{"id":7748,"date":"2025-02-04T07:18:11","date_gmt":"2025-02-04T06:18:11","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7748"},"modified":"2025-02-04T07:18:53","modified_gmt":"2025-02-04T06:18:53","slug":"juno-deteta-a-mais-poderosa-atividade-vulcanica-em-io-ate-a-data","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/02\/04\/juno-deteta-a-mais-poderosa-atividade-vulcanica-em-io-ate-a-data\/","title":{"rendered":"Juno deteta a mais poderosa atividade vulc\u00e2nica em Io at\u00e9 \u00e0 data"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/1-pia26527-io-eruption-ir-final.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/zAbQbVeS_o-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7749\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/zAbQbVeS_o-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/zAbQbVeS_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/zAbQbVeS_o-768x576.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/zAbQbVeS_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Um enorme ponto quente &#8211; maior do que o Lago Superior da Terra &#8211; pode ser visto logo \u00e0 direita do polo sul de Io nesta imagem anotada obtida pelo gerador de imagens infravermelhas JIRAM a bordo da Juno da NASA no passado dia 27 de dezembro de 2024, durante um &#8220;flyby&#8221; pela lua joviana.\nCr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/SwRI\/ASI\/INAF\/JIRAM<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os cientistas da miss\u00e3o Juno da NASA descobriram um ponto quente vulc\u00e2nico no hemisf\u00e9rio sul da lua de J\u00fapiter, Io. O ponto quente n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 maior do que o Lago Superior da Terra, como tamb\u00e9m emite erup\u00e7\u00f5es seis vezes superiores \u00e0 energia total de todas as centrais el\u00e9tricas do mundo. A descoberta deste fen\u00f3meno gigantesco \u00e9 cortesia do instrumento JIRAM (Jovian Infrared Auroral Mapper) da Juno, contribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Espacial Italiana.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A Juno fez dois &#8216;flybys&#8217; muito pr\u00f3ximos de Io durante a sua miss\u00e3o estendida&#8221;, disse o investigador principal da miss\u00e3o, Scott Bolton do SwRI (Southwest Research Institute) em San Antonio, Texas, EUA. &#8220;E ao passo que cada passagem forneceu dados desta lua atormentada que excederam as nossas expetativas, os dados desta \u00faltima &#8211; e mais distante &#8211; realmente deixaram-nos espantados. Este \u00e9 o evento vulc\u00e2nico mais poderoso alguma vez registado no mundo mais vulc\u00e2nico do nosso Sistema Solar &#8211; o que quer dizer alguma coisa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A fonte do tormento de Io: J\u00fapiter. Mais ou menos do tamanho da nossa Lua, Io est\u00e1 extremamente pr\u00f3xima do gigante gasoso e a sua \u00f3rbita el\u00edptica f\u00e1-la girar em torno de J\u00fapiter uma vez a cada 42,5 horas. \u00c0 medida que a dist\u00e2ncia varia, tamb\u00e9m varia a atra\u00e7\u00e3o gravitacional do planeta, o que faz com que a lua seja incessantemente espremida. O resultado: a imensa energia resultante do aquecimento por fric\u00e7\u00e3o derrete partes do interior de Io, resultando numa s\u00e9rie aparentemente intermin\u00e1vel de plumas de lava e cinza expelidas para a atmosfera pelos cerca de 400 vulc\u00f5es que se encontram na sua superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Passagens rasantes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Concebido para captar a luz infravermelha (que n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel ao olho humano) que emerge das profundezas de J\u00fapiter, o JIRAM sonda a camada meteorol\u00f3gica do gigante gasoso, espreitando entre 50 a 70 quil\u00f3metros abaixo do topo das nuvens. Mas desde que a NASA prolongou a miss\u00e3o da Juno, a equipa tamb\u00e9m tem utilizado o instrumento para estudar as luas Io, Europa, Ganimedes e Calisto.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a sua miss\u00e3o estendida, a trajet\u00f3ria da Juno passa por Io de duas em duas \u00f3rbitas, sobrevoando sempre a mesma parte da lua. A nave espacial passou perto de Io em dezembro de 2023 e em fevereiro de 2024, aproximando-se a 1500 quil\u00f3metros da sua superf\u00edcie. O \u00faltimo &#8220;flyby&#8221; teve lugar dia 27 de dezembro de 2024, colocando a nave espacial a uma dist\u00e2ncia de cerca de 74.400 quil\u00f3metros da lua, com o instrumento de infravermelhos focado no hemisf\u00e9rio sul de Io.