{"id":7907,"date":"2025-04-08T06:28:08","date_gmt":"2025-04-08T05:28:08","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7907"},"modified":"2025-04-08T06:28:09","modified_gmt":"2025-04-08T05:28:09","slug":"quando-um-buraco-negro-nos-pisca-o-olho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/04\/08\/quando-um-buraco-negro-nos-pisca-o-olho\/","title":{"rendered":"Quando um buraco negro nos pisca o olho"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/5TukJjMQ_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"898\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/5TukJjMQ_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7908\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/5TukJjMQ_o.jpg 1000w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/5TukJjMQ_o-300x269.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/5TukJjMQ_o-768x690.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma vista da gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda no vis\u00edvel e uma vista melhorada, com zoom, usando o XMM-Newton e o telesc\u00f3pio Chandra.\nCr\u00e9dito: SDSS, XMM-Newton, Observat\u00f3rio de raios X Chandra, recolhido via Aladin<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um investigador da Universidade do Estado do Michigan, nos EUA, observou raios X provenientes de um buraco negro utilizando o telesc\u00f3pio de raios X Chandra da NASA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Todas as grandes gal\u00e1xias t\u00eam um buraco negro supermassivo, mas a natureza exata da rela\u00e7\u00e3o entre os dois ainda \u00e9 misteriosa&#8221;, disse Stephen DiKerby, investigador associado de f\u00edsica e astronomia. &#8220;Depois de analisar os dados [do telesc\u00f3pio Chandra], tive um arrepio, porque percebi que estava a ver os raios X de um buraco negro supermassivo a piscar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os buracos negros t\u00eam uma m\u00edstica, uma aura. S\u00e3o os monstros invis\u00edveis do Universo, mas os cientistas de todo o mundo n\u00e3o se intimidam perante estes colossos. Aceitam-nos como laborat\u00f3rios de investiga\u00e7\u00e3o em f\u00edsica e astronomia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os buracos negros supermassivos s\u00e3o objetos com milh\u00f5es ou milhares de milh\u00f5es de vezes a massa do Sol, comprimidos num espa\u00e7o t\u00e3o pequeno que nem a luz consegue escapar. O material que cai na gravidade intensa do buraco negro pode aquecer at\u00e9 temperaturas extremas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os raios X do ambiente pr\u00f3ximo de buracos negros supermassivos podem ser observados com telesc\u00f3pios como o Observat\u00f3rio de Raios X Chandra, que orbita a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DiKerby, que tamb\u00e9m \u00e9 membro do Observat\u00f3rio de Neutrinos IceCube, e os seus colaboradores examinaram 15 anos de dados recolhidos pelo Chandra. Depois, juntaram um registo dos raios X produzidos por um buraco negro supermassivo na gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda chamado M31*.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sua investiga\u00e7\u00e3o permite compreender a rela\u00e7\u00e3o \u00fanica entre uma gal\u00e1xia e o seu buraco negro. Este facto \u00e9 fundamental para compreender como o Universo se desenvolveu nos \u00faltimos 14 mil milh\u00f5es de anos. Os resultados das suas an\u00e1lises foram recentemente publicados na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tudo come\u00e7ou com uma linha &#8220;de migalhas de p\u00e3o&#8221; de neutrinos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria n\u00e3o come\u00e7a com os buracos negros, mas com os neutrinos &#8211; part\u00edculas min\u00fasculas e eletricamente neutras que atravessam o espa\u00e7o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra. DiKerby e os seus colegas do IceCube seguem os neutrinos como um rasto de migalhas de p\u00e3o atrav\u00e9s do espa\u00e7o para obterem uma melhor compreens\u00e3o do funcionamento dos sistemas mais extremos do Universo. Os neutrinos podem ser produzidos pelos ambientes pr\u00f3ximos de buracos negros supermassivos como o de M31*.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O Chandra tem uma resolu\u00e7\u00e3o espacial t\u00e3o fina que consegue distinguir a emiss\u00e3o de raios X de M31* de tr\u00eas outras fontes de raios X que se aglomeram \u00e0 sua volta no n\u00facleo de Andr\u00f3meda. \u00c9 o \u00fanico telesc\u00f3pio que consegue fazer isto&#8221;, disse DiKerby. &#8220;Conseguimos reconstruir a imagem &#8211; ampliar e melhorar como numa s\u00e9rie policial de televis\u00e3o &#8211; para separar a emiss\u00e3o e medir apenas os raios X de M31* e n\u00e3o os das outras fontes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fot\u00f5es piscantes iluminam o buraco negro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores determinaram que