{"id":7484,"date":"2024-11-26T07:15:43","date_gmt":"2024-11-26T06:15:43","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7484"},"modified":"2024-11-26T07:15:44","modified_gmt":"2024-11-26T06:15:44","slug":"hubble-descobre-pormenores-escaldantes-sobre-a-jovem-estrela-fu-orionis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/11\/26\/hubble-descobre-pormenores-escaldantes-sobre-a-jovem-estrela-fu-orionis\/","title":{"rendered":"Hubble descobre pormenores escaldantes sobre a jovem estrela FU Orionis"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/cdn.esahubble.org\/archives\/images\/large\/opo2437a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/VrNGbnzT_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7485\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/VrNGbnzT_o.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/VrNGbnzT_o-300x168.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/VrNGbnzT_o-768x431.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta \u00e9 uma ilustra\u00e7\u00e3o das fases iniciais da explos\u00e3o da jovem estrela FU Orionis (FU Ori), rodeada por um disco de material. Uma equipa de astr\u00f3nomos utilizou as capacidades ultravioletas do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble para aprender mais sobre a intera\u00e7\u00e3o entre a superf\u00edcie estelar de FU Ori e o disco de acre\u00e7\u00e3o que tem despejado g\u00e1s sobre a estrela em crescimento h\u00e1 quase 90 anos. Descobriram que o disco interior, que toca a estrela, \u00e9 muito mais quente do que o esperado &#8211; 16.000 K &#8211; quase tr\u00eas vezes a temperatura da superf\u00edcie do nosso Sol. Esta temperatura escaldante \u00e9 quase duas vezes mais quente do que se pensava anteriormente.\nCr\u00e9dito: NASA-JPL, Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Em 1936, os astr\u00f3nomos observaram um evento intrigante na constela\u00e7\u00e3o de Orionte: a jovem estrela FU Orionis (FU Ori) tornou-se cem vezes mais brilhante numa quest\u00e3o de meses. No seu pico, FU Ori era intrinsecamente 100 vezes mais brilhante do que o nosso Sol. No entanto, ao contr\u00e1rio de uma estrela em explos\u00e3o, a sua luminosidade diminuiu apenas ligeiramente desde ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, uma equipa de astr\u00f3nomos utilizou as capacidades ultravioletas do Telesc\u00f3pio Espacial Hubble da NASA para aprender mais sobre a intera\u00e7\u00e3o entre a superf\u00edcie estelar de FU Ori e o disco de acre\u00e7\u00e3o que tem despejado g\u00e1s sobre a estrela em crescimento durante quase 90 anos. Descobriram que o disco interior que toca a estrela \u00e9 extraordinariamente quente &#8211; o que desafia a sabedoria convencional.<\/p>\n\n\n\n<p>As observa\u00e7\u00f5es foram efetuadas com os instrumentos COS (Cosmic Origins Spectrograph) e STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) do telesc\u00f3pio. Os dados incluem os primeiros espetros no ultravioleta distante e no ultravioleta pr\u00f3ximo de FU Ori.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Esper\u00e1vamos validar a parte mais quente do modelo do disco de acre\u00e7\u00e3o, para determinar a sua temperatura m\u00e1xima, medindo mais perto do que nunca a orla interior do disco de acre\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Lynne Hillenbrand do Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia, e coautora do artigo cient\u00edfico. &#8220;Penso que havia alguma esperan\u00e7a de vermos algo mais, como a interface entre a estrela e o seu disco, mas n\u00e3o est\u00e1vamos certamente \u00e0 espera disso. O facto de termos visto tanto a mais &#8211; era muito mais brilhante no ultravioleta do que o previsto &#8211; foi a grande surpresa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma melhor compreens\u00e3o da acre\u00e7\u00e3o estelar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Originalmente considerada como um caso \u00fanico entre as estrelas, FU Ori exemplifica uma classe de estrelas jovens e eruptivas que sofrem mudan\u00e7as dram\u00e1ticas de brilho. Estes objetos s\u00e3o um subconjunto das estrelas T Tauri cl\u00e1ssicas, que s\u00e3o estrelas em forma\u00e7\u00e3o recente que se est\u00e3o a &#8220;construir&#8221; atrav\u00e9s da acre\u00e7\u00e3o de material do seu disco e da nebulosa circundante. Nas estrelas T Tauri cl\u00e1ssicas, o disco n\u00e3o toca diretamente na estrela porque \u00e9 restringido pela press\u00e3o exterior do campo magn\u00e9tico da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p>Os discos de acre\u00e7\u00e3o em torno de objetos tipo FU Ori, no entanto, s\u00e3o suscet\u00edveis a instabilidades devido \u00e0 sua enorme massa relativamente \u00e0 estrela central, a intera\u00e7\u00f5es com uma companheira bin\u00e1ria ou a material em queda. Tal instabilidade significa que a taxa de acre\u00e7\u00e3o de massa pode mudar dramaticamente. O aumento do ritmo perturba o delicado equil\u00edbrio entre o campo magn\u00e9tico estelar e a borda interior do disco, levando a que o material se aproxime e acabe por tocar na superf\u00edcie da estrela.