{"id":7812,"date":"2025-03-04T07:23:01","date_gmt":"2025-03-04T06:23:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7812"},"modified":"2025-03-04T07:23:03","modified_gmt":"2025-03-04T06:23:03","slug":"missao-cumprida-para-o-integral-o-telescopio-de-raios-gama-da-esa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/03\/04\/missao-cumprida-para-o-integral-o-telescopio-de-raios-gama-da-esa\/","title":{"rendered":"Miss\u00e3o cumprida para o INTEGRAL, o telesc\u00f3pio de raios gama da ESA"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2011\/06\/integral_gamma-ray_observatory\/9687309-4-eng-GB\/Integral_gamma-ray_observatory.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/kF00YQN4_o-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7813\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/kF00YQN4_o-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/kF00YQN4_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/kF00YQN4_o-768x576.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/kF00YQN4_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o art\u00edstica do INTEGRAL da ESA.\nCr\u00e9dito: ESA\/Medialab<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O INTEGRAL (INTErnational Gamma-Ray Astrophysics Laboratory) da ESA foi lan\u00e7ado a 17 de outubro de 2002, a partir do Cosm\u00f3dromo de Baikonur, no Cazaquist\u00e3o, numa miss\u00e3o de observa\u00e7\u00e3o do cosmos em constante mudan\u00e7a, poderoso e extremo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Durante mais de duas d\u00e9cadas, o INTEGRAL mostrou-nos repetidamente como \u00e9 importante olhar para o c\u00e9u em raios gama&#8221;, observa Jan-Uwe Ness, cientista do projeto INTEGRAL da ESA. &#8220;Algumas das explos\u00f5es de luz associadas a eventos f\u00edsicos extremos no nosso Universo s\u00f3 podem ser totalmente compreendidas se apanharmos os raios que v\u00eam do centro das explos\u00f5es: os raios gama&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio da luz vis\u00edvel e da luz de r\u00e1dio provenientes do espa\u00e7o, que podemos observar a partir do solo, os raios gama c\u00f3smicos s\u00f3 podem ser captados no espa\u00e7o. Isto deve-se ao facto de a atmosfera da Terra atuar como um escudo que nos protege destes raios nocivos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O INTEGRAL transformou a nossa compreens\u00e3o do Universo din\u00e2mico a altas energias e da f\u00edsica em condi\u00e7\u00f5es extremas&#8221;, acrescenta a professora Carole Mundell, Diretora de Ci\u00eancia da ESA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O facto da nave espacial e da instrumenta\u00e7\u00e3o terem tido um desempenho t\u00e3o excelente durante tantos anos \u00e9 uma prova da qualidade da tecnologia desenvolvida pela comunidade cient\u00edfica europeia e pela ind\u00fastria espacial no virar do mil\u00e9nio, bem como pelas equipas cient\u00edficas e de engenharia da ESA que t\u00eam operado esta miss\u00e3o desde ent\u00e3o. Parab\u00e9ns a todas as nossas comunidades pela sua dedica\u00e7\u00e3o e pelos seus resultados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resolvendo mist\u00e9rios e desbravando novos caminhos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As observa\u00e7\u00f5es do INTEGRAL t\u00eam sido fundamentais para resolver os mist\u00e9rios das explos\u00f5es de raios gama (GRBs), os poderosos flashes de luz energ\u00e9tica que surgem algures no c\u00e9u cerca de uma vez por dia. Estes clar\u00f5es s\u00e3o frequentemente mais brilhantes do que todas as outras fontes de raios gama em conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, os cientistas atribuem a origem dos eventos GRB &#8220;mais longos&#8221;, que duram v\u00e1rios segundos, ao colapso descontrolado de estrelas massivas que se transformam em supernovas, enquanto as explos\u00f5es mais curtas se devem ao choque entre buracos negros e estrelas de neutr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O que considero impressionante no INTEGRAL s\u00e3o as suas descobertas inesperadas&#8221;, comenta Jan-Uwe. &#8220;Descobriu-se que o INTEGRAL era ideal para tarefas que n\u00e3o estavam previstas quando a miss\u00e3o foi concebida. Um exemplo \u00e9 a sua capacidade de localizar as fontes no c\u00e9u que geraram algumas das ondas gravitacionais e neutrinos de energia ultra-alta captados por instrumentos especializados no solo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Na altura do lan\u00e7amento do INTEGRAL, os cientistas nem sequer tinham a certeza de que as ondas gravitacionais pudessem alguma vez ser detetadas diretamente; a primeira observa\u00e7\u00e3o destas elusivas ondula\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o-tempo foi feita 13 anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento do INTEGRAL pelos detetores de ondas gravitacionais LIGO nos EUA, em 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>As descobertas continuaram a aparecer.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;S\u00f3 nos \u00faltimos dois anos, mais ou menos, fiquei surpreendido com novos e excitantes resultados. O INTEGRAL captou o mais poderoso flash de raios gama alguma vez observado e a explos\u00e3o teve impacto na camada protetora de ozono da atmosfera&#8221;, continua Jan-Uwe. &#8220;Este GRB teve lugar numa gal\u00e1xia a quase dois mil milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia &#8211; \u00e9 espantoso pensar que a Terra pode ser afetada por um evento que teve lugar num canto remoto do Universo, h\u00e1 dois mil milh\u00f5es de anos&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2023\/11\/gamma-ray_burst_strikes_earth_from_distant_exploding_star\/25181307-1-eng-GB\/Gamma-ray_burst_strikes_Earth_from_distant_exploding_star.