{"id":7794,"date":"2025-02-21T07:21:55","date_gmt":"2025-02-21T06:21:55","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7794"},"modified":"2025-02-21T07:21:55","modified_gmt":"2025-02-21T06:21:55","slug":"webb-revela-um-espetaculo-de-luzes-do-buraco-negro-central-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/02\/21\/webb-revela-um-espetaculo-de-luzes-do-buraco-negro-central-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Webb revela um espet\u00e1culo de luzes do buraco negro central da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01JKRE49KTYCT51BWW1H4M1BH4.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/KHKj9TT3_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7795\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/KHKj9TT3_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/KHKj9TT3_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/KHKj9TT3_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/KHKj9TT3_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Este conceito art\u00edstico retrata o buraco negro supermassivo no centro da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, conhecido como Sagit\u00e1rio A*. Est\u00e1 rodeado por um disco de acre\u00e7\u00e3o rodopiante de g\u00e1s quente. A gravidade do buraco negro curva a luz do lado mais afastado do disco, fazendo com que esta pare\u00e7a envolver-se acima e abaixo do buraco negro. No disco s\u00e3o observados v\u00e1rios pontos quentes que se assemelham a erup\u00e7\u00f5es solares, mas numa escala mais energ\u00e9tica. O Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA detetou tanto erup\u00e7\u00f5es brilhantes como cintila\u00e7\u00f5es mais t\u00e9nues provenientes de Sagit\u00e1rio A*. As cintila\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pidas que devem ter origem muito perto do buraco negro.\nCr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O buraco negro supermassivo no centro da Via L\u00e1ctea parece estar a dar uma festa, com um espet\u00e1culo de luzes ao estilo de uma bola de discoteca. Utilizando o Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA, uma equipa de astrof\u00edsicos conseguiu obter o mais longo e detalhado vislumbre do &#8220;vazio&#8221; que se esconde no meio da nossa Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descobriram que o disco rodopiante de g\u00e1s e poeira (ou disco de acre\u00e7\u00e3o) que orbita o buraco negro supermassivo central, chamado Sagit\u00e1rio A*, est\u00e1 a emitir um fluxo constante de erup\u00e7\u00f5es sem per\u00edodos de repouso. O n\u00edvel de atividade ocorre ao longo de uma vasta gama de tempo &#8211; desde pequenos interl\u00fadios a longos per\u00edodos. Ao passo que algumas erup\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e9nues, durando apenas alguns segundos, outras s\u00e3o brilhantes e ofuscantes, expelidas diariamente. H\u00e1 tamb\u00e9m mudan\u00e7as ainda mais t\u00e9nues que surgem ao longo de meses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas descobertas poder\u00e3o ajudar os f\u00edsicos a compreender melhor a natureza fundamental dos buracos negros, a forma como se alimentam do ambiente que os rodeia e a din\u00e2mica e evolu\u00e7\u00e3o da nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi publicado na edi\u00e7\u00e3o de 18 de fevereiro da revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Nos nossos dados, observ\u00e1mos uma luminosidade em constante mudan\u00e7a&#8221;, disse Farhad Yusef-Zadeh, da Universidade Northwestern, no estado norte-americano de Illinois, que liderou o estudo. &#8220;E depois boom! Uma grande explos\u00e3o de brilho apareceu de repente. Depois, voltou a acalmar. N\u00e3o conseguimos encontrar um padr\u00e3o nesta atividade. Parece ser aleat\u00f3ria. O perfil de atividade deste buraco negro era novo e excitante de cada vez que olh\u00e1vamos para ele&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Fogos-de-artif\u00edcio aleat\u00f3rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para realizar o estudo, Yusef-Zadeh e a sua equipa utilizaram o instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb para observar Sagit\u00e1rio A* durante um total de 48 horas, em incrementos de 8 a 10 horas, ao longo de um ano. Isto permitiu-lhes acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o do buraco negro ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a equipa esperasse ver erup\u00e7\u00f5es, Sagit\u00e1rio A* estava mais ativo do que o previsto. As observa\u00e7\u00f5es revelaram fogos-de-artif\u00edcio cont\u00ednuos de v\u00e1rios brilhos e dura\u00e7\u00f5es. O disco de acre\u00e7\u00e3o que rodeia o buraco negro gerou cinco a seis grandes erup\u00e7\u00f5es por dia e v\u00e1rias pequenas subexplos\u00f5es ou surtos pelo meio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Dois processos distintos em a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora os astrof\u00edsicos ainda n\u00e3o compreendam totalmente os processos em jogo, Yusef-Zadeh suspeita que dois processos distintos sejam respons\u00e1veis pelas erup\u00e7\u00f5es curtas e pelos surtos mais longos. Ele postula que pequenas perturba\u00e7\u00f5es no interior do disco de acre\u00e7\u00e3o s\u00e3o suscet\u00edveis de gerar os t\u00e9nues lampejos. Especificamente, as flutua\u00e7\u00f5es