{"id":7721,"date":"2025-01-24T07:23:45","date_gmt":"2025-01-24T06:23:45","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7721"},"modified":"2025-01-24T07:23:46","modified_gmt":"2025-01-24T06:23:46","slug":"ventos-supersonicos-extremos-medidos-num-planeta-para-la-do-nosso-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/01\/24\/ventos-supersonicos-extremos-medidos-num-planeta-para-la-do-nosso-sistema-solar\/","title":{"rendered":"Ventos supers\u00f3nicos extremos medidos num planeta para l\u00e1 do nosso Sistema Solar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2502a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"614\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/CMc125Bi_o-1024x614.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7722\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/CMc125Bi_o-1024x614.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/CMc125Bi_o-300x180.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/CMc125Bi_o-768x461.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/CMc125Bi_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta visualiza\u00e7\u00e3o art\u00edstica de WASP-127b, um planeta gasoso gigante situado a cerca de 520 anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra, mostra os rec\u00e9m-descobertos ventos supers\u00f3nicos que circulam em torno do equador do planeta. Com uma velocidade de 9 km por segundo (33.000 km\/h), esta \u00e9 a corrente de jato mais r\u00e1pida do seu tipo alguma vez medida no Universo. Ao seguir a velocidade das mol\u00e9culas na atmosfera do planeta com o instrumento CRIRES+ montado no VLT do ESO, os investigadores descobriram que parte da atmosfera se est\u00e1 a mover na nossa dire\u00e7\u00e3o enquanto outra parte se est\u00e1 a mover para longe de n\u00f3s, o que indica que existe uma poderosa corrente de vento a circular em torno do planeta.\nCr\u00e9dito: ESO\/L. Cal\u00e7ada<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os astr\u00f3nomos descobriram ventos extremamente fortes a fustigar o equador de WASP-127b, um exoplaneta gigante. Com velocidades de at\u00e9 33.000 km\/h, os ventos constituem a corrente de jato mais r\u00e1pida do seu tipo alguma vez medida num planeta. A descoberta foi feita com o aux\u00edlio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile, e d\u00e1-nos uma perspetiva \u00fanica sobre os padr\u00f5es clim\u00e1ticos de um mundo distante.<\/p>\n\n\n\n<p>Tornados, ciclones e furac\u00f5es s\u00e3o fen\u00f3menos que causam estragos no nosso planeta, mas os cientistas detetaram agora ventos planet\u00e1rios numa escala completamente diferente e para l\u00e1 do Sistema Solar. Desde a sua descoberta em 2016, os astr\u00f3nomos t\u00eam investigado o clima de WASP-127b, um planeta gasoso gigante localizado a mais de 500 anos-luz de dist\u00e2ncia da Terra. Este planeta \u00e9 ligeiramente maior do que J\u00fapiter, mas tem apenas uma fra\u00e7\u00e3o da sua massa, o que o torna &#8220;inchado&#8221;. Uma equipa internacional de astr\u00f3nomos fez agora uma descoberta inesperada: ventos supers\u00f3nicos est\u00e3o a assolar o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Parte da atmosfera deste planeta est\u00e1 a mover-se na nossa dire\u00e7\u00e3o a grande velocidade, enquanto outra parte se afasta de n\u00f3s \u00e0 mesma velocidade&#8221;, explica Lisa Nortmann, cientista da Universidade de Gotinga, Alemanha, e principal autora do estudo. &#8220;Este sinal mostra-nos que existe um vento de jato muito r\u00e1pido, supers\u00f3nico, que circula em torno do equador do planeta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A 9 km por segundo (o que equivale a uns impressionantes 33.000 km\/h), estes ventos deslocam-se a quase seis vezes a velocidade a que o planeta gira em torno de si pr\u00f3prio (embora a equipa n\u00e3o tenha medido diretamente a velocidade de rota\u00e7\u00e3o do planeta, pensa-se que WASP-127b sofra bloqueio de mar\u00e9, o que significa que o planeta demora tanto tempo a girar em torno do seu pr\u00f3prio eixo como a orbitar a sua estrela hospedeira. Sabendo a dimens\u00e3o do planeta e o tempo que demora a orbitar a sua estrela, a equipa conseguiu inferir a velocidade a que est\u00e1 a girar sobre si pr\u00f3prio). &#8220;Isto \u00e9 algo que nunca t\u00ednhamos observado anteriormente&#8221;, diz Nortmann. Trata-se do vento mais r\u00e1pido alguma vez medido numa corrente de jato que circula em volta de um planeta. Em compara\u00e7\u00e3o, o vento mais r\u00e1pido alguma vez medido no Sistema Solar foi encontrado em Neptuno, movendo-se a &#8220;apenas&#8221; 0,5 km por segundo (1800 km\/h).