{"id":7932,"date":"2025-04-15T06:28:50","date_gmt":"2025-04-15T05:28:50","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7932"},"modified":"2025-04-15T06:28:51","modified_gmt":"2025-04-15T05:28:51","slug":"autopsia-de-um-planeta-engolido-por-uma-estrela-revela-uma-surpresa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/04\/15\/autopsia-de-um-planeta-engolido-por-uma-estrela-revela-uma-surpresa\/","title":{"rendered":"Aut\u00f3psia de um planeta engolido por uma estrela revela uma surpresa"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01JRDSW6JDQZ8TTTY7SCMDX0XK.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/hnUAqWuT_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7933\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/hnUAqWuT_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/hnUAqWuT_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/hnUAqWuT_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/hnUAqWuT_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">As observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA do que se pensa ser o primeiro registo de um evento de engolimento planet\u00e1rio revelaram um disco de acre\u00e7\u00e3o quente em torno da estrela, com uma nuvem em expans\u00e3o de poeira mais fria a envolver a cena. O Webb tamb\u00e9m revelou que a estrela n\u00e3o inchou para engolir o planeta, mas que a \u00f3rbita do planeta diminuiu lentamente ao longo do tempo, como se pode ver nesta imagem art\u00edstica (ver apenas <a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01JRDSX3QG7NZD1P5Y498Z9T1R.png\">painel 1<\/a>, <a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01JRDSXP319HRJDQQD46522Q28.png\">painel 2<\/a>, <a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01JRDSYB2PB0WZ8S7TCPF7Z6N5.png\">painel 3<\/a>, <a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01JRDSYWYTVNP0NVDJDZ69QQM7.png\">painel 4<\/a>).<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, R. Crawford (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA deram uma reviravolta surpreendente na narrativa em torno do que se pensa ser a primeira estrela observada no ato de engolir um planeta. As novas descobertas sugerem que a estrela, na realidade, n\u00e3o inchou para envolver um planeta, como anteriormente se supunha. Em vez disso, as observa\u00e7\u00f5es do Webb mostram que a \u00f3rbita do planeta encolheu ao longo do tempo, aproximando-o lentamente do seu fim at\u00e9 ser completamente engolido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Por se tratar de um acontecimento t\u00e3o novo, n\u00e3o sab\u00edamos bem o que esperar quando decidimos apontar este telesc\u00f3pio na sua dire\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Ryan Lau, autor principal do novo artigo cient\u00edfico e astr\u00f3nomo do NOIRLab (National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory) da NSF (National Science Foundation) em Tucson, no estado norte-americano do Arizona. &#8220;Com o seu olhar de alta resolu\u00e7\u00e3o no infravermelho, estamos a aprender informa\u00e7\u00f5es valiosas sobre o destino final dos sistemas planet\u00e1rios, possivelmente incluindo o nosso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois instrumentos a bordo do Webb efetuaram a aut\u00f3psia da cena &#8211; o MIRI (Mid-Infrared Instrument) e o NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph). Os investigadores conseguiram chegar \u00e0 sua conclus\u00e3o utilizando uma abordagem de investiga\u00e7\u00e3o em duas vertentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Restringindo o &#8220;como&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrela no centro desta cena est\u00e1 localizada na nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, a cerca de 12.000 anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O evento de aumento de brilho, formalmente chamado ZTF SLRN-2020, foi originalmente detetado como um flash de luz \u00f3tica usando o ZTF (Zwicky Transient Facility) no Observat\u00f3rio Palomar do Caltech em San Diego, Calif\u00f3rnia, EUA. Dados do NEOWISE (Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA mostraram que a estrela aumento de brilho no infravermelho um ano antes do flash \u00f3tico, sugerindo a presen\u00e7a de poeira. Esta investiga\u00e7\u00e3o inicial de 2023 levou os investigadores a pensar que a estrela era mais parecida com o Sol e que estava no processo de envelhecimento para uma gigante vermelha ao longo de centenas de milhares de anos, expandindo-se lentamente \u00e0 medida que esgotava o seu combust\u00edvel de hidrog\u00e9nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, o MIRI do Webb contou