{"id":7975,"date":"2025-05-02T06:13:32","date_gmt":"2025-05-02T05:13:32","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7975"},"modified":"2025-05-02T06:13:34","modified_gmt":"2025-05-02T05:13:34","slug":"nova-investigacao-derruba-antigas-ideias-sobre-o-asteroide-vesta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/05\/02\/nova-investigacao-derruba-antigas-ideias-sobre-o-asteroide-vesta\/","title":{"rendered":"Nova investiga\u00e7\u00e3o derruba antigas ideias sobre o asteroide Vesta"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/supernova.eso.org\/static\/archives\/exhibitionimages\/large\/685735main-pia15678-43-full-cc.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"769\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/0Uh9Sc4o_o-1024x769.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7976\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/0Uh9Sc4o_o-1024x769.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/0Uh9Sc4o_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/0Uh9Sc4o_o-768x577.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/0Uh9Sc4o_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Este mosaico utiliza algumas das melhores imagens que a sonda Dawn capturou do asteroide gigante Vesta.\nCr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/UCLA\/MPS\/DLR\/IDA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante d\u00e9cadas, os cientistas pensaram que Vesta, um dos maiores objetos da cintura de asteroides do nosso Sistema Solar, n\u00e3o era apenas um asteroide. Conclu\u00edram que Vesta tem uma crosta, um manto e um n\u00facleo &#8211; propriedades fundamentais de um planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos estudaram-no em busca de pistas sobre o crescimento inicial dos planetas e sobre o aspeto que a Terra poderia ter tido na sua inf\u00e2ncia. Agora, cientistas contribu\u00edram para uma investiga\u00e7\u00e3o que inverte esta no\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa liderada pelo JPL da NASA publicou um artigo cient\u00edfico na revista Nature Astronomy que revela que a estrutura interior de Vesta \u00e9 mais uniforme do que se pensava. Estas descobertas assustaram os investigadores que, at\u00e9 ent\u00e3o, assumiam que Vesta era um protoplaneta que nunca se tornou num planeta completo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A aus\u00eancia de um n\u00facleo foi muito surpreendente&#8221;, disse o professor assistente de Ci\u00eancias da Terra e do Ambiente da Universidade do Estado do Michigan, EUA, Seth Jacobson, coautor do artigo cient\u00edfico. &#8220;\u00c9 uma forma muito diferente de pensar acerca de Vesta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Qual \u00e9 a verdadeira identidade de Vesta? A equipa de investiga\u00e7\u00e3o tem duas hip\u00f3teses que precisam de ser mais exploradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira possibilidade \u00e9 que Vesta tenha passado por uma diferencia\u00e7\u00e3o incompleta, o que significa que iniciou o processo de fus\u00e3o necess\u00e1rio para dar ao asteroide camadas distintas, como um n\u00facleo, um manto e uma crosta, mas nunca o terminou. A segunda \u00e9 uma teoria que Jacobson apresentou numa confer\u00eancia de astronomia h\u00e1 alguns anos &#8211; Vesta \u00e9 um peda\u00e7o partido de um planeta em crescimento no nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa confer\u00eancia, Jacobson queria que outros investigadores considerassem a possibilidade de alguns meteoritos poderem ser detritos de colis\u00f5es que ocorreram durante a era da forma\u00e7\u00e3o dos planetas. Incluiu Vesta na sua sugest\u00e3o, mas n\u00e3o a tinha considerado uma possibilidade real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta ideia passou de uma sugest\u00e3o algo disparatada a uma hip\u00f3tese que agora estamos a levar a s\u00e9rio devido a esta rean\u00e1lise dos dados da miss\u00e3o Dawn da NASA&#8221;, disse Jacobson.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mais do que um asteroide<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria dos asteroides \u00e9 feita de um material condr\u00edtico muito antigo, parecendo um cascalho sedimentar c\u00f3smico. Em contraste, a superf\u00edcie de Vesta est\u00e1 coberta de rochas bas\u00e1lticas vulc\u00e2nicas. Estas rochas indicaram aos cientistas que Vesta passou por um processo de fus\u00e3o chamado diferencia\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, em que o metal se afunda para o centro e forma um n\u00facleo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A NASA lan\u00e7ou a nave espacial Dawn em 2007 para estudar Vesta e Ceres, os dois maiores objetos da cintura de asteroides. O objetivo era compreender melhor a forma\u00e7\u00e3o dos planetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Dawn passou meses, entre 2011 e 2012, em \u00f3rbita de Vesta, medindo o seu campo gravitacional e captando imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o para criar um mapa muito pormenorizado da sua superf\u00edcie. Depois de realizar tarefas semelhantes em Ceres, a miss\u00e3o terminou em 2018 e os cientistas publicaram os resultados obtidos a partir dos dados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jacobson disse que quanto mais os investigadores utilizavam os dados, melhor conseguiam process\u00e1-los. Descobriram formas de calibrar com maior precis\u00e3o as medi\u00e7\u00f5es que produzem uma imagem melhorada da composi\u00e7\u00e3o de Vesta. Foi por isso que Ryan Park, um investigador s\u00e9nior e engenheiro do JPL, e a sua equipa decidiram reprocessar as medi\u00e7\u00f5es de Vesta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Durante anos, os dados de gravidade contradit\u00f3rios das observa\u00e7\u00f5es da Dawn em Vesta criaram enigmas&#8221;, disse Park. &#8220;Depois de quase uma d\u00e9cada a aperfei\u00e7oar as nossas t\u00e9cnicas de calibra\u00e7\u00e3o e processamento, conseguimos um alinhamento