{"id":7972,"date":"2025-04-29T06:12:08","date_gmt":"2025-04-29T05:12:08","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7972"},"modified":"2025-04-29T06:12:10","modified_gmt":"2025-04-29T05:12:10","slug":"cientistas-utilizam-o-telescopio-espacial-james-webb-para-compreender-melhor-as-origens-do-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/04\/29\/cientistas-utilizam-o-telescopio-espacial-james-webb-para-compreender-melhor-as-origens-do-sistema-solar\/","title":{"rendered":"Cientistas utilizam o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb para compreender melhor as origens do Sistema Solar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/missions\/hubble\/releases\/2010\/09\/STScI-01EVVD525Z3VHKE39B2JB3E6KV.tif\/jcr:content\/renditions\/2550x3300.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"800\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/xK4S28CM_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7973\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/xK4S28CM_o.jpg 1000w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/xK4S28CM_o-300x240.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/xK4S28CM_o-768x614.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Este \u00e9 um conceito art\u00edstico de um peda\u00e7o acidentado de detritos do Sistema Solar que pertence a uma classe de corpos chamados objetos trans-Neptunianos (OTNs). A maioria dos OTNs s\u00e3o pequenos e t\u00e9nues, o que os torna dif\u00edceis de detetar. Em geral, s\u00e3o mais de 100 milh\u00f5es de vezes mais t\u00e9nues do que os objetos vis\u00edveis a olho nu. Nesta ilustra\u00e7\u00e3o, o Sol distante \u00e9 reduzido a uma estrela brilhante a quase 5 mil milh\u00f5es de quil\u00f3metros.\nCr\u00e9dito: NASA, ESA e G. Bacon (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cientistas descobriram novos detalhes sobre a cria\u00e7\u00e3o de objetos gelados distantes no espa\u00e7o para l\u00e1 de Neptuno, fornecendo uma compreens\u00e3o mais profunda da forma\u00e7\u00e3o e crescimento do nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb, os cientistas analisaram corpos distantes &#8211; conhecidos como Objetos Trans-Neptunianos (OTNs) &#8211; e encontraram v\u00e1rios vest\u00edgios de metanol. As descobertas est\u00e3o a ajud\u00e1-los a classificar melhor os diferentes OTNs e a compreender as complexas rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas no espa\u00e7o que podem estar relacionadas com a forma\u00e7\u00e3o do nosso Sistema Solar e a origem da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As descobertas, recentemente publicadas na revista The Astrophysical Journal Letters pela Sociedade Astron\u00f3mica Americana, revelam dois grupos distintos de OTNs com presen\u00e7a de metanol gelado \u00e0 superf\u00edcie: um com uma quantidade reduzida de metanol \u00e0 superf\u00edcie e um grande reservat\u00f3rio sob a superf\u00edcie, e outro &#8211; mais afastado do Sol &#8211; com uma presen\u00e7a globalmente mais fraca de metanol. O estudo sugere que a irradia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos pode ter desempenhado um papel importante na distribui\u00e7\u00e3o variada do metanol no primeiro grupo, ao mesmo tempo que levanta novas quest\u00f5es sobre as assinaturas mais fracas do segundo grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Recuando no tempo e no espa\u00e7o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os OTNs s\u00e3o importantes para a nossa compreens\u00e3o das origens do nosso Sistema Solar porque s\u00e3o remanescentes incrivelmente bem preservados do disco protoplanet\u00e1rio &#8211; ou disco de g\u00e1s e poeira que rodeia uma estrela jovem como o Sol &#8211; e podem dar aos cientistas um vislumbre minucioso do passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Noem\u00ed Pinilla-Alonso, professora de investiga\u00e7\u00e3o do Departamento de F\u00edsica da Universidade da Fl\u00f3rida Central (UCF), que trabalha agora na Universidade de Oviedo, em Espanha, coliderou a investiga\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do programa DiSCo (Discovering the Surface Compositions of Trans-Neptunian Objects), liderado pela UCF, que inclui a professora associada Ana Carolina de Souza-Feliciano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pinilla-Alonso afirma que a investiga\u00e7\u00e3o ajuda a reconstituir a hist\u00f3ria da qu\u00edmica do Sistema Solar e a obter informa\u00e7\u00f5es sobre os exoplanetas, onde o metanol e o metano desempenham um papel crucial na forma\u00e7\u00e3o das atmosferas e na indica\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de mundos potencialmente habit\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O metanol, um \u00e1lcool simples, foi encontrado em cometas e em OTNs distantes, o que sugere que pode ser um ingrediente primitivo herdado dos prim\u00f3rdios do nosso Sistema Solar &#8211; ou mesmo do espa\u00e7o interestelar&#8221;, diz Pinilla-Alonso. &#8220;Mas o metanol \u00e9 mais do que um simples vest\u00edgio do passado. Quando exposto \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, transforma-se em novas subst\u00e2ncias, agindo como uma c\u00e1psula qu\u00edmica do tempo que revela como estes mundos gelados evolu\u00edram ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O metanol gelado \u00e9 um precursor chave que pode levar a mol\u00e9culas org\u00e2nicas como os a\u00e7\u00facares, e a sua descoberta em OTNs abre caminho a muito mais, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas diferen\u00e7as espetrais revelam que nem todos os OTNs se formaram a partir dos mesmos ingredientes moleculares, diz Pinilla-Alonso. Ao inv\u00e9s, as suas composi\u00e7\u00f5es refletem as suas origens &#8211; onde e como se formaram &#8211; e as suas transforma\u00e7\u00f5es ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que mais me entusiasmou foi perceber que estas diferen\u00e7as estavam relacionadas com o comportamento do metanol &#8211; um ingrediente chave que durante muito tempo n\u00e3o se viu nos OTNs atrav\u00e9s das observa\u00e7\u00f5es terrestres&#8221;, afirma. &#8220;As nossas descobertas sugerem que o metanol est\u00e1 a ser destru\u00eddo na superf\u00edcie dos OTNs pela irradia\u00e7\u00e3o, mas permanece mais abundante na subsuperf\u00edcie, protegido desta exposi\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pinilla-Alonso trabalhou em conjunto com investigadores da UCF, incluindo de Souza-Feliciano, que sintetizaram os dados laboratoriais com modelos para explicar melhor o comportamento do metanol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De Souza-Feliciano ajudou a melhor visualizar as descobertas, reproduzindo algumas das caracter\u00edsticas espetrais que os cientistas estavam a observar, e forneceu apoio matem\u00e1tico para os dados do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Uma das maiores surpresas veio do comportamento do metanol&#8221;, diz De Souza-Feliciano. &#8220;A partir de dados de laborat\u00f3rio, as suas assinaturas em comprimentos de onda mais curtos diferem das assinaturas fundamentais em comprimentos de onda mais longos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De Souza-Feliciano colaborou em projetos de investiga\u00e7\u00e3o anteriores do DiSCo usando o JWST que caracterizaram objetos bin\u00e1rios e outros OTNs distantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O principal artigo cient\u00edfico do DiSCo abordou as principais carater\u00edsticas dos tr\u00eas grupos de OTNs&#8221;, diz ela. &#8220;Este artigo cient\u00edfico entra em detalhe sobre um deles, conhecido como o grupo do penhasco, que \u00e9 a alcunha para o grupo espetral onde a reflet\u00e2ncia n\u00e3o aumenta depois de aproximadamente 3,3 micr\u00f3metros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o s\u00f3 estes OTNs do grupo do penhasco s\u00e3o c\u00e1psulas do tempo para o nosso Sistema Solar, como o grupo hospeda OTNs cl\u00e1ssicos e frios que, em grande parte, se mantiveram no lugar desde a sua forma\u00e7\u00e3o, diz de Souza-Feliciano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Uma das raz\u00f5es pelas quais este grupo \u00e9 fundamental para a compreens\u00e3o do Sistema Solar exterior \u00e9 o facto de conter todos os OTNs cl\u00e1ssicos e frios&#8221;, afirma. &#8220;Os OTNs cl\u00e1ssicos e frios s\u00e3o o \u00fanico grupo din\u00e2mico que provavelmente permaneceu no local onde se formou desde o in\u00edcio do Sistema Solar at\u00e9 hoje&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Colabora\u00e7\u00e3o internacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rosario Brunetto, astr\u00f3nomo da Universit\u00e9 Paris-Saclay, liderou a investiga\u00e7\u00e3o com as colegas cientistas Elsa H\u00e9nault e Sasha Cryan.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diz acreditar que esta descoberta colaborativa ir\u00e1 fornecer conhecimentos fundamentais sobre o nosso Sistema Solar e despertar o interesse pela ci\u00eancia planet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta descoberta n\u00e3o s\u00f3 reformula a nossa compreens\u00e3o dos OTNs, como tamb\u00e9m fornece uma refer\u00eancia crucial para interpretar as observa\u00e7\u00f5es do Webb de outros objetos distantes, como os troianos de Neptuno, os centauros e os asteroides, bem como para futuras miss\u00f5es que explorem o Sistema Solar exterior&#8221;, afirma Brunetto. &#8220;Para al\u00e9m do seu significado cient\u00edfico, a procura de metanol no Sistema Solar tamb\u00e9m alimenta a curiosidade e inspira as novas gera\u00e7\u00f5es a explorar o cosmos e a compreender as evolu\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas no espa\u00e7o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ucf.edu\/news\/ucf-scientists-use-james-webb-space-telescope-to-better-understand-solar-systems-origins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade da Fl\u00f3rida Central (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/adb977\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OTNs (Objetos trans-Neptunianos):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Trans-Neptunian_object\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jwst.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nirspec.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas descobriram novos detalhes sobre a cria\u00e7\u00e3o de objetos gelados distantes no espa\u00e7o para l\u00e1 de Neptuno, fornecendo uma compreens\u00e3o mais profunda 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