{"id":7997,"date":"2025-05-09T06:14:43","date_gmt":"2025-05-09T05:14:43","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7997"},"modified":"2025-05-09T06:14:44","modified_gmt":"2025-05-09T05:14:44","slug":"desvendando-os-segredos-do-nascimento-de-estrelas-massivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/05\/09\/desvendando-os-segredos-do-nascimento-de-estrelas-massivas\/","title":{"rendered":"Desvendando os segredos do nascimento de estrelas massivas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/VLA-Cepheus-A-HW2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"640\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/x5ZEZk20_o-1024x640.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7998\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/x5ZEZk20_o-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/x5ZEZk20_o-300x188.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/x5ZEZk20_o-768x480.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/x5ZEZk20_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">G\u00e1s amon\u00edaco a cair no disco de acre\u00e7\u00e3o que alimenta a estrela HW2 na regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar Cefeu A.\nCr\u00e9dito: NSF\/AUI\/NRAO da NSF\/B. Saxton<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando o VLA (Very Large Array), os astr\u00f3nomos revelaram pela primeira vez o enorme fluxo de g\u00e1s perto de uma estrela massiva, em forma\u00e7\u00e3o, que permite o seu r\u00e1pido crescimento. Ao observar a jovem estrela HW2 em Cefeu A, localizada a 2300 anos-luz da Terra, os investigadores resolveram a estrutura e a din\u00e2mica de um disco de acre\u00e7\u00e3o que alimenta esta estrela massiva com material. Esta descoberta lan\u00e7a luz sobre uma quest\u00e3o central da astrof\u00edsica: como \u00e9 que as estrelas massivas, que muitas vezes terminam as suas vidas como supernovas, acumulam a sua imensa massa?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cefeu A \u00e9 o segundo local de forma\u00e7\u00e3o de estrelas massivas mais pr\u00f3ximo da Terra, o que o torna um laborat\u00f3rio ideal para estudar estes processos complexos. A equipa de investiga\u00e7\u00e3o utilizou o amon\u00edaco (NH3), uma mol\u00e9cula que se encontra habitualmente nas nuvens de g\u00e1s interestelar e que \u00e9 muito utilizada industrialmente na Terra, como marcador para mapear a din\u00e2mica do g\u00e1s em torno da estrela. As observa\u00e7\u00f5es revelaram um anel denso de amon\u00edaco gasoso quente que se estende por 200 a 700 unidades astron\u00f3micas (UA) em torno de HW2. Esta estrutura foi identificada como parte de um disco de acre\u00e7\u00e3o &#8211; uma caracter\u00edstica chave nas teorias de forma\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo descobriu que o g\u00e1s dentro deste disco est\u00e1 tanto a colapsar para dentro como a girar em torno da jovem estrela. De forma not\u00e1vel, o ritmo de queda de material para HW2 foi medida em dois mil\u00e9simos de uma massa solar por ano &#8211; uma das taxas mais elevadas alguma vez observadas para uma estrela massiva em forma\u00e7\u00e3o. Estas descobertas confirmam que os discos de acre\u00e7\u00e3o podem sustentar tais ritmos extremos de transfer\u00eancia de massa, mesmo quando a estrela central j\u00e1 cresceu at\u00e9 16 vezes a massa do nosso Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As nossas observa\u00e7\u00f5es fornecem evid\u00eancias diretas de que as estrelas massivas podem formar-se atrav\u00e9s de acre\u00e7\u00e3o mediada pelo disco at\u00e9 dezenas de massas solares&#8221;, disse o Dr. Alberto Sanna, autor principal do estudo. &#8220;A sensibilidade radioel\u00e9trica sem paralelo do VLA da NSF permitiu-nos resolver caracter\u00edsticas em escalas da ordem de apenas 100 UA, fornecendo uma vis\u00e3o sem precedentes deste processo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa tamb\u00e9m comparou as suas observa\u00e7\u00f5es com as simula\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas de forma\u00e7\u00e3o de estrelas massivas. &#8220;Os resultados est\u00e3o muito pr\u00f3ximos das previs\u00f5es te\u00f3ricas, mostrando que o amon\u00edaco perto de HW2 est\u00e1 a colapsar quase a velocidades de queda livre enquanto gira a velocidades sub-Keplerianas &#8211; um equil\u00edbrio ditado pela gravidade e pelas for\u00e7as centr\u00edfugas&#8221;, disse o professor Andr\u00e9 Oliva, que realizou as simula\u00e7\u00f5es detalhadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Curiosamente, o estudo revelou assimetrias na estrutura e turbul\u00eancia do disco, sugerindo que correntes externas de g\u00e1s &#8211; conhecidas como &#8220;serpentinas&#8221; &#8211; podem estar a enviar material fresco para um dos lados do disco. Tais correntes foram observadas noutras regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar e podem desempenhar um papel crucial na reposi\u00e7\u00e3o dos discos de acre\u00e7\u00e3o em torno de estrelas massivas. Esta descoberta resolve d\u00e9cadas de debate sobre se HW2, e as protoestrelas de igual modo, podem formar discos de acre\u00e7\u00e3o capazes de sustentar o seu r\u00e1pido crescimento. Tamb\u00e9m refor\u00e7a a ideia de que mecanismos f\u00edsicos semelhantes governam a forma\u00e7\u00e3o de estrelas numa vasta gama de massas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;HW2 \u00e9 conhecida h\u00e1 mais de 40 anos e continua a inspirar as novas gera\u00e7\u00f5es de astr\u00f3nomos&#8221;, disse o professor Jos\u00e9 Mar\u00eda Torrelles, que realizou algumas observa\u00e7\u00f5es fundamentais de HW2 no final dos anos 90. As descobertas foram poss\u00edveis gra\u00e7as \u00e0s observa\u00e7\u00f5es de alta sensibilidade do VLA realizadas em comprimentos de onda centim\u00e9tricos em 2019. Os investigadores visaram transi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do amon\u00edaco que s\u00e3o excitadas a temperaturas superiores a 100 K, o que lhes permitiu detetar g\u00e1s denso e quente perto de HW2.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estes resultados destacam o poder da interferometria r\u00e1dio para sondar os processos ocultos por detr\u00e1s da forma\u00e7\u00e3o dos objetos mais influentes na nossa Gal\u00e1xia&#8221;, disse o Dr. Todd Hunter do NRAO, &#8220;e, dentro de dez anos, a pr\u00f3xima vers\u00e3o atualizada do VLA tornar\u00e1 poss\u00edvel estudar o amon\u00edaco circunestelar a escalas do nosso Sistema Solar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este trabalho n\u00e3o s\u00f3 faz avan\u00e7ar a nossa compreens\u00e3o de como as estrelas massivas se formam, mas tamb\u00e9m tem implica\u00e7\u00f5es para quest\u00f5es mais vastas sobre a evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias e o enriquecimento qu\u00edmico no Universo. As estrelas massivas desempenham um papel fundamental como motores c\u00f3smicos, impulsionando ventos e explos\u00f5es que alimentam as gal\u00e1xias com elementos pesados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o foi aceite para publica\u00e7\u00e3o na revista Astronomy &amp; Astrophysics e pode ser consultada no site de pr\u00e9-impress\u00e3o arXiv.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/news\/birth-secrets-of-massive-stars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NRAO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ice.csic.es\/?view=article&amp;id=753&amp;catid=8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ICE-CSIC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.ieec.cat\/un-equip-dastronoms-resol-el-misteri-de-la-formacio-destrelles-massives-amb-el-telescopi-very-large-array\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ IEEC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2502.15070\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protostar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Protoestrela (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Disco circunstelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Circumstellar_disc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLA (Karl G. Jansky Very Large Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.vla.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/public.nrao.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NRAO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Usando o VLA (Very Large Array), os astr\u00f3nomos revelaram pela primeira vez o enorme fluxo de g\u00e1s perto de uma estrela massiva, em forma\u00e7\u00e3o, que permite o seu r\u00e1pido crescimento. Ao observar a jovem estrela HW2 em Cefeu A, localizada a 2300 anos-luz da Terra, os investigadores resolveram a estrutura e a din\u00e2mica de um disco de acre\u00e7\u00e3o que alimenta esta estrela massiva com material.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7998,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,1],"tags":[1097,332,389],"class_list":["post-7997","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-telescopios-profissionais","tag-cep-a-hw2","tag-formacao-estelar","tag-vla"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7997","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7997"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7997\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7999,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7997\/revisions\/7999"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7998"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7997"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7997"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7997"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}