{"id":7755,"date":"2025-02-07T07:16:57","date_gmt":"2025-02-07T06:16:57","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7755"},"modified":"2025-02-07T07:16:58","modified_gmt":"2025-02-07T06:16:58","slug":"ceres-os-blocos-de-construcao-da-vida-vieram-do-espaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/02\/07\/ceres-os-blocos-de-construcao-da-vida-vieram-do-espaco\/","title":{"rendered":"Ceres: os blocos de constru\u00e7\u00e3o da vida vieram do espa\u00e7o"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/KzIpG2wu_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"514\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/KzIpG2wu_o-1024x514.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7756\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/KzIpG2wu_o-1024x514.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/KzIpG2wu_o-300x151.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/KzIpG2wu_o-768x385.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/KzIpG2wu_o-660x330.jpg 660w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/KzIpG2wu_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A superf\u00edcie do planeta an\u00e3o Ceres. Os locais com material org\u00e2nico s\u00e3o vistos nas caixas vermelhas. A grande maioria dos locais encontra-se perto da cratera Ernutet, no hemisf\u00e9rio norte.\nCr\u00e9dito: Instituto Max Planck para a Investiga\u00e7\u00e3o do Sistema Solar<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O material org\u00e2nico encontrado em algumas \u00e1reas da superf\u00edcie do planeta an\u00e3o Ceres \u00e9 provavelmente de origem ex\u00f3gena. Asteroides impactantes da cintura externa podem t\u00ea-lo trazido consigo. Na revista AGU Advances, um grupo de investigadores liderado pelo Instituto Max Planck para a Investiga\u00e7\u00e3o do Sistema Solar, na Alemanha, apresenta a an\u00e1lise mais completa at\u00e9 \u00e0 data deste misterioso material e do seu contexto geol\u00f3gico. Para o efeito, a equipa utilizou, pela primeira vez, intelig\u00eancia artificial para analisar dados da nave espacial Dawn da NASA. De acordo com o estudo, o criovolcanismo \u00fanico do planeta an\u00e3o, em que a salmoura sobe do interior do corpo para a superf\u00edcie, n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelos dep\u00f3sitos org\u00e2nicos descobertos at\u00e9 \u00e0 data. Estas novas descobertas ajudam a compreender onde e como poderiam ter surgido condi\u00e7\u00f5es habit\u00e1veis no Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As mol\u00e9culas org\u00e2nicas fazem parte do invent\u00e1rio necess\u00e1rio de mundos prop\u00edcios \u00e0 vida. Na Terra, os compostos de carbono, hidrog\u00e9nio e &#8211; em quantidades menores &#8211; outros elementos formam os blocos b\u00e1sicos de constru\u00e7\u00e3o de toda a vida. Nos \u00faltimos anos, os investigadores encontraram essas mol\u00e9culas a grandes dist\u00e2ncias do Sol: em objetos transneptunianos, cometas e asteroides long\u00ednquos. Pensa-se que estes corpos s\u00e3o, em grande parte, remanescentes inalterados dos primeiros tempos do Sistema Solar. Os blocos de constru\u00e7\u00e3o da vida podem, portanto, ter feito parte da sua &#8220;configura\u00e7\u00e3o b\u00e1sica&#8221; desde o in\u00edcio e, possivelmente, s\u00f3 chegaram ao Sistema Solar interior mais tarde.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o estudo atual, os investigadores procuraram dep\u00f3sitos de material org\u00e2nico anteriormente desconhecidos no planeta an\u00e3o Ceres. Com a sua localiza\u00e7\u00e3o no meio da cintura de asteroides, entre as \u00f3rbitas de Marte e J\u00fapiter, o corpo n\u00e3o \u00e9 claramente nativo do Sistema Solar interior nem do exterior. De acordo com estudos anteriores, esta localiza\u00e7\u00e3o poderia mesmo ser o seu local de nascimento. Os cientistas est\u00e3o, por isso, interessados na origem dos componentes org\u00e2nicos de Ceres. Ter\u00e3o tido origem local, na cintura de asteroides? Ou ter\u00e3o chegado mais tarde?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c0 procura de material org\u00e2nico remotamente<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 tinham sido encontradas evid\u00eancias de dep\u00f3sitos de material org\u00e2nico durante as primeiras fases da miss\u00e3o Dawn. A nave espacial chegou a Ceres em mar\u00e7o de 2015 e acompanhou-o durante cerca de tr\u00eas anos e meio. Durante esse tempo, o sistema de c\u00e2maras cient\u00edficas e o espetr\u00f3metro a bordo analisaram toda a superf\u00edcie do planeta an\u00e3o. Os dados da c\u00e2mara permitem detetar poss\u00edveis manchas de material org\u00e2nico: o brilho da luz refletida nestas zonas aumenta consideravelmente com o aumento do comprimento de onda. O espetr\u00f3metro divide a luz em muitos mais comprimentos de onda do que a c\u00e2mara e pode assim provar ou refutar a presen\u00e7a de material org\u00e2nico. Infelizmente, os dados remotos n\u00e3o s\u00e3o suficientes para identificar, sem margem para d\u00favidas, tipos individuais de mol\u00e9culas. No entanto, \u00e9 certo que os dep\u00f3sitos descobertos consistem de subst\u00e2ncias org\u00e2nicas que t\u00eam uma estrutura semelhante a uma cadeia. Os investigadores designam estas mol\u00e9culas por hidrocarbonetos alif\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/70\/a0\/glEQ0iSX_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/70\/a0\/glEQ0iSX_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Amplia\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos de material org\u00e2nico (a vermelho) perto da cratera Ernutet.