{"id":7913,"date":"2025-04-08T06:33:03","date_gmt":"2025-04-08T05:33:03","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7913"},"modified":"2025-04-08T06:33:04","modified_gmt":"2025-04-08T05:33:04","slug":"astronomos-descobrem-um-par-de-estrelas-condenadas-a-nossa-porta-cosmica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/04\/08\/astronomos-descobrem-um-par-de-estrelas-condenadas-a-nossa-porta-cosmica\/","title":{"rendered":"Astr\u00f3nomos descobrem um par de estrelas condenadas \u00e0 nossa porta c\u00f3smica"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/newsandevents\/pressreleases\/warwick_astronomers_discover\/sn4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"666\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/u9QdZ5CX_o-1024x666.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7914\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/u9QdZ5CX_o-1024x666.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/u9QdZ5CX_o-300x195.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/u9QdZ5CX_o-768x499.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/u9QdZ5CX_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o art\u00edstica de um sistema bin\u00e1rio em que as suas duas estrelas est\u00e3o prestes a colidir.\nCr\u00e9dito: Universidade de Warwick\/Mark Garlick<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Astr\u00f3nomos da Universidade de Warwick descobriram um sistema estelar bin\u00e1rio compacto, de massa elevada e extremamente raro, a apenas 150 anos-luz de dist\u00e2ncia. Estas duas estrelas est\u00e3o em rota de colis\u00e3o para explodir como uma supernova do Tipo Ia, aparecendo 10 vezes mais brilhante do que a Lua no c\u00e9u noturno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As supernovas de Tipo Ia s\u00e3o uma classe especial de explos\u00f5es c\u00f3smicas, famosas por serem usadas como &#8220;velas padr\u00e3o&#8221; para medir as dist\u00e2ncias entre a Terra e as gal\u00e1xias que as acolhem. Ocorrem quando uma an\u00e3 branca (o n\u00facleo denso remanescente de uma estrela) acumula demasiada massa, \u00e9 incapaz de resistir \u00e0 sua pr\u00f3pria gravidade e explode.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muito que se prev\u00ea teoricamente que duas an\u00e3s brancas em \u00f3rbita s\u00e3o a causa da maioria das explos\u00f5es de supernova de Tipo Ia. Quando numa \u00f3rbita pr\u00f3xima, a an\u00e3 branca mais massiva do par acumula gradualmente material da sua parceira, o que leva a que essa estrela (ou ambas) expluda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta descoberta, publicada na revista Nature Astronomy, n\u00e3o s\u00f3 encontrou pela primeira vez um sistema deste tipo, como encontrou um par compacto de an\u00e3s brancas mesmo \u00e0 nossa porta c\u00f3smica, na Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">James Munday, investigador doutorado em Warwick e l\u00edder da investiga\u00e7\u00e3o, afirmou: &#8220;H\u00e1 anos que se previa a exist\u00eancia de um sistema duplo de an\u00e3s brancas local e massivo, por isso, quando vi pela primeira vez este sistema com uma massa total muito elevada \u00e0s nossas portas, na nossa Gal\u00e1xia, fiquei imediatamente entusiasmado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Com uma equipa internacional de astr\u00f3nomos, quatro dos quais da Universidade de Warwick, perseguimos imediatamente este sistema em alguns dos maiores telesc\u00f3pios \u00f3ticos do mundo para determinar exatamente o seu grau de compacidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ao descobrir que as duas estrelas est\u00e3o separadas por apenas 1\/60 da dist\u00e2ncia Terra-Sol, apercebi-me rapidamente de que t\u00ednhamos descoberto o primeiro bin\u00e1rio de an\u00e3s brancas que, sem d\u00favida, conduzir\u00e1 a uma supernova de Tipo Ia numa escala de tempo pr\u00f3xima da idade do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Finalmente, n\u00f3s, enquanto comunidade, podemos agora explicar com alguma fiabilidade a taxa de supernovas de Tipo Ia na Via L\u00e1ctea&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Significativamente, o novo sistema de James \u00e9 o mais massivo do seu g\u00e9nero alguma vez confirmado, com uma massa combinada de 1,56 vezes a do Sol. Com uma massa t\u00e3o elevada, isto significa que, aconte\u00e7a o que acontecer, as estrelas est\u00e3o destinadas a explodir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, a explos\u00e3o s\u00f3 ocorrer\u00e1 daqui a 23 mil milh\u00f5es de anos e, apesar de estar t\u00e3o perto do nosso Sistema Solar, esta supernova n\u00e3o por\u00e1 o nosso planeta em perigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando dados do NOT (Nordic Optical Telescope) e do Telesc\u00f3pio William Herschel, ambos localizados no Observat\u00f3rio Roque de Los Muchachos (Garaf\u00eda, La Palma), a equipa conseguiu compreender os pormenores precisos de como as duas estrelas chegar\u00e3o ao seu fim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste momento, as an\u00e3s brancas est\u00e3o a girar em torno uma da outra, numa \u00f3rbita que dura mais de 14 horas. Ao longo de milhares de milh\u00f5es de anos, a radia\u00e7\u00e3o das ondas gravitacionais far\u00e1 com que as duas estrelas espiralem uma em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 outra at\u00e9 que, no limiar do evento de supernova, estar\u00e3o a mover-se t\u00e3o rapidamente que completam uma \u00f3rbita em apenas 30 a 40 segundos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Dra. Ingrid Pelisoli, professora assistente na Universidade de Warwick e terceira autora, acrescentou: &#8220;Esta \u00e9 uma descoberta muito significativa. Encontrar um sistema deste tipo \u00e0s nossas portas, na nossa Gal\u00e1xia, \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o de que devem ser relativamente comuns, caso contr\u00e1rio ter\u00edamos de olhar para muito mais longe, procurando num volume maior da nossa Gal\u00e1xia, para os encontrar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Encontrar este sistema n\u00e3o \u00e9 o fim da hist\u00f3ria, no entanto, a nossa pesquisa em busca de progenitoras de supernovas de Tipo Ia ainda est\u00e1 em curso e esperamos mais descobertas excitantes no futuro. Pouco a pouco, estamos a aproximar-nos da resolu\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da origem das explos\u00f5es de Tipo Ia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o evento de supernova, a massa ser\u00e1 transferida de uma an\u00e3 para a outra, resultando numa rara e complexa explos\u00e3o de supernova atrav\u00e9s de uma detona\u00e7\u00e3o qu\u00e1drupla. A superf\u00edcie da an\u00e3 que ganha massa detona primeiro onde est\u00e1 a acumular material, fazendo com que o seu n\u00facleo expluda em segundo lugar. Isto ejeta material em todas as dire\u00e7\u00f5es, colidindo com a outra an\u00e3 branca, fazendo com que o processo se repita para uma terceira e quarta detona\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As explos\u00f5es destruir\u00e3o completamente todo o sistema, com n\u00edveis de energia mil quadrili\u00f5es de vezes superiores aos da mais poderosa bomba nuclear.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Milhares de milh\u00f5es de anos no futuro, esta supernova aparecer\u00e1 como um ponto de luz muito intenso no c\u00e9u noturno. Caso a Terra ainda exista, em compara\u00e7\u00e3o, far\u00e1 com que alguns dos objetos mais brilhantes pare\u00e7am t\u00e9nues, aparecendo at\u00e9 dez vezes mais brilhante do que a Lua e 200.000 vezes mais brilhante do que J\u00fapiter.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"The type Ia supernova explosion of WDJ181058.67+311940.94\" width=\"618\" height=\"464\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jRk5lYE0Y78?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/warwick.ac.uk\/newsandevents\/pressreleases\/warwick_astronomers_discover\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/iac-discovers-pair-stars-condemned-explode-supernova-only-150-light-years-away\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-025-02528-4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>An\u00e3 branca:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/imagine.gsfc.nasa.gov\/science\/objects\/dwarfs2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/White_dwarf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernovas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tipo Ia (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>NOT (Nordic Optical Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.not.iac.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nordic_Optical_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>WHT (William Herschel Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.ing.iac.es\/Astronomy\/telescopes\/wht\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/William_Herschel_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astr\u00f3nomos da Universidade de Warwick descobriram um sistema estelar bin\u00e1rio compacto, de massa elevada e extremamente raro, a apenas 150 anos-luz de dist\u00e2ncia. 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