{"id":7981,"date":"2025-05-02T06:19:22","date_gmt":"2025-05-02T05:19:22","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7981"},"modified":"2025-05-02T06:19:23","modified_gmt":"2025-05-02T05:19:23","slug":"gaia-deteta-uma-estranha-familia-de-estrelas-desesperadas-por-sair-de-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/05\/02\/gaia-deteta-uma-estranha-familia-de-estrelas-desesperadas-por-sair-de-casa\/","title":{"rendered":"Gaia deteta uma estranha fam\u00edlia de estrelas &#8220;desesperadas por sair de casa&#8221;"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2025\/04\/gaia_spots_odd_star_family\/26682370-1-eng-GB\/Gaia_spots_odd_star_family.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/hVygV2Mv_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7982\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/hVygV2Mv_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/hVygV2Mv_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/hVygV2Mv_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/hVygV2Mv_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Este mapa de todo o c\u00e9u foi criado e divulgado pela miss\u00e3o Gaia da ESA e inclui dados de mais de 1,8 mil milh\u00f5es de estrelas. Mostra o brilho total e a cor das estrelas observadas pelo sat\u00e9lite e divulgadas como parte do Gaia EDR3 (Gaia Early Data Release 3) em 2020.\nSobrepostas como pontos amarelos est\u00e3o as localiza\u00e7\u00f5es de mais de 1000 estrelas jovens; estas estrelas constituem a rec\u00e9m-descoberta fam\u00edlia Ophion, que em breve se ter\u00e1 dispersado completamente do seu ber\u00e7\u00e1rio estelar e se ter\u00e1 espalhado pela Via L\u00e1ctea. Os dados espetrosc\u00f3picos do Gaia foram fundamentais para a descoberta de Ophion, que se comporta como nenhuma outra fam\u00edlia de estrelas que tenhamos visto at\u00e9 \u00e0 data.\nCr\u00e9dito: ESA\/Gaia\/DPAC<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas da Via L\u00e1ctea tendem a formar-se em fam\u00edlias, com estrelas semelhantes a nascerem mais ou menos no mesmo s\u00edtio e mais ou menos na mesma altura. Mais tarde, estas estrelas, quando est\u00e3o prontas para &#8220;sair do ninho&#8221;, afastam-se do seu local de nascimento. Enquanto os grupos mais pequenos se podem dissipar completamente, as irm\u00e3s de fam\u00edlias maiores movem-se normalmente de forma semelhante e viajam em grande parte juntas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vimos muitas fam\u00edlias estelares com o Gaia. J\u00e1 foram observadas cadeias de estrelas que se estendem pela Via L\u00e1ctea e permanecem intactas durante milhares de milh\u00f5es de anos, os astr\u00f3nomos j\u00e1 mapearam os antigos fluxos estelares que se enrolaram para formar a estrutura mais antiga da nossa Gal\u00e1xia e elaboraram um &#8220;retrato de fam\u00edlia&#8221; estelar do nosso lar c\u00f3smico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Uma fam\u00edlia como nenhuma outra<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando dados do Gaia, os cientistas detetaram agora uma fam\u00edlia de estrelas diferente de todas as outras: uma fam\u00edlia massiva de mais de 1000 estrelas jovens com um comportamento estranho. Apesar do seu tamanho, a fam\u00edlia &#8211; denominada Ophion &#8211; em breve ter\u00e1 dispersado completamente e em tempo recorde, deixando apenas um ninho vazio para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ophion est\u00e1 cheia de estrelas que se v\u00e3o espalhar pela Gal\u00e1xia de uma forma totalmente aleat\u00f3ria e descoordenada, o que est\u00e1 longe de ser o que se espera de uma fam\u00edlia t\u00e3o grande&#8221;, diz Dylan Huson da WWU (Western Washington University), EUA, e principal autor do artigo cient\u00edfico sobre a descoberta. &#8220;Al\u00e9m disso, isto acontecer\u00e1 numa fra\u00e7\u00e3o do tempo que normalmente demoraria uma fam\u00edlia t\u00e3o grande a dispersar-se. \u00c9 como nenhuma outra fam\u00edlia de estrelas que tenhamos visto antes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um novo modelo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para encontrar Ophion, Dylan e os seus colegas desenvolveram um novo modelo para explorar o vasto e incompar\u00e1vel conjunto de dados espetrosc\u00f3picos do Gaia e aprender mais sobre estrelas jovens e de baixa massa que