{"id":7711,"date":"2025-01-21T07:30:46","date_gmt":"2025-01-21T06:30:46","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7711"},"modified":"2025-01-21T07:30:47","modified_gmt":"2025-01-21T06:30:47","slug":"o-hubble-rastreia-a-historia-oculta-da-galaxia-de-andromeda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/01\/21\/o-hubble-rastreia-a-historia-oculta-da-galaxia-de-andromeda\/","title":{"rendered":"O Hubble rastreia a hist\u00f3ria oculta da Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/missions\/hubble\/galaxies\/andromeda\/Hubble_M31Mosaic_2025_10552x2468_STScI-01JGY92V0Z2HJTVH605N4WH9XQ.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"239\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/HAj9mBFG_o-1024x239.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7712\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/HAj9mBFG_o-1024x239.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/HAj9mBFG_o-300x70.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/HAj9mBFG_o-768x179.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/HAj9mBFG_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A vista panor\u00e2mica da Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda obtida pelo Telesc\u00f3pio Hubble.\nCr\u00e9dito: NASA, ESA, B. Williams (Universidade de Washington)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O maior fotomosaico da Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda, compilado a partir de observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA, revela centenas de milh\u00f5es de estrelas. Foram necess\u00e1rios mais de 10 anos para recolher dados para este retrato colorido da nossa gal\u00e1xia vizinha e foi criado a partir de mais de 600 exposi\u00e7\u00f5es. Este mosaico deslumbrante e colorido capta o brilho de 200 milh\u00f5es de estrelas e abrange cerca de 2,5 mil milh\u00f5es de pix\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos anos que se seguiram ao lan\u00e7amento do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA, os astr\u00f3nomos contaram mais de um bili\u00e3o de gal\u00e1xias no Universo. Mas apenas uma gal\u00e1xia se destaca como a mais importante ilha estelar pr\u00f3xima da nossa Via L\u00e1ctea: a magn\u00edfica Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda (Messier 31). Pode ser vista a olho nu numa noite muito clara de outono, como um t\u00e9nue objeto em forma de charuto, com um di\u00e2metro angular aparente aproximadamente igual ao da nossa Lua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 um s\u00e9culo atr\u00e1s, Edwin Hubble estabeleceu pela primeira vez que esta chamada &#8220;nebulosa espiral&#8221; se encontrava, de facto, para l\u00e1 da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea &#8211; a uma dist\u00e2ncia de aproximadamente 2,5 milh\u00f5es de anos-luz, ou cerca de 25 di\u00e2metros da Via L\u00e1ctea. At\u00e9 ent\u00e3o, os astr\u00f3nomos pensavam que a Via L\u00e1ctea era todo o Universo. De um dia para o outro, a descoberta de Hubble virou a cosmologia de pernas para o ar, revelando um Universo infinitamente mais vasto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, um s\u00e9culo depois, o telesc\u00f3pio espacial com o nome deste astr\u00f3nomo realizou o mais completo estudo deste sedutor imp\u00e9rio de estrelas. O Telesc\u00f3pio Hubble est\u00e1 a fornecer novas pistas sobre a hist\u00f3ria evolutiva de Andr\u00f3meda, e esta parece ser marcadamente diferente da hist\u00f3ria da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem Andr\u00f3meda, que serve de representante em geral das gal\u00e1xias espirais do Universo, os astr\u00f3nomos saberiam muito menos sobre a estrutura e sobre a evolu\u00e7\u00e3o da nossa pr\u00f3pria Via L\u00e1ctea. Isso deve-se ao facto de estarmos inseridos na Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/assets.science.nasa.gov\/content\/dam\/science\/missions\/hubble\/galaxies\/andromeda\/Hubble_M31Mosaic_Compass_7680x4320_STScI-01JGYCFA9BHKB7V0W7SKDKND29.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f1\/49\/9YiFwYlE_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">As regi\u00f5es interessantes em destaque incluem:<br>(a) Enxames de estrelas azuis brilhantes inseridas no interior da gal\u00e1xia, gal\u00e1xias de fundo vistas muito mais longe, e o &#8220;photobombing&#8221; por um par de estrelas brilhantes em primeiro plano que est\u00e3o de facto dentro da nossa Via L\u00e1ctea;<br>(b) NGC 206, a mais vis\u00edvel nuvem estelar de Andr\u00f3meda;<br>(c) Um jovem enxame de estrelas azuis rec\u00e9m-nascidas;<br>(d) A gal\u00e1xia sat\u00e9lite M32, que pode ser o n\u00facleo residual de uma gal\u00e1xia que em tempos colidiu com Andr\u00f3meda;<br>(e) Correntes de poeira escura numa mir\u00edade de estrelas.<br>Cr\u00e9dito: NASA, ESA, B. Williams (Universidade de Washington)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As capacidades de imagem do Hubble conseguem resolver mais de 200 milh\u00f5es de estrelas na Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda, detetando apenas estrelas mais brilhantes do que o nosso Sol. Parecem gr\u00e3os de areia na praia. Mas isso \u00e9 apenas a ponta do icebergue. Estima-se que a popula\u00e7\u00e3o total de Andr\u00f3meda seja de 1 bili\u00e3o de estrelas, com muitas estrelas menos massivas a ficarem abaixo do limite de sensibilidade do Hubble.