{"id":7545,"date":"2024-12-20T07:23:13","date_gmt":"2024-12-20T06:23:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7545"},"modified":"2024-12-20T07:23:13","modified_gmt":"2024-12-20T06:23:13","slug":"primeira-estrela-binaria-encontrada-perto-do-buraco-negro-supermassivo-da-nossa-galaxia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/12\/20\/primeira-estrela-binaria-encontrada-perto-do-buraco-negro-supermassivo-da-nossa-galaxia\/","title":{"rendered":"Primeira estrela bin\u00e1ria encontrada perto do buraco negro supermassivo da nossa Gal\u00e1xia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2418a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"586\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5J5Ccefi_o-1024x586.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7546\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5J5Ccefi_o-1024x586.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5J5Ccefi_o-300x172.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5J5Ccefi_o-768x440.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5J5Ccefi_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra a localiza\u00e7\u00e3o da estrela bin\u00e1ria D9 rec\u00e9m-descoberta em \u00f3rbita de Sagit\u00e1rio A*, o buraco negro supermassivo situado no centro da nossa Gal\u00e1xia. Trata-se da primeira vez que um par de estrelas \u00e9 encontrado na vizinhan\u00e7a de um buraco negro supermassivo. A imagem sobreposta mostra o sistema bin\u00e1rio tal como foi detetado pelo espectr\u00f3grafo SINFONI montado no VLT do ESO. Embora as duas estrelas n\u00e3o se possam distinguir de forma separada na imagem, a natureza bin\u00e1ria de D9 foi revelada pelos espetros capturados pelo SINFONI ao longo de v\u00e1rios anos. Estes espetros mostram que a luz emitida pelo hidrog\u00e9nio gasoso em torno de D9 oscila periodicamente entre comprimentos de onda vermelhos e azuis, \u00e0 medida que as duas estrelas se orbitam uma \u00e0 outra.\nCr\u00e9dito: ESO\/F. Pei\u00dfker et al., S. Guisard<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa internacional de investigadores detetou uma estrela bin\u00e1ria pr\u00f3xima de Sagit\u00e1rio A*, o buraco negro supermassivo situado no centro da nossa Gal\u00e1xia. Trata-se da primeira vez que um par de estrelas \u00e9 encontrado na vizinhan\u00e7a de um buraco negro supermassivo. A descoberta, com base em dados recolhidos pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO, ajuda-nos a compreender melhor como \u00e9 que as estrelas conseguem sobreviver em ambientes de gravidade extrema e pode abrir caminho \u00e0 dete\u00e7\u00e3o de planetas perto de Sagit\u00e1rio A*.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os buracos negros n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o destrutivos como pens\u00e1vamos&#8221;, afirma Florian Pei\u00dfker, investigador da Universidade de Col\u00f3nia, na Alemanha, e principal autor do estudo publicado na revista Nature Communications. As estrelas bin\u00e1rias, pares de estrelas que se orbitam uma \u00e0 outra, s\u00e3o muito comuns no Universo, mas at\u00e9 agora nenhuma tinha ainda sido encontrada perto de um buraco negro supermassivo, local onde a gravidade muito extrema pode tornar os sistemas estelares inst\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta nova descoberta mostra que alguns bin\u00e1rios podem prosperar durante um curto espa\u00e7o de tempo em condi\u00e7\u00f5es destrutivas. D9, nome dado \u00e0 estrela bin\u00e1ria rec\u00e9m-descoberta, foi detetada mesmo a tempo: estima-se que tenha apenas 2,7 milh\u00f5es de anos, e a forte for\u00e7a gravitacional do buraco negro far\u00e1 com que, muito provavelmente, se funda numa \u00fanica estrela dentro de apenas um milh\u00e3o de anos, o que corresponde a um per\u00edodo de tempo muito curto para um sistema t\u00e3o jovem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este facto faz com que tenhamos apenas uma breve janela, em termos de escalas de tempo c\u00f3smico, para observar um tal sistema bin\u00e1rio, o que n\u00f3s conseguimos!&#8221; explica a coautora Emma Bordier, investigadora tamb\u00e9m da Universidade de Col\u00f3nia e antiga aluna no ESO.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muitos anos, os cientistas tamb\u00e9m pensaram que o ambiente extremo que existe nas proximidades de um buraco negro supermassivo impedisse a forma\u00e7\u00e3o de novas estrelas. No entanto, as v\u00e1rias estrelas jovens encontradas nas proximidades de Sagit\u00e1rio A* desmentiram esta suposi\u00e7\u00e3o. A descoberta desta estrela bin\u00e1ria jovem mostra agora que at\u00e9 pares de estrelas t\u00eam o potencial de se formar no seio destas condi\u00e7\u00f5es adversas. &#8220;O sistema D9 mostra sinais claros da presen\u00e7a de g\u00e1s e poeira em torno das estrelas, o que sugere que estaremos na presen\u00e7a de um sistema estelar muito jovem que se deve ter formado na vizinhan\u00e7a do buraco negro supermassivo&#8221;, explica o coautor Michal Zaja\u010dek, investigador da Universidade de Masaryk, na Ch\u00e9quia, e da Universidade de Col\u00f3nia.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/cdn.eso.org\/images\/large\/eso2418b.