{"id":8030,"date":"2025-05-23T06:18:20","date_gmt":"2025-05-23T05:18:20","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=8030"},"modified":"2025-05-23T06:18:21","modified_gmt":"2025-05-23T05:18:21","slug":"estudo-conclui-que-marcas-em-encostas-marcianas-nao-sao-provavelmente-sinais-de-fluxo-liquido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/05\/23\/estudo-conclui-que-marcas-em-encostas-marcianas-nao-sao-provavelmente-sinais-de-fluxo-liquido\/","title":{"rendered":"Estudo conclui que marcas em encostas marcianas n\u00e3o s\u00e3o, provavelmente, sinais de fluxo l\u00edquido"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/mediarelations.unibe.ch\/unibe\/portal\/media_relations\/content\/e805\/e1620406\/e1621430\/e1698935\/media_service1698960\/e1698968\/03_20250519_Medienmitteilung_BrownUniversity_SlopeStreaksESA_TGO_CaSSIS_CC_BY_SA_3.0_IGO_ger.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/b8MCc9Iz_o-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8031\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/b8MCc9Iz_o-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/b8MCc9Iz_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/b8MCc9Iz_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/b8MCc9Iz_o-310x205.jpg 310w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/b8MCc9Iz_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Marcas escuras em declives na superf\u00edcie de Marte.\nCr\u00e9dito: ESA\/TGO\/CaSSIS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investigadores analisaram uma base de dados global de 500.000 marcas estranhas que ocorrem em encostas marcianas \u00edngremes, concluindo que s\u00e3o mais provavelmente causadas por processos secos do que por fluxos l\u00edquidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um novo estudo realizado por cientistas planet\u00e1rios da Universidade de Brown, nos EUA, e da Universidade de Berna, na Su\u00ed\u00e7a, lan\u00e7a d\u00favidas sobre uma das pistas mais tentadoras de que poder\u00e1 haver \u00e1gua a fluir, atualmente, no planeta Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante anos, os cientistas observaram estranhas marcas que corriam pelas encostas e paredes de crateras marcianas. Alguns interpretaram essas estrias como fluxos l\u00edquidos, sugerindo a possibilidade de existirem atualmente ambientes habit\u00e1veis no Planeta Vermelho. Mas este novo estudo, que utilizou a aprendizagem de m\u00e1quina para criar e analisar um enorme conjunto de dados de caracter\u00edsticas destes declives, aponta para uma explica\u00e7\u00e3o diferente: um processo seco relacionado com a atividade do vento e da poeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Um dos grandes focos da investiga\u00e7\u00e3o sobre Marte \u00e9 a compreens\u00e3o dos processos atuais em Marte &#8211; incluindo a possibilidade de \u00e1gua l\u00edquida \u00e0 superf\u00edcie&#8221;, disse Adomas Valantinas, investigador p\u00f3s-doutorado em Brown, coautor do estudo com Valentin Bickel, investigador em Berna. &#8220;O nosso estudo analisou estas caracter\u00edsticas, mas n\u00e3o encontrou evid\u00eancias de \u00e1gua. O nosso modelo favorece processos de forma\u00e7\u00e3o secos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o foi publicada na revista Nature Communications na passada segunda-feira, dia 19 de maio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas viram pela primeira vez estas estranhas riscas em imagens transmitidas pela miss\u00e3o Viking da NASA na d\u00e9cada de 1970. As marcas t\u00eam geralmente uma tonalidade mais escura do que o terreno circundante e estendem-se por centenas de metros em terrenos inclinados. Algumas duram anos ou d\u00e9cadas, enquanto outras aparecem e desaparecem mais rapidamente. As caracter\u00edsticas de vida mais curta &#8211; denominadas RSL (sigla inglesa para &#8220;recurring slope lineae&#8221;) &#8211; parecem aparecer nos mesmos locais durante os per\u00edodos mais quentes do ano marciano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A origem destas riscas tem sido um tema quente entre os cientistas planet\u00e1rios. O Marte moderno \u00e9 extremamente seco e as temperaturas raramente ultrapassam o ponto de congela\u00e7\u00e3o. Ainda assim, \u00e9 poss\u00edvel que pequenas quantidades de \u00e1gua &#8211; talvez provenientes de gelo enterrado, aqu\u00edferos subterr\u00e2neos ou ar anormalmente h\u00famido &#8211; se misturem com sal suficiente para criar um fluxo mesmo na superf\u00edcie congelada de Marte. A ser verdade, as RSLs e as marcas nos declives poderiam assinalar nichos raros e habit\u00e1veis num mundo des\u00e9rtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros investigadores n\u00e3o est\u00e3o convencidos. Afirmam que as estrias s\u00e3o desencadeadas por processos secos, como quedas de rochas ou rajadas de vento, e s\u00f3 aparecem com aspeto l\u00edquido em imagens orbitais.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/mediarelations.unibe.ch\/unibe\/portal\/media_relations\/content\/e805\/e1620406\/e1621430\/e1698935\/media_service1698960\/e1698963\/01_20250519_Medienmitteilung_BrownUniversity_SlopeStreaksESA_TGO_CaSSIS_CC_BY_SA_3.0_IGO_ger.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/62\/03\/OzoyNXii_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Marcas escuras em declives na superf\u00edcie de Marte.