{"id":7822,"date":"2025-03-07T07:27:36","date_gmt":"2025-03-07T06:27:36","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7822"},"modified":"2025-03-07T07:27:36","modified_gmt":"2025-03-07T06:27:36","slug":"nasa-desliga-dois-instrumentos-cientificos-das-voyager-para-prolongar-a-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/03\/07\/nasa-desliga-dois-instrumentos-cientificos-das-voyager-para-prolongar-a-missao\/","title":{"rendered":"NASA desliga dois instrumentos cient\u00edficos das Voyager para prolongar a miss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Voyager.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/uLucswXC_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7823\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/uLucswXC_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/uLucswXC_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/uLucswXC_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/uLucswXC_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o art\u00edstica de uma das sondas Voyager da NASA. As naves espaciais g\u00e9meas foram lan\u00e7adas em 1977.\nCr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os engenheiros no JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Calif\u00f3rnia, desligaram o instrumento CRS (Cosmic Ray Subsystem) a bordo da Voyager 1 no passado dia 25 de fevereiro e v\u00e3o desligar o instrumento LECP (Low-Energy Charged Particle) da Voyager 2 no dia 24 de mar\u00e7o. Tr\u00eas instrumentos cient\u00edficos continuar\u00e3o a funcionar em cada nave espacial. Estas decis\u00f5es fazem parte de um esfor\u00e7o cont\u00ednuo para gerir a diminui\u00e7\u00e3o gradual do fornecimento energ\u00e9tico das sondas g\u00e9meas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lan\u00e7adas em 1977, as Voyagers 1 e 2 dependem de um sistema de energia de radiois\u00f3topos que gera eletricidade a partir do calor do decaimento do plut\u00f3nio. Ambas perdem cerca de 4 watts de energia por ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As Voyagers t\u00eam sido &#8216;estrelas de rock&#8217; do espa\u00e7o profundo desde o seu lan\u00e7amento e queremos mant\u00ea-las assim o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel&#8221;, disse Suzanne Dodd, gestora do projeto Voyager no JPL. &#8220;Mas a energia el\u00e9trica est\u00e1 a acabar. Se n\u00e3o desligarmos agora um instrumento em cada Voyager, elas ter\u00e3o provavelmente apenas mais alguns meses de energia antes de termos de declarar o fim da miss\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas naves espaciais transportam conjuntos id\u00eanticos de 10 instrumentos cient\u00edficos. Alguns dos instrumentos, orientados para a recolha de dados durante as passagens pelos planetas, foram desligados depois das duas naves terem conclu\u00eddo a sua explora\u00e7\u00e3o dos gigantes gasosos do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os instrumentos que permaneceram ligados muito depois da \u00faltima passagem planet\u00e1ria foram os que a equipa cient\u00edfica considerou importantes para estudar a heliosfera do Sistema Solar, uma bolha protetora de vento solar e campos magn\u00e9ticos criada pelo Sol, e o espa\u00e7o interestelar, a regi\u00e3o para l\u00e1 da heliosfera. A Voyager 1 atingiu o limite da heliosfera e o in\u00edcio do espa\u00e7o interestelar em 2012; a Voyager 2 atingiu o limite em 2018. Nenhuma outra nave espacial de fabrico humano operou no espa\u00e7o interestelar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outubro passado, para conservar energia, o projeto desligou o instrumento PLS (Plasma Science) da Voyager 2, que mede a quantidade de plasma &#8211; \u00e1tomos eletricamente carregados &#8211; e a dire\u00e7\u00e3o em que flui. O instrumento tinha recolhido apenas dados limitados nos \u00faltimos anos devido \u00e0 sua orienta\u00e7\u00e3o relativamente \u00e0 dire\u00e7\u00e3o em que o plasma flui no espa\u00e7o interestelar. O instrumento PLS da Voyager 1 tinha sido desligado h\u00e1 alguns anos devido \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o do seu desempenho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Legado de ci\u00eancia interestelar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O instrumento CRS que foi desligado na Voyager 1 na semana passada \u00e9 um conjunto de tr\u00eas telesc\u00f3pios concebidos para estudar os raios c\u00f3smicos, incluindo prot\u00f5es da Gal\u00e1xia e do Sol, medindo a sua energia e fluxo. Os dados desses telesc\u00f3pios ajudaram a equipa cient\u00edfica da Voyager a determinar quando e onde a Voyager 1 saiu da heliosfera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Programado para ser desativado no final deste m\u00eas, o instrumento LECP da Voyager 2 mede os v\u00e1rios i\u00f5es, eletr\u00f5es e raios c\u00f3smicos provenientes do nosso Sistema Solar e da nossa Gal\u00e1xia. O instrumento consiste em dois subsistemas: o LEPT (Low-Energy Particle Telescope), para medi\u00e7\u00f5es de energia mais amplas, e o LEMPA (Low-Energy Magnetospheric Particle Analyzer), para estudos magnetosf\u00e9ricos mais espec\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambos os sistemas usam uma plataforma girat\u00f3ria para que o campo de vis\u00e3o seja de 360 graus, e a plataforma \u00e9 alimentada por um motor de passo que fornece um impulso de 15,7 watts a cada 192 segundos. O motor foi testado at\u00e9 500.000 passos &#8211; o suficiente para garantir um funcionamento cont\u00ednuo durante os encontros da miss\u00e3o com Saturno, que ocorreu em agosto de 1980 para a Voyager 2. Quando for desativado na Voyager 