not\u00e1vel entre os dados radiom\u00e9tricos recolhidos pela DSN (Deep Space Network) da Dawn e os dados de imagem a bordo. Fic\u00e1mos entusiasmados por confirmar a for\u00e7a dos dados para revelar o interior profundo de Vesta. As nossas descobertas mostram que a hist\u00f3ria de Vesta \u00e9 muito mais complexa do que se pensava anteriormente, moldada por processos \u00fanicos como a diferencia\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria interrompida e colis\u00f5es tardias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas planet\u00e1rios podem estimar a dimens\u00e3o do n\u00facleo de um corpo celeste medindo o que se designa por momento de in\u00e9rcia. Trata-se de um conceito da f\u00edsica que descreve a dificuldade de alterar a rota\u00e7\u00e3o de um objeto em torno de um eixo. Jacobson comparou este conceito a um patinador art\u00edstico a girar no gelo. O patinador altera a sua velocidade puxando os bra\u00e7os para dentro para acelerar e movendo-os para fora para abrandar. O seu momento de in\u00e9rcia \u00e9 alterado pela mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o dos bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da mesma forma, um objeto no espa\u00e7o com um n\u00facleo maior \u00e9 como uma bailarina com os bra\u00e7os puxados para dentro. Os corpos celestes com um n\u00facleo denso movem-se de forma diferente de um sem n\u00facleo. Munida deste conhecimento, a equipa de investiga\u00e7\u00e3o mediu a rota\u00e7\u00e3o e o campo gravitacional de Vesta. Os resultados mostraram que Vesta n\u00e3o se comportava como um objeto com um n\u00facleo, desafiando as ideias anteriores sobre a sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Duas hip\u00f3teses<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nenhuma das hip\u00f3teses foi suficientemente explorada para excluir qualquer uma delas, mas ambas t\u00eam problemas que requerem mais investiga\u00e7\u00e3o para serem explicados. Embora a diferencia\u00e7\u00e3o incompleta seja poss\u00edvel, n\u00e3o est\u00e1 de acordo com os meteoritos que os investigadores t\u00eam recolhido ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estamos muito confiantes de que estes meteoritos vieram de Vesta&#8221;, disse Jacobson. &#8220;E estes n\u00e3o mostram evid\u00eancias \u00f3bvias de diferencia\u00e7\u00e3o incompleta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A explica\u00e7\u00e3o alternativa baseia-se na ideia de que, \u00e0 medida que os planetas terrestres se foram formando, ocorreram grandes colis\u00f5es, na sua maioria fazendo crescer os planetas, mas tamb\u00e9m gerando detritos de impacto. Os materiais ejetados dessas colis\u00f5es incluiriam rochas resultantes da fus\u00e3o e, tal como Vesta, n\u00e3o teriam um n\u00facleo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O laborat\u00f3rio de Jacobson j\u00e1 estava a explorar as consequ\u00eancias dos impactos gigantes durante a era da forma\u00e7\u00e3o dos planetas. Est\u00e1 a trabalhar com uma das suas alunas, Emily Elizondo, na ideia de que alguns asteroides da cintura de asteroides s\u00e3o peda\u00e7os ejetados dos planetas em crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta ideia ainda est\u00e1 longe de estar provada. \u00c9 necess\u00e1rio criar e afinar mais modelos para provar que Vesta \u00e9 um peda\u00e7o antigo de um planeta em forma\u00e7\u00e3o. Os cientistas podem ajustar a forma como estudam os meteoritos de Vesta para aprofundar qualquer uma das hip\u00f3teses, disse Jacobson. Podem tamb\u00e9m fazer mais estudos com as novas abordagens aos dados da miss\u00e3o Dawn.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este artigo cient\u00edfico \u00e9 apenas o in\u00edcio de uma nova dire\u00e7\u00e3o de estudo, disse Jacobson. Poder\u00e1 mudar para sempre a forma como os cientistas olham para os mundos diferenciados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A cole\u00e7\u00e3o de meteoritos de Vesta j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma amostra de um corpo no espa\u00e7o que n\u00e3o conseguiu ser um planeta&#8221;, disse Jacobson. &#8220;Estes podem ser peda\u00e7os de um planeta antigo antes de ter crescido completamente. S\u00f3 que ainda n\u00e3o sabemos que planeta \u00e9 esse&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/msutoday.msu.edu\/news\/2025\/new-research-shatters-long-held-beliefs-about-asteroid-vesta\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade do Estado do Michigan (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-025-02533-7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Vesta:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/solar-system\/asteroids\/4-vesta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/ssd.jpl.nasa.gov\/tools\/sbdb_lookup.html#\/?sstr=20000004\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JPL\/NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/newton.spacedys.com\/astdys\/index.php?n=4&amp;pc=1.1.0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstDyS-2<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/4_Vesta\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Asteroides:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/solar-system\/asteroids\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nineplanets.org\/asteroids.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Asteroid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Momento de in\u00e9rcia:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Moment_of_inertia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sonda Dawn:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/dawn.jpl.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dawn_Mission\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante d\u00e9cadas, os cientistas pensaram que Vesta, um dos maiores objetos da cintura de asteroides do nosso Sistema Solar, n\u00e3o era apenas um asteroide. 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