uma hist\u00f3ria diferente. Com a sua incr\u00edvel sensibilidade e resolu\u00e7\u00e3o espacial, o Webb conseguiu medir com precis\u00e3o a emiss\u00e3o oculta da estrela e dos seus arredores imediatos, que se encontram numa regi\u00e3o muito povoada do espa\u00e7o. Os investigadores descobriram que a estrela n\u00e3o era t\u00e3o brilhante como deveria ser se tivesse evolu\u00eddo para uma gigante vermelha, o que indica que n\u00e3o estava a inchar para engolir o planeta, como se pensava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Reconstruindo a cena<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores sugerem que, numa determinada altura, o planeta tinha a dimens\u00e3o de J\u00fapiter, mas orbitava muito perto da estrela, mais perto ainda do que a \u00f3rbita de Merc\u00fario em torno do nosso Sol. Ao longo de milh\u00f5es de anos, o planeta orbitou cada vez mais perto da estrela, o que levou a uma consequ\u00eancia catastr\u00f3fica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O planeta acabou por come\u00e7ar a ro\u00e7ar a atmosfera da estrela. Depois foi um processo descontrolado de queda mais r\u00e1pida a partir desse momento&#8221;, disse Morgan MacLeod, membro da equipa do Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian e do MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge, Massachusetts, EUA. &#8220;O planeta, ao cair, come\u00e7ou a espalhar-se \u00e0 volta da estrela&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na sua queda final, o planeta ter\u00e1 expelido g\u00e1s das camadas exteriores da estrela. \u00c0 medida que este se expandia e arrefecia, os elementos pesados deste g\u00e1s condensaram-se em poeira fria ao longo do ano seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Examinando os remanescentes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora os investigadores esperassem uma nuvem de poeira fria, em expans\u00e3o, \u00e0 volta da estrela, um olhar com o poderoso NIRSpec revelou um disco circunstelar quente de g\u00e1s molecular mais pr\u00f3ximo. Al\u00e9m disso, a alta resolu\u00e7\u00e3o espetral do Webb foi capaz de detetar certas mol\u00e9culas neste disco de acre\u00e7\u00e3o, incluindo mon\u00f3xido de carbono.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com um telesc\u00f3pio t\u00e3o transformador como o Webb, era dif\u00edcil para mim ter quaisquer expetativas sobre o que ir\u00edamos encontrar nas imedia\u00e7\u00f5es da estrela&#8221;, disse Colette Salyk do Vassar College em Poughkeepsie, Nova Iorque, investigadora de exoplanetas e coautora do novo artigo cient\u00edfico. &#8220;N\u00e3o estava \u00e0 espera de ver o que tem as caracter\u00edsticas de uma regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, apesar de os planetas n\u00e3o se estarem a formar aqui, no rescaldo de um engolimento&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A capacidade de caracterizar este g\u00e1s abre mais quest\u00f5es para os investigadores sobre o que realmente aconteceu quando o planeta foi completamente engolido pela estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isto \u00e9 verdadeiramente o precip\u00edcio do estudo destes eventos. Este \u00e9 o \u00fanico que observ\u00e1mos em a\u00e7\u00e3o e esta \u00e9 a melhor dete\u00e7\u00e3o do rescaldo depois de as coisas terem estabilizado&#8221;, disse Lau. &#8220;Esperamos que isto seja apenas o in\u00edcio da nossa amostra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores esperam aumentar a sua amostra e identificar mais eventos como este utilizando o Observat\u00f3rio Vera C. Rubin e o Telesc\u00f3pio Espacial Nancy Grace Roman da NASA, que ir\u00e3o examinar repetidamente grandes \u00e1reas do c\u00e9u para procurar mudan\u00e7as ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados da equipa foram publicados na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/webb\/nasa-webbs-autopsy-of-planet-swallowed-by-star-yields-surprise\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/contents\/news-releases\/2025\/news-2025-117\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ STScI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/adb429\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ZTF SLRN-2020:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ZTF_SLRN-2020\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jwst.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nirspec.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA deram uma reviravolta surpreendente na narrativa em torno do que se pensa ser a primeira estrela observada no ato de engolir um planeta. 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