se encontram razoavelmente perto do Sol. Aplicaram este modelo, designado por Gaia Net, \u00e0s centenas de milh\u00f5es de espetros estelares publicados no \u00e2mbito da vers\u00e3o 3 dos dados do Gaia. Em seguida, restringiram a sua pesquisa a estrelas &#8220;jovens&#8221; com menos de 20 milh\u00f5es de anos &#8211; e Ophion saltou \u00e0 vista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 a primeira vez que \u00e9 poss\u00edvel utilizar um modelo como este para estrelas jovens, devido ao imenso volume e \u00e0 elevada qualidade das observa\u00e7\u00f5es espetrosc\u00f3picas necess\u00e1rias para o fazer funcionar&#8221;, acrescenta Johannes Sahlmann, cientista do projeto Gaia da ESA. &#8220;Ainda \u00e9 muito nova, a possibilidade de medir de forma fi\u00e1vel os par\u00e2metros de muitas estrelas jovens ao mesmo tempo. Este tipo de observa\u00e7\u00e3o em massa \u00e9 uma das proezas verdadeiramente sem precedentes do Gaia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Outra \u00e9 a forma como a miss\u00e3o Gaia est\u00e1 a criar oportunidades para uma nova ci\u00eancia colaborativa e interdisciplinar atrav\u00e9s da sua pol\u00edtica de dados abertos. V\u00e1rios membros da equipa de descoberta do Ophion s\u00e3o estudantes universit\u00e1rios e p\u00f3s-graduados em ci\u00eancias inform\u00e1ticas, que utilizaram os dados do Gaia para inovar e desenvolver novos m\u00e9todos que est\u00e3o agora a fornecer novas perspetivas sobre as estrelas da Via L\u00e1ctea&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Resolvendo o mist\u00e9rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o mant\u00e9m-se: porque \u00e9 que Ophion se comporta de forma t\u00e3o invulgar?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas discutem v\u00e1rias hip\u00f3teses. A fam\u00edlia de estrelas reside a cerca de 650 anos-luz de dist\u00e2ncia, perto de outros grandes aglomerados de estrelas jovens; eventos energ\u00e9ticos e intera\u00e7\u00f5es entre estes vizinhos colossais podem ter influenciado Ophion ao longo dos anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 tamb\u00e9m sinais de que estrelas explodiram aqui no passado. Estas explos\u00f5es de supernova podem ter varrido material de Ophion e feito com que as suas estrelas se movessem de forma muito mais r\u00e1pida e err\u00e1tica do que antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o sabemos exatamente o que aconteceu a esta fam\u00edlia de estrelas para que se comportasse desta forma, uma vez que nunca encontr\u00e1mos nada semelhante. \u00c9 um mist\u00e9rio&#8221;, diz a coautora Marina Kounkel da Universidade do Norte da Florida, EUA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 excitante, porque muda a forma como pensamos sobre os grupos de estrelas e como os podemos encontrar. Os m\u00e9todos anteriores identificavam as fam\u00edlias agrupando estrelas com movimentos semelhantes, mas Ophion teria escapado a esta rede. Sem os enormes conjuntos de dados de alta qualidade do Gaia e os novos modelos que podemos agora utilizar para os analisar, poder\u00edamos estar a perder uma grande pe\u00e7a do puzzle estelar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de mais de uma d\u00e9cada a mapear os nossos c\u00e9us, o Gaia deixou de observar em mar\u00e7o. Isto marca o fim das opera\u00e7\u00f5es da nave espacial &#8211; mas \u00e9 apenas o in\u00edcio da ci\u00eancia. Prev\u00eaem-se muitas mais descobertas nos pr\u00f3ximos anos, juntamente com as maiores publica\u00e7\u00f5es de dados do Gaia at\u00e9 \u00e0 data.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Gaia\/Gaia_spots_odd_family_of_stars_desperate_to_leave_home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/adc2fa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cinem\u00e1tica estelar:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_kinematics\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina da ESA para a comunidade cient\u00edfica<\/a><br><a href=\"https:\/\/gea.esac.esa.int\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados do Gaia (ESA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As estrelas da Via L\u00e1ctea tendem a formar-se em fam\u00edlias, com estrelas semelhantes a nascerem mais ou menos no mesmo s\u00edtio e mais ou menos na mesma altura. 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