{"id":7991,"date":"2025-05-06T06:25:35","date_gmt":"2025-05-06T05:25:35","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7991"},"modified":"2025-05-06T06:25:37","modified_gmt":"2025-05-06T05:25:37","slug":"uma-vasta-nuvem-molecular-ha-muito-invisivel-foi-descoberta-perto-do-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/05\/06\/uma-vasta-nuvem-molecular-ha-muito-invisivel-foi-descoberta-perto-do-sistema-solar\/","title":{"rendered":"Uma vasta nuvem molecular, h\u00e1 muito invis\u00edvel, foi descoberta perto do Sistema Solar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/jLJfVHvR_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"460\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/jLJfVHvR_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7992\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/jLJfVHvR_o.jpg 800w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/jLJfVHvR_o-300x173.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/jLJfVHvR_o-768x442.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista do aspeto que a nuvem molecular Eos teria no c\u00e9u se fosse vis\u00edvel a olho nu.\nCr\u00e9dito: NatureLifePhoto\/Flickr (horizonte da cidade de Nova Iorque), Burkhart et al., 2025<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de cientistas liderada por uma astrof\u00edsica da Universidade Rutgers &#8211; New Brunswick descobriu uma nuvem potencialmente formadora de estrelas que \u00e9 uma das maiores estruturas individuais no c\u00e9u e uma das mais pr\u00f3ximas do Sol e da Terra alguma vez detetadas.<br><br>A vasta bola de hidrog\u00e9nio, h\u00e1 muito invis\u00edvel para os cientistas, foi revelada atrav\u00e9s da procura do seu principal constituinte &#8211; o hidrog\u00e9nio molecular. Esta descoberta marca a primeira vez que uma nuvem molecular foi detetada com luz emitida no dom\u00ednio do ultravioleta distante do espetro eletromagn\u00e9tico e abre caminho a novas explora\u00e7\u00f5es utilizando esta abordagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas chamaram \u00e0 nuvem molecular de hidrog\u00e9nio &#8220;Eos&#8221;, em homenagem \u00e0 deusa da mitologia grega que personifica o amanhecer. A sua descoberta est\u00e1 descrita num estudo publicado na revista Nature Astronomy.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isto abre novas possibilidades para o estudo do Universo molecular&#8221;, disse Blakesley Burkhart, professora associada do Departamento de F\u00edsica e Astronomia da Escola de Artes e Ci\u00eancias de Rutgers, que liderou a equipa e \u00e9 uma das autoras do estudo. Burkhart \u00e9 tamb\u00e9m investigadora no Centro de Astrof\u00edsica Computacional do Instituto Flatiron em Nova Iorque.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As nuvens moleculares s\u00e3o compostas por g\u00e1s e poeira &#8211; sendo a mol\u00e9cula mais comum o hidrog\u00e9nio, o bloco de constru\u00e7\u00e3o fundamental das estrelas e dos planetas e essencial para a vida. Tamb\u00e9m cont\u00eam outras mol\u00e9culas, como o mon\u00f3xido de carbono. As nuvens moleculares s\u00e3o frequentemente detetadas atrav\u00e9s de m\u00e9todos convencionais, como observa\u00e7\u00f5es r\u00e1dio e no infravermelho, que detetam facilmente a assinatura qu\u00edmica do mon\u00f3xido de carbono.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para este trabalho, os cientistas utilizaram uma abordagem diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta \u00e9 a primeira nuvem molecular de sempre descoberta atrav\u00e9s da procura direta da emiss\u00e3o ultravioleta distante do hidrog\u00e9nio molecular&#8221;, disse Burkhart. &#8220;Os dados mostram mol\u00e9culas de hidrog\u00e9nio brilhantes detetadas por fluoresc\u00eancia no ultravioleta distante. Esta nuvem est\u00e1 literalmente a brilhar no escuro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eos n\u00e3o representa qualquer perigo para a Terra e para o Sistema Solar. Devido \u00e0 sua proximidade, a nuvem de g\u00e1s representa uma oportunidade \u00fanica para estudar as propriedades de uma estrutura no meio interestelar, disseram os cientistas.<br><br>O meio interestelar, constitu\u00eddo por g\u00e1s e poeira que preenche o espa\u00e7o entre as estrelas de uma gal\u00e1xia, serve de mat\u00e9ria-prima para a forma\u00e7\u00e3o de novas estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando olhamos atrav\u00e9s dos nossos telesc\u00f3pios, vemos sistemas solares inteiros em forma\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o sabemos em pormenor como isso acontece&#8221;, disse Burkhart. &#8220;A nossa descoberta de Eos \u00e9 excitante porque podemos agora medir diretamente como as nuvens moleculares se formam e dissociam, e como uma gal\u00e1xia come\u00e7a a transformar g\u00e1s e poeira interestelar em estrelas e planetas&#8221;.