{"id":7752,"date":"2025-02-07T07:12:20","date_gmt":"2025-02-07T06:12:20","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7752"},"modified":"2025-02-07T07:12:21","modified_gmt":"2025-02-07T06:12:21","slug":"insight-descobre-que-os-sismos-provocados-por-meteoroides-em-marte-vao-mais-fundo-do-que-se-pensava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/02\/07\/insight-descobre-que-os-sismos-provocados-por-meteoroides-em-marte-vao-mais-fundo-do-que-se-pensava\/","title":{"rendered":"InSight descobre que os sismos provocados por meteoroides em Marte &#8220;v\u00e3o mais fundo&#8221; do que se pensava"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ZY03W95z_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ZY03W95z_o-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7753\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ZY03W95z_o-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ZY03W95z_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ZY03W95z_o-768x576.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/ZY03W95z_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Captada pela c\u00e2mara HiRISE da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, no dia 4 de mar\u00e7o de 2021, esta cratera de impacto foi encontrada em Cerberus Fossae, uma regi\u00e3o sismicamente ativa do Planeta Vermelho. Os cientistas fizeram corresponder o seu aparecimento na superf\u00edcie a um sismo detetado pelo m\u00f3dulo de aterragem InSight da NASA.\nCr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/Universidade do Arizona<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os meteoroides que colidem com Marte produzem sinais s\u00edsmicos que podem alcan\u00e7ar uma profundidade maior do que se pensava anteriormente. Esta \u00e9 a conclus\u00e3o de um par de novos artigos cient\u00edficos que comparam dados de sismos marcianos recolhidos pelo m\u00f3dulo InSight da NASA com crateras de impacto detetadas pela MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da mesma ag\u00eancia espacial.<\/p>\n\n\n\n<p>Os artigos cient\u00edficos, publicados na passada segunda-feira, dia 3 de fevereiro, na revista Geophysical Research Letters, destacam como os cientistas continuam a aprender com o InSight, que a NASA aposentou em 2022 ap\u00f3s uma miss\u00e3o prolongada bem-sucedida. O InSight instalou o primeiro sism\u00f3metro em Marte, detetando mais de 1300 sismos, que s\u00e3o produzidos por tremores no interior do planeta (causados por rochas que quebram sob calor e press\u00e3o) e por rochas espaciais que atingem a superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao observar a forma como as ondas s\u00edsmicas desses sismos se alteram \u00e0 medida que viajam atrav\u00e9s da crosta, do manto e do n\u00facleo do planeta, os cientistas obt\u00eam um vislumbre do interior de Marte, bem como uma melhor compreens\u00e3o da forma como todos os mundos rochosos se formam, incluindo a Terra e a sua Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>No passado, os investigadores j\u00e1 tinham captado imagens de novas crateras de impacto e encontrado dados s\u00edsmicos que coincidiam com a data e o local de forma\u00e7\u00e3o das crateras. Mas os dois novos estudos representam a primeira vez que um novo impacto foi correlacionado com sismos detetados em Cerberus Fossae, uma regi\u00e3o de Marte especialmente propensa a sismos e que fica a 1640 quil\u00f3metros do InSight.<\/p>\n\n\n\n<p>A cratera de impacto tem 21,5 metros de di\u00e2metro e est\u00e1 muito mais longe do InSight do que os cientistas esperavam, com base na energia s\u00edsmica do evento. A crosta marciana tem propriedades \u00fanicas que se pensa amortecerem as ondas s\u00edsmicas produzidas por impactos, e a an\u00e1lise dos investigadores do impacto em Cerberus Fossae levou-os a concluir que as ondas que produziu seguiram um caminho mais direto atrav\u00e9s do manto do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa do InSight ter\u00e1 agora de reavaliar os seus modelos da composi\u00e7\u00e3o e estrutura do interior de Marte para explicar como \u00e9 que os sinais s\u00edsmicos gerados por impactos podem chegar t\u00e3o profundamente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Costum\u00e1vamos pensar que a energia detetada na grande maioria dos eventos s\u00edsmicos estava presa na crosta marciana&#8221;, disse Constantinos Charalambous, membro da equipa InSight do Imperial College de Londres. &#8220;Esta descoberta mostra um caminho mais profundo e mais r\u00e1pido &#8211; chamemos-lhe uma autoestrada s\u00edsmica &#8211; atrav\u00e9s do manto, permitindo que os sismos cheguem a regi\u00f5es mais distantes do planeta&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/e1-pia22959-insight-seismometer.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/heDAN0A.jpeg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma c\u00e2mara no bra\u00e7o rob\u00f3tico do m\u00f3dulo InSight da NASA captou a instala\u00e7\u00e3o de um escudo t\u00e9rmico e de vento a 2 de fevereiro de 2019. O escudo cobriu o sism\u00f3metro do InSight, que captou dados de mais de 1300 sismos marcianos durante os quatro anos da miss\u00e3o.