{"id":7963,"date":"2025-04-25T06:22:08","date_gmt":"2025-04-25T05:22:08","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7963"},"modified":"2025-04-25T06:22:09","modified_gmt":"2025-04-25T05:22:09","slug":"astronomos-descobrem-um-exoplaneta-que-se-esta-a-desintegrar-rapidamente-produzindo-uma-cauda-semelhante-a-de-um-cometa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/04\/25\/astronomos-descobrem-um-exoplaneta-que-se-esta-a-desintegrar-rapidamente-produzindo-uma-cauda-semelhante-a-de-um-cometa\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos descobrem um exoplaneta que se est\u00e1 a desintegrar rapidamente, produzindo uma cauda semelhante \u00e0 de um cometa"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/news.mit.edu\/sites\/default\/files\/download\/202504\/MIT-Disintegrate-Planet-01-press.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IV6KN0wE_o-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7964\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IV6KN0wE_o-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IV6KN0wE_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IV6KN0wE_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IV6KN0wE_o-310x205.jpg 310w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/IV6KN0wE_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Um planeta em desintegra\u00e7\u00e3o orbita uma estrela gigante. &#8220;A dimens\u00e3o da cauda \u00e9 gigantesca, estendendo-se a mais de 14 milh\u00f5es de quil\u00f3metros&#8221;, diz Marc Hon, p\u00f3s-doutorado no Instituto Kavli de Astrof\u00edsica e Investiga\u00e7\u00e3o Espacial do MIT.\nCr\u00e9dito: Jose-Luis Olivares, MIT<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Astr\u00f3nomos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) descobriram um planeta a cerca de 140 anos-luz da Terra que est\u00e1 a desfazer-se rapidamente em peda\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mundo em desintegra\u00e7\u00e3o tem aproximadamente a massa de Merc\u00fario, embora orbite cerca de 20 vezes mais perto da sua estrela do que Merc\u00fario do Sol, completando uma revolu\u00e7\u00e3o a cada 30,5 horas. A uma tal proximidade da sua estrela, o planeta est\u00e1 provavelmente coberto de magma que \u00e9 perdido para o espa\u00e7o. \u00c0 medida que o planeta gira em torno da sua estrela, est\u00e1 a libertar uma enorme quantidade de minerais da superf\u00edcie e efetivamente a evaporar-se.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos detetaram o planeta usando o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, uma miss\u00e3o liderada pelo MIT que monitoriza as estrelas mais pr\u00f3ximas em busca de tr\u00e2nsitos, ou quedas peri\u00f3dicas no brilho estelar que podem ser sinais de exoplanetas em \u00f3rbita. O sinal que chamou a aten\u00e7\u00e3o dos astr\u00f3nomos foi um tr\u00e2nsito peculiar, com um mergulho que variava em profundidade em cada \u00f3rbita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas confirmaram que o sinal \u00e9 de um planeta rochoso em \u00f3rbita \u00edntima que \u00e9 seguido por uma longa cauda de detritos, semelhante \u00e0 de um cometa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A dimens\u00e3o da cauda \u00e9 gigantesca, estendendo-se a mais de 14 milh\u00f5es de quil\u00f3metros, ou seja, cerca de metade da \u00f3rbita completa do planeta&#8221;, diz Marc Hon, p\u00f3s-doutorado no Instituto Kavli de Astrof\u00edsica e Investiga\u00e7\u00e3o Espacial do MIT.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parece que o planeta se est\u00e1 a desintegrar a um ritmo dram\u00e1tico, libertando uma quantidade de material equivalente a um Monte Evereste de cada vez que orbita a sua estrela. A este ritmo, dada a sua pequena massa, os investigadores preveem que o planeta se possa desintegrar completamente daqui a cerca de 1 milh\u00e3o a 2 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Tivemos a sorte de o avistar exatamente quando est\u00e1 realmente a desaparecer&#8221;, diz Avi Shporer, um colaborador da descoberta que tamb\u00e9m pertence ao gabinete cient\u00edfico do TESS. &#8220;\u00c9 como se estivesse no seu \u00faltimo suspiro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A &#8220;assar&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo exoplaneta, que os cientistas rotularam de BD+05 4868 Ab, foi detetado quase por acaso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o est\u00e1vamos \u00e0 procura deste tipo de planeta&#8221;, diz Hon. &#8220;Est\u00e1vamos a fazer a t\u00edpica verifica\u00e7\u00e3o de planetas e, por acaso, detetei este sinal que parecia muito invulgar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sinal t\u00edpico de um exoplaneta em \u00f3rbita parece uma breve queda numa curva de luz, que se repete regularmente, indicando que um corpo compacto, como um planeta, est\u00e1 a passar brevemente \u00e0 frente da luz da sua estrela hospedeira, bloqueando-a temporariamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este padr\u00e3o t\u00edpico \u00e9 diferente do que Hon e colegas detetaram na estrela hospedeira BD+05 4868 A, localizada na constela\u00e7\u00e3o de P\u00e9gaso. Embora aparecesse um tr\u00e2nsito a cada 30,5 horas, o brilho demorava muito mais tempo a voltar ao normal, sugerindo uma longa estrutura que continuava a bloquear a luz estelar. Ainda mais intrigante \u00e9 o facto da profundidade da queda mudar a cada \u00f3rbita, sugerindo que o que quer que estivesse a passar \u00e0 frente da estrela n\u00e3o tinha sempre a mesma forma nem bloqueava a mesma quantidade de luz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A forma do tr\u00e2nsito \u00e9 t\u00edpica de