{"id":7523,"date":"2024-12-13T07:23:18","date_gmt":"2024-12-13T06:23:18","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7523"},"modified":"2024-12-13T07:23:18","modified_gmt":"2024-12-13T06:23:18","slug":"investigadores-descobrem-que-as-estrelas-de-omega-centauri-movem-se-sob-a-acao-de-um-conjunto-de-buracos-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/12\/13\/investigadores-descobrem-que-as-estrelas-de-omega-centauri-movem-se-sob-a-acao-de-um-conjunto-de-buracos-negros\/","title":{"rendered":"Investigadores descobrem que as estrelas de Omega Centauri movem-se sob a a\u00e7\u00e3o de um conjunto de buracos negros"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5s4ZLQ6F_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"439\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5s4ZLQ6F_o-1024x439.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7524\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5s4ZLQ6F_o-1024x439.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5s4ZLQ6F_o-300x129.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5s4ZLQ6F_o-768x329.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/5s4ZLQ6F_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o de um conjunto de buracos negros de massa estelar no centro do enxame globular Omega Centauri, em lugar de um buraco negro de massa interm\u00e9dia.\nCr\u00e9dito: \u00c8ve Barlier<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Omega Centauri \u00e9 um grande enxame globular, contendo quase dez milh\u00f5es de estrelas, na dire\u00e7\u00e3o da constela\u00e7\u00e3o de Centauro, que tem sido estudado para compreender a sua cinem\u00e1tica estelar, os movimentos das suas estrelas sob a a\u00e7\u00e3o das for\u00e7as gravitacionais que atuam sobre elas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o do IAC (Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias) publicou um estudo que mostra que um grupo de buracos negros domina os movimentos da sua cinem\u00e1tica estelar. Este resultado pode ser alargado a algumas outras estruturas do Universo e contraria algumas afirma\u00e7\u00f5es anteriores sobre o papel dos buracos negros de baixa massa nos movimentos das estrelas dos enxames globulares. O estudo foi recentemente publicado na revista Astronomy &amp; Astrophysics, tendo como primeiro autor Andr\u00e9s Ba\u00f1ares Hern\u00e1ndez, que trabalha na equipa liderada por Jorge Mart\u00edn Camalich.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo cient\u00edfico \u00e9 o resultado de uma colabora\u00e7\u00e3o internacional entre o IAC e a Universidade de Surrey (Guildford, Reino Unido) e o LAPTh (Laboratoire d&#8217;Annecy-le-Vieux de Physique Th\u00e9orique) em Annecy, Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa realizou estudos cinem\u00e1ticos extensivos para determinar a estrutura das gal\u00e1xias e dos enxames de estrelas no Grupo Local, as gal\u00e1xias mais pr\u00f3ximas da Via L\u00e1ctea. Este estudo espec\u00edfico incidiu sobre o enxame globular Omega Centauri, o maior enxame globular conhecido na Via L\u00e1ctea. Uma quest\u00e3o muito discutida nos c\u00edrculos astrof\u00edsicos atuais \u00e9 se existe um buraco negro de massa interm\u00e9dia neste enxame (ou seja, um buraco negro com uma massa entre algumas centenas e algumas centenas de milhares de vezes a massa do Sol) e, em caso afirmativo, quais os seus efeitos globais no enxame.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo do IAC, com Ba\u00f1ares como primeiro autor, parece ter esclarecido esta quest\u00e3o, ao descobrir que o que est\u00e1 a afetar os movimentos internos das estrelas do enxame n\u00e3o \u00e9 um buraco negro de massa interm\u00e9dia, mas um conjunto de v\u00e1rios buracos negros de massa estelar, que se formam ap\u00f3s o colapso de estrelas massivas no fim das suas vidas, e que s\u00e3o muito mais pequenos, cada um com uma massa inferior a algumas dezenas de massas solares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta descoberta abre um novo ponto de vista na observa\u00e7\u00e3o dos diferentes tipos de buracos negros e do seu papel na evolu\u00e7\u00e3o estelar. At\u00e9 \u00e0 data, \u00e9 consensual que existem buracos negros supermassivos, com massas superiores a um milh\u00e3o de massas solares, nos centros das gal\u00e1xias; existe um no centro da Via L\u00e1ctea. Sabe-se tamb\u00e9m que existem buracos negros com massas muito inferiores, buracos negros de massa estelar, que foram bem observados na nossa Gal\u00e1xia. Duas quest\u00f5es interessantes s\u00e3o: &#8220;Como \u00e9 que foram produzidos e que efeitos t\u00eam?