2, o motor ter\u00e1 completado mais de 8,5 milh\u00f5es de passos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As naves Voyager ultrapassaram largamente a sua miss\u00e3o original de estudar os planetas exteriores&#8221;, disse Patrick Koehn, cientista do programa Voyager na sede da NASA em Washington. &#8220;Cada bit de dados adicionais que recolhemos desde ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma valiosa ci\u00eancia b\u00f3nus para a heliof\u00edsica, mas tamb\u00e9m um testemunho da engenharia exemplar das Voyagers &#8211; come\u00e7ando h\u00e1 quase 50 anos e continuando at\u00e9 hoje&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Adi\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de subtra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os engenheiros da miss\u00e3o tomaram medidas para evitar desligar os instrumentos cient\u00edficos durante o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel, porque os dados cient\u00edficos recolhidos pelas sondas g\u00e9meas Voyager s\u00e3o \u00fanicos. Com estes dois instrumentos desligados, as Voyagers dever\u00e3o ter energia suficiente para funcionar durante cerca de um ano antes da equipa ter de desligar outro instrumento em ambas as naves espaciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, a Voyager 1 continuar\u00e1 a operar o seu magnet\u00f3metro MAG e o instrumento PLS (Plasma Wave Subsystem). O instrumento LECP desta nave espacial funcionar\u00e1 at\u00e9 ao final do ano, mas ser\u00e1 desligado no pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Voyager 2 continuar\u00e1 a operar os seus instrumentos MAG e PLS num futuro previs\u00edvel. O seu instrumento CRS est\u00e1 programado para ser desligado em 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a implementa\u00e7\u00e3o deste plano de conserva\u00e7\u00e3o de energia, os engenheiros acreditam que as duas sondas poder\u00e3o ter eletricidade suficiente para continuar a funcionar com pelo menos um instrumento cient\u00edfico at\u00e9 \u00e0 d\u00e9cada de 2030. Mas tamb\u00e9m est\u00e3o conscientes de que as Voyagers j\u00e1 viajam pelo espa\u00e7o profundo h\u00e1 47 anos e que desafios imprevistos podem encurtar essa linha temporal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Longa dist\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Voyager 1 e a Voyager 2 continuam a ser os objetos de fabrico humano mais distantes alguma vez constru\u00eddos. A Voyager 1 est\u00e1 a mais de 25 mil milh\u00f5es de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia. A Voyager 2 est\u00e1 a mais de 21 mil milh\u00f5es de quil\u00f3metros da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De facto, devido a esta dist\u00e2ncia, s\u00e3o necess\u00e1rias mais de 23 horas para fazer chegar um sinal de r\u00e1dio da Terra \u00e0 Voyager 1, e 19,5 horas \u00e0 Voyager 2.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A cada minuto de cada dia, as Voyagers exploram uma regi\u00e3o onde nenhuma nave espacial esteve antes&#8221;, disse Linda Spilker, cientista do projeto Voyager no JPL. &#8220;Isso tamb\u00e9m significa que cada dia pode ser o \u00faltimo. Mas esse dia tamb\u00e9m pode trazer outra revela\u00e7\u00e3o interestelar. Por isso, estamos a fazer tudo o que est\u00e1 ao nosso alcance para garantir que as Voyagers 1 e 2 continuem a sua viagem o maior tempo poss\u00edvel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/centers-and-facilities\/jpl\/nasa-turns-off-2-voyager-science-instruments-to-extend-mission\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sondas Voyager:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/voyager.jpl.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.heavens-above.com\/SolarEscape.aspx?lat=0&amp;lng=0&amp;loc=Unspecified&amp;alt=0&amp;tz=CET\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Heavens Above<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Voyager_1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Voyager 1 (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Voyager_2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Voyager 2 (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Heliosfera:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Heliosphere\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Espa\u00e7o interestelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Interstellar_medium\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os engenheiros no JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Calif\u00f3rnia, desligaram o instrumento CRS (Cosmic Ray Subsystem) a bordo da Voyager 1 no passado dia 25 de fevereiro e v\u00e3o desligar o instrumento LECP (Low-Energy Charged Particle) da Voyager 2 no dia 24 de mar\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7823,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[415,414,413,412,359],"class_list":["post-7822","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-espaco-interestelar","tag-heliosfera","tag-sistema-solar","tag-voyager-1","tag-voyager-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7822","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7822"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7822\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7824,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7822\/revisions\/7824"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7823"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7822"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7822"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7822"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}