{"id":8040,"date":"2025-05-27T06:13:43","date_gmt":"2025-05-27T05:13:43","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8040"},"modified":"2025-05-27T06:13:44","modified_gmt":"2025-05-27T05:13:44","slug":"um-primo-extremo-de-plutao-possivel-planeta-anao-descoberto-na-orla-do-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/05\/27\/um-primo-extremo-de-plutao-possivel-planeta-anao-descoberto-na-orla-do-sistema-solar\/","title":{"rendered":"Um primo extremo de Plut\u00e3o? Poss\u00edvel planeta an\u00e3o descoberto na orla do Sistema Solar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/8CJB9wdv_o.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"575\" height=\"482\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/8CJB9wdv_o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-8041\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/8CJB9wdv_o.png 575w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/8CJB9wdv_o-300x251.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 575px) 100vw, 575px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os cinco planetas an\u00f5es reconhecidos pela Uni\u00e3o Astron\u00f3mica Internacional, juntamente com o rec\u00e9m-descoberto objeto trans-Neptuniano 2017 OF201.\nCr\u00e9dito: planetas an\u00f5es &#8211; NASA\/JPL-Caltech; imagem de 2017 OF201 &#8211; Sihao Cheng et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pequena equipa liderada por Sihao Cheng, da Escola de Ci\u00eancias Naturais do IAS (Institute for Advanced Study), descobriu um extraordin\u00e1rio objeto trans-Neptuniano (OTN) denominado 2017 OF201, no limite do nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O OTN \u00e9 potencialmente grande o suficiente para ser classificado como um planeta an\u00e3o, a mesma categoria que o muito mais conhecido Plut\u00e3o. O novo objeto \u00e9 um dos objetos vis\u00edveis mais distantes do nosso Sistema Solar e, significativamente, sugere que a sec\u00e7\u00e3o vazia do espa\u00e7o que se pensa existir para l\u00e1 de Neptuno, na Cintura de Kuiper, n\u00e3o est\u00e1, de facto, vazia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cheng fez a descoberta juntamente com os colegas Jiaxuan Li e Eritas Yang da Universidade de Princeton, utilizando m\u00e9todos computacionais avan\u00e7ados para identificar a trajet\u00f3ria do objeto no c\u00e9u. O novo objeto foi oficialmente anunciado pelo Centro de Planetas Menores da Uni\u00e3o Astron\u00f3mica Internacional no passado dia 21 de maio de 2025, e num artigo cient\u00edfico ainda em pr\u00e9-impress\u00e3o partilhado dia 22 de maio no site arXiv.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os objetos trans-Neptunianos s\u00e3o planetas menores que orbitam o Sol a uma dist\u00e2ncia m\u00e9dia superior \u00e0 da \u00f3rbita de Neptuno. O novo OTN \u00e9 especial por duas raz\u00f5es: a sua \u00f3rbita extrema e o seu grande tamanho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O af\u00e9lio do objeto &#8211; o ponto mais distante da \u00f3rbita em torno do Sol &#8211; \u00e9 mais de 1600 vezes superior ao da \u00f3rbita da Terra&#8221;, explica Cheng. &#8220;Entretanto, o seu peri\u00e9lio &#8211; o ponto da sua \u00f3rbita mais pr\u00f3ximo do Sol &#8211; \u00e9 44,5 vezes superior \u00e0 \u00f3rbita da Terra, semelhante \u00e0 \u00f3rbita de Plut\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/75\/78\/JNnft4i2_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/75\/78\/JNnft4i2_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem que mostra a localiza\u00e7\u00e3o atual de Plut\u00e3o, Neptuno e 2017 OF201.<br>Cr\u00e9dito: Jiaxuan Li e Sihao Cheng<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta \u00f3rbita extrema, que leva cerca de 25.000 anos a completar, sugere uma hist\u00f3ria complexa de intera\u00e7\u00f5es gravitacionais. &#8220;Deve ter tido encontros pr\u00f3ximos com um planeta gigante, fazendo com que fosse ejetado para uma \u00f3rbita larga&#8221;, diz Yang. &#8220;Pode ter havido mais do que um passo na sua migra\u00e7\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel que este objeto tenha sido primeiro ejetado para a nuvem de Oort, a regi\u00e3o mais distante do nosso Sistema Solar, onde se encontram muitos cometas, e depois enviado de volta&#8221;, acrescenta Cheng.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Muitos OTNs extremos t\u00eam \u00f3rbitas que parecem agrupar-se em orienta\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, mas 2017 OF201 desvia-se disto&#8221;, diz Li. Este agrupamento tem sido interpretado como uma evid\u00eancia indireta da exist\u00eancia de outro planeta no Sistema Solar, o Planeta X ou o Planeta Nove, que poderia estar a &#8220;pastorear&#8221; gravitacionalmente estes objetos para os seus padr\u00f5es observados. A exist\u00eancia de 2017 OF201 como um objeto at\u00edpico de tal agrupamento pode, potencialmente, desafiar esta hip\u00f3tese.