&#8221; Andres Ba\u00f1ares responde: &#8220;Sabemos que as grandes gal\u00e1xias t\u00eam buracos negros nos seus centros, mas atualmente n\u00e3o sabemos ao certo se o mesmo acontece com as gal\u00e1xias an\u00e3s. Pensa-se que Omega Centauri \u00e9 uma pequena gal\u00e1xia que se dividiu quando se fundiu com a Via L\u00e1ctea. Isto fez com que os astr\u00f3nomos procurassem um buraco negro central neste enxame, que poderia talvez explicar algumas das suas propriedades mais complicadas, o que constituiria um avan\u00e7o significativo na nossa compreens\u00e3o da sua forma\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De facto, a exist\u00eancia de buracos negros de massa interm\u00e9dia n\u00e3o \u00e9 certa, porque at\u00e9 agora as observa\u00e7\u00f5es s\u00f3 confirmaram a exist\u00eancia de buracos negros de massa estelar, at\u00e9 algumas dezenas de massas solares. A exist\u00eancia ou n\u00e3o exist\u00eancia de buracos negros de massa interm\u00e9dia \u00e9 importante porque s\u00e3o um elo em falta previsto pelos modelos de forma\u00e7\u00e3o de buracos negros supermassivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o da presen\u00e7a de um buraco negro de massa interm\u00e9dia em Omega Centauri tem sido debatida h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas, com uma s\u00e9rie de estudos a sugerir a sua presen\u00e7a, com base na cinem\u00e1tica das suas estrelas. A quest\u00e3o de saber se cont\u00e9m um buraco negro de massa interm\u00e9dia ou uma popula\u00e7\u00e3o de buracos negros de massa estelar e outros remanescentes estelares tem sido intensamente investigada, principalmente devido \u00e0 possibilidade de Omega Centauri ser o resultado da fus\u00e3o de uma gal\u00e1xia an\u00e3 com a Via L\u00e1ctea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A nossa an\u00e1lise \u00e9 um passo importante no esclarecimento deste debate, porque nos permitiu distinguir entre estas duas poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es usando uma metodologia mais completa e rigorosa do que em an\u00e1lises anteriores, bem como dados mais recentes e novos&#8221;, explica o primeiro autor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as novidades deste estudo est\u00e1 a utiliza\u00e7\u00e3o das acelera\u00e7\u00f5es dos pulsares como uma restri\u00e7\u00e3o adicional \u00e0 cinem\u00e1tica do enxame. &#8220;Os pulsares s\u00e3o estrelas de neutr\u00f5es que giram a uma frequ\u00eancia regular, emitindo um sinal com um per\u00edodo muito curto que podemos medir com muita precis\u00e3o. Quando os pulsares fazem parte de uma gal\u00e1xia, ou neste caso de um enxame globular, sofrem uma acelera\u00e7\u00e3o que podemos medir atrav\u00e9s das varia\u00e7\u00f5es deste sinal peri\u00f3dico. Trata-se de uma manifesta\u00e7\u00e3o do chamado efeito Doppler&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Andres Ba\u00f1ares explica que &#8220;a forma\u00e7\u00e3o de pulsares \u00e9 tamb\u00e9m um campo de estudo ativo. Devido ao facto de um grande n\u00famero deles ter sido detetado recentemente, e devido ao seu estado din\u00e2mico, Omega Centauri \u00e9 um ambiente ideal para estudar modelos da sua forma\u00e7\u00e3o, o que conseguimos fazer pela primeira vez na nossa an\u00e1lise&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este resultado mostra a efic\u00e1cia desta nova metodologia que, usando cinem\u00e1tica estelar e observa\u00e7\u00f5es de pulsares, com modela\u00e7\u00e3o extensiva, pode ser usada para explorar a estrutura de enxames estelares, estabelecendo um precedente promissor no contexto de um campo em r\u00e1pido crescimento de observa\u00e7\u00f5es e descobertas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.iac.es\/en\/outreach\/news\/iac-researchers-find-stars-omega-centauri-move-under-action-cluster-black-holes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ IAC (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.surrey.ac.uk\/news\/black-hole-debate-settled-stellar-mass-black-holes-found-heart-milky-ways-largest-star-cluster\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Surrey (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.aanda.org\/component\/article?access=doi&amp;doi=10.1051\/0004-6361\/202451763\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Astronomy &amp; Astrophysics)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2408.00939\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Omega Centauri:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Omega_Centauri\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.constellation-guide.com\/omega-centauri-ngc-5139\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Constellation Guide<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.messier.seds.org\/xtra\/ngc\/n5139.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Enxames globulares:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/spider.seds.org\/spider\/MWGC\/mwgc.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Globular_cluster\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Buracos negros:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Buraco negro de massa estelar (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Intermediate-mass_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Buraco negro de massa interm\u00e9dia (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Buraco negro supermassivo (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilustra\u00e7\u00e3o de um conjunto de buracos negros de massa estelar no centro do enxame globular Omega Centauri, em lugar de um buraco negro de massa interm\u00e9dia. 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