{"id":7870,"date":"2025-03-25T07:16:50","date_gmt":"2025-03-25T06:16:50","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7870"},"modified":"2025-03-25T07:16:51","modified_gmt":"2025-03-25T06:16:51","slug":"os-dados-mais-recentes-do-des-sugerem-possiveis-variacoes-na-energia-escura-ao-longo-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/03\/25\/os-dados-mais-recentes-do-des-sugerem-possiveis-variacoes-na-energia-escura-ao-longo-do-tempo\/","title":{"rendered":"Os dados mais recentes do DES sugerem poss\u00edveis varia\u00e7\u00f5es na energia escura ao longo do tempo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/media\/archives\/images\/large\/noirlab2513a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"418\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Tu5AnpZd_o-1024x418.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7871\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Tu5AnpZd_o-1024x418.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Tu5AnpZd_o-300x123.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Tu5AnpZd_o-768x314.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Tu5AnpZd_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Telesc\u00f3pio de 4 metros V\u00edctor M. Blanco da NSF (National Science Foundation) no CTIO (Cerro Tololo Inter-American Observatory) no Chile, um programa do NOIRLab (National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory) da NSF. \u00c9 o lar da DECam (Dark Energy Camera) de 570 megapix\u00e9is, fabricada pelo Departamento de Energia dos EUA, que efetuou o DES.\nCr\u00e9dito: CTIO\/NOIRLab\/NSF\/AURA\/P. Hor\u00e1lek (Instituto de F\u00edsica em Opava)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um novo estudo inovador que utiliza os conjuntos finais de dados do DES (Dark Energy Survey) sugere potenciais inconsist\u00eancias no modelo cosmol\u00f3gico padr\u00e3o, conhecido como Lambda-CDM. Se confirmadas, estas descobertas podem alterar fundamentalmente a nossa compreens\u00e3o do Universo. O DES foi realizado usando a DECam (Dark Energy Camera) de 570 megapix\u00e9is fabricada pelo Departamento de Energia dos EUA, montada no Telesc\u00f3pio de 4 metros V\u00edctor M. Blanco da NSF (National Science Foundation) no CTIO (Cerro Tololo Inter-American Observatory) no Chile, um programa do NOIRLab (National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory) da NSF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O modelo Lambda-CDM (ou \u039bCDM) tem sido a base da cosmologia moderna h\u00e1 j\u00e1 algum tempo, descrevendo com sucesso estruturas de grande escala no Universo. Prop\u00f5e que 95% do cosmos \u00e9 composto por mat\u00e9ria escura (25%) e energia escura (70%) &#8211; subst\u00e2ncias misteriosas cuja natureza permanece desconhecida. Apenas 5% do Universo \u00e9 constitu\u00eddo por mat\u00e9ria normal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pensa-se que a energia escura, representada pela constante cosmol\u00f3gica (\u039b), impulsiona a expans\u00e3o acelerada do Universo, mantendo uma densidade de energia constante ao longo do tempo. No entanto, novos resultados do DES (Dark Energy Survey), apresentados num artigo cient\u00edfico publicado no site arXiv e em palestras na Cimeira Global de F\u00edsica da Sociedade Americana de F\u00edsica, em Anaheim, Calif\u00f3rnia, EUA, apontam para um desvio deste pressuposto, sugerindo que a energia escura pode evoluir ao longo do tempo. Estas descobertas alinham-se com estudos anteriores, refor\u00e7ando a sua import\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O DES \u00e9 uma colabora\u00e7\u00e3o internacional que inclui mais de 400 cientistas de mais de 25 institui\u00e7\u00f5es, liderada pelo Fermilab (Fermi National Accelerator Laboratory) do Departamento de Energia dos EUA. O DES foi realizado recorrendo \u00e0 DECam (Dark Energy Camera) de 570 megapix\u00e9is fabricada pelo Departamento de Energia dos EUA, montada no Telesc\u00f3pio de 4 metros V\u00edctor M. Blanco da NSF (National Science Foundation) no CTIO (Cerro Tololo Inter-American Observatory) no Chile, um programa do NOIRLab (National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory) da NSF. Recolhendo dados em 758 noites ao longo de seis anos, os cientistas do DES mapearam uma \u00e1rea de quase um-oitavo de todo o c\u00e9u. O projeto emprega m\u00faltiplas t\u00e9cnicas de observa\u00e7\u00e3o, incluindo medi\u00e7\u00f5es de supernovas, an\u00e1lise de enxames de gal\u00e1xias e lentes gravitacionais fracas, para estudar a energia escura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas medi\u00e7\u00f5es-chave do DES &#8211; OABs (oscila\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas bari\u00f3nicas) e medi\u00e7\u00f5es da dist\u00e2ncia de explos\u00f5es estelares (supernovas do Tipo Ia) &#8211; acompanham a hist\u00f3ria da expans\u00e3o do Universo. As OABs referem-se a uma r\u00e9gua c\u00f3smica padr\u00e3o formada por ondas sonoras no Universo primitivo, com picos que se estendem por cerca de 500 milh\u00f5es de anos-luz. Os astr\u00f3nomos podem medir estes picos em v\u00e1rios per\u00edodos da hist\u00f3ria c\u00f3smica para ver como a energia escura esticou a escala ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Santiago Avila, do CIEMAT (Centro de Investigaciones Energ\u00e9ticas, Medioambientales y Tecnol\u00f3gicas), em Espanha, respons\u00e1vel pela an\u00e1lise da escala OAB no DES, afirma: &#8220;Ao analisar 16 milh\u00f5es de gal\u00e1xias, o DES descobriu que a escala OAB medida \u00e9, na realidade, 4% mais pequena do que a prevista pelo \u039bCDM&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As supernovas do Tipo Ia funcionam como &#8220;velas padr\u00e3o&#8221;, o que significa que t\u00eam um brilho intr\u00ednseco conhecido. Por conseguinte, o seu brilho aparente, combinado com informa\u00e7\u00f5es sobre