<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa, cujo trabalho de investiga\u00e7\u00e3o foi publicado na revista da especialidade Astronomy &amp; Astrophysics, mapeou o clima e a composi\u00e7\u00e3o de WASP-127b usando o instrumento CRIRES+, montado no VLT do ESO. Ao medir a forma como a luz da estrela hospedeira viaja atrav\u00e9s da atmosfera superior do planeta, os cientistas conseguiram determinar a sua composi\u00e7\u00e3o. Os resultados confirmam a presen\u00e7a de vapor de \u00e1gua e mol\u00e9culas de mon\u00f3xido de carbono na atmosfera do planeta. Mas quando a equipa rastreou a velocidade deste material na atmosfera, observou \u2014 para sua surpresa \u2014 um pico duplo, indicando que um lado da atmosfera se est\u00e1 a mover na nossa dire\u00e7\u00e3o enquanto o outro se est\u00e1 a mover para longe de n\u00f3s a grande velocidade. Os investigadores concluem que poderosos ventos de corrente de jato em torno do equador poder\u00e3o explicar este resultado inesperado.<\/p>\n\n\n\n<p>Continuando a construir o seu mapa meteorol\u00f3gico, a equipa descobriu ainda que os polos s\u00e3o mais frios do que o resto do planeta e que h\u00e1 tamb\u00e9m uma ligeira diferen\u00e7a de temperatura entre o lado diurno e o lado noturno. &#8220;Isto mostra que o planeta tem padr\u00f5es clim\u00e1ticos complexos, tal como a Terra e outros planetas do nosso pr\u00f3prio Sistema Solar&#8221;, acrescenta Fei Yan, coautor do estudo e professor na Universidade de Ci\u00eancias e Tecnologia da China.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1rea de investiga\u00e7\u00e3o dos exoplanetas est\u00e1 a avan\u00e7ar rapidamente. At\u00e9 h\u00e1 poucos anos atr\u00e1s, os astr\u00f3nomos apenas podiam medir a massa e o raio dos planetas para l\u00e1 do Sistema Solar. Atualmente, telesc\u00f3pios como o VLT do ESO j\u00e1 permitem aos cientistas mapear o clima nestes mundos distantes e analisar as suas atmosferas. &#8220;Compreender a din\u00e2mica destes exoplanetas ajuda-nos a explorar mecanismos como a redistribui\u00e7\u00e3o de calor e os processos qu\u00edmicos, aumentando a nossa compreens\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria e, potencialmente, lan\u00e7ando luz sobre as origens do nosso pr\u00f3prio Sistema Solar&#8221;, afirma David Cont, da Universidade Ludwig Maximilian de Munique, Alemanha, e coautor do artigo cient\u00edfico que descreve estes resultados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 interessante notar que, atualmente, estudos como este s\u00f3 podem ser realizados por observat\u00f3rios terrestres, uma vez que os instrumentos existentes nos telesc\u00f3pios espaciais n\u00e3o t\u00eam a necess\u00e1ria precis\u00e3o em velocidade. O ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, em constru\u00e7\u00e3o perto do VLT no Chile, e o seu instrumento ANDES permitir\u00e3o aos investigadores aprofundar ainda mais os padr\u00f5es clim\u00e1ticos de planetas distantes. &#8220;Isto significa que poderemos provavelmente resolver detalhes ainda mais finos dos padr\u00f5es de vento e expandir esta investiga\u00e7\u00e3o a planetas mais pequenos e rochosos&#8221;, conclui Nortmann.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"An exoplanet with extreme supersonic winds | ESO News\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/S84jjw__zlg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2502\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/articles\/aa\/full_html\/2025\/01\/aa50438-24\/aa50438-24.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>WASP-127b:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/exoplanet-catalog\/3432\/wasp-127-b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/catalog\/wasp_127_ab--4008\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/planet\/WASP-127%20b\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Exoplanetas:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Extrasolar_planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de planetas (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_potential_habitable_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_nearest_exoplanets\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas mais pr\u00f3ximos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_planet_extremes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de extremos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_extrasolar_candidates_for_liquid_water\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de exoplanetas candidatos a albergar \u00e1gua l\u00edquida (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.openexoplanetcatalogue.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Open Exoplanet Catalogue<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/exoplanet.eu\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Exoplanet.eu<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VLT (Very Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/vlt-instr\/crires+\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">CRIRES+ (ESO)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ELT (Extremely Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/e-elt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/eelt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO &#8211; 2<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/European_Extremely_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os astr\u00f3nomos descobriram ventos extremamente fortes a fustigar o equador de WASP-127b, um exoplaneta gigante. 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