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2023\/11\/gamma-ray_burst_strikes_earth_from_distant_exploding_star\/25181307-1-eng-GB\/Gamma-ray_burst_strikes_Earth_from_distant_exploding_star.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma explos\u00e3o de raios gama atinge a Terra, oriunda de uma supernova distante.<br>Cr\u00e9dito: ESA\/ATG Europe<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Duas outras descobertas recentes centram-se num surto magnetar extremamente raro de 0,1 segundos que emitiu tanta energia como a que o nosso Sol produz em meio milh\u00e3o de anos, e na descoberta de que as explos\u00f5es termonucleares impulsionam jatos numa estrela de neutr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vis\u00e3o agu\u00e7ada em raios gama<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aquando do lan\u00e7amento, o INTEGRAL era o mais avan\u00e7ado observat\u00f3rio de raios gama e o primeiro observat\u00f3rio espacial capaz de ver objetos celestes simultaneamente em raios gama, raios X e luz vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas caracter\u00edsticas da instrumenta\u00e7\u00e3o do INTEGRAL tornaram poss\u00edveis estas muitas descobertas: um campo de vis\u00e3o muito grande, cobrindo cerca de 900 graus quadrados do c\u00e9u nos raios X e gama mais energ\u00e9ticos; a capacidade de obter, simultaneamente, imagens e espetros detalhados nas energias mais elevadas; a capacidade de monitoriza\u00e7\u00e3o das c\u00e2maras de raios X e \u00f3ticas para ajudar a localizar as fontes de raios gama.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Reduzindo a intensidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Depois de 2886 \u00f3rbitas e 22 anos a olhar para as profundezas do nosso cosmos, os instrumentos sens\u00edveis do INTEGRAL deixar\u00e3o [hoje] de recolher dados cient\u00edficos. Mas o legado do observat\u00f3rio de raios gama da ESA ir\u00e1 servir os cientistas durante muitos mais anos&#8221;, conclui Matthias Ehle, Diretor da Miss\u00e3o INTEGRAL na ESA.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A riqueza dos dados recolhidos ao longo de duas d\u00e9cadas ser\u00e1 armazenada no Arquivo do Legado Cient\u00edfico do INTEGRAL. Ser\u00e1 essencial para a investiga\u00e7\u00e3o futura e para inspirar uma nova gera\u00e7\u00e3o de astr\u00f3nomos e engenheiros a desenvolver novas e excitantes miss\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o fim das suas observa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, a nave espacial continuar\u00e1 a orbitar a Terra durante mais quatro anos. Os engenheiros da ESA ir\u00e3o monitorizar o sat\u00e9lite at\u00e9 \u00e0 sua reentrada na atmosfera terrestre no in\u00edcio de 2029. Gra\u00e7as a uma queima especial de quatro propulsores executada em 2015, a entrada do sat\u00e9lite na atmosfera cumprir\u00e1 a promessa da ESA de minimizar os detritos espaciais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Neutron star merger animation ending with kilonova explosion\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/y8VDwGi0r0E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Integral\/Mission_accomplished_for_Integral_ESA_s_gamma-ray_telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>INTEGRAL (INTErnational Gamma-Ray Astrophysics Laboratory):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Integral_overview\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/INTEGRAL\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/integral\/integral-data-archives\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo do Legado Cient\u00edfico do INTEGRAL<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>GRB:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gamma_ray_burst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ondas gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/gracedb.ligo.org\/latest\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_wave_detection\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Astronomia de ondas gravitacionais &#8211; Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127255\/gravitational-waves-101\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ondas gravitacionais: como distorcem o espa\u00e7o &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127286\/gravitational-wave-detectors-how-they-work\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Detetores: como funcionam &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.universetoday.com\/127329\/gravitational-wave-sources\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">As fontes de ondas gravitacionais &#8211; Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4GbWfNHtHRg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O que \u00e9 uma onda gravitacional (YouTube)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O INTEGRAL (INTErnational Gamma-Ray Astrophysics Laboratory) da ESA foi lan\u00e7ado a 17 de outubro de 2002, a partir do Cosm\u00f3dromo de Baikonur, no Cazaquist\u00e3o, numa miss\u00e3o de observa\u00e7\u00e3o do cosmos em constante mudan\u00e7a, poderoso e extremo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7813,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[62,50,16,1],"tags":[1640,315,445],"class_list":["post-7812","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-cosmologia","category-estrelas","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","tag-grb","tag-integral","tag-ondas-gravitacionais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7812"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7814,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7812\/revisions\/7814"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}