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/TGO\/CaSSIS<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na esperan\u00e7a de obterem novos conhecimentos, Bickel e Valantinas recorreram a um algoritmo de aprendizagem de m\u00e1quina para catalogar o maior n\u00famero poss\u00edvel destas linhas de declive. Depois de treinarem o algoritmo com base em observa\u00e7\u00f5es confirmadas, utilizaram-no para analisar mais de 86.000 imagens de sat\u00e9lite de alta resolu\u00e7\u00e3o. O resultado foi um mapa marciano global, in\u00e9dito, com mais de 500.000 caracter\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Uma vez na posse deste mapa global, pudemos compar\u00e1-lo com bases de dados e cat\u00e1logos de outras coisas como temperatura, velocidade do vento, hidrata\u00e7\u00e3o, atividade de deslizamento de rochas e outros fatores&#8221;. disse Bickel. &#8220;Depois procur\u00e1mos correla\u00e7\u00f5es em centenas de milhares de casos para compreender melhor as condi\u00e7\u00f5es em que estas caracter\u00edsticas se formam&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta an\u00e1lise geoestat\u00edstica mostrou que as marcas de declive e as RSLs n\u00e3o est\u00e3o geralmente associadas a fatores que sugerem uma origem l\u00edquida ou gelada, tais como uma orienta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do declive, flutua\u00e7\u00f5es de temperatura elevadas \u00e0 superf\u00edcie ou humidade elevada. Em vez disso, o estudo concluiu que ambas as caracter\u00edsticas t\u00eam maior probabilidade de se formarem em locais com velocidade do vento e deposi\u00e7\u00e3o de poeiras acima da m\u00e9dia &#8211; fatores que apontam para uma origem seca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores concluem que as estrias se formam muito provavelmente quando camadas de poeira fina deslizam subitamente de encostas \u00edngremes. Os fatores espec\u00edficos podem variar. As estrias de declive parecem ser mais comuns perto de crateras de impacto recentes, onde as ondas de choque podem fazer com que a poeira da superf\u00edcie se solte. As RSLs, por sua vez, s\u00e3o mais frequentemente encontradas em locais onde os diabos marcianos de poeira ou as quedas de rochas s\u00e3o frequentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em conjunto, os resultados lan\u00e7am novas d\u00favidas sobre as marcas de declive e as RSLs como ambientes habit\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto tem implica\u00e7\u00f5es significativas para a futura explora\u00e7\u00e3o de Marte. Embora os ambientes habit\u00e1veis possam parecer bons alvos de explora\u00e7\u00e3o, a NASA prefere manter-se \u00e0 dist\u00e2ncia. Quaisquer micr\u00f3bios terrestres que possam ter apanhado boleia numa nave espacial poderiam contaminar ambientes marcianos habit\u00e1veis, complicando a procura de vida em Marte. Este estudo sugere que o risco de contamina\u00e7\u00e3o em locais com marcas no declive n\u00e3o \u00e9 muito preocupante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Essa \u00e9 a vantagem desta abordagem de grandes volumes de dados&#8221;, disse Valantinas. &#8220;Ajuda-nos a excluir algumas hip\u00f3teses a partir de \u00f3rbita antes de enviarmos uma nave espacial para explorar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.brown.edu\/news\/2025-05-19\/streaks\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Brown (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/mediarelations.unibe.ch\/media_releases\/2025\/media_releases_2025\/slope_streaks_on_mars\/index_eng.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Berna (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-025-59395-w\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Communications)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_slope_streak\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marcas escuras em encostas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Seasonal_flows_on_warm_Martian_slopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">RSL (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Miss\u00e3o Viking:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Viking_program\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/viking\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investigadores analisaram uma base de dados global de 500.000 marcas estranhas que ocorrem em encostas marcianas \u00edngremes, concluindo que s\u00e3o mais provavelmente causadas por processos secos do que por fluxos l\u00edquidos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8031,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[4,555],"class_list":["post-8030","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-marte","tag-viking"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8030","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8030"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8030\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8032,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8030\/revisions\/8032"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8031"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8030"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8030"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8030"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}