{"id":7901,"date":"2025-04-04T06:52:57","date_gmt":"2025-04-04T05:52:57","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7901"},"modified":"2025-04-04T06:52:58","modified_gmt":"2025-04-04T05:52:58","slug":"estudo-de-20-anos-do-hubble-sobre-urano-revela-novas-informacoes-atmosfericas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/04\/04\/estudo-de-20-anos-do-hubble-sobre-urano-revela-novas-informacoes-atmosfericas\/","title":{"rendered":"Estudo de 20 anos do Hubble sobre \u00darano revela novas informa\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01JQ4XJZ0ZNFHYWFKPM6A6WJ42.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/VICBYP3b_o-960x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7902\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/VICBYP3b_o-960x1024.jpg 960w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/VICBYP3b_o-281x300.jpg 281w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/VICBYP3b_o-768x819.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/VICBYP3b_o-1440x1536.jpg 1440w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/VICBYP3b_o.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">As mudan\u00e7as na atmosfera de \u00darano ao longo do per\u00edodo de 20 anos de acompanhamento com o instrumento STIS do Hubble. Os investigadores observaram as esta\u00e7\u00f5es do ano de \u00darano, \u00e0 medida que a regi\u00e3o polar sul escurecia, entrando na sombra do inverno, ao passo que a regi\u00e3o polar norte se iluminava com a aproxima\u00e7\u00e3o do ver\u00e3o.\nCr\u00e9dito: NASA, ESA, Erich Karkoschka (Universidade do Arizona)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O planeta gigante gelado \u00darano, que viaja \u00e0 volta do Sol de lado, \u00e9 um mundo estranho e misterioso. Agora, num estudo sem precedentes que se estende por duas d\u00e9cadas, investigadores que utilizam o Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA descobriram novas informa\u00e7\u00f5es sobre a composi\u00e7\u00e3o e din\u00e2mica atmosf\u00e9rica do planeta. Isto s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 alta resolu\u00e7\u00e3o do Hubble, \u00e0s suas capacidades espetrais e \u00e0 sua longevidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados da equipa v\u00e3o ajudar os astr\u00f3nomos a melhor compreender como a atmosfera de \u00darano funciona e como reage \u00e0s mudan\u00e7as da luz solar. Estas observa\u00e7\u00f5es de longo prazo fornecem dados valiosos para a compreens\u00e3o da din\u00e2mica atmosf\u00e9rica deste distante gigante gelado, que pode servir como um representante para o estudo de exoplanetas de tamanho e composi\u00e7\u00e3o semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a Voyager 2 passou por \u00darano em 1986, tirou uma fotografia em grande plano do planeta. O que viu assemelhava-se a uma bola de bilhar azul-esverdeada com poucas caracter\u00edsticas. Em compara\u00e7\u00e3o, o Hubble registou uma hist\u00f3ria de 20 anos de mudan\u00e7as sazonais, de 2002 a 2022. Durante esse per\u00edodo, uma equipa liderada por Erich Karkoschka, da Universidade do Arizona, EUA, e Larry Sromovsky e Pat Fry, da Universidade de Wisconsin, EUA, utilizou o mesmo instrumento do Hubble, o STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph), para tra\u00e7ar um quadro preciso da estrutura atmosf\u00e9rica de \u00darano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atmosfera de \u00darano \u00e9 constitu\u00edda principalmente por hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio, com uma pequena quantidade de metano e vest\u00edgios de \u00e1gua e amon\u00edaco. O metano d\u00e1 a \u00darano a sua cor ciano, absorvendo os comprimentos de onda vermelhos da luz solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa do Hubble observou \u00darano quatro vezes no per\u00edodo de 20 anos: em 2002, 2012, 2015 e 2022. Descobriram que, ao contr\u00e1rio do que acontece nos gigantes gasosos Saturno e J\u00fapiter, o metano n\u00e3o est\u00e1 uniformemente distribu\u00eddo por \u00darano. Em vez disso, est\u00e1 fortemente empobrecido perto dos polos. Este empobrecimento manteve-se relativamente constante ao longo das duas d\u00e9cadas. No entanto, a estrutura aerossol e da neblina mudou drasticamente, aumentando significativamente o brilho na regi\u00e3o polar norte \u00e0 medida que o planeta se aproxima do solst\u00edcio de ver\u00e3o em 2030.