{"id":7463,"date":"2024-11-19T07:19:21","date_gmt":"2024-11-19T06:19:21","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7463"},"modified":"2024-11-19T07:19:22","modified_gmt":"2024-11-19T06:19:22","slug":"um-meteorito-contem-evidencias-de-agua-liquida-em-marte-ha-742-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/11\/19\/um-meteorito-contem-evidencias-de-agua-liquida-em-marte-ha-742-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"Um meteorito cont\u00e9m evid\u00eancias de \u00e1gua l\u00edquida em Marte h\u00e1 742 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.purdue.edu\/uns\/images\/2019\/lafayette-meteorite.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/gbTDBdik_o-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7464\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/gbTDBdik_o-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/gbTDBdik_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/gbTDBdik_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/gbTDBdik_o-310x205.jpg 310w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/gbTDBdik_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O Meteorito de Lafayette foi arrancado da superf\u00edcie de Marte e depois viajou pelo espa\u00e7o durante cerca de 11 milh\u00f5es de anos. Acabou por ir parar a uma gaveta da Universidade Purdue em 1931 e, desde ent\u00e3o, tem ensinado aos cientistas mais sobre Marte.\nCr\u00e9dito: Purdue Brand Studio<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um asteroide atingiu Marte h\u00e1 11 milh\u00f5es de anos e enviou peda\u00e7os do Planeta Vermelho a voar pelo espa\u00e7o. Um desses peda\u00e7os de Marte acabou por se despenhar na Terra, algures no estado norte-americano de Indiana, e \u00e9 um dos poucos meteoritos que podem ser atribu\u00eddos diretamente a Marte. Este meteorito foi redescoberto numa gaveta da Universidade Purdue em 1931 e, por isso, recebeu o nome de Meteorito de Lafayette.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante as primeiras investiga\u00e7\u00f5es do Meteorito de Lafayette, os cientistas descobriram que este tinha interagido com \u00e1gua l\u00edquida enquanto esteve em Marte. H\u00e1 muito que os cientistas se interrogam sobre quando ter\u00e1 ocorrido essa intera\u00e7\u00e3o com a \u00e1gua l\u00edquida. Uma colabora\u00e7\u00e3o internacional de cientistas determinou recentemente a idade dos minerais do Meteorito de Lafayette que se formaram quando havia \u00e1gua l\u00edquida. A equipa publicou os seus resultados na revista Geochemical Perspective Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marissa Tremblay, professora assistente do Departamento de Ci\u00eancias da Terra, Atmosf\u00e9ricas e Planet\u00e1rias da Universidade Purdue, \u00e9 a principal autora desta publica\u00e7\u00e3o. Marissa Tremblay utiliza gases nobres, como o h\u00e9lio, o n\u00e9on e o \u00e1rgon, para estudar os processos f\u00edsicos e qu\u00edmicos que moldam as superf\u00edcies da Terra e de outros planetas. A autora explica que alguns meteoritos marcianos cont\u00eam minerais que se formaram atrav\u00e9s da intera\u00e7\u00e3o com \u00e1gua l\u00edquida enquanto ainda se encontravam em Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A data\u00e7\u00e3o destes minerais pode, portanto, dizer-nos quando \u00e9 que havia \u00e1gua l\u00edquida \u00e0 superf\u00edcie de Marte ou perto dela, no passado geol\u00f3gico do planeta&#8221;, afirma. &#8220;Dat\u00e1mos estes minerais no meteorito marciano de Lafayette e descobrimos que se formaram h\u00e1 742 milh\u00f5es de anos. N\u00e3o pensamos que houvesse \u00e1gua l\u00edquida em abund\u00e2ncia na superf\u00edcie de Marte nesta altura. Ao inv\u00e9s, pensamos que a \u00e1gua veio do derretimento de gelo subsuperficial pr\u00f3ximo chamado pergelissolo, e que o derretimento do pergelissolo foi causado pela atividade magm\u00e1tica que ainda ocorre periodicamente em Marte at\u00e9 aos dias de hoje&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta publica\u00e7\u00e3o, a sua equipa demonstrou que a idade obtida para o momento da intera\u00e7\u00e3o \u00e1gua-rocha em Marte era robusta e que o &#8220;cron\u00f3metro&#8221; utilizado n\u00e3o foi afetado por coisas que aconteceram ao Meteorito de Lafayette depois de ter sido alterado na presen\u00e7a