{"id":7929,"date":"2025-04-15T06:25:40","date_gmt":"2025-04-15T05:25:40","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7929"},"modified":"2025-04-15T06:25:41","modified_gmt":"2025-04-15T05:25:41","slug":"de-aborrecido-a-explosivo-um-buraco-negro-gigante-desperta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/04\/15\/de-aborrecido-a-explosivo-um-buraco-negro-gigante-desperta\/","title":{"rendered":"De aborrecido a explosivo: um buraco negro gigante desperta"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2025\/04\/giant_black_hole_awakens_with_repetitive_x-ray_bursts\/26650033-1-eng-GB\/Giant_black_hole_awakens_with_repetitive_X-ray_bursts.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ijI0mZeR_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7930\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ijI0mZeR_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ijI0mZeR_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ijI0mZeR_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/ijI0mZeR_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta impress\u00e3o art\u00edstica ilustra o mecanismo que poder\u00e1 estar na origem das poderosas erup\u00e7\u00f5es de raios X observadas a partir de um buraco negro rec\u00e9m-despertado chamado Ansky.\nO telesc\u00f3pio de raios X da ESA, XMM-Newton, est\u00e1 a desempenhar um papel crucial na investiga\u00e7\u00e3o dos surtos recorrentes de raios X provenientes deste buraco negro supermassivo, que se encontra no centro de SDSS1335+0728, uma gal\u00e1xia distante a 300 milh\u00f5es de anos-luz.\nAs caracter\u00edsticas extraordin\u00e1rias das explos\u00f5es de Ansky levaram a equipa de investiga\u00e7\u00e3o a especular que as erup\u00e7\u00f5es de raios X poderiam ser provenientes de choques altamente energ\u00e9ticos no disco, provocados por um pequeno objeto celeste que atravessa repetidamente e perturba a mat\u00e9ria em \u00f3rbita.\nCr\u00e9dito: ESA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O XMM-Newton da ESA est\u00e1 a desempenhar um papel crucial na investiga\u00e7\u00e3o das mais longas e mais energ\u00e9ticas erup\u00e7\u00f5es de raios X observadas de um buraco negro recentemente desperto. A observa\u00e7\u00e3o deste estranho comportamento em tempo real fornece uma oportunidade \u00fanica para aprender mais sobre estes poderosos eventos e sobre o misterioso comportamento dos buracos negros massivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora saibamos que os buracos negros supermassivos (com milh\u00f5es de vezes a massa do nosso Sol) se escondem no centro da maioria das gal\u00e1xias, a sua pr\u00f3pria natureza torna-os dif\u00edceis de detetar e estudar. Em contraste com a ideia popular de que os buracos negros &#8220;devoram&#8221; constantemente mat\u00e9ria, estes monstros gravitacionais podem passar longos per\u00edodos de tempo numa fase dormente e inativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi o que aconteceu com o buraco negro no cora\u00e7\u00e3o de SDSS1335+0728, uma gal\u00e1xia distante e sem qualquer aspeto not\u00e1vel, situada a 300 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Virgem. Depois de estar inativo durante d\u00e9cadas, &#8220;acendeu-se&#8221; subitamente e come\u00e7ou recentemente a produzir flashes de raios X sem precedentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os primeiros sinais de atividade surgiram no final de 2019, quando a gal\u00e1xia come\u00e7ou inesperadamente a brilhar intensamente, atraindo a aten\u00e7\u00e3o dos astr\u00f3nomos. Depois de a estudarem durante v\u00e1rios anos, conclu\u00edram que as mudan\u00e7as invulgares que observaram eram provavelmente o resultado do buraco negro se ter &#8220;ligado&#8221; subitamente &#8211; entrando numa fase ativa. A regi\u00e3o central brilhante e compacta da gal\u00e1xia \u00e9 agora classificada como um n\u00facleo gal\u00e1ctico ativo, apelidado de &#8220;Ansky&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando vimos pela primeira vez Ansky a iluminar-se em imagens \u00f3ticas, desencade\u00e1mos observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento utilizando o telesc\u00f3pio espacial de raios X Swift da NASA e verific\u00e1mos dados de arquivo do telesc\u00f3pio de raios X eROSITA, mas na altura n\u00e3o vimos qualquer evid\u00eancia de emiss\u00f5es de raios X&#8221;, diz Paula S\u00e1nchez S\u00e1ez, investigadora do ESO, na Alemanha, e l\u00edder da equipa que explorou pela primeira vez a ativa\u00e7\u00e3o do buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ansky acorda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois, em fevereiro de 2024, uma equipa liderada por Lorena Hern\u00e1ndez-Garc\u00eda, investigadora da Universidade de Valpara\u00edso, no Chile, come\u00e7ou a ver surtos de raios X provenientes de Ansky a intervalos quase regulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este evento raro constitui uma oportunidade para os astr\u00f3nomos observarem o comportamento de um buraco negro em tempo real, utilizando os telesc\u00f3pios espaciais de raios X XMM-Newton e NICER, Chandra e Swift da NASA. Este fen\u00f3meno \u00e9 conhecido como uma erup\u00e7\u00e3o quase peri\u00f3dica, ou EQP. As EQPs s\u00e3o eventos de curta dura\u00e7\u00e3o. E esta \u00e9 a primeira vez que observamos um evento deste tipo num buraco negro que parece estar a acordar&#8221;, explica