{"id":7689,"date":"2025-01-14T07:12:21","date_gmt":"2025-01-14T06:12:21","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7689"},"modified":"2025-01-14T07:12:22","modified_gmt":"2025-01-14T06:12:22","slug":"ciencia-cidada-revela-informacoes-sobre-jupiter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/01\/14\/ciencia-cidada-revela-informacoes-sobre-jupiter\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia cidad\u00e3 revela informa\u00e7\u00f5es sobre J\u00fapiter"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/1G8IRXue_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/1G8IRXue_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7690\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/1G8IRXue_o.jpg 960w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/1G8IRXue_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/1G8IRXue_o-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O aspeto vis\u00edvel de J\u00fapiter e de Saturno reconstru\u00eddo a partir de observa\u00e7\u00f5es do VLT\/MUSE de dia 23 de mar\u00e7o de 2020 e 6 de abril de 2017, respetivamente. A coluna da esquerda mostra as cores reconstru\u00eddas quando n\u00e3o foi aplicada a corre\u00e7\u00e3o gama, enquanto a coluna da direita mostra os aspetos com corre\u00e7\u00e3o gama, que est\u00e3o mais pr\u00f3ximas do que o ser humano m\u00e9dio observa a olho nu atrav\u00e9s de um telesc\u00f3pio, mas t\u00eam um contraste reduzido e t\u00eam menos realce em termos de cor.\nCr\u00e9dito: ESO<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um trabalho de colabora\u00e7\u00e3o entre astr\u00f3nomos amadores e profissionais ajudou a resolver um mal-entendido de longa data acerca da composi\u00e7\u00e3o das nuvens de J\u00fapiter. Em vez de serem formadas por amon\u00edaco gelado &#8211; a opini\u00e3o convencional &#8211; parece agora que s\u00e3o provavelmente compostas por hidrossulfeto de am\u00f3nio misturado com &#8220;smog&#8221;. Os resultados foram publicados na revista Journal of Geophysical Research &#8211; Planets.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova descoberta foi desencadeada pelo astr\u00f3nomo amador, Dr. Steven Hill, que vive no estado norte-americano do Colorado. Recentemente, demonstrou que a abund\u00e2ncia de amon\u00edaco e a press\u00e3o no topo das nuvens na atmosfera de J\u00fapiter podiam ser mapeadas utilizando telesc\u00f3pios dispon\u00edveis no mercado comercial e alguns filtros especiais. De forma not\u00e1vel, estes resultados iniciais n\u00e3o s\u00f3 mostraram que a abund\u00e2ncia de amon\u00edaco na atmosfera de J\u00fapiter podia ser mapeada por astr\u00f3nomos amadores, como tamb\u00e9m mostraram que as nuvens residem demasiado profundamente na atmosfera quente de J\u00fapiter para serem consistentes com as nuvens de amon\u00edaco gelado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste novo estudo, o professor Patrick Irwin, do Departamento de F\u00edsica da Universidade de Oxford, aplicou o m\u00e9todo anal\u00edtico do Dr. Steven Hill a observa\u00e7\u00f5es de J\u00fapiter efetuadas com o instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) do VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile. O MUSE utiliza o poder da espetroscopia, em que os gases de J\u00fapiter criam impress\u00f5es digitais reveladoras na luz vis\u00edvel a diferentes comprimentos de onda, para mapear o amon\u00edaco e a altura das nuvens na atmosfera do gigante gasoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao simular a forma como a luz interage com os gases e as nuvens num modelo de computador, o professor Irwin e a sua equipa descobriram que as nuvens prim\u00e1rias de J\u00fapiter &#8211; as que podemos ver quando olhamos atrav\u00e9s de telesc\u00f3pios amadores &#8211; tinham de ser muito mais profundas do que se pensava, numa regi\u00e3o de maior press\u00e3o e temperatura. Demasiado quente, de facto, para a condensa\u00e7\u00e3o de amon\u00edaco. Em vez disso, essas nuvens t\u00eam de ser feitas de algo diferente: hidrossulfeto de am\u00f3nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">An\u00e1lises anteriores das observa\u00e7\u00f5es MUSE tinham sugerido um resultado semelhante. No entanto, como essas an\u00e1lises foram feitas com m\u00e9todos sofisticados e extremamente complexos que s\u00f3 podem ser realizadas por apenas alguns grupos em todo o mundo, este resultado era dif\u00edcil de corroborar. Neste novo trabalho, a equipa de Irwin descobriu que o m\u00e9todo do Dr. Hill, que consiste simplesmente em comparar os brilhos em filtros adjacentes e estreitos, d\u00e1 resultados id\u00eanticos. E como este novo m\u00e9todo \u00e9 muito mais r\u00e1pido e muito simples, \u00e9 muito mais f\u00e1cil de verificar. Assim, a equipa conclui que as nuvens de J\u00fapiter est\u00e3o realmente a press\u00f5es mais profundas do que as esperadas nuvens de amon\u00edaco a 700 mb e, por isso, n\u00e3o podem ser compostas de puro amon\u00edaco gelado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Irwin afirmou: &#8220;Estou espantado por um m\u00e9todo t\u00e3o simples ser capaz de sondar t\u00e3o profundamente a atmosfera e demonstrar t\u00e3o claramente que as principais