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fotografar Andr\u00f3meda foi uma tarefa herc\u00falea porque a gal\u00e1xia \u00e9 um alvo muito maior no c\u00e9u do que as gal\u00e1xias que o Hubble observa habitualmente, que est\u00e3o frequentemente a milhares de milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia. O mosaico completo foi realizado ao abrigo de dois programas de observa\u00e7\u00e3o do Hubble. No total, foram necess\u00e1rias mais de 1000 \u00f3rbitas do Hubble, ao longo de mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este panorama come\u00e7ou com o programa PHAT (Panchromatic Hubble Andromeda Treasury) h\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada. Foram obtidas imagens em comprimentos de onda do ultravioleta pr\u00f3ximo, no vis\u00edvel e no infravermelho pr\u00f3ximo usando os instrumentos ACS (Advanced Camera for Surveys) e WFC (Wide Field Camera) a bordo do Hubble para fotografar a metade norte de Andr\u00f3meda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este programa foi seguido pelo programa PHAST (Panchromatic Hubble Andromeda Southern Treasury), que acrescentou imagens de aproximadamente 100 milh\u00f5es de estrelas na metade sul de Andr\u00f3meda. Esta regi\u00e3o \u00e9 estruturalmente \u00fanica e mais sens\u00edvel \u00e0 hist\u00f3ria de fus\u00e3o da gal\u00e1xia do que o disco norte mapeado pelo levantamento PHAT.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os programas combinados cobrem coletivamente todo o disco de Andr\u00f3meda, que \u00e9 visto quase de lado &#8211; inclinado 77 graus em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 perspetiva da Terra. A gal\u00e1xia \u00e9 t\u00e3o grande que o mosaico foi compilado a partir de aproximadamente 600 campos de vis\u00e3o separados. O mosaico \u00e9 composto por pelo menos 2,5 mil milh\u00f5es de pix\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os programas complementares de pesquisa do Hubble fornecem informa\u00e7\u00f5es sobre a idade, a abund\u00e2ncia de elementos pesados e as massas estelares no interior de Andr\u00f3meda. Isto permitir\u00e1 aos astr\u00f3nomos distinguir entre cen\u00e1rios concorrentes em que Andr\u00f3meda se fundiu com uma ou mais gal\u00e1xias. As medi\u00e7\u00f5es detalhadas do Hubble restringem os modelos da hist\u00f3ria da fus\u00e3o e da evolu\u00e7\u00e3o do disco de Andr\u00f3meda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a Via L\u00e1ctea e Andr\u00f3meda se tenham formado presumivelmente na mesma altura, h\u00e1 muitos milhares de milh\u00f5es de anos, os dados observacionais mostram que t\u00eam hist\u00f3rias evolutivas muito diferentes, apesar de terem crescido na mesma vizinhan\u00e7a cosmol\u00f3gica. Andr\u00f3meda parece estar mais povoada de estrelas mais jovens e de caracter\u00edsticas invulgares, como correntes estelares coerentes, dizem os investigadores. Isto implica que tem uma hist\u00f3ria de forma\u00e7\u00e3o estelar e intera\u00e7\u00f5es mais recente do que a hist\u00f3ria da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma poss\u00edvel culpada \u00e9 a gal\u00e1xia sat\u00e9lite Messier 32, que se assemelha ao n\u00facleo despojado de uma gal\u00e1xia outrora espiral que pode ter interagido com Andr\u00f3meda no passado. As simula\u00e7\u00f5es em computador sugerem que quando um encontro pr\u00f3ximo com outra gal\u00e1xia utiliza todo o g\u00e1s interestelar dispon\u00edvel, o ritmo de forma\u00e7\u00e3o estelar diminui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As novas descobertas do Hubble v\u00e3o apoiar futuras observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA\/ESA\/CSA.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Video tour of Hubble\u2019s panoramic view of the Andromeda Galaxy\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rqZGt97rGo8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Hubble_traces_hidden_history_of_the_Andromeda_Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/hubble\/nasas-hubble-traces-hidden-history-of-andromeda-galaxy\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/esahubble.org\/news\/heic2501\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA\/Hubble (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2025\/news-2025-005\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ STScI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.washington.edu\/news\/2025\/01\/16\/panorama-of-our-nearest-galactic-neighbor-unveils-hundreds-of-millions-of-stars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Washington (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-4357\/ad7e2b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda (Messier 31):<br><\/strong><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/m\/m031.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Andromeda_Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Messier 32:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.messier.seds.org\/m\/m032.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Messier_32\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Programa PHAT (Panchromatic Hubble Andromeda Treasury):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/hlsp\/phat\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Programa PHAST (Panchromatic Hubble Andromeda Southern Treasury):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/archive.stsci.edu\/hlsp\/phast\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/zhuochenastro.com\/post\/projectphast\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina de Zhuo Chen<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O maior fotomosaico da Gal\u00e1xia de Andr\u00f3meda, compilado a partir de observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA\/ESA, revela centenas de milh\u00f5es de estrelas. 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