um cometa com uma cauda longa&#8221;, explica Hon. &#8220;Exceto que \u00e9 improv\u00e1vel que esta cauda contenha gases vol\u00e1teis e gelo, como se espera de um cometa real &#8211; estes n\u00e3o sobreviveriam muito tempo a uma proximidade t\u00e3o grande da estrela hospedeira. No entanto, os minerais evaporados da superf\u00edcie planet\u00e1ria podem permanecer o tempo suficiente para apresentar uma cauda t\u00e3o distinta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dada a proximidade \u00e0 sua estrela, a equipa estima que o planeta esteja a &#8220;assar&#8221; a cerca de 1600\u00ba C. \u00c0 medida que a estrela &#8220;assa&#8221; o planeta, quaisquer minerais na sua superf\u00edcie est\u00e3o provavelmente a ferver e a escapar para o espa\u00e7o, onde arrefecem numa longa e poeirenta cauda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dram\u00e1tico decl\u00ednio deste planeta \u00e9 uma consequ\u00eancia da sua baixa massa, que est\u00e1 entre a de Merc\u00fario e a da Lua. Planetas terrestres mais massivos, como a Terra, t\u00eam uma atra\u00e7\u00e3o gravitacional mais forte e, por isso, conseguem manter as suas atmosferas. No caso de BD+05 4868 Ab, os investigadores suspeitam que h\u00e1 muito pouca gravidade para manter o planeta unido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este \u00e9 um objeto muito pequeno, com uma gravidade muito fraca, por isso perde facilmente muita massa, o que enfraquece ainda mais a sua gravidade, perdendo ainda mais massa&#8221;, explica Shporer. &#8220;\u00c9 um processo descontrolado e s\u00f3 est\u00e1 a piorar cada vez mais para o planeta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rasto mineral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dos quase 6000 exoplanetas que os astr\u00f3nomos descobriram at\u00e9 agora, os cientistas conhecem apenas tr\u00eas outros em desintegra\u00e7\u00e3o para l\u00e1 do nosso Sistema Solar. Cada um destes mundos em ru\u00ednas foi detetado h\u00e1 mais de 10 anos, utilizando dados do Telesc\u00f3pio Espacial Kepler da NASA. Todos os tr\u00eas exoplanetas foram detetados com caudas semelhantes a cometas. BD+05 4868 Ab tem a cauda mais longa e os tr\u00e2nsitos mais profundos dos quatro planetas em desintegra\u00e7\u00e3o conhecidos at\u00e9 \u00e0 data.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isso implica que a sua evapora\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais catastr\u00f3fica e que vai desaparecer muito mais depressa do que os outros planetas&#8221;, explica Hon.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrela que acolhe o planeta est\u00e1 relativamente perto e, por isso, \u00e9 mais brilhante do que as estrelas que hospedam os outros tr\u00eas exoplanetas em desintegra\u00e7\u00e3o, o que torna este sistema ideal para observa\u00e7\u00f5es posteriores com o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA, que pode ajudar a determinar a composi\u00e7\u00e3o mineral da cauda de poeira, identificando as cores de luz infravermelha que absorve.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este ver\u00e3o, Hon e o estudante Nicholas Tusay, da Universidade do Estado da Pensilv\u00e2nia, EUA, v\u00e3o liderar as observa\u00e7\u00f5es de BD+05 4868 Ab usando o Webb. &#8220;Esta ser\u00e1 uma oportunidade \u00fanica para medir diretamente a composi\u00e7\u00e3o interior de um planeta rochoso, o que nos poder\u00e1 dizer muito sobre a diversidade e potencial habitabilidade de planetas terrestres para l\u00e1 do nosso Sistema Solar&#8221;, diz Hon.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores tamb\u00e9m v\u00e3o procurar nos dados do TESS sinais de outros mundos em desintegra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Por vezes, com a comida vem o apetite, e estamos agora a tentar iniciar a procura exatamente deste tipo de objetos&#8221;, diz Shporer. &#8220;S\u00e3o objetos estranhos, e a forma do sinal muda com o tempo, o que \u00e9 algo dif\u00edcil de encontrar. Mas \u00e9 algo em que estamos a trabalhar ativamente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.mit.edu\/2025\/astronomers-discover-planet-thats-rapidly-disintegrating-producing-comet-tail-0422\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ MIT News (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/adbf21\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>BD+05 4868 Ab:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/bd_05_4868_ab--10886\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/BD+05_4868Ab\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_nearest_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas mais pr\u00f3ximos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_candidates_for_liquid_water\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas candidatos a albergar \u00e1gua l\u00edquida (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/tess-transiting-exoplanet-survey-satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/tess.gsfc.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA\/Goddard<\/a><br><a href=\"https:\/\/heasarc.gsfc.nasa.gov\/docs\/tess\/proposing-investigations.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/tess\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MAST (Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais)<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanetarchive.ipac.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Transiting_Exoplanet_Survey_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) descobriram um planeta a cerca de 140 anos-luz da Terra que est\u00e1 a desfazer-se rapidamente em peda\u00e7os. 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