de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A idade poderia ter sido afetada pelo impacto que expeliu o Meteorito de Lafayette de Marte, pelo aquecimento que o meteorito sofreu durante os 11 milh\u00f5es de anos em que esteve a flutuar no espa\u00e7o, ou pelo aquecimento que o Meteorito de Lafayette sofreu quando caiu na Terra e ardeu um pouco na atmosfera terrestre&#8221;, diz. &#8220;Mas conseguimos demonstrar que nada disto afetou a idade da altera\u00e7\u00e3o aquosa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ryan Ickert, investigador s\u00e9nior de Purdue, \u00e9 coautor do artigo cient\u00edfico. Ele utiliza is\u00f3topos radioativos pesados e est\u00e1veis para estudar as escalas de tempo dos processos geol\u00f3gicos. Demonstrou que outros dados de is\u00f3topos (anteriormente utilizados para estimar o tempo de intera\u00e7\u00e3o \u00e1gua-rocha em Marte) eram problem\u00e1ticos e tinham sido provavelmente afetados por outros processos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este meteorito \u00e9 o \u00fanico que tem evid\u00eancias de ter reagido com \u00e1gua. A data exata desta rea\u00e7\u00e3o era controversa e a nossa publica\u00e7\u00e3o data quando a \u00e1gua estava presente&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Encontrado numa gaveta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gra\u00e7as \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o, sabe-se bastante sobre a hist\u00f3ria da origem do Meteorito de Lafayette. Foi expelido da superf\u00edcie de Marte h\u00e1 cerca de 11 milh\u00f5es de anos por um evento de impacto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Sabemos isto porque, depois de ter sido ejetado de Marte, o meteorito foi bombardeado por part\u00edculas de raios c\u00f3smicos no espa\u00e7o exterior, o que provocou a produ\u00e7\u00e3o de certos is\u00f3topos&#8221;, diz Tremblay. &#8220;Muitos meteoroides s\u00e3o produzidos por impactos em Marte e noutros corpos planet\u00e1rios, mas apenas alguns acabam por cair na Terra&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas quando o Meteorito de Lafayette atingiu a Terra, a hist\u00f3ria ficou um pouco confusa. Sabe-se com certeza que o meteorito foi encontrado numa gaveta da Universidade Purdue em 1931. Mas como foi l\u00e1 parar continua a ser um mist\u00e9rio. Tremblay e outros fizeram progressos na explica\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da linha temporal p\u00f3s-Terra numa publica\u00e7\u00e3o recente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Utiliz\u00e1mos contaminantes org\u00e2nicos da Terra encontrados no Meteorito de Lafayette (especificamente, doen\u00e7as das colheitas) que eram particularmente prevalentes em certos anos para determinar a altura em que pode ter ca\u00eddo e se a queda do meteorito pode ter sido testemunhada por algu\u00e9m&#8221;, diz Tremblay.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Meteoritos: c\u00e1psulas do tempo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os meteoritos s\u00e3o &#8220;c\u00e1psulas do tempo&#8221; de planetas e corpos celestes do nosso Universo. Transportam consigo fragmentos de dados que podem ser desvendados pelos geocronologistas. Distinguem-se das rochas que podem ser encontradas na Terra por uma crosta que se forma na sua descida atrav\u00e9s da nossa atmosfera e que muitas vezes \u00e9 vis\u00edvel no c\u00e9u noturno como &#8220;estrelas cadentes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Podemos identificar meteoritos estudando os minerais que neles est\u00e3o presentes e as rela\u00e7\u00f5es entre esses minerais no interior do meteorito&#8221;, diz Tremblay. &#8220;Os meteoritos s\u00e3o frequentemente mais densos do que as rochas terrestres, cont\u00eam metal e s\u00e3o magn\u00e9ticos. Tamb\u00e9m podemos procurar coisas como uma crosta de fus\u00e3o que se forma durante a entrada na atmosfera da Terra. Finalmente, podemos utilizar a qu\u00edmica dos meteoritos (especificamente a sua composi\u00e7\u00e3o isot\u00f3pica do oxig\u00e9nio) para identificar de que corpo planet\u00e1rio vieram ou a que tipo de meteorito pertencem&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A data\u00e7\u00e3o dos minerais de altera\u00e7\u00e3o no Meteorito de Lafayette e, de uma forma mais geral, nesta classe de meteoritos de Marte chamada