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Detetando crateras em Marte com a MRO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um algoritmo de aprendizagem de m\u00e1quina desenvolvido no JPL da NASA, no sul da Calif\u00f3rnia, para detetar impactos de meteoroides em Marte, desempenhou um papel fundamental na descoberta da nova cratera em Cerberus Fossae. Numa quest\u00e3o de horas, a ferramenta de intelig\u00eancia artificial consegue analisar dezenas de milhares de imagens a preto e branco captadas pela CTX (Context Camera) da MRO, detetando as zonas de explos\u00e3o em redor das crateras. A ferramenta seleciona imagens candidatas para serem examinadas por cientistas experientes em dizer quais as colora\u00e7\u00f5es subtis em Marte que merecem imagens mais detalhadas por parte da c\u00e2mara HiRISE (High-Resolution Imaging Science Experiment) da MRO.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Se fosse feito manualmente, seriam anos de trabalho&#8221;, disse Valentin Bickel, membro da equipa InSight da Universidade de Berna, na Su\u00ed\u00e7a. &#8220;Usando esta ferramenta, pass\u00e1mos de dezenas de milhares de imagens para apenas uma m\u00e3o cheia numa quest\u00e3o de dias. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom como um humano, mas \u00e9 super-r\u00e1pido&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Bickel e os seus colegas procuraram crateras num raio de cerca de 3000 quil\u00f3metros da localiza\u00e7\u00e3o do InSight, na esperan\u00e7a de encontrar algumas que se tivessem formado enquanto o sism\u00f3metro da sonda estava a registar dados. Comparando imagens antes e depois da CTX ao longo de um certo per\u00edodo de tempo, encontraram 123 crateras novas para cruzar com os dados do InSight; 49 dessas crateras eram potenciais correspond\u00eancias com sismos detetados pelo sism\u00f3metro do m\u00f3dulo de aterragem. Charalambous e outros sism\u00f3logos filtraram ainda mais esse conjunto para identificar a cratera de impacto de Cerberus Fossae, com quase 22 metros.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Decifrar mais, mais depressa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto mais os cientistas estudam os dados do InSight, melhor conseguem distinguir os sinais origin\u00e1rios do interior do planeta dos causados por impactos de meteoroides. O impacto encontrado em Cerberus Fossae vai ajud\u00e1-los a aperfei\u00e7oar ainda mais a forma como distinguem estes sinais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pens\u00e1vamos que Cerberus Fossae produzisse muitos sinais s\u00edsmicos de alta frequ\u00eancia associados a sismos gerados internamente, mas isto sugere que alguma da atividade n\u00e3o tem origem a\u00ed e pode ser causada por impactos&#8221;, disse Charalambous.<\/p>\n\n\n\n<p>As descobertas tamb\u00e9m destacam a forma como os investigadores est\u00e3o a aproveitar a IA para melhorar a ci\u00eancia planet\u00e1ria, fazendo melhor uso de todos os dados recolhidos pelas miss\u00f5es da NASA e da ESA. Para al\u00e9m de estudar as crateras marcianas, Bickel utilizou a IA para procurar deslizamentos de terras, diabos de poeira e caracter\u00edsticas escuras sazonais que aparecem em encostas \u00edngremes. As ferramentas de IA tamb\u00e9m t\u00eam sido utilizadas para encontrar crateras e deslizamentos de terras na nossa Lua.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Agora temos tantas imagens da Lua e de Marte que a luta \u00e9 para processar e analisar os dados&#8221;, disse Bickel. &#8220;Cheg\u00e1mos finalmente \u00e0 era dos grandes dados da ci\u00eancia planet\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/missions\/insight\/nasas-insight-finds-marsquakes-from-meteoroids-go-deeper-than-expected\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/mediarelations.unibe.ch\/media_releases\/2025\/media_releases_2025\/ai_unveils_meteoroid_impacts_cause_mars_to_shake\/index_eng.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Berna (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.imperial.ac.uk\/news\/260556\/ka-boom-ai-reveals-meteoroid-impacts-making\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Imperial College de Londres (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2024GL109133\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #1 ( Geophysical Research Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2024GL110159\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico #2 ( Geophysical Research Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Cerberus_Fossae\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cerberus Fossae (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>InSight:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/mars.nasa.gov\/insight\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/nasainsight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/InSight\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MRO (Mars Reconnaissance Orbiter):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/MRO\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_Reconnaissance_Orbiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os meteoroides que colidem com Marte produzem sinais s\u00edsmicos que podem alcan\u00e7ar uma profundidade maior do que se pensava anteriormente. 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