<br><br>A nuvem de g\u00e1s em forma de crescente est\u00e1 localizada a cerca de 300 anos-luz da Terra. Situa-se no limite da Bolha Local, uma grande cavidade cheia de g\u00e1s no espa\u00e7o que engloba o Sistema Solar. Os cientistas estimam que Eos \u00e9 vasta em proje\u00e7\u00e3o no c\u00e9u, medindo cerca de 40 Luas em todo o c\u00e9u, com uma massa cerca de 3400 vezes superior \u00e0 do Sol. A equipa utilizou modelos para mostrar que se dever\u00e1 evaporar daqui a 6 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A utiliza\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica de emiss\u00e3o de fluoresc\u00eancia no ultravioleta distante pode reescrever a nossa compreens\u00e3o do meio interestelar, revelando nuvens ocultas em toda a Gal\u00e1xia e mesmo at\u00e9 aos limites mais long\u00ednquos detet\u00e1veis do amanhecer c\u00f3smico&#8221;, afirmou Thavisha Dharmawardena, bolseira Hubble da NASA na Universidade de Nova Iorque e primeira autora partilhada do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eos foi revelada \u00e0 equipa atrav\u00e9s de dados recolhidos por um espetr\u00f3grafo no ultravioleta distante chamado FIMS-SPEAR (acr\u00f3nimo de &#8220;fluorescent imaging spectrograph&#8221;) que funcionava como instrumento no sat\u00e9lite coreano STSAT-1. Um espetr\u00f3grafo no ultravioleta distante decomp\u00f5e a luz ultravioleta distante emitida por um material nos seus comprimentos de onda componentes, tal como um prisma faz com a luz vis\u00edvel, criando um espetro que os cientistas podem analisar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados tinham acabado de ser divulgados publicamente em 2023 quando Burkhart se deparou com eles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Era como se estivesse \u00e0 espera de ser explorada&#8221;, disse ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As descobertas destacam a import\u00e2ncia de t\u00e9cnicas de observa\u00e7\u00e3o inovadoras para o avan\u00e7o da compreens\u00e3o do cosmos, disse Burkhart. A investigadora referiu que Eos \u00e9 dominada por hidrog\u00e9nio molecular gasoso, mas \u00e9 maioritariamente &#8220;CO-escuro&#8221;, o que significa que n\u00e3o cont\u00e9m muito material e n\u00e3o emite a assinatura caracter\u00edstica detetada pelas abordagens convencionais. Isso explica como Eos escapou \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o durante tanto tempo, disseram os investigadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A hist\u00f3ria do cosmos \u00e9 uma hist\u00f3ria do rearranjo dos \u00e1tomos ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos&#8221;, disse Burkhart. &#8220;O hidrog\u00e9nio que se encontra atualmente na nuvem Eos existia na altura do Big Bang e acabou por cair na nossa Gal\u00e1xia e coalescer nas proximidades do Sol. Portanto, tem sido uma longa viagem de 13,6 mil milh\u00f5es de anos para estes \u00e1tomos de hidrog\u00e9nio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta foi uma esp\u00e9cie de surpresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando eu estava na faculdade, disseram-nos que n\u00e3o era f\u00e1cil observar diretamente o hidrog\u00e9nio molecular&#8221;, disse Dharmawardena da Universidade de Nova Iorque. &#8220;\u00c9 um pouco louco que possamos ver esta nuvem em dados que n\u00e3o pens\u00e1vamos ver&#8221;.<br><br>Eos tamb\u00e9m tem o nome de uma proposta de miss\u00e3o espacial da NASA que Burkhart e outros membros da equipa est\u00e3o a apoiar. A miss\u00e3o tem como objetivo alargar a abordagem de dete\u00e7\u00e3o de hidrog\u00e9nio molecular a grandes \u00e1reas da Gal\u00e1xia, investigando as origens das estrelas atrav\u00e9s do estudo da evolu\u00e7\u00e3o das nuvens moleculares.<br><br>A equipa est\u00e1 a pesquisar dados sobre nuvens de hidrog\u00e9nio molecular pr\u00f3ximas e distantes. Um estudo publicado como pr\u00e9-impress\u00e3o no site arXiv por Burkhart e outros, utilizando o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb (JWST), relata a tentativa de encontrar o g\u00e1s molecular mais distante de sempre.<br><br>&#8220;Usando o JWST, podemos ter encontrado as mol\u00e9culas de hidrog\u00e9nio mais distantes do Sol&#8221;, disse Burkhart. &#8220;Assim, encontr\u00e1mos tanto as mais pr\u00f3ximas como as mais distantes utilizando a emiss\u00e3o no ultravioleta distante&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.rutgers.edu\/news\/vast-molecular-cloud-long-invisible-discovered-near-solar-system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Rutgers (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/mcdonaldobservatory.org\/news\/releases\/20250428\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Observat\u00f3rio McDonald (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-025-02541-7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2502.19484\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico sobre a descoberta do JWST (arXiv)<\/a><br><a href=\"https:\/\/youtu.be\/KYFZs6u6D6o\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Eos: descoberta da nuvem molecular de CO-escuro mais pr\u00f3xima do Sol<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Eos: Discovery of the Nearest CO Dark Molecular Cloud to the Sun\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KYFZs6u6D6o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nuvem molecular Eos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Eos_cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nebulosa escura:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_nebula\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>STSat-1 (Science and Technology Satellite-1):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/directory.eoportal.org\/satellite-missions\/stsat-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">eoPortal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/STSat-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jwst.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nirspec.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa internacional de cientistas liderada por uma astrof\u00edsica da Universidade Rutgers &#8211; 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