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cheng e os seus colegas estimam o di\u00e2metro de 2017 OF201 em 700 km, o que o tornaria o segundo maior objeto conhecido numa \u00f3rbita t\u00e3o larga. O di\u00e2metro de Plut\u00e3o, por sua vez, \u00e9 de 2377 km. S\u00e3o necess\u00e1rias mais observa\u00e7\u00f5es, potencialmente usando radiotelesc\u00f3pios, para determinar o tamanho exato do objeto.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/4a\/f6\/V1SaFpNm_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/4a\/f6\/V1SaFpNm_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagens de 2017 OF201 e a sua trajet\u00f3ria no c\u00e9u.<br>Cr\u00e9dito: Jiaxuan Li e Sihao Cheng<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cheng descobriu o objeto como parte de um projeto de investiga\u00e7\u00e3o em curso para identificar OTNs e poss\u00edveis novos planetas no Sistema Solar exterior. O objeto foi identificado atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o de pontos brilhantes numa base de dados de imagens astron\u00f3micas do Telesc\u00f3pio Victor M. Blanco e do CFHT (Canada\u2013France\u2013Hawaii Telescope), e tentando ligar todos os grupos poss\u00edveis desses pontos que pareciam mover-se no c\u00e9u da mesma forma que um \u00fanico OTN. Esta busca foi efetuada utilizando um algoritmo computacionalmente eficiente produzido por Cheng. Em \u00faltima an\u00e1lise, identificaram 2017 OF201 em 19 exposi\u00e7\u00f5es diferentes, captadas ao longo de 7 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta tem implica\u00e7\u00f5es significativas para a nossa compreens\u00e3o do Sistema Solar exterior. A \u00e1rea para al\u00e9m da Cintura de Kuiper, onde se encontra o objeto, foi anteriormente considerada como estando essencialmente vazia, mas a descoberta da equipa sugere que n\u00e3o \u00e9 bem assim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;2017 OF201 passa apenas 1% do seu tempo orbital suficientemente perto de n\u00f3s para ser detet\u00e1vel. A presen\u00e7a deste \u00fanico objeto sugere que poder\u00e1 haver mais uma centena de outros objetos com \u00f3rbita e tamanho semelhantes; est\u00e3o apenas demasiado longe para serem detet\u00e1veis agora&#8221;, afirma Cheng. &#8220;Embora os avan\u00e7os nos telesc\u00f3pios nos tenham permitido explorar partes distantes do Universo, ainda h\u00e1 muito a descobrir sobre o nosso pr\u00f3prio Sistema Solar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dete\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m demonstra o poder da ci\u00eancia aberta. &#8220;Todos os dados que utiliz\u00e1mos para identificar e caracterizar este objeto s\u00e3o dados de arquivo que est\u00e3o dispon\u00edveis para qualquer pessoa, n\u00e3o apenas para os astr\u00f3nomos profissionais&#8221;, afirma Li. &#8220;Isto significa que as descobertas inovadoras n\u00e3o est\u00e3o limitadas \u00e0queles que t\u00eam acesso aos maiores telesc\u00f3pios do mundo. Qualquer investigador, estudante ou mesmo cientista cidad\u00e3o com as ferramentas e conhecimentos adequados poderia ter feito esta descoberta, real\u00e7ando o valor da partilha de recursos cient\u00edficos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ias.edu\/news\/extreme-cousin-pluto-possible-dwarf-planet-discovered-solar-systems-edge\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ IAS (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2505.15806\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2017 OF201:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.minorplanetcenter.net\/mpec\/K25\/K25K47.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Centro de Planetas Menores da UAI<\/a><br><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/tools\/sbdb_lookup.html#\/?sstr=2017%20OF201\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/2017_OF201\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Objetos transneptunianos (OTNs):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Trans-Neptunian_object\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Planeta an\u00e3o:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dwarf_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Victor M. Blanco:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/programs\/ctio\/victor-blanco-4m-telescope\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NOIRLab<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/V%C3%ADctor_M._Blanco_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.cfht.hawaii.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Canada%E2%80%93France%E2%80%93Hawaii_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pequena equipa liderada por Sihao Cheng, da Escola de Ci\u00eancias Naturais do IAS (Institute for Advanced Study), descobriu um extraordin\u00e1rio objeto trans-Neptuniano (OTN) denominado 2017 OF201, no limite do nosso Sistema Solar. 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