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento da taxa de material em queda e a proximidade do disco de acre\u00e7\u00e3o \u00e0 estrela tornam os objetos FU Ori muito mais brilhantes do que uma t\u00edpica estrela T Tauri. De facto, durante uma explos\u00e3o, a pr\u00f3pria estrela \u00e9 ofuscada pelo disco. Al\u00e9m disso, o material do disco est\u00e1 a orbitar rapidamente \u00e0 medida que se aproxima da estrela, muito mais depressa do que a rota\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie estelar. Isto significa que deve haver uma regi\u00e3o onde o disco impacta a estrela e o material abranda e aquece significativamente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os dados do Hubble indicam uma regi\u00e3o de impacto muito mais quente do que os modelos previam anteriormente&#8221;, disse Adolfo Carvalho, do Caltech e principal autor do estudo. &#8220;Em FU Ori, a temperatura \u00e9 de 16.000 K [quase tr\u00eas vezes a temperatura da superf\u00edcie do nosso Sol]. Esta temperatura escaldante \u00e9 quase o dobro da calculada por modelos anteriores. Isto desafia-nos e encoraja-nos a pensar como \u00e9 que um tal salto na temperatura pode ser explicado&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para resolver a diferen\u00e7a significativa de temperatura entre os modelos anteriores e as recentes observa\u00e7\u00f5es do Hubble, a equipa oferece uma interpreta\u00e7\u00e3o revista da geometria da regi\u00e3o interior de FU Ori: O material do disco de acre\u00e7\u00e3o aproxima-se da estrela e, quando atinge a superf\u00edcie estelar, produz-se um choque quente que emite muita luz ultravioleta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A sobreviv\u00eancia de planetas em torno de FU Ori<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Compreender os mecanismos do r\u00e1pido processo de acre\u00e7\u00e3o de FU Ori relaciona-se mais amplamente com ideias da forma\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia de planetas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O nosso modelo revisto, baseado nos dados do Hubble, n\u00e3o \u00e9 estritamente uma m\u00e1 not\u00edcia para a evolu\u00e7\u00e3o dos planetas, \u00e9 uma esp\u00e9cie de mistura&#8221;, explicou Carvalho. &#8220;Se o planeta estiver muito afastado no disco durante a sua forma\u00e7\u00e3o, as explos\u00f5es de um objeto FU Ori dever\u00e3o influenciar o tipo de elementos qu\u00edmicos que o planeta acabar\u00e1 por herdar. Mas se um planeta em forma\u00e7\u00e3o estiver muito pr\u00f3ximo da estrela, a hist\u00f3ria \u00e9 um pouco diferente. No espa\u00e7o de algumas explos\u00f5es, qualquer planeta que se esteja a formar muito perto da estrela pode mover-se rapidamente para o interior e acabar por se fundir com ela. Podemos perder, ou pelo menos fritar completamente, planetas rochosos que se estejam a formar perto de uma estrela deste g\u00e9nero&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 a ser feito trabalho adicional com as observa\u00e7\u00f5es UV do Hubble. A equipa est\u00e1 a analisar cuidadosamente as v\u00e1rias linhas de emiss\u00e3o espetral de m\u00faltiplos elementos presentes no espetro obtido pelo COS. Isto dever\u00e1 fornecer mais pistas sobre o ambiente de FU Ori, tal como a cinem\u00e1tica do g\u00e1s que entra e sai da regi\u00e3o interior.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Muitas destas estrelas jovens s\u00e3o espetroscopicamente muito ricas nos comprimentos de onda do ultravioleta distante&#8221;, refletiu Hillenbrand. &#8220;Uma combina\u00e7\u00e3o do Hubble, do seu tamanho e cobertura de comprimentos de onda, bem como as circunst\u00e2ncias afortunadas de FU Ori, permitem-nos ver mais profundamente do que nunca o motor deste fascinante tipo de estrela&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/hubble\/nasas-hubble-finds-sizzling-details-about-young-star-fu-orionis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/contents\/news-releases\/2024\/news-2024-037\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ STScI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.caltech.edu\/about\/news\/disk-surrounding-star-is-sizzling-hot\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Caltech (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad74eb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>FU Orionis:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/FU_Orionis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Classe de estrelas FU Orionis:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/FU_Orionis_star\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/simostronomy.blogspot.pt\/2010\/11\/furor-over-fuors.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Simostronomy<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o estelar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Star_formation\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acre\u00e7\u00e3o:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Accretion_(astrophysics)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discos protoplanet\u00e1rios:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Protoplanetary_disk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nebular_hypothesis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Forma\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pio Espacial Hubble:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/hubble\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubble, NASA<\/a>&nbsp;<br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/esaSC\/SEM106WO4HD_index_0_m.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/hubblesite.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hubblesite<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/hst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"http:\/\/archive.stsci.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Base de dados do Arquivo Mikulski para Telesc\u00f3pios Espaciais<\/a><br><a href=\"https:\/\/hst.esac.esa.int\/ehst\/#\/pages\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Arquivo de Ci\u00eancias do eHST<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hubble_Space_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 uma ilustra\u00e7\u00e3o das fases iniciais da explos\u00e3o da jovem estrela FU Orionis (FU Ori), rodeada por um disco de material. 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