{"id":7797,"date":"2025-02-25T07:14:36","date_gmt":"2025-02-25T06:14:36","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7797"},"modified":"2025-02-25T07:14:37","modified_gmt":"2025-02-25T06:14:37","slug":"nos-antigos-bercarios-estelares-algumas-estrelas-nascem-de-nuvens-fofas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/02\/25\/nos-antigos-bercarios-estelares-algumas-estrelas-nascem-de-nuvens-fofas\/","title":{"rendered":"Nos antigos ber\u00e7\u00e1rios estelares, algumas estrelas nascem de nuvens fofas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/OS2PVwo3_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"823\" height=\"371\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/OS2PVwo3_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7798\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/OS2PVwo3_o.jpg 823w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/OS2PVwo3_o-300x135.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/OS2PVwo3_o-768x346.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 823px) 100vw, 823px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Exemplo de uma nuvem molecular filamentar (esquerda) e fofa (direita) na Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es, obtidas pelo telesc\u00f3pio ALMA. As ondas de r\u00e1dio emitidas pelas mol\u00e9culas de mon\u00f3xido de carbono s\u00e3o mostradas a cores. Quanto mais brilhante for a cor, mais forte \u00e9 a emiss\u00e3o de r\u00e1dio. As cruzes no meio indicam a presen\u00e7a de estrelas beb\u00e9s gigantes. A figura da esquerda mostra uma nuvem molecular com uma estrutura filamentar, e a figura da direita mostra um exemplo de uma nuvem molecular com uma forma fofa. A barra da escala corresponde a um ano-luz.\nCr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), Tokuda et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Como \u00e9 que as estrelas nascem e ser\u00e1 que sempre foi assim?<\/p>\n\n\n\n<p>As estrelas formam-se em regi\u00f5es do espa\u00e7o conhecidas como ber\u00e7\u00e1rios estelares, onde altas concentra\u00e7\u00f5es de g\u00e1s e poeira coalescem para formar uma estrela beb\u00e9. Tamb\u00e9m chamadas nuvens moleculares, estas regi\u00f5es do espa\u00e7o podem ser massivas, estendendo-se por centenas de anos-luz e formando milhares de estrelas. E embora saibamos muito sobre o ciclo de vida de uma estrela gra\u00e7as aos avan\u00e7os da tecnologia e das ferramentas de observa\u00e7\u00e3o, os pormenores precisos permanecem obscuros. Por exemplo, ser\u00e1 que as estrelas se formaram desta forma no in\u00edcio do Universo?<\/p>\n\n\n\n<p>Publicando na revista The Astrophysical Journal, investigadores da Universidade de Kyushu, em colabora\u00e7\u00e3o com a Universidade Metropolitana de Osaka, descobriram que, no in\u00edcio do Universo, algumas estrelas podem ter sido formadas em nuvens moleculares &#8220;fofas&#8221;. Os resultados foram obtidos a partir de observa\u00e7\u00f5es da Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es e podem fornecer uma nova perspetiva sobre a forma\u00e7\u00e3o estelar ao longo da hist\u00f3ria do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, as nuvens moleculares que facilitam a forma\u00e7\u00e3o de estrelas t\u00eam uma estrutura &#8220;filamentar&#8221; alongada com cerca de 0,3 anos-luz de largura. Os astr\u00f3nomos pensam que o nosso Sistema Solar se formou da mesma maneira, quando uma grande nuvem molecular filamentar se separou para formar um ovo estelar, tamb\u00e9m chamado n\u00facleo de nuvem molecular. Ao longo de centenas de milhares de anos, a gravidade atrairia gases e mat\u00e9ria para os n\u00facleos para criar uma estrela.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O nosso conhecimento da forma\u00e7\u00e3o estelar at\u00e9 ainda est\u00e1, hoje em dia, em desenvolvimento, e compreender como as estrelas se formaram no Universo primitivo \u00e9 ainda mais dif\u00edcil&#8221;, explica Kazuki Tokuda, p\u00f3s-doutorado da Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Kyushu e primeiro autor do estudo. &#8220;O Universo primitivo era bastante diferente do atual, sendo maioritariamente povoado por hidrog\u00e9nio e h\u00e9lio. Os elementos mais pesados formaram-se mais tarde em estrelas de massa elevada. N\u00e3o podemos voltar atr\u00e1s no tempo para estudar a forma\u00e7\u00e3o de estrelas no Universo primitivo, mas podemos observar partes do Universo com ambientes semelhantes aos do Universo primitivo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa concentrou-se na Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es (PNM), uma gal\u00e1xia an\u00e3 perto da Via L\u00e1ctea a cerca de 20.000 anos-luz da Terra. A PNM cont\u00e9m apenas cerca de um-quinto dos elementos pesados da Via L\u00e1ctea, o que a torna muito pr\u00f3xima do ambiente c\u00f3smico do in\u00edcio do Universo, h\u00e1 cerca de 10 mil milh\u00f5es de anos. No entanto, a resolu\u00e7\u00e3o espacial para observar as nuvens moleculares na PNM era muitas vezes insuficiente, e n\u00e3o era claro se a mesma estrutura filamentar podia ser vista.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/ed\/b1\/WXSkocR8_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/ed\/b1\/WXSkocR8_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nuvens moleculares na Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es. Uma imagem da Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es no infravermelho distante, observada pelo Observat\u00f3rio Espacial Herschel da ESA. Os c\u00edrculos indicam as posi\u00e7\u00f5es observadas pelo telesc\u00f3pio ALMA, com a correspondente imagem ampliada da nuvem molecular observada no r\u00e1dio e emitido pelo mon\u00f3xido de carbono. As imagens ampliadas emolduradas a amarelo indicam estruturas filamentares. As imagens emolduradas a azul indicam formas fofas.<br>Cr\u00e9dito: ALMA (ESO\/NAOJ\/NRAO), Tokuda et al., ESA\/Herschel<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Felizmente, o radiotelesc\u00f3pio ALMA no Chile era suficientemente potente para captar imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o da PNM e determinar a presen\u00e7a ou aus\u00eancia de nuvens moleculares filamentares.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;No total, recolhemos e analis\u00e1mos dados de 17 nuvens moleculares. Cada uma destas nuvens moleculares tinha estrelas beb\u00e9s em crescimento com 20 vezes a massa do nosso Sol&#8221;, continua Tokuda. Descobrimos que cerca de 60% das nuvens moleculares que observ\u00e1mos tinham uma estrutura filamentar com uma largura de cerca de 0,3 anos-luz, mas os restantes 40% tinham uma forma &#8216;fofa&#8217;. Al\u00e9m disso, a temperatura no interior das nuvens moleculares filamentares era mais elevada do que a das nuvens moleculares fofas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta diferen\u00e7a de temperatura entre as nuvens filamentares e as nuvens fofas deve-se provavelmente ao facto da nuvem se ter formado h\u00e1 muito tempo. Inicialmente, todas as nuvens eram filamentares com temperaturas elevadas devido ao facto de as nuvens colidirem umas com as outras. Quando a temperatura \u00e9 elevada, a turbul\u00eancia na nuvem molecular \u00e9 fraca. Mas quando a temperatura da nuvem desce, a energia cin\u00e9tica do g\u00e1s vindouro causa mais turbul\u00eancia e suaviza a estrutura filamentar, resultando na nuvem fofa.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a nuvem molecular mantiver a sua forma filamentar, \u00e9 mais prov\u00e1vel que se parta ao longo da sua longa &#8220;corda&#8221; e forme muitas estrelas como o nosso Sol, uma estrela de baixa massa com sistemas planet\u00e1rios. Por outro lado, se a estrutura filamentar n\u00e3o puder ser mantida, pode ser dif\u00edcil o aparecimento de tais estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este estudo indica que o ambiente, tal como um fornecimento adequado de elementos pesados, \u00e9 crucial para manter uma estrutura filamentar e pode desempenhar um papel importante na forma\u00e7\u00e3o de sistemas planet\u00e1rios&#8221;, conclui Tokuda. &#8220;No futuro, ser\u00e1 importante comparar os nossos resultados com observa\u00e7\u00f5es de nuvens moleculares em ambientes ricos em elementos pesados, incluindo a Via L\u00e1ctea. Esses estudos dever\u00e3o fornecer novos conhecimentos sobre a forma\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o temporal das nuvens moleculares e do Universo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.kyushu-u.ac.jp\/en\/researches\/view\/325\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Kyushu (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.omu.ac.jp\/en\/info\/research-news\/entry-73740.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade Metropolitana de Osaka (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ada5f8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Molecular_cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nuvem molecular (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pequena Nuvem de Magalh\u00e3es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Small_Magellanic_Cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALMA (Atacama Large Millimeter\/submillimeter Array):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.almaobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.nrao.edu\/index.php\/about\/facilities\/alma\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (NRAO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/alma.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ALMA (ESO)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atacama_Large_Millimeter_Array\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como \u00e9 que as estrelas nascem e ser\u00e1 que sempre foi assim? 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