{"id":7809,"date":"2025-02-28T07:33:26","date_gmt":"2025-02-28T06:33:26","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7809"},"modified":"2025-02-28T07:33:27","modified_gmt":"2025-02-28T06:33:27","slug":"a-viagem-galactica-do-nosso-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/02\/28\/a-viagem-galactica-do-nosso-sistema-solar\/","title":{"rendered":"A viagem gal\u00e1ctica do nosso Sistema Solar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/medienportal.univie.ac.at\/uploads\/media\/202502_Alves_Fig1_01.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"870\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ZIP4ivnW_o-1024x870.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7810\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ZIP4ivnW_o-1024x870.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ZIP4ivnW_o-300x255.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ZIP4ivnW_o-768x653.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ZIP4ivnW_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica da Via L\u00e1ctea, com a posi\u00e7\u00e3o do Sistema Solar representada pela seta branca.\nCr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/ESO\/R. Hurt<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o internacional liderada pela Universidade de Viena descobriu que o Sistema Solar atravessou o complexo de forma\u00e7\u00e3o estelar de Orionte, um componente da estrutura gal\u00e1ctica da Onda Radcliffe, h\u00e1 cerca de 14 milh\u00f5es de anos. Esta viagem atrav\u00e9s de uma regi\u00e3o densa do espa\u00e7o pode ter comprimido a heliosfera, a bolha protetora que envolve o nosso Sistema Solar, e aumentado o influxo de poeira interestelar, influenciando potencialmente o clima da Terra e deixando vest\u00edgios nos registos geol\u00f3gicos. As descobertas, publicadas na revista Astronomy &amp; Astrophysics, fornecem uma fascinante liga\u00e7\u00e3o interdisciplinar entre a astrof\u00edsica, a paleoclimatologia e a geologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viagem do Sistema Solar em torno do centro da Via L\u00e1ctea leva-o a atravessar diferentes ambientes gal\u00e1cticos. &#8220;Imaginem-no como um navio a navegar em condi\u00e7\u00f5es diferentes no mar&#8221;, explica Efrem Maconi, autor principal e estudante de doutoramento na Universidade de Viena. &#8220;O nosso Sol encontrou uma regi\u00e3o de maior densidade de g\u00e1s quando passou pela Onda Radcliffe na constela\u00e7\u00e3o de Orionte&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando dados da miss\u00e3o Gaia da ESA e observa\u00e7\u00f5es espetrosc\u00f3picas, a equipa identificou a passagem do Sistema Solar pela Onda Radcliffe na regi\u00e3o de Orionte h\u00e1 cerca de 14 milh\u00f5es de anos. &#8220;Esta descoberta baseia-se no nosso trabalho anterior de identifica\u00e7\u00e3o da Onda Radcliffe&#8221;, afirma Jo\u00e3o Alves, professor de astrof\u00edsica na Universidade de Viena e coautor do estudo. A Onda Radcliffe \u00e9 uma vasta e fina estrutura de regi\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o estelar interligadas, incluindo o famoso complexo de Orionte, que o Sol atravessou, tal como estabelecido neste estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pass\u00e1mos pela regi\u00e3o de Orionte quando enxames estelares bem conhecidos como NGC 1977, NGC 1980 e NGC 1981 se estavam a formar&#8221;, nota Alves. &#8220;Esta regi\u00e3o \u00e9 facilmente vis\u00edvel no c\u00e9u de inverno no hemisf\u00e9rio norte e de ver\u00e3o no hemisf\u00e9rio sul. Procurem a constela\u00e7\u00e3o de Orionte e a Nebulosa de Orionte (Messier 42) &#8211; o nosso Sistema Solar veio dessa dire\u00e7\u00e3o!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O aumento da poeira resultante deste encontro gal\u00e1ctico pode ter tido v\u00e1rios efeitos. Pode ter penetrado na atmosfera da Terra, deixando potencialmente vest\u00edgios de elementos radioativos das supernovas nos registos geol\u00f3gicos. &#8220;Embora a tecnologia atual n\u00e3o seja suficientemente sens\u00edvel para detetar estes vest\u00edgios, futuros detetores poder\u00e3o faz\u00ea-lo&#8221;, sugere Alves.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/medienportal.univie.ac.at\/uploads\/media\/202502_Alves_Fig2_01.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/3e\/dd\/FoiCdQMj_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Onda Radcliffe. As nuvens que comp\u00f5em esta estrutura est\u00e3o destacadas a vermelho e sobrepostas a uma ilustra\u00e7\u00e3o art\u00edstica da Via L\u00e1ctea. A localiza\u00e7\u00e3o do Sol \u00e9 destacada pelo ponto amarelo.<br>Cr\u00e9dito: Worldwide Telescope, cortesia de Alyssa A. Goodman\/Universidade de Harvard<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o da equipa indica que a passagem do Sistema Solar pela regi\u00e3o de Orionte ocorreu h\u00e1 aproximadamente 18,2-11,5 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, sendo o momento mais prov\u00e1vel h\u00e1 14,8-12,4 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Este per\u00edodo de tempo alinha-se bem com a Transi\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica do Mioceno M\u00e9dio, uma mudan\u00e7a significativa de um clima vari\u00e1vel quente para um clima mais frio, levando ao estabelecimento de um prot\u00f3tipo \u00e0 escala continental da configura\u00e7\u00e3o da camada de gelo da Ant\u00e1rtida. Embora o estudo levante a possibilidade de uma liga\u00e7\u00e3o entre a travessia passada do Sistema Solar atrav\u00e9s da sua vizinhan\u00e7a gal\u00e1ctica e o clima da Terra atrav\u00e9s da poeira interestelar, os autores sublinham que uma liga\u00e7\u00e3o causal requer mais investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>N\u00e3o compar\u00e1vel \u00e0s atuais altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas provocadas pelo homem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Embora os processos subjacentes respons\u00e1veis pela Transi\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica do Mioceno M\u00e9dio n\u00e3o estejam totalmente identificados, as reconstru\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis sugerem que uma diminui\u00e7\u00e3o a longo prazo da concentra\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica de di\u00f3xido de carbono, g\u00e1s de efeito de estufa, \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o mais prov\u00e1vel, embora existam grandes incertezas. No entanto, o nosso estudo salienta que a poeira interestelar relacionada com a travessia pela Onda Radcliffe pode ter tido impacto no clima da Terra e desempenhado um papel potencial durante esta transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Para alterar o clima da Terra, a quantidade de poeira extraterrestre na Terra teria de ser muito maior do que os dados at\u00e9 agora sugerem&#8221;, diz Maconi. &#8220;A investiga\u00e7\u00e3o futura ir\u00e1 explorar o significado desta contribui\u00e7\u00e3o. \u00c9 crucial notar que esta transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica passada e as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas atuais n\u00e3o s\u00e3o compar\u00e1veis, uma vez que a Transi\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica do Mioceno M\u00e9dio se desenrolou em escalas temporais de v\u00e1rias centenas de milhares de anos. Em contraste, a atual evolu\u00e7\u00e3o do aquecimento global est\u00e1 a ocorrer a um ritmo sem precedentes, ao longo de d\u00e9cadas ou s\u00e9culos, devido \u00e0 atividade humana&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este estudo \u00e9 importante porque acrescenta uma pequena pe\u00e7a do puzzle \u00e0 hist\u00f3ria recente do Sistema Solar, ajudando a coloc\u00e1-lo no contexto da Via L\u00e1ctea. &#8220;Somos habitantes da Via L\u00e1ctea&#8221;, diz Alves, &#8220;A Miss\u00e3o Gaia da Ag\u00eancia Espacial Europeia deu-nos os meios para rastrear o nosso percurso recente no mar interestelar da Via L\u00e1ctea, permitindo aos astr\u00f3nomos comparar notas com ge\u00f3logos e paleoclimatologistas. \u00c9 muito emocionante&#8221;. No futuro, a equipa liderada por Jo\u00e3o Alves planeia estudar com mais detalhe o ambiente gal\u00e1ctico que o Sol encontrou enquanto navegava pela nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/medienportal.univie.ac.at\/en\/media\/recent-press-releases\/detailansicht-en\/artikel\/the-galactic-journey-of-our-solar-system\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Viena (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2025\/02\/aa52061-24\/aa52061-24.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a href=\"https:\/\/efremmaconi.github.io\/emaconi_webpage\/Sun_RW_crossing_3D_animation.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Visualiza\u00e7\u00e3o 3D da \u00f3rbita do Sol e de outros objetos nos \u00faltimos 30 milh\u00f5es de anos<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Onda Radcliffe:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/sites.google.com\/cfa.harvard.edu\/radcliffewave\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;Surfe&#8221; a Onda Radcliffe (Harvard via Google sites)<\/a><br><a href=\"https:\/\/projects.cosmicds.cfa.harvard.edu\/radwave-in-motion\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mapa 3D interativo (Cosmic Data Stories e Worldwide Telescope)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Radcliffe_wave\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nuvem molecular de Orionte:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.messier.seds.org\/more\/oricloud.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Orion_molecular_cloud_complex\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema Solar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Solar_System\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina da ESA para a comunidade cient\u00edfica<\/a><br><a href=\"https:\/\/gea.esac.esa.int\/archive\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de dados do Gaia (ESA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o internacional liderada pela Universidade de Viena descobriu que o Sistema Solar atravessou o complexo de forma\u00e7\u00e3o estelar de Orionte, um componente da estrutura gal\u00e1ctica da Onda Radcliffe, h\u00e1 cerca de 14 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7810,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50,9,16,1,59],"tags":[311,345,661,413,180],"class_list":["post-7809","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-estrelas","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","category-telescopios-profissionais","category-via-lactea","tag-gaia","tag-nuvem-molecular-de-orionte","tag-onda-radcliffe","tag-sistema-solar","tag-via-lactea"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7809","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7809"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7809\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7811,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7809\/revisions\/7811"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7810"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7809"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}