{"id":7764,"date":"2025-02-11T07:12:57","date_gmt":"2025-02-11T06:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7764"},"modified":"2025-02-11T07:12:58","modified_gmt":"2025-02-11T06:12:58","slug":"caracteristicas-semelhantes-a-trincheiras-na-lua-de-urano-ariel-podem-ser-janelas-para-o-seu-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/02\/11\/caracteristicas-semelhantes-a-trincheiras-na-lua-de-urano-ariel-podem-ser-janelas-para-o-seu-interior\/","title":{"rendered":"Caracter\u00edsticas semelhantes a trincheiras na lua de \u00darano, Ariel, podem ser janelas para o seu interior"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/photojournal.jpl.nasa.gov\/jpeg\/PIA01534.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/OdjOtkM6_o-1024x575.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7178\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/OdjOtkM6_o-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/OdjOtkM6_o-300x168.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/OdjOtkM6_o-768x431.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/OdjOtkM6_o.jpg 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Composi\u00e7\u00e3o obtida pela c\u00e2mara da Voyager 2 no dia 24 de janeiro de 1986 que mostra a superf\u00edcie densamente esburacada e sulcada da lua Ariel de \u00darano.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano passado, um estudo liderado pelo cientista planet\u00e1rio Richard Cartwright do Laborat\u00f3rio de F\u00edsica Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA, prop\u00f4s que os dep\u00f3sitos de di\u00f3xido de carbono gelado e outras mol\u00e9culas contendo carbono na lua Ariel de \u00darano teriam tido origem em processos qu\u00edmicos no interior da lua &#8211; possivelmente at\u00e9 de um oceano subterr\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, uma nova investiga\u00e7\u00e3o pode esclarecer como esses materiais chegaram (ou ainda est\u00e3o a chegar) \u00e0 superf\u00edcie. Um estudo liderado pela ge\u00f3loga planet\u00e1ria, Chloe Beddingfield, aponta para os sulcos &#8211; trincheiras que cortam os enormes desfiladeiros de Ariel &#8211; como os canais prov\u00e1veis para esta troca. Os resultados, publicados a 3 de fevereiro na revista The Planetary Science Journal, sugerem que estes sulcos s\u00e3o centros de propaga\u00e7\u00e3o, como os que criam nova crosta oce\u00e2nica nos fundos marinhos da Terra, trazendo material interno que forma uma nova superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se estivermos corretos, estes sulcos s\u00e3o provavelmente os melhores candidatos para obter esses dep\u00f3sitos de \u00f3xido de carbono e descobrir mais detalhes sobre o interior da lua&#8221;, disse Beddingfield. &#8220;Nenhuma outra caracter\u00edstica da superf\u00edcie mostra evid\u00eancias de facilitar o movimento de materiais do interior de Ariel, o que torna esta descoberta particularmente excitante&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as mais jovens caracter\u00edsticas conhecidas da superf\u00edcie de Ariel, h\u00e1 muito que se suspeita que os sulcos s\u00e3o produtos de uma complexa intera\u00e7\u00e3o entre a atividade tect\u00f3nica e vulc\u00e2nica. Usando imagens obtidas pela nave espacial Voyager 2 da NASA (a \u00fanica miss\u00e3o a passar por \u00darano e pelas suas luas), a equipa de investiga\u00e7\u00e3o considerou que os sulcos se podem ter formado atrav\u00e9s de fissuras ou condutas vulc\u00e2nicas. Mas a nova an\u00e1lise inclina-se fortemente para centros de propaga\u00e7\u00e3o. Por exemplo, as paredes dos desfiladeiros que ladeiam os sulcos encaixam como pe\u00e7as de puzzle quando os seus pisos centrais s\u00e3o removidos digitalmente. E as bases dos desfiladeiros apresentam sulcos regularmente espa\u00e7ados em alguns locais &#8211; semelhantes aos rastos de uma escavadora &#8211; consistentes com uma s\u00e9rie de dep\u00f3sitos de material.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/26\/4a\/o7vSNdFL_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/26\/4a\/o7vSNdFL_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem capturada pela Voyager 2 da superf\u00edcie de Ariel que mostra um sulco (marcado por uma seta), que uma nova investiga\u00e7\u00e3o sugere ser um centro de propaga\u00e7\u00e3o onde novo material foi depositado \u00e0 superf\u00edcie. A imagem foi cortada e modificada para efeitos de \u00eanfase.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os centros de propaga\u00e7\u00e3o surgem de c\u00e9lulas de convec\u00e7\u00e3o por baixo da crosta, explicou Beddingfield. O calor do interior de Ariel faz com que o material suba, dividindo a superf\u00edcie e for\u00e7ando-a a separar-se \u00e0 medida que o material \u00e9 depositado e arrefece gradualmente. Curiosamente, Ariel e algumas outras luas de \u00darano passaram por v\u00e1rios per\u00edodos de atividade geol\u00f3gica, provavelmente devido a for\u00e7as de mar\u00e9. Estas for\u00e7as, resultantes das resson\u00e2ncias peri\u00f3dicas das luas &#8211; em que os seus per\u00edodos orbitais se alinham em propor\u00e7\u00f5es precisas &#8211; fizeram com que os seus interiores gelados alternassem entre fases de aquecimento, alguns casos de fus\u00e3o e at\u00e9 de congela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o fascinante &#8211; a forma como este ciclo afeta estas luas, a sua evolu\u00e7\u00e3o e as suas caracter\u00edsticas&#8221;, disse Beddingfield.