{"id":7879,"date":"2025-03-28T07:09:33","date_gmt":"2025-03-28T06:09:33","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7879"},"modified":"2025-03-28T07:09:33","modified_gmt":"2025-03-28T06:09:33","slug":"webb-capta-pela-primeira-vez-as-auroras-de-neptuno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/03\/28\/webb-capta-pela-primeira-vez-as-auroras-de-neptuno\/","title":{"rendered":"Webb capta pela primeira vez as auroras de Neptuno"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/FyxjIQkU_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"508\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/FyxjIQkU_o-1024x508.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7880\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/FyxjIQkU_o-1024x508.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/FyxjIQkU_o-300x149.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/FyxjIQkU_o-768x381.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/FyxjIQkU_o.jpg 1270w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00c0 esquerda, uma imagem melhorada de Neptuno obtida pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA. \u00c0 direita, essa imagem \u00e9 combinada com dados do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA. As manchas cianas, que representam a atividade auroral, e as nuvens brancas s\u00e3o dados NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb, sobrepostos \u00e0 imagem completa do planeta obtida pelo instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble.\nCr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, STSCI, Heidi Hammel (AURA), Henrik Melin (Universidade de Northumbria), Leigh Fletcher (Universidade de Leicester), Stefanie Milam (NASA-GSFC)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Pela primeira vez, o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA captou uma brilhante atividade auroral em Neptuno. As auroras ocorrem quando part\u00edculas energ\u00e9ticas, muitas vezes provenientes do Sol, ficam presas no campo magn\u00e9tico de um planeta e eventualmente atingem a atmosfera superior. A energia libertada durante estas colis\u00f5es cria o brilho caracter\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<p>No passado, os astr\u00f3nomos viram ind\u00edcios tentadores de atividade auroral em Neptuno, por exemplo, na passagem da Voyager 2 da NASA em 1989. No entanto, a obten\u00e7\u00e3o de imagens e a confirma\u00e7\u00e3o das auroras em Neptuno h\u00e1 muito que escapavam aos astr\u00f3nomos, apesar das dete\u00e7\u00f5es bem-sucedidas em J\u00fapiter, Saturno e \u00darano. Neptuno era a pe\u00e7a que faltava no puzzle quando se tratava de detetar auroras nos planetas gigantes do nosso Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acontece que fotografar a atividade auroral em Neptuno s\u00f3 era poss\u00edvel com a sensibilidade do Webb ao infravermelho pr\u00f3ximo&#8221;, disse o autor principal Henrik Melin da Universidade de Northumbria, que conduziu a investiga\u00e7\u00e3o enquanto esteve na Universidade de Leicester. &#8220;Foi espantoso n\u00e3o s\u00f3 ver as auroras, tamb\u00e9m fiquei chocado com o pormenor e a nitidez da assinatura&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados foram obtidos em junho de 2023 utilizando o instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb. Para al\u00e9m da imagem do planeta, os astr\u00f3nomos obtiveram um espetro para caracterizar a composi\u00e7\u00e3o e medir a temperatura da atmosfera superior do planeta (a ionosfera). Pela primeira vez, encontraram uma linha de emiss\u00e3o extremamente proeminente que significa a presen\u00e7a do cati\u00e3o trihidrog\u00e9nio (H3+), que pode ser criado nas auroras. Nas imagens de Neptuno pelo Webb, a aurora brilhante aparece como manchas representadas a ciano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O H3+ tem sido um sinal claro em todos os gigantes gasosos &#8211; J\u00fapiter, Saturno e \u00darano &#8211; de atividade auroral, e esper\u00e1vamos ver o mesmo em Neptuno quando investig\u00e1mos o planeta ao longo dos anos com as melhores instala\u00e7\u00f5es terrestres dispon\u00edveis&#8221;, explicou Heidi Hammel, da AURA (Association of Universities for Research in Astronomy), cientista interdisciplinar do Webb e l\u00edder do programa GTO (Guaranteed Time Observations) do Webb para objetos do Sistema Solar, no qual os dados foram obtidos. &#8220;S\u00f3 com uma m\u00e1quina como o Webb \u00e9 que finalmente obtivemos essa confirma\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A atividade auroral observada em Neptuno \u00e9 tamb\u00e9m visivelmente diferente da que estamos habituados a ver aqui na Terra, ou mesmo em J\u00fapiter ou Saturno. Em vez de estarem confinadas aos polos norte e sul do planeta, as auroras de Neptuno est\u00e3o localizadas nas latitudes m\u00e9dias