{"id":7766,"date":"2025-02-11T07:15:40","date_gmt":"2025-02-11T06:15:40","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7766"},"modified":"2025-02-11T07:15:41","modified_gmt":"2025-02-11T06:15:41","slug":"rochas-lunares-ajudam-os-cientistas-a-determinar-o-periodo-de-cristalizacao-da-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/02\/11\/rochas-lunares-ajudam-os-cientistas-a-determinar-o-periodo-de-cristalizacao-da-lua\/","title":{"rendered":"Rochas lunares ajudam os cientistas a determinar o per\u00edodo de cristaliza\u00e7\u00e3o da Lua"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/moltenmoon.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"640\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LPwe9c5D_o-1024x640.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7767\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LPwe9c5D_o-1024x640.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LPwe9c5D_o-300x188.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LPwe9c5D_o-768x480.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/LPwe9c5D_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o de artista do que ter\u00e1 sido o aspeto da Lua parcialmente fundida.\nCr\u00e9dito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora os seres humanos contemplem a Lua desde que os primeiros de n\u00f3s olharam para o c\u00e9u, ainda h\u00e1 muito que n\u00e3o sabemos sobre o nosso sat\u00e9lite natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma dessas quest\u00f5es por resolver \u00e9 a sua hist\u00f3ria de origem. Pensamos que a Lua se formou depois de uma colis\u00e3o colossal entre a Terra e outro objeto enorme ter criado duas bolas de magma derretido. Mas n\u00e3o sabemos exatamente quando nem como.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, cientistas fizeram novas medi\u00e7\u00f5es de rochas lunares das miss\u00f5es Apollo para estabelecer uma data para o momento em que a Lua se solidificou: h\u00e1 4,43 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo, realizado por uma colabora\u00e7\u00e3o que incluiu cientistas da Universidade de Chicago, aplicou t\u00e9cnicas de ponta para efetuar leituras ultraprecisas de minerais raros nas rochas. Os resultados acrescentam evid\u00eancias para a nossa compreens\u00e3o da hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o da Lua e da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto coloca uma idade exata para a forma\u00e7\u00e3o da Lua &#8211; e tamb\u00e9m, potencialmente, para a altura em que a Terra se tornou habit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Lev\u00e1mos anos a desenvolver estas t\u00e9cnicas, mas obtivemos uma resposta muito precisa para uma quest\u00e3o que h\u00e1 muito tempo que \u00e9 controversa&#8221;, disse Nicolas Dauphas, o primeiro autor do artigo cient\u00edfico, professor no Departamento de Ci\u00eancias Geof\u00edsicas e no Instituto Enrico Fermi, ambos da Universidade de Chicago.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Luas, meteoritos e magma<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eis o que sabemos at\u00e9 agora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Sistema Solar formou-se h\u00e1 cerca de 4,57 mil milh\u00f5es de anos. Pouco tempo depois, \u00e0 medida que arrefecia, os detritos come\u00e7aram a colidir e a aglomerar-se ao longo do tempo, formando os planetas. Os cientistas pensam que um objeto muito grande colidiu com a Terra em forma\u00e7\u00e3o e que a nossa Lua se formou a partir dos detritos produzidos por este impacto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta colis\u00e3o foi extremamente violenta, disse Dauphas, o suficiente para derreter rocha; &#8220;por isso, no in\u00edcio, temos de imaginar uma grande bola de magma a flutuar no espa\u00e7o \u00e0 volta da Terra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Lua rapidamente come\u00e7ou a arrefecer. A maior parte do oceano lunar de magma solidificou quase de imediato, segundo os padr\u00f5es geol\u00f3gicos &#8211; cerca de um mil\u00e9nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas quando cerca de 80% do magma se solidificou, formou-se uma crosta de minerais que isolou a jovem Lua. &#8220;\u00c9 como vestir um casaco em Chicago quando est\u00e1 frio &#8211; n\u00e3o se perde calor t\u00e3o depressa&#8221;, disse Dauphas. Isto abrandou o processo de arrefecimento e, durante algum tempo, a Lua teve um manto parcialmente fundido. O que ainda n\u00e3o conseguimos determinar \u00e9 quanto tempo se manteve assim, antes de arrefecer completamente e se tornar rocha s\u00f3lida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estudos de amostras das miss\u00f5es Apollo revelaram que, \u00e0 medida que a Lua arrefecia lentamente, uma mistura de certos elementos teria flutuado para cima no manto parcialmente derretido &#8211; um pouco como o sal deixado para tr\u00e1s quando a \u00e1gua do mar se evapora &#8211; e formado uma camada distinta. Os cientistas pensaram que se conseguissem encontrar uma idade exata para esta camada de magma, que continha muito pot\u00e1ssio, elementos raros e f\u00f3sforo (acr\u00f3nimo KREEP), saberiam quando a Lua ficou 99% cristalizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dauphas e os seus colaboradores perguntaram-se se a resposta poderia estar encerrada em rochas lunares recuperadas pelos astronautas das Apollo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/nasacommons\/29881269755\/\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/32\/a1\/XUiuSgKb_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O astronauta Charles M. Duke Jr. recolhe amostras de rochas lunares durante a miss\u00e3o Apollo 16. Estas amostras d\u00e3o-nos informa\u00e7\u00f5es inestim\u00e1veis sobre a Lua.