{"id":7580,"date":"2025-01-07T07:10:27","date_gmt":"2025-01-07T06:10:27","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7580"},"modified":"2025-01-07T07:10:27","modified_gmt":"2025-01-07T06:10:27","slug":"o-carbono-nos-nossos-corpos-provavelmente-deixou-a-galaxia-e-regressou-numa-correia-transportadora-cosmica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2025\/01\/07\/o-carbono-nos-nossos-corpos-provavelmente-deixou-a-galaxia-e-regressou-numa-correia-transportadora-cosmica\/","title":{"rendered":"O carbono nos nossos corpos provavelmente deixou a Gal\u00e1xia e regressou numa &#8220;correia transportadora&#8221; c\u00f3smica"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/heic1606a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"885\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/P6rKWFjK_o-1024x885.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7581\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/P6rKWFjK_o-1024x885.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/P6rKWFjK_o-300x259.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/P6rKWFjK_o-768x664.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/P6rKWFjK_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Uma imagem de uma por\u00e7\u00e3o densa e rica em estrelas da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, obtida pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble.\nCr\u00e9dito: NASA\/ESA\/Equipa do Legado Hubble (STScI\/AURA)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vida na Terra n\u00e3o poderia existir sem carbono. Mas o pr\u00f3prio carbono n\u00e3o poderia existir sem as estrelas. Quase todos os elementos, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do hidrog\u00e9nio e do h\u00e9lio &#8211; incluindo o carbono, o oxig\u00e9nio e o ferro &#8211; s\u00f3 existem porque foram forjados em fornos estelares e mais tarde atirados para o cosmos quando as suas estrelas morreram. Num ato final de reciclagem gal\u00e1ctica, planetas como o nosso s\u00e3o formados pela incorpora\u00e7\u00e3o destes \u00e1tomos estelares na sua constitui\u00e7\u00e3o, seja o ferro no n\u00facleo da Terra, o oxig\u00e9nio na sua atmosfera ou o carbono nos corpos dos terr\u00e1queos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de cientistas dos EUA e do Canad\u00e1 confirmou recentemente que o carbono e outros \u00e1tomos formados nas estrelas n\u00e3o andam \u00e0 deriva no espa\u00e7o at\u00e9 serem arrastados para novas utiliza\u00e7\u00f5es. Para gal\u00e1xias como a nossa, que ainda est\u00e3o ativamente a formar novas estrelas, estes \u00e1tomos fazem uma viagem sinuosa. Circundam a sua gal\u00e1xia de origem em correntes gigantes que se estendem at\u00e9 ao espa\u00e7o intergal\u00e1ctico. Estas correntes &#8211; conhecidas como o meio circungal\u00e1ctico &#8211; assemelham-se a correias transportadoras gigantes que empurram a mat\u00e9ria para fora e a atraem de volta para o interior gal\u00e1ctico, onde a gravidade e outras for\u00e7as podem reunir estas mat\u00e9rias-primas em planetas, luas, asteroides, cometas e mesmo novas estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pensemos no meio circungal\u00e1ctico como uma gigante esta\u00e7\u00e3o de comboios: est\u00e1 constantemente a empurrar material para fora e a pux\u00e1-lo de volta para dentro&#8221;, disse Samantha Garza, membro da equipa e candidata a doutoramento na Universidade de Washington. &#8220;Os elementos pesados que as estrelas produzem s\u00e3o empurrados para fora da sua gal\u00e1xia hospedeira e para o meio circungal\u00e1ctico atrav\u00e9s da morte explosiva das supernovas, onde podem eventualmente ser puxados de volta e continuar o ciclo de forma\u00e7\u00e3o estelar e planet\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Garza \u00e9 a autora principal de um artigo cient\u00edfico que descreve estas descobertas e que foi publicado a 27 de dezembro na revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As implica\u00e7\u00f5es para a evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias e para a natureza do reservat\u00f3rio de carbono dispon\u00edvel para as gal\u00e1xias formarem novas estrelas s\u00e3o excitantes&#8221;, disse a coautora Jessica Werk, professora e presidente do Departamento de Astronomia da Universidade de Washington. &#8220;O mesmo carbono nos nossos corpos passou muito provavelmente uma quantidade significativa de tempo fora da Gal\u00e1xia!