geogr\u00e1ficas do planeta &#8211; pense na localiza\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto deve-se \u00e0 estranha natureza do campo magn\u00e9tico de Neptuno, originalmente descoberto pela Voyager 2 em 1989, que est\u00e1 inclinado 47 graus em rela\u00e7\u00e3o ao eixo de rota\u00e7\u00e3o do planeta. Uma vez que a atividade auroral se baseia onde os campos magn\u00e9ticos convergem para a atmosfera do planeta, as auroras de Neptuno est\u00e3o longe dos seus polos de rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A dete\u00e7\u00e3o pioneira das auroras de Neptuno vai ajudar-nos a compreender como o campo magn\u00e9tico de Neptuno interage com as part\u00edculas que fluem do Sol para os confins distantes do nosso Sistema Solar, uma janela totalmente nova na ci\u00eancia atmosf\u00e9rica dos gigantes gelados.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir das observa\u00e7\u00f5es do Webb, a equipa tamb\u00e9m mediu a temperatura do topo da atmosfera de Neptuno pela primeira vez desde o &#8220;flyby&#8221; da Voyager 2. Os resultados sugerem a raz\u00e3o pela qual as auroras de Neptuno permaneceram escondidas dos astr\u00f3nomos durante tanto tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Fiquei espantado &#8211; a atmosfera superior de Neptuno arrefeceu v\u00e1rias centenas de graus&#8221;, disse Melin. &#8220;De facto, a temperatura em 2023 era pouco mais de metade da de 1989&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, os astr\u00f3nomos t\u00eam previsto a intensidade das auroras de Neptuno com base na temperatura registada pela Voyager 2. Uma temperatura substancialmente mais fria resultaria em auroras muito mais fracas. Esta temperatura fria \u00e9 provavelmente a raz\u00e3o pela qual as auroras de Neptuno n\u00e3o foram detetadas durante tanto tempo. O arrefecimento dram\u00e1tico tamb\u00e9m sugere que esta regi\u00e3o da atmosfera pode sofrer grandes altera\u00e7\u00f5es, apesar de o planeta se situar 30 vezes mais longe do Sol do que a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Equipados com estas novas descobertas, os astr\u00f3nomos esperam agora estudar Neptuno com o Webb durante um ciclo solar completo, um per\u00edodo de 11 anos de atividade impulsionado pelo campo magn\u00e9tico do Sol. Os resultados poder\u00e3o fornecer informa\u00e7\u00f5es sobre a origem do bizarro campo magn\u00e9tico de Neptuno e at\u00e9 explicar porque \u00e9 que est\u00e1 t\u00e3o inclinado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c0 medida que olhamos em frente e sonhamos com futuras miss\u00f5es a \u00darano e Neptuno, sabemos agora como ser\u00e1 importante ter instrumentos sintonizados nos comprimentos de onda da luz infravermelha para continuar a estudar as auroras&#8221;, acrescentou Leigh Fletcher da Universidade de Leicester, coautor do artigo. &#8220;Este observat\u00f3rio abriu finalmente a janela para esta \u00faltima ionosfera, anteriormente escondida, dos planetas gigantes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/webb\/nasas-webb-captures-neptunes-auroras-for-first-time\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/news\/weic2507\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA\/Webb (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/contents\/news-releases\/2025\/news-2025-104\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ STScI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.northumbria.ac.uk\/about-us\/news-events\/news\/henrik-melin-neptune-research\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Northumbria (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/le.ac.uk\/news\/2025\/march\/neptune-auroras-first-time-jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Leicester (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-025-02507-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Astronomy)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Neptuno:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/neptune\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/neptune\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Neptune_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Auroras:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Aurora_(astronomy)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jwst.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nirspec.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voyager 2:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/voyager.jpl.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/theskylive.com\/voyager2-info\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Sky Live<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Voyager_2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA captou uma brilhante atividade auroral em Neptuno. 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