{"id":7837,"date":"2025-03-11T07:17:23","date_gmt":"2025-03-11T06:17:23","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7837"},"modified":"2025-03-11T07:17:23","modified_gmt":"2025-03-11T06:17:23","slug":"estrelas-em-fuga-revelam-um-buraco-negro-escondido-na-vizinha-mais-proxima-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/03\/11\/estrelas-em-fuga-revelam-um-buraco-negro-escondido-na-vizinha-mais-proxima-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Estrelas em fuga revelam um buraco negro escondido na vizinha mais pr\u00f3xima da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/fa\/c2\/3lvlAuDk_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"569\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/3lvlAuDk_o-1024x569.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7838\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/3lvlAuDk_o-1024x569.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/3lvlAuDk_o-300x167.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/3lvlAuDk_o-768x427.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/3lvlAuDk_o.jpg 1296w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o art\u00edstica de uma estrela hiperveloz ejetada da Grande Nuvem de Magalh\u00e3es (\u00e0 direita). Quando um sistema estelar bin\u00e1rio se aventura demasiado perto de um buraco negro supermassivo, as intensas for\u00e7as gravitacionais separam o par. Uma estrela \u00e9 capturada numa \u00f3rbita \u00edntima em torno do buraco negro, enquanto a outra \u00e9 projetada para o exterior a velocidades extremas &#8211; muitas vezes excedendo milh\u00f5es de quil\u00f3metros por hora &#8211; tornando-se uma estrela hiperveloz. A inser\u00e7\u00e3o mostra este processo: o percurso orbital do bin\u00e1rio original \u00e9 visto como linhas entrela\u00e7adas, com uma estrela a ser capturada pelo buraco negro (perto do centro da ilustra\u00e7\u00e3o) enquanto a outra \u00e9 ejetada para o espa\u00e7o (em baixo \u00e0 direita). Ver <a href=\"https:\/\/www.cfa.harvard.edu\/sites\/default\/files\/2025-03\/labeled-main-graphic_lrg.jpg\">aqui vers\u00e3o legendada<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.cfa.harvard.edu\/sites\/default\/files\/2025-03\/INSET-graphic_lrg.jpg\">aqui apenas a inser\u00e7\u00e3o<\/a>.<br>Cr\u00e9dito: Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian\/Melissa Weiss<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos descobriram fortes ind\u00edcios da exist\u00eancia do buraco negro supermassivo mais pr\u00f3ximo para l\u00e1 da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea. Este buraco negro gigante est\u00e1 localizado na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, um dos vizinhos gal\u00e1cticos mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para fazer esta descoberta, os investigadores rastrearam as trajet\u00f3rias de 21 estrelas na periferia da Via L\u00e1ctea com uma precis\u00e3o ultrafina. Estas estrelas est\u00e3o a viajar t\u00e3o depressa que escapar\u00e3o \u00e0s garras gravitacionais da Via L\u00e1ctea ou de qualquer gal\u00e1xia pr\u00f3xima. Os astr\u00f3nomos chamam-lhes estrelas hipervelozes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal como os peritos forenses recriam a origem de uma bala com base na sua trajet\u00f3ria, os investigadores determinaram a origem destas estrelas hipervelozes. Descobriram que cerca de metade est\u00e3o ligadas ao buraco negro supermassivo no centro da Via L\u00e1ctea. No entanto, a outra metade teve origem noutro local: um buraco negro gigante, anteriormente desconhecido, na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es (ou GNM).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 incr\u00edvel perceber que temos outro buraco negro supermassivo mesmo ao &#8216;fundo do quarteir\u00e3o&#8217;, em termos c\u00f3smicos&#8221;, disse Jesse Han, do Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian, que liderou o novo estudo. &#8220;Os buracos negros s\u00e3o t\u00e3o furtivos que este tem estado praticamente debaixo dos nossos narizes este tempo todo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores descobriram este buraco negro secreto utilizando dados da miss\u00e3o Gaia da ESA, um sat\u00e9lite que seguiu mais de mil milh\u00f5es de estrelas na Via L\u00e1ctea com uma precis\u00e3o sem