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O calor de Io<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O JIRAM detetou um evento de extrema brilho infravermelho &#8211; um enorme ponto quente &#8211; no hemisf\u00e9rio sul de Io, t\u00e3o forte que saturou o nosso detetor&#8221;, disse Alessandro Mura, coinvestigador da Juno do Instituto Nacional de Astrof\u00edsica em Roma. &#8220;No entanto, temos evid\u00eancias de que o que detet\u00e1mos s\u00e3o, na verdade, alguns pontos quentes espa\u00e7ados que emitiram ao mesmo tempo, o que sugere um vasto sistema de c\u00e2maras magm\u00e1ticas subterr\u00e2neas. Os dados suportam que esta \u00e9 a erup\u00e7\u00e3o vulc\u00e2nica mais intensa alguma vez registada em Io&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/e-pia26526-io-eruption-junocam.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/03\/66\/Ml9z1bkM_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagens de Io, captadas em 2024 pela c\u00e2mara JunoCam a bordo da sonda Juno da NASA, mostram altera\u00e7\u00f5es significativas e vis\u00edveis na superf\u00edcie (indicadas pelas setas) perto do polo sul da lua joviana. Estas altera\u00e7\u00f5es ocorreram entre o 66.\u00ba e o 68.\u00ba perijove, ou seja, o ponto da \u00f3rbita da Juno em que esta est\u00e1 mais pr\u00f3xima de J\u00fapiter.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech\/SwRI\/MSSS; processamento por Jason Perry<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A equipa cient\u00edfica do JIRAM estima que a caracter\u00edstica ainda sem nome se estende por 100.000 quil\u00f3metros quadrados. O anterior detentor do recorde era Loki Patera de Io, um lago de lava com cerca de 20.000 quil\u00f3metros quadrados. O valor total da pot\u00eancia do brilho do novo ponto quente mede bem mais de 80 bili\u00f5es de watts.<\/p>\n\n\n\n<p>A caracter\u00edstica foi tamb\u00e9m captada pela JunoCam, a c\u00e2mara vis\u00edvel da miss\u00e3o. A equipa comparou as imagens da JunoCam das duas passagens anteriores de Io com as que o instrumento recolheu dia 27 de dezembro. E embora estas imagens mais recentes tenham uma resolu\u00e7\u00e3o mais baixa, uma vez que a Juno estava mais longe, as mudan\u00e7as relativas na tonalidade da superf\u00edcie em torno do ponto quente rec\u00e9m-descoberto eram claras. Tais mudan\u00e7as na superf\u00edcie de Io s\u00e3o conhecidas na comunidade cient\u00edfica planet\u00e1ria por estarem associadas a pontos quentes e atividade vulc\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma erup\u00e7\u00e3o desta magnitude \u00e9 suscet\u00edvel de deixar assinaturas de longa dura\u00e7\u00e3o. Outras grandes erup\u00e7\u00f5es em Io criaram caracter\u00edsticas variadas, tais como dep\u00f3sitos pirocl\u00e1sticos (fragmentos de rocha expelidos por um vulc\u00e3o), pequenos fluxos de lava que podem ser alimentados por fissuras e dep\u00f3sitos de plumas vulc\u00e2nicas ricas em enxofre e di\u00f3xido de enxofre.<\/p>\n\n\n\n<p>A Juno vai usar um pr\u00f3ximo &#8220;flyby&#8221; mais distante de Io, dia 3 de mar\u00e7o, para observar novamente o ponto quente e procurar mudan\u00e7as na paisagem. Tamb\u00e9m podem ser poss\u00edveis observa\u00e7\u00f5es terrestres desta regi\u00e3o da lua.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Embora seja sempre \u00f3timo testemunhar eventos que reescrevem os livros de recordes, este novo ponto quente pode potencialmente fazer muito mais&#8221;, disse Bolton. &#8220;A caracter\u00edstica intrigante pode melhorar a nossa compreens\u00e3o do vulcanismo n\u00e3o s\u00f3 em Io, mas tamb\u00e9m noutros mundos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/solar-system\/nasa-juno-mission-spots-most-powerful-volcanic-activity-on-io-to-date\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Io:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/jupiter\/jupiter-moons\/io\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/io.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nine Planets<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Io_(moon)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>J\u00fapiter:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/jupiter\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/jupiter.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nine Planets<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Jupiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Miss\u00e3o Juno:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/juno\/main\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.missionjuno.swri.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SwRI<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Juno_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os cientistas da miss\u00e3o Juno da NASA descobriram um ponto quente vulc\u00e2nico no hemisf\u00e9rio sul da lua de J\u00fapiter, Io. 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