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/be\/16\/MQRAp3dr_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">D9 \u00e9 o primeiro par de estrelas alguma vez encontrado perto de Sagit\u00e1rio A*, o buraco negro supermassivo situado no centro da Via L\u00e1ctea. Esta imagem mostra uma &#8220;risca&#8221; de emiss\u00e3o de hidrog\u00e9nio obtida pelo instrumento SINFONI, montado no VLT do ESO. O instrumento fornece um espetro para cada pixel; ao longo dos anos, verificou-se que a emiss\u00e3o em torno de D9 oscilava periodicamente entre comprimentos de onda vermelhos e azuis, o que revelou que D9 se trata, na realidade, de duas estrelas que se orbitam uma \u00e0 outra.<br>Cr\u00e9dito: ESO\/F. Pei\u00dfker et al.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O bin\u00e1rio agora descoberto foi encontrado no seio de um denso aglomerado de estrelas e outros objetos que orbitam Sagit\u00e1rio A*, o chamado enxame S. Os objetos mais enigm\u00e1ticos neste enxame s\u00e3o os chamados objetos G, que se comportam como estrelas mas que mais parecem nuvens de g\u00e1s e poeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi precisamente durante observa\u00e7\u00f5es destes objetos misteriosos que a equipa encontrou um padr\u00e3o surpreendente em D9. Os dados obtidos com o instrumento ERIS, montado no VLT, combinados com dados de arquivo do instrumento SINFONI, revelaram varia\u00e7\u00f5es recorrentes na velocidade da estrela, indicando que D9 se tratava, de facto, de duas estrelas em \u00f3rbita uma da outra. &#8220;Inicialmente pensei que a minha an\u00e1lise estaria errada&#8221;, diz Pei\u00dfker, &#8220;no entanto, o padr\u00e3o espetrosc\u00f3pico cobria cerca de 15 anos de observa\u00e7\u00f5es, mostrando claramente que esta dete\u00e7\u00e3o se tratava, de facto, do primeiro bin\u00e1rio observado no enxame S&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Artist&#039;s animation of star pair D9 orbiting the supermassive black hole Sgr A*\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4svNWJuCiMk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes resultados lan\u00e7am uma nova luz sobre a natureza dos misteriosos objetos G. A equipa prop\u00f5e que estes objetos possam ser uma combina\u00e7\u00e3o de estrelas bin\u00e1rias que ainda n\u00e3o se fundiram com o material que sobrou de estrelas j\u00e1 fundidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A natureza precisa de muitos dos objetos que orbitam Sagit\u00e1rio A*, bem como a forma como se podem ter formado t\u00e3o perto do buraco negro supermassivo, continuam a ser um mist\u00e9rio. Em breve, a atualiza\u00e7\u00e3o GRAVITY+ do Interfer\u00f3metro do VLT e o instrumento METIS do ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, atualmente em constru\u00e7\u00e3o no Chile, poder\u00e3o mudar esta situa\u00e7\u00e3o. Ambas estas infraestruturas permitir\u00e3o \u00e0 equipa realizar observa\u00e7\u00f5es ainda mais detalhadas do centro da Gal\u00e1xia, revelando a natureza de objetos conhecidos e, sem d\u00favida, descobrindo mais estrelas bin\u00e1rias e sistemas jovens. &#8220;A nossa descoberta permite-nos especular sobre a presen\u00e7a de planetas, uma vez que estes se formam frequentemente em torno de estrelas jovens. Parece-nos plaus\u00edvel que a dete\u00e7\u00e3o de planetas no centro da Gal\u00e1xia seja apenas uma quest\u00e3o de tempo&#8221;, conclui Pei\u00dfker.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"First ever binary star found near Sgr A* | ESO News\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SQVG7pqcHTc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/news\/eso2418\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESO (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-024-54748-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature Communications)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2412.12727\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/first-binary-stars-sgrA-black-hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/world-first-star-twins-discovered-orbiting-milky-ways-black-hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceAlert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2024-12-binary-star-galaxy-supermassive-black.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.discovermagazine.com\/the-sciences\/a-binary-star-neighbors-our-galaxys-supermassive-black-hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Discover<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2024\/12\/241217130904.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrela bin\u00e1ria:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Binary_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxame\u00a0S:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A*_cluster\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sagit\u00e1rio A*:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A*\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>VLT:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eso.org\/public\/teles-instr\/paranal-observatory\/vlt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESO<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Very_Large_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ESO:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.eso.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/ESO\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta imagem mostra a localiza\u00e7\u00e3o da estrela bin\u00e1ria D9 rec\u00e9m-descoberta em \u00f3rbita de Sagit\u00e1rio A*, o buraco negro supermassivo situado no centro da nossa Gal\u00e1xia. 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