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00darano demora um pouco mais de 84 anos terrestres a completar uma \u00fanica \u00f3rbita em torno do Sol. Assim, ao longo de duas d\u00e9cadas, a equipa do Hubble s\u00f3 viu sobretudo a primavera setentrional, \u00e0 medida que o Sol deixa de brilhar diretamente sobre o equador de \u00darano para brilhar quase diretamente sobre o seu polo norte em 2030. As observa\u00e7\u00f5es do Hubble sugerem padr\u00f5es complexos de circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica em \u00darano durante este per\u00edodo. Os dados mais sens\u00edveis \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o do metano indicam uma descida nas regi\u00f5es polares e uma subida noutras regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa analisou os seus resultados de v\u00e1rias formas. As colunas da imagem mostram a mudan\u00e7a de \u00darano durante os quatro anos em que o STIS observou \u00darano ao longo do per\u00edodo de 20 anos. Durante esse per\u00edodo de tempo, os investigadores observaram as esta\u00e7\u00f5es de \u00darano, \u00e0 medida que a regi\u00e3o polar sul (\u00e0 esquerda) escurecia ao entrar na sombra do inverno, ao passo que a regi\u00e3o polar norte (\u00e0 direita) aumentava de brilho \u00e0 medida que come\u00e7ava a ser vista mais diretamente com o aproximar do ver\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A linha superior, no vis\u00edvel, mostra como a cor de \u00darano aparece ao olho humano, mesmo atrav\u00e9s de um telesc\u00f3pio amador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda linha, a imagem do planeta, a cores falsas, \u00e9 constitu\u00edda a partir de observa\u00e7\u00f5es no vis\u00edvel e no infravermelho pr\u00f3ximo. A cor e o brilho correspondem \u00e0s quantidades de metano e de aeross\u00f3is. Ambas as quantidades n\u00e3o podiam ser distinguidas antes de o STIS do Hubble ter sido apontado pela primeira vez para \u00darano em 2002. Geralmente, as \u00e1reas verdes indicam menos metano do que as \u00e1reas azuis, e as \u00e1reas vermelhas n\u00e3o mostram metano. As \u00e1reas vermelhas est\u00e3o no limbo, onde a estratosfera de \u00darano \u00e9 quase completamente desprovida de metano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas linhas inferiores mostram a estrutura de latitude dos aeross\u00f3is e do metano inferida a partir de 1000 comprimentos de onda (cores) diferentes, do vis\u00edvel ao infravermelho pr\u00f3ximo. Na terceira linha, as \u00e1reas claras indicam condi\u00e7\u00f5es mais nubladas, enquanto as \u00e1reas escuras representam condi\u00e7\u00f5es mais limpas. Na quarta linha, as \u00e1reas claras indicam metano empobrecido, enquanto as \u00e1reas escuras mostram a quantidade total de metano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas latitudes m\u00e9dias e baixas, os aeross\u00f3is e o empobrecimento de metano t\u00eam a sua pr\u00f3pria estrutura latitudinal que, na sua maioria, n\u00e3o se alterou muito ao longo das duas d\u00e9cadas de observa\u00e7\u00e3o. No entanto, nas regi\u00f5es polares, os aeross\u00f3is e o empobrecimento de metano comportam-se de forma muito diferente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na terceira linha, os aeross\u00f3is perto do polo norte apresentam um aumento dram\u00e1tico, aparecendo muito escuros durante o in\u00edcio da primavera setentrional, tornando-se muito brilhantes nos \u00faltimos anos. Os aeross\u00f3is tamb\u00e9m parecem desaparecer no limbo esquerdo \u00e0 medida que a radia\u00e7\u00e3o solar diminui. Esta \u00e9 uma evid\u00eancia de que a radia\u00e7\u00e3o solar altera a n\u00e9voa de aeross\u00f3is na atmosfera de \u00darano. Por outro lado, o empobrecimento de metano parece manter-se bastante elevado em ambas as regi\u00f5es polares durante todo o per\u00edodo de observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos v\u00e3o continuar a observar \u00darano \u00e0 medida que o planeta se aproxima do ver\u00e3o setentrional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/hubble\/20-year-hubble-study-of-uranus-yields-new-atmospheric-insights\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2025\/news-2025-011\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ STScI (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00darano:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/uranus\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Uranus_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atmosphere_of_Uranus\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Atmosfera de \u00darano (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O planeta gigante gelado \u00darano, que viaja \u00e0 volta do Sol de lado, \u00e9 um mundo estranho e misterioso. 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