<br>Cr\u00e9dito: Instituto Max Planck para a Investiga\u00e7\u00e3o do Sistema Solar<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os autores do estudo atual utilizaram agora a intelig\u00eancia artificial para vasculhar toda a superf\u00edcie do planeta an\u00e3o em busca de vest\u00edgios de mol\u00e9culas org\u00e2nicas alif\u00e1ticas. &#8220;Os locais de tais mol\u00e9culas org\u00e2nicas s\u00e3o de facto raros em Ceres e desprovidos de quaisquer assinaturas criovulc\u00e2nicas&#8221;, diz o primeiro autor Ranjan Sarkar do MPS, resumindo os resultados. A grande maioria dos dep\u00f3sitos pode ser encontrada ao longo da orla ou perto da grande cratera Ernutet, no hemisf\u00e9rio norte do planeta an\u00e3o. Apenas tr\u00eas est\u00e3o localizados a uma dist\u00e2ncia maior. Duas manchas n\u00e3o eram conhecidas anteriormente. Um olhar mais atento \u00e0s estruturas geol\u00f3gicas nos locais onde se encontra o material org\u00e2nico permite tirar mais conclus\u00f5es. &#8220;Em nenhum dos dep\u00f3sitos encontramos evid\u00eancias de atividade vulc\u00e2nica ou tect\u00f3nica atual ou passada: n\u00e3o h\u00e1 fossas, desfiladeiros, c\u00fapulas vulc\u00e2nicas ou fendas. Al\u00e9m disso, n\u00e3o existem crateras de impacto profundas nas proximidades&#8221;, afirma Martin Hoffmann, do Instituto Max Planck para a Investiga\u00e7\u00e3o do Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Impactos de vizinhos distantes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a miss\u00e3o Dawn, Ceres revelou-se um mundo extraordin\u00e1rio e criovulc\u00e2nico. Sob a sua superf\u00edcie, esconde-se uma salmoura aquosa que, nalguns locais, tem estado a infiltrar-se na superf\u00edcie at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo. &#8220;\u00c9 claro que a primeira hip\u00f3tese \u00e9 que o criovulcanismo \u00fanico de Ceres tenha transportado o material org\u00e2nico do interior do corpo para a superf\u00edcie&#8221;, diz Andreas Nathues do Instituto Max Planck para a Investiga\u00e7\u00e3o do Sistema Solar, chefe da equipa da c\u00e2mara. &#8220;Mas os nossos resultados mostram o contr\u00e1rio&#8221;, acrescenta. Nos locais de atividade criovulc\u00e2nica, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de mat\u00e9ria org\u00e2nica. E onde foram detetados compostos org\u00e2nicos de forma fi\u00e1vel, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de atividade profunda ou superficial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores defendem, portanto, que o impacto de um ou mais asteroides da cintura externa introduziu a mat\u00e9ria org\u00e2nica. As simula\u00e7\u00f5es em computador mostram que estes corpos est\u00e3o entre os que mais frequentemente colidiram com Ceres. Uma vez que os vizinhos n\u00e3o muito distantes n\u00e3o ganham muita velocidade, \u00e9 gerado pouco calor aquando do impacto. Os compostos org\u00e2nicos conseguem sobreviver a estas temperaturas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Infelizmente, a Dawn n\u00e3o consegue detetar todos os tipos de compostos org\u00e2nicos&#8221;, salienta Andreas Nathues. \u00c9 muito prov\u00e1vel que os blocos de constru\u00e7\u00e3o da vida tamb\u00e9m se tenham formado no oceano subterr\u00e2neo de Ceres e talvez at\u00e9 tenham chegado \u00e0 superf\u00edcie &#8211; ou ainda estejam a faz\u00ea-lo. &#8220;No entanto, os dep\u00f3sitos org\u00e2nicos que foram detetados de forma fi\u00e1vel pela Dawn at\u00e9 agora provavelmente n\u00e3o s\u00e3o origin\u00e1rios do pr\u00f3prio Ceres&#8221;, explica. Nathues conclui dizendo que seria necess\u00e1rio um futuro modulo de aterragem para detetar material org\u00e2nico do interior de Ceres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.mps.mpg.de\/ceres-building-blocks-of-life-delivered-from-space\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Instituto Max Planck para a Investiga\u00e7\u00e3o do Sistema Solar (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2024AV001362\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (AGU Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ceres:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ceres_%28dwarf_planet%29\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sonda Dawn:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/dawn.jpl.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/dawn.jpl.nasa.gov\/mission\/toolkit\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&#8220;Toolkit&#8221; da miss\u00e3o (NASA)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dawn_Mission\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O material org\u00e2nico encontrado em algumas \u00e1reas da superf\u00edcie do planeta an\u00e3o Ceres \u00e9 provavelmente de origem ex\u00f3gena. 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