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2011, uma equipa de cientistas confirmou pela primeira vez a teoria h\u00e1 muito defendida de que as gal\u00e1xias que formam estrelas, como a nossa Via L\u00e1ctea, est\u00e3o rodeadas por um meio circungal\u00e1ctico &#8211; e que esta grande nuvem de material em circula\u00e7\u00e3o inclui gases quentes enriquecidos com oxig\u00e9nio. Garza, Werk e os seus colegas descobriram que o meio circungal\u00e1ctico das gal\u00e1xias com forma\u00e7\u00e3o estelar tamb\u00e9m circula material de temperatura mais baixa, como o carbono.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01EVVHKM9VYM3Q6CD8EJD7JR9S.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/f3\/5e\/JIZXKy2q_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Nesta representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica, a luz de um quasar distante passa atrav\u00e9s do meio circungal\u00e1ctico semelhante ao halo de uma gal\u00e1xia a caminho da Terra, onde \u00e9 medida pelo COS do Hubble para determinar a composi\u00e7\u00e3o do halo.<br>Cr\u00e9dito: NASA\/ESA e A. Field (STScI)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Podemos agora confirmar que o meio circungal\u00e1ctico atua como um reservat\u00f3rio gigante tanto para o carbono como para o oxig\u00e9nio&#8221;, disse Garza. &#8220;E, pelo menos nas gal\u00e1xias com forma\u00e7\u00e3o estelar, sugerimos que este material cai de novo na gal\u00e1xia para continuar o processo de reciclagem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo do meio circungal\u00e1ctico pode ajudar os cientistas a compreender como \u00e9 que este processo de reciclagem diminui, o que acabar\u00e1 por acontecer em todas as gal\u00e1xias &#8211; mesmo na nossa. Uma teoria \u00e9 que o abrandamento ou a quebra da contribui\u00e7\u00e3o do meio circungal\u00e1ctico para o processo de reciclagem pode explicar porque \u00e9 que as popula\u00e7\u00f5es estelares de uma gal\u00e1xia diminuem durante longos per\u00edodos de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se conseguirmos manter o ciclo &#8211; empurrando material para fora e puxando-o de volta para dentro &#8211; ent\u00e3o, teoricamente, temos combust\u00edvel suficiente para manter a forma\u00e7\u00e3o estelar&#8221;, disse Garza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para este estudo, os investigadores utilizaram o espetr\u00f3grafo COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble. O espetr\u00f3grafo mediu a forma como a luz de nove quasares distantes &#8211; fontes de luz ultrabrilhantes no cosmos &#8211; \u00e9 afetada pelo meio circungal\u00e1ctico de 11 gal\u00e1xias com forma\u00e7\u00e3o estelar. As leituras do Hubble indicaram que parte da luz dos quasares estava a ser absorvida por um componente espec\u00edfico do meio circungal\u00e1ctico: carbono, e em grande quantidade. Em alguns casos, detetaram carbono que se estendia por quase 400.000 anos-luz &#8211; ou quatro vezes o di\u00e2metro da nossa Gal\u00e1xia &#8211; at\u00e9 ao espa\u00e7o intergal\u00e1ctico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 necess\u00e1ria investiga\u00e7\u00e3o futura para quantificar a extens\u00e3o total dos outros elementos que constituem o meio circungal\u00e1ctico e para comparar ainda mais as diferen\u00e7as de composi\u00e7\u00e3o entre gal\u00e1xias que ainda est\u00e3o a produzir grandes quantidades de estrelas e gal\u00e1xias que j\u00e1 cessaram a forma\u00e7\u00e3o estelar. Essas respostas poderiam esclarecer n\u00e3o s\u00f3 quando \u00e9 que gal\u00e1xias como a nossa se transformam em desertos estelares, mas tamb\u00e9m porqu\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.washington.edu\/news\/2025\/01\/03\/galaxy-carbon-conveyer-belt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Washington (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad9c69\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Meio circungal\u00e1ctico:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Warm%E2%80%93hot_intergalactic_medium#Circumgalactic_medium\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nebular_hypothesis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma imagem de uma por\u00e7\u00e3o densa e rica em estrelas da nossa Gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea, obtida pelo Telesc\u00f3pio Espacial Hubble. 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