as gal\u00e1xias que as acolhem, permite aos cientistas efetuar c\u00e1lculos precisos das dist\u00e2ncias. Em 2024, o DES publicou o mais extenso e detalhado conjunto de dados de supernovas at\u00e9 \u00e0 data, fornecendo medi\u00e7\u00f5es altamente precisas das dist\u00e2ncias c\u00f3smicas. Estas novas descobertas dos dados combinados de supernovas e OABs confirmam de forma independente as anomalias observadas nos dados de supernovas de 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao integrar as medi\u00e7\u00f5es DES com os dados da radia\u00e7\u00e3o c\u00f3smica de fundo em micro-ondas, os investigadores inferiram as propriedades da energia escura &#8211; e os resultados sugerem uma natureza evolutiva. Se validados, indicam que a energia escura, a constante cosmol\u00f3gica, afinal n\u00e3o \u00e9 constante, mas um fen\u00f3meno din\u00e2mico que requer um novo enquadramento te\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este resultado \u00e9 intrigante porque sugere uma f\u00edsica para al\u00e9m do modelo padr\u00e3o da cosmologia&#8221;, diz Juan Mena-Fern\u00e1ndez do Laborat\u00f3rio de F\u00edsica Subat\u00f3mica e Cosmologia em Grenoble, Fran\u00e7a. &#8220;Se mais dados confirmarem estas descobertas, poderemos estar \u00e0 beira de uma revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora os resultados atuais ainda n\u00e3o sejam definitivos, as pr\u00f3ximas an\u00e1lises que incorporem sondas DES adicionais &#8211; tais como o agrupamento de gal\u00e1xias e as lentes fracas &#8211; poder\u00e3o refor\u00e7ar as evid\u00eancias. Tend\u00eancias semelhantes surgiram noutros grandes projetos cosmol\u00f3gicos, incluindo o DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument), aumentando a expetativa da comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estes resultados representam anos de esfor\u00e7o colaborativo para extrair conhecimentos cosmol\u00f3gicos dos dados do DES&#8221;, diz Jessie Muir da Universidade de Cincinnati, EUA. &#8220;Ainda h\u00e1 muito para aprender e ser\u00e1 emocionante ver como a nossa compreens\u00e3o evolui \u00e0 medida que novas medi\u00e7\u00f5es se tornam dispon\u00edveis&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise final do DES, esperada para o final deste ano, incorporar\u00e1 sondas cosmol\u00f3gicas adicionais para verificar as descobertas e refinar as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 energia escura. A comunidade cient\u00edfica aguarda ansiosamente estes resultados, uma vez que poder\u00e3o abrir caminho a uma mudan\u00e7a de paradigma na cosmologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/news\/noirlab2513\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NOIRLab (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2503.06712\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Universo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accelerating_expansion_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A expans\u00e3o acelerada do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble's_law\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei de Hubble (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble's_law#Determining_the_Hubble_constant\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Determinando a constante de Hubble (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Age_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Idade do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large-scale_structure_of_the_universe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Timeline_of_the_Big_Bang\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cronologia do Big Bang (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Lambda-CDM_model\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cosmic_distance_ladder#Galactic_distance_indicators\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Indicadores de dist\u00e2ncias c\u00f3smicas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cosmic_distance_ladder\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;Escada&#8221; de dist\u00e2ncias c\u00f3smicas (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mat\u00e9ria escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_matter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Energia escura:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dark_Energy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Oscila\u00e7\u00f5es Ac\u00fasticas Bari\u00f3nicas (OABs):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Baryon_acoustic_oscillations\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernovas:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tipo Ia (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DES (Dark Energy Survey):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.darkenergysurvey.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/The_Dark_Energy_Survey\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>CTIO (Cerro Tololo Inter-American Observatory):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/programs\/ctio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NOIRLab<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cerro_Tololo_Inter-American_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/V%C3%ADctor_M._Blanco_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Telesc\u00f3pio V\u00edctor M. Blanco (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/noirlab.edu\/public\/programs\/ctio\/victor-blanco-4m-telescope\/decam\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">DECam (NOIRLab)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo inovador que utiliza os conjuntos finais de dados do DES (Dark Energy Survey) sugere potenciais inconsist\u00eancias no modelo cosmol\u00f3gico padr\u00e3o, conhecido como Lambda-CDM. 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