turbulentas no interior do disco podem comprimir o plasma (um g\u00e1s quente e eletricamente carregado) e causar uma explos\u00e3o tempor\u00e1ria de radia\u00e7\u00e3o. Yusef-Zadeh compara estes acontecimentos a erup\u00e7\u00f5es solares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 semelhante \u00e0 forma como o campo magn\u00e9tico do Sol se junta, comprime e depois faz expelir uma erup\u00e7\u00e3o solar&#8221;, explicou. &#8220;\u00c9 claro que os processos s\u00e3o mais dram\u00e1ticos porque o ambiente \u00e0 volta de um buraco negro \u00e9 muito mais energ\u00e9tico e muito mais extremo. Mas a superf\u00edcie do Sol tamb\u00e9m borbulha de atividade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Yusef-Zadeh atribui as grandes e brilhantes erup\u00e7\u00f5es a eventos ocasionais de reconex\u00e3o magn\u00e9tica &#8211; um processo em que dois campos magn\u00e9ticos colidem, libertando energia sob a forma de part\u00edculas aceleradas. Viajando a velocidades pr\u00f3ximas da velocidade da luz, estas part\u00edculas emitem surtos brilhantes de radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Um evento de reconex\u00e3o magn\u00e9tica \u00e9 como uma fa\u00edsca de eletricidade est\u00e1tica, que, de certa forma, tamb\u00e9m \u00e9 uma &#8216;reconex\u00e3o el\u00e9trica'&#8221;, disse Yusef-Zadeh.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&#8220;Vis\u00e3o&#8221; dupla<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como o NIRCam do Webb consegue observar dois comprimentos de onda distintos ao mesmo tempo (2,1 e 4,8 micr\u00f3metros, no caso destas observa\u00e7\u00f5es), Yusef-Zadeh e os seus colaboradores puderam comparar a forma como o brilho das erup\u00e7\u00f5es se alterava com cada comprimento de onda. Mais uma vez, os investigadores tiveram uma surpresa. Descobriram que os eventos observados no comprimento de onda mais curto mudavam de brilho ligeiramente antes dos eventos de comprimento de onda mais longo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 a primeira vez que vemos um atraso nas medi\u00e7\u00f5es destes comprimentos de onda&#8221;, disse Yusef-Zadeh. &#8220;Observ\u00e1mos estes comprimentos de onda em simult\u00e2neo com o NIRCam e repar\u00e1mos que o comprimento de onda mais longo se atrasa em rela\u00e7\u00e3o ao mais curto por um valor muito pequeno &#8211; talvez de alguns segundos at\u00e9 40 segundos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este atraso forneceu mais pistas sobre os processos f\u00edsicos que ocorrem em torno do buraco negro. Uma explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que as part\u00edculas perdem energia ao longo da erup\u00e7\u00e3o &#8211; perdendo energia mais rapidamente em comprimentos de onda mais curtos do que em comprimentos de onda mais longos. Estas altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o esperadas para part\u00edculas que espiralam em torno de linhas de campo magn\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Visando um olhar ininterrupto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para continuar a explorar estas quest\u00f5es, Yusef-Zadeh e a sua equipa esperam usar o Webb para observar Sagit\u00e1rio A* durante um per\u00edodo de tempo mais longo, como 24 horas ininterruptas, para ajudar a reduzir o ru\u00eddo e permitir aos investigadores ver detalhes ainda mais finos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando se est\u00e1 a observar eventos t\u00e3o fracos, \u00e9 preciso competir com o ru\u00eddo&#8221;, disse Yusef-Zadeh. &#8220;Se conseguirmos observar durante 24 horas, podemos reduzir o ru\u00eddo e ver caracter\u00edsticas que antes n\u00e3o consegu\u00edamos ver. Isso seria espantoso. Tamb\u00e9m podemos ver se estas erup\u00e7\u00f5es se repetem ou se s\u00e3o verdadeiramente aleat\u00f3rias&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/webb\/webb-reveals-rapid-fire-light-show-from-milky-ways-central-black-hole\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/contents\/news-releases\/2025\/news-2025-110\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ STScI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/news.northwestern.edu\/stories\/2025\/02\/flickers-and-flares-milky-ways-central-black-hole-constantly-bubbles-with-light\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade Northwestern (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ada88b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sagit\u00e1rio A*:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A*\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.jwst.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-programs\/general-observers\/cycle-3-go\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ciclo 3 GO do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-programs\/guaranteed-time-observations\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-programs\/directors-discretionary-time\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jwst.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nirspec.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este conceito art\u00edstico retrata o buraco negro supermassivo no centro da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, conhecido como Sagit\u00e1rio A*. 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