precedentes. Recorreram tamb\u00e9m a uma melhor compreens\u00e3o da \u00f3rbita da GNM em torno da Via L\u00e1ctea recentemente obtida por outros investigadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;J\u00e1 sab\u00edamos h\u00e1 algum tempo da exist\u00eancia destas estrelas hipervelozes, mas o Gaia deu-nos os dados de que precis\u00e1vamos para descobrir de onde vinham&#8221;, disse o coautor Kareem El-Badry do Caltech em Pasadena, Calif\u00f3rnia, EUA. &#8220;Ao combinar estes dados com os nossos novos modelos te\u00f3ricos sobre a forma como estas estrelas viajam, fizemos esta descoberta not\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas hipervelozes s\u00e3o criadas quando um sistema bin\u00e1rio se aventura demasiado perto de um buraco negro supermassivo. A intensa atra\u00e7\u00e3o gravitacional do buraco negro separa as duas estrelas, capturando uma delas e colocando-a numa \u00f3rbita pr\u00f3xima. Entretanto, a outra estrela \u00f3rf\u00e3 \u00e9 lan\u00e7ada para longe a velocidades superiores a v\u00e1rios milh\u00f5es de quil\u00f3metros por hora &#8211; e assim nasce uma estrela hiperveloz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma parte importante da investiga\u00e7\u00e3o da equipa foi a previs\u00e3o, no seu modelo te\u00f3rico, de que um buraco negro supermassivo na GNM criaria um enxame de estrelas hipervelozes num canto da Via L\u00e1ctea, devido \u00e0 forma como a GNM se move em torno da Via L\u00e1ctea. As estrelas ejetadas ao longo da dire\u00e7\u00e3o do movimento da GNM deveriam receber um impulso extra de velocidade. De facto, os seus dados revelaram a exist\u00eancia de um enxame deste tipo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa descobriu que as propriedades das estrelas hipervelozes n\u00e3o podem ser explicadas por outros mecanismos, tais como estrelas ejetadas quando as suas companheiras sofrem uma explos\u00e3o de supernova, ou estrelas ejetadas por um mecanismo como o descrito acima para um sistema estelar duplo, mas sem o envolvimento de um buraco negro supermassivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A \u00fanica explica\u00e7\u00e3o que conseguimos encontrar para estes dados \u00e9 a exist\u00eancia de um buraco negro monstruoso na nossa gal\u00e1xia vizinha&#8221;, disse o coautor Scott Lucchini, tamb\u00e9m do Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian. &#8220;Portanto, na nossa vizinhan\u00e7a c\u00f3smica, n\u00e3o \u00e9 apenas o buraco negro supermassivo da Via L\u00e1ctea que est\u00e1 a expulsar estrelas da sua gal\u00e1xia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Usando as velocidades das estrelas e o n\u00famero relativo de estrelas ejetadas pelos buracos negros supermassivos da GNM e da Via L\u00e1ctea, a equipa determinou que a massa do buraco negro da GNM \u00e9 cerca de 600.000 vezes a massa do Sol. Em compara\u00e7\u00e3o, o buraco negro supermassivo da Via L\u00e1ctea tem cerca de 4 milh\u00f5es de massas solares. Noutras partes do Universo, existem buracos negros supermassivos com milhares de milh\u00f5es de vezes mais massa do que o Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo cient\u00edfico que descreve estes resultados foi aceite para publica\u00e7\u00e3o na revista The Astrophysical Journal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.cfa.harvard.edu\/news\/runaway-stars-reveal-hidden-black-hole-milky-ways-nearest-neighbor\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2502.00102\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas hipervelozes:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_kinematics#Hypervelocity_stars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Grande Nuvem de Magalh\u00e3es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large_Magellanic_Cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/xtra\/ngc\/lmc.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina da ESA para a comunidade cient\u00edfica<\/a><br><a href=\"https:\/\/gea.esac.esa.int\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados do Gaia (ESA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos descobriram fortes ind\u00edcios da exist\u00eancia do buraco negro supermassivo mais pr\u00f3ximo para l\u00e1 da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea. 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