M31* tem estado num estado elevado desde 2006, quando ejetou um dram\u00e1tico sinal de raios X. Descobriram tamb\u00e9m que M31* sofreu outra erup\u00e7\u00e3o de raios X em 2013, antes de se fixar no estado p\u00f3s-2006. Este achado alinha-se com uma descoberta recente do IceCube que ligou as erup\u00e7\u00f5es relacionadas com neutrinos noutra gal\u00e1xia com o seu supermassivo negro. Estes resultados mostram como as observa\u00e7\u00f5es de buracos negros supermassivos pr\u00f3ximos podem revelar prov\u00e1veis janelas temporais para emiss\u00f5es de neutrinos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O seu trabalho utilizou as posi\u00e7\u00f5es precisas de quatro fontes de raios X no n\u00facleo da gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda &#8211; S1, SSS, N1 e P2 &#8211; para identificar a localiza\u00e7\u00e3o do buraco negro supermassivo em P2.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/db\/24\/ZlVUDUeH_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/db\/24\/ZlVUDUeH_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Dados de raios X recolhidos pelo telesc\u00f3pio Chandra no centro de M31, destacando as quatro fontes nucleares &#8211; S1, SSS, N1 e P2. P2 corresponde \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do buraco negro supermassivo no centro da gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda.<br>Cr\u00e9dito: DiKerby, Zhang, e Irwin 2025, The Astrophysical Journal<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DiKerby compara o rastreio do brilho em raios X destes objetos a medir, na linha de fundo, a intensidade de quatro velas tremeluzentes no extremo oposto de um est\u00e1dio de futebol. Com a resolu\u00e7\u00e3o do telesc\u00f3pio Chandra, a equipa p\u00f4de diferenciar os dados para isolar cada um dos objetos vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este trabalho s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0s capacidades de observa\u00e7\u00e3o \u00fanicas do Chandra. Apesar de continuar a funcionar bem, o telesc\u00f3pio est\u00e1 em risco de perder financiamento. A proposta de um telesc\u00f3pio da pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o, AXIS, ainda est\u00e1 na fase inicial de desenvolvimento e s\u00f3 estar\u00e1 operacional na d\u00e9cada de 2030.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se o Chandra for desativado, o recurso para fazer estas observa\u00e7\u00f5es de resolu\u00e7\u00e3o fina desaparecer\u00e1 para sempre&#8221;, disse DiKerby. &#8220;\u00c9 vital manter estas capacidades e planear a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de telesc\u00f3pios&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DiKerby espera que este artigo cient\u00edfico motive as pessoas a continuar a analisar os dados de M31*. O telesc\u00f3pio Chandra precisa de continuar em funcionamento enquanto se planeia o desenvolvimento de futuros telesc\u00f3pios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quero que continuemos a observar o sistema, que continuemos a observar estas erup\u00e7\u00f5es e que continuemos a escrever a hist\u00f3ria dos buracos negros supermassivos&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/msutoday.msu.edu\/news\/2025\/when-a-black-hole-winks-at-you\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade do Estado do Michigan (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/adb1d5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda (M31):<br><\/strong><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/m\/m031.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Andromeda_Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Andromeda_Galaxy#Nucleus\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">M31* (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Neutrino:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neutrino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio de raios X Chandra:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission\/chandra-x-ray-observatory\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/chandra.harvard.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universidade de Harvard<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Chandra_X-ray_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio de Neutrinos IceCube:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/icecube.wisc.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/IceCube_Neutrino_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>AXIS (Advanced X-Ray Imaging Satellite):<br><\/strong><a href=\"https:\/\/axis.umd.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Advanced_X-Ray_Imaging_Satellite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um investigador da Universidade do Estado do Michigan, nos EUA, observou raios X provenientes de um buraco negro utilizando o telesc\u00f3pio de raios X Chandra da 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