Lorena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O primeiro epis\u00f3dio de EQP foi descoberto em 2019 e, desde ent\u00e3o, s\u00f3 detet\u00e1mos mais alguns. Ainda n\u00e3o compreendemos o que os causa. O estudo de Ansky vai ajudar-nos a compreender melhor os buracos negros e a forma como evoluem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O XMM-Newton desempenhou um papel fundamental no nosso estudo. \u00c9 o \u00fanico telesc\u00f3pio de raios X suficientemente sens\u00edvel para detetar a luz de fundo de raios X mais fraca entre as erup\u00e7\u00f5es. Com o XMM-Newton, pudemos medir a intensidade da luz de fundo de Ansky, o que nos permitiu calcular a quantidade de energia que Ansky liberta quando se &#8216;acende&#8217; e come\u00e7a a piscar&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2008\/06\/xmm-newton\/10148619-2-eng-GB\/XMM-Newton.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/d7\/42\/i22lzvMZ_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista do XMM-Newton.<br>Cr\u00e9dito: ESA-C. Carreau<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Desvendando um comportamento intrigante<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A gravidade de um buraco negro captura a mat\u00e9ria que se aproxima demasiado e pode despeda\u00e7\u00e1-la. A mat\u00e9ria de uma estrela capturada, por exemplo, seria espalhada num disco quente, brilhante e de rota\u00e7\u00e3o r\u00e1pida chamado disco de acre\u00e7\u00e3o. A ideia atual \u00e9 que as EQPs s\u00e3o causadas por um objeto (que pode ser uma estrela ou um pequeno buraco negro) que interage com este disco de acre\u00e7\u00e3o e que t\u00eam sido associadas \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de uma estrela. Mas n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que Ansky tenha destru\u00eddo uma estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As caracter\u00edsticas extraordin\u00e1rias das erup\u00e7\u00f5es recorrentes de Ansky levaram a equipa de investiga\u00e7\u00e3o a considerar outras possibilidades. O disco de acre\u00e7\u00e3o poderia ser formado por g\u00e1s capturado pelo buraco negro a partir da sua vizinhan\u00e7a, e n\u00e3o por uma estrela desintegrada. Neste cen\u00e1rio, as explos\u00f5es de raios X seriam provenientes de choques altamente energ\u00e9ticos no disco, provocados por um pequeno objeto celeste que atravessa e perturba o material em \u00f3rbita, repetidamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As erup\u00e7\u00f5es de raios X de Ansky s\u00e3o dez vezes mais longas e dez vezes mais luminosas do que as que vemos numa EQP t\u00edpica&#8221;, diz Joheen Chakraborty, membro da equipa e estudante de doutoramento no MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Cada uma destas erup\u00e7\u00f5es liberta uma centena de vezes mais energia do que a observada noutros locais. As erup\u00e7\u00f5es de Ansky mostram tamb\u00e9m a cad\u00eancia mais longa alguma vez observada, de cerca de 4,5 dias. Isto leva os nossos modelos aos seus limites e desafia as ideias existentes sobre a forma como estes flashes de raios X est\u00e3o a ser gerados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observando um buraco negro em a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A possibilidade de observar a evolu\u00e7\u00e3o de Ansky em tempo real \u00e9 uma oportunidade sem precedentes para os astr\u00f3nomos aprenderem mais sobre os buracos negros e sobre os eventos energ\u00e9ticos que estes potenciam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Para as EQPs, ainda estamos no ponto em que temos mais modelos do que dados e precisamos de mais observa\u00e7\u00f5es para compreender o que est\u00e1 a acontecer&#8221;, diz Erwan Quintin, investigador da ESA e astr\u00f3nomo de raios X.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pens\u00e1vamos que as EQPs eram o resultado de pequenos objetos celestes que eram capturados por objetos muito maiores e que espiralavam na sua dire\u00e7\u00e3o. As erup\u00e7\u00f5es de Ansky parecem estar a contar-nos uma hist\u00f3ria diferente. Estes surtos repetitivos tamb\u00e9m est\u00e3o provavelmente associados a ondas gravitacionais que a futura miss\u00e3o LISA da ESA poder\u00e1 ser capaz de captar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 crucial ter estas observa\u00e7\u00f5es de raios X que ir\u00e3o complementar os dados das ondas gravitacionais e ajudar-nos a resolver o comportamento intrigante dos buracos negros massivos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/XMM-Newton\/From_boring_to_bursting_a_giant_black_hole_awakens\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-025-02523-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2504.07169\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NGAs (N\u00facleos Gal\u00e1cticos Ativos):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Active_galactic_nucleus\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio XMM-Newton:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/XMM-Newton\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/XMM-Newton\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O XMM-Newton da ESA est\u00e1 a desempenhar um papel crucial na investiga\u00e7\u00e3o das mais longas e mais energ\u00e9ticas erup\u00e7\u00f5es de raios X observadas de um buraco negro recentemente desperto. 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