<br>Cr\u00e9dito: John W. Young\/NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Rel\u00f3gio radioativo lunar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A chave para a sua abordagem foi a observa\u00e7\u00e3o de diferentes propor\u00e7\u00f5es de elementos. Um dos elementos do KREEP \u00e9 o lut\u00e9cio, que \u00e9 muito ligeiramente radioativo; ao longo de eras, transforma-se gradualmente no elemento h\u00e1fnio a um ritmo previs\u00edvel. Assim, os cientistas podem trabalhar para tr\u00e1s para ver h\u00e1 quanto tempo uma determinada rocha existe (isto \u00e9 semelhante \u00e0 forma como usamos a data\u00e7\u00e3o por carbono para saber a idade dos artefactos arqueol\u00f3gicos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio do Sistema Solar, todas as rochas tinham a mesma quantidade de lut\u00e9cio. Mas o processo de solidifica\u00e7\u00e3o que formou o KREEP n\u00e3o favoreceu o lut\u00e9cio, pelo que essa camada tem n\u00edveis mais baixos de lut\u00e9cio do que outras rochas da mesma \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se os cientistas conseguissem medir com grande precis\u00e3o as propor\u00e7\u00f5es de lut\u00e9cio e de h\u00e1fnio nas rochas lunares, em compara\u00e7\u00e3o com outras coisas da mesma \u00e9poca, mas provenientes de outros locais do Sistema Solar, como os meteoritos, poderiam fazer um c\u00e1lculo para saber quando se formou a camada KREEP &#8211; e, portanto, quando \u00e9 que a Lua estava praticamente s\u00f3lida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema \u00e9 que apenas dispomos de pequenas e preciosas amostras de rochas lunares. Por isso, a equipa teve de desenvolver t\u00e9cnicas extremamente rigorosas para separar os diferentes elementos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao testar pequenas amostras de rochas lunares recolhidas de v\u00e1rias miss\u00f5es Apollo, chegaram a uma idade para o arrefecimento da Lua: h\u00e1 4,43 mil milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base noutros estudos, os cientistas pensam que a Lua teria levado cerca de 20 milh\u00f5es de anos a arrefecer at\u00e9 esse n\u00edvel. Isso coloca a forma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Lua h\u00e1 cerca de 4,45 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto n\u00e3o s\u00f3 nos diz mais acerca da hist\u00f3ria da Lua, mas tamb\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o da Terra, uma vez que o impacto que deu origem ao nosso sat\u00e9lite natural foi provavelmente tamb\u00e9m o \u00faltimo grande impacto na Terra &#8211; marcando a data em que a Terra pode ter ficado est\u00e1vel, tornando-se hospitaleira para a vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esta descoberta alinha-se bem com outras evid\u00eancias &#8211; \u00e9 um \u00f3timo lugar para estarmos enquanto nos preparamos para mais conhecimento sobre a Lua a partir das miss\u00f5es Chang-e e Artemis&#8221;, disse Dauphas. &#8220;Temos uma s\u00e9rie de outras quest\u00f5es que est\u00e3o \u00e0 espera de resposta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/news.uchicago.edu\/story\/lunar-rocks-help-scientists-pinpoint-when-moon-crystallized\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.2413802121\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Proceedings of the National Academy of Sciences)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2501.16203\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lua:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Moon\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>KREEP:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/KREEP\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Programa Apollo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/history.nasa.gov\/apollo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Apollo_program\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas da Universidade de Chicago analisaram amostras de rochas lunares das miss\u00f5es Apollo e determinaram que a Lua solidificou h\u00e1 aproximadamente 4,43 mil milh\u00f5es de anos. Esta descoberta fornece uma data precisa para a forma\u00e7\u00e3o da Lua e sugere que a Terra se tornou habit\u00e1vel pouco depois desse per\u00edodo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7767,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[1874,152,482],"class_list":["post-7766","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-kreep","tag-lua","tag-programa-apollo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7766","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7766"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7766\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7768,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7766\/revisions\/7768"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7767"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7766"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7766"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7766"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}