nuvens n\u00e3o podem ser puro gelo de amon\u00edaco! Estes resultados mostram que um amador inovador, utilizando uma c\u00e2mara moderna e filtros especiais, pode abrir uma nova janela sobre a atmosfera de J\u00fapiter e contribuir para compreender a natureza das nuvens de J\u00fapiter, h\u00e1 muito misteriosas, e a forma como a atmosfera circula&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dr. Steven Hill, doutorado em Astrof\u00edsica pela Universidade do Colorado e que trabalha em previs\u00f5es do clima espacial, afirmou: &#8220;Gosto sempre de &#8216;empurrar&#8217; as minhas observa\u00e7\u00f5es para ver que medi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas posso efetuar com equipamento comercial modesto. A esperan\u00e7a \u00e9 poder encontrar novas formas dos amadores contribu\u00edrem de forma \u00fatil para o trabalho profissional. Mas certamente n\u00e3o esperava um resultado t\u00e3o produtivo como este projeto tem sido!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os mapas de amon\u00edaco resultantes desta t\u00e9cnica anal\u00edtica simples podem ser determinados a uma fra\u00e7\u00e3o do custo computacional de m\u00e9todos mais sofisticados. Isto significa que podem ser usados por cientistas cidad\u00e3os para rastrear as varia\u00e7\u00f5es de amon\u00edaco e da press\u00e3o no topo das nuvens em caracter\u00edsticas da atmosfera de J\u00fapiter, incluindo as bandas de J\u00fapiter, pequenas tempestades e grandes v\u00f3rtices como a Grande Mancha Vermelha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">John Rogers, da British Astronomical Association, um dos coautores do estudo, acrescenta: &#8220;Uma vantagem especial desta t\u00e9cnica \u00e9 que pode ser utilizada frequentemente por amadores para relacionar as mudan\u00e7as meteorol\u00f3gicas vis\u00edveis em J\u00fapiter com as varia\u00e7\u00f5es de amon\u00edaco, que podem ser ingredientes importantes no clima&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, porque \u00e9 que o amon\u00edaco n\u00e3o se condensa para formar uma nuvem espessa? A fotoqu\u00edmica (rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas induzidas pela luz solar) \u00e9 muito ativa na atmosfera de J\u00fapiter e o professor Irwin e os seus colegas sugerem que nas regi\u00f5es onde o ar h\u00famido e rico em amon\u00edaco \u00e9 elevado, o amon\u00edaco \u00e9 destru\u00eddo e\/ou misturado com produtos fotoqu\u00edmicos mais rapidamente do que o amon\u00edaco gelado se pode formar. Assim, a camada principal de nuvens pode na realidade ser composta por hidrossulfeto de am\u00f3nio misturado com produtos fotoqu\u00edmicos, o smog, que produzem as cores vermelha e castanha vistas nas imagens de J\u00fapiter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em pequenas regi\u00f5es, onde a convec\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente forte, as correntes ascendentes podem ser suficientemente r\u00e1pidas para formar amon\u00edaco gelado fresco, e tais regi\u00f5es foram ocasionalmente observadas por naves espaciais como a Galileo da NASA e, mais recentemente, pela Juno da NASA, onde foram vistas algumas pequenas nuvens brancas altas, lan\u00e7ando as suas sombras sobre a camada principal de nuvens abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Irwin e a sua equipa tamb\u00e9m aplicaram o m\u00e9todo \u00e0s observa\u00e7\u00f5es VLT\/MUSE de Saturno e encontraram uma concord\u00e2ncia semelhante nos mapas de amon\u00edaco derivados com outros estudos, incluindo um determinado a partir de observa\u00e7\u00f5es do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb. Da mesma forma, descobriram que o n\u00edvel principal de reflex\u00e3o est\u00e1 bem abaixo do n\u00edvel esperado de condensa\u00e7\u00e3o de amon\u00edaco, sugerindo que processos fotoqu\u00edmicos semelhantes est\u00e3o a ocorrer na atmosfera de Saturno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.physics.ox.ac.uk\/news\/citizen-science-reveals-insight-jupiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Oxford (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2024JE008622\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Journal of Geophysical Research &#8211; Planets)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>J\u00fapiter:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/jupiter\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/jupiter.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nine Planets<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Jupiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atmosphere_of_Jupiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Atmosfera de J\u00fapiter (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT (Very Large Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/sci\/facilities\/develop\/instruments\/muse.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MUSE (ESO)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um trabalho de colabora\u00e7\u00e3o entre astr\u00f3nomos amadores e profissionais ajudou a resolver um mal-entendido de longa data acerca da composi\u00e7\u00e3o das nuvens de J\u00fapiter. 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