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas pensam que estas resson\u00e2ncias ajudaram a sustentar os oceanos sob Ariel e sob a sua vizinha mais pequena, Miranda. Por exemplo, um estudo de 2024, em coautoria com Tom Nordheim, prop\u00f4s que tais resson\u00e2ncias formaram um oceano no interior de Miranda e que o oceano pode ainda existir hoje. No que respeita ao poss\u00edvel oceano de Ariel, Nordheim salientou a import\u00e2ncia dos sulcos para a compreens\u00e3o do prov\u00e1vel curto per\u00edodo de vida dos \u00f3xidos de carbono. &#8220;Estes novos resultados sugerem um poss\u00edvel mecanismo para a introdu\u00e7\u00e3o de material fresco e compostos de vida curta, incluindo mon\u00f3xido de carbono e talvez subst\u00e2ncias com amon\u00edaco \u00e0 superf\u00edcie&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ariel tamb\u00e9m pode albergar um fino oceano remanescente, embora Beddingfield seja cautelosa quanto a estabelecer liga\u00e7\u00f5es diretas entre esse oceano e os sulcos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O tamanho do poss\u00edvel oceano de Ariel e a sua profundidade sob a superf\u00edcie s\u00f3 podem ser estimados, mas pode estar demasiado isolado para interagir com os centros de propaga\u00e7\u00e3o&#8221;, disse. &#8220;H\u00e1 muita coisa que n\u00e3o sabemos. E embora os gelos de \u00f3xido de carbono estejam presentes na superf\u00edcie de Ariel, ainda n\u00e3o \u00e9 claro se est\u00e3o associados aos sulcos porque a Voyager 2 n\u00e3o tinha instrumentos que pudessem mapear a distribui\u00e7\u00e3o dos gelos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para encontrar respostas, Cartwright enfatizou a necessidade de mais explora\u00e7\u00e3o e a import\u00e2ncia de uma miss\u00e3o dedicada a \u00darano. &#8220;Precisamos de um orbitador que possa fazer passagens pr\u00f3ximas de Ariel, mapear os seus sulcos em pormenor e analisar as suas assinaturas espetrais para componentes como o di\u00f3xido de carbono e o mon\u00f3xido de carbono&#8221;, disse. &#8220;Se as mol\u00e9culas de carbono estiverem concentradas ao longo destes sulcos, isso apoiaria fortemente a ideia de que s\u00e3o janelas para o interior de Ariel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com \u00darano a subir na classifica\u00e7\u00e3o das prioridades de explora\u00e7\u00e3o, Ariel e os seus enigm\u00e1ticos sulcos poder\u00e3o em breve ser objeto de uma an\u00e1lise mais profunda, fornecendo um olhar sem precedentes sobre o passado da lua e possivelmente at\u00e9 sobre o seu presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.jhuapl.edu\/news\/news-releases\/250203-uranus-moon-ariel-medial-grooves-window-to-interior-subsurface-ocean\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ JUHAPL (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/PSJ\/ad9d3f\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Planetary Science Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ariel:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/moons\/uranus-moons\/ariel\/in-depth\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ariel_(moon)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Miranda:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/uranus\/moons\/miranda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Miranda_(moon)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00darano:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/uranus\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Uranus_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Voyager 2:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/voyager.jpl.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/theskylive.com\/voyager2-info\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Sky Live<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Voyager_2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo estudo sugere que os sulcos na lua Ariel de \u00darano podem ser centros de propaga\u00e7\u00e3o, semelhantes aos do fundo oce\u00e2nico da Terra. A an\u00e1lise de imagens da Voyager 2 indica que estas estruturas podem trazer material do interior para a superf\u00edcie, possivelmente revelando um oceano subsuperficial. Esta descoberta destaca a necessidade de futuras miss\u00f5es para melhor explorar Ariel.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7178,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,16],"tags":[1308,1533,486,359],"class_list":["post-7764","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-sistema-solar","category-sondas-missoes-espaciais","tag-ariel","tag-miranda","tag-urano","tag-voyager-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7764","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7764"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7764\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7765,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7764\/revisions\/7765"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7178"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7764"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7764"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7764"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}