias de vida no planeta.\nCr\u00e9dito: ESA\/Hubble, M. Kornmesser<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em abril, cientistas chamaram a aten\u00e7\u00e3o do mundo ao anunciar que tinham encontrado uma mol\u00e9cula na atmosfera de um planeta distante que poderia indicar a exist\u00eancia de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas uma nova an\u00e1lise efetuada por cientistas da Universidade de Chicago aumenta o crescente ceticismo em torno desta descoberta. Revendo os dados de m\u00faltiplas observa\u00e7\u00f5es do planeta, descobriram que n\u00e3o se pode dizer que se trata de uma dete\u00e7\u00e3o conclusiva. Al\u00e9m disso, descobriram que outras mol\u00e9culas, e n\u00e3o apenas as que possivelmente indicam sinais de vida, poderiam explicar as leituras &#8211; colocando sinais de cautela em torno da afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Descobrimos que os dados que temos at\u00e9 agora t\u00eam demasiado ru\u00eddo para a prova que seria necess\u00e1ria para fazer essa afirma\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Rafael Luque, investigador p\u00f3s-doutorado na Universidade de Chicago e primeiro autor de um artigo cient\u00edfico que detalha as suas descobertas, que foi submetido \u00e0 revista Astronomy &amp; Astrophysics Letters e est\u00e1 dispon\u00edvel como uma pr\u00e9-impress\u00e3o. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 certezas suficientes para dizer uma coisa ou outra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um puzzle molecular<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O an\u00fancio de 16 de abril, feito por uma equipa liderada por investigadores de Cambridge, incidiu sobre um planeta conhecido como K2-18b, que se encontra a 124 anos-luz da Terra. O grupo analisou as leituras efetuadas pelo Telesc\u00f3pio Espacial James Webb e concluiu que confirmavam a presen\u00e7a de sulfureto de dimetilo ou de dissulfureto de dimetilo &#8211; duas mol\u00e9culas que, na Terra, s\u00f3 est\u00e3o associadas \u00e0 presen\u00e7a de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas os astrof\u00edsicos da Universidade de Chicago quiseram reexaminar os dados, conscientes de que afirma\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias exigem evid\u00eancias extraordin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A interpreta\u00e7\u00e3o dos dados dos telesc\u00f3pios implica muitas conjeturas. Estes planetas est\u00e3o muito longe &#8211; este est\u00e1 a muitos anos-luz de dist\u00e2ncia &#8211; e s\u00e3o demasiado t\u00e9nues para serem observados diretamente, o que significa que os cientistas t\u00eam de procurar pistas indiretas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste caso, o Telesc\u00f3pio Webb espera at\u00e9 que o planeta passe em frente da sua estrela, e depois capta a luz da estrela que \u00e9 filtrada atrav\u00e9s da atmosfera do planeta. \u00c0 medida que a luz passa pela atmosfera do planeta, diferentes quantidades de luz s\u00e3o bloqueadas em diferentes comprimentos de onda, dependendo das mol\u00e9culas presentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O coautor do estudo, Michael Zhang, explicou que quando se trabalha com leituras t\u00e3o t\u00e9nues, \u00e9 muito dif\u00edcil identificar uma mol\u00e9cula em particular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Qualquer coisa com um carbono ligado a tr\u00eas hidrog\u00e9nios aparece num determinado comprimento de onda&#8221;, disse. &#8220;\u00c9 isso que o sulfureto de dimetilo tem. Mas h\u00e1 in\u00fameros outros compostos que cont\u00eam um carbono e tr\u00eas hidrog\u00e9nios e que apresentariam caracter\u00edsticas semelhantes nos dados do Webb. Por isso, mesmo com dados muito melhores, ser\u00e1 dif\u00edcil ter a certeza de que o sulfureto de dimetilo \u00e9 o que estamos a ver&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua an\u00e1lise concluiu que muitas outras mol\u00e9culas poderiam corresponder ao que o telesc\u00f3pio viu. Por exemplo, outra mol\u00e9cula que tem um perfil semelhante \u00e9 o etano, um g\u00e1s que foi encontrado nas atmosferas de muitos planetas, como Neptuno &#8211; o que definitivamente n\u00e3o indica vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A coautora Caroline Piaulet-Ghorayeb disse que os investigadores geralmente preferem a explica\u00e7\u00e3o mais simples quando analisam os dados: &#8220;S\u00f3 devemos introduzir mol\u00e9culas ex\u00f3ticas na interpreta\u00e7\u00e3o depois de excluirmos as mol\u00e9culas que esperar\u00edamos que estivessem na atmosfera&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste caso, se a assinatura pudesse ser sulfureto de dimetilo ou etano &#8211; uma mol\u00e9cula que j\u00e1 foi vista em planetas no nosso Sistema Solar &#8211; eles assumem a resposta que \u00e9 mais comum, n\u00e3o a mais excitante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&#8220;N\u00e3o queremos que isso seja ofuscado&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro cuidado a ter \u00e9 que a an\u00e1lise relatada em abril baseou-se apenas num conjunto de observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os telesc\u00f3pios, incluindo o Webb e o Hubble, fizeram v\u00e1rias observa\u00e7\u00f5es deste planeta. Se incluirmos os dados de todas estas passagens, diz a equipa, a evid\u00eancia do sulfureto de dimetilo parece muito mais fraca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os autores disseram que o seu artigo tem como objetivo fornecer uma vis\u00e3o mais completa das descobertas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Responder se existe vida para l\u00e1 do Sistema Solar \u00e9 a quest\u00e3o mais importante da nossa \u00e1rea. \u00c9 por isso que estamos todos a estudar estes planetas&#8221;, disse Luque. &#8220;Estamos a fazer enormes progressos neste campo e n\u00e3o queremos que isso seja ofuscado por declara\u00e7\u00f5es prematuras&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.uchicago.edu\/story\/possible-sign-life-deep-space-faces-new-doubts\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2505.13407\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sulfureto de dimetilo (ou dimetilsulfureto, DMS):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dimethyl_sulfide\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dissulfureto de dimetilo (ou dimetildissulfureto, DMDS):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dimethyl_disulfide\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>K2-18 b:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/4847\/k2-18-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/k2_18_b--3953\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/K2-18b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_nearest_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas mais pr\u00f3ximos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_candidates_for_liquid_water\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas candidatos a albergar \u00e1gua l\u00edquida (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jwst.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nirspec.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em abril, cientistas chamaram a aten\u00e7\u00e3o do mundo ao anunciar que tinham encontrado uma mol\u00e9cula na atmosfera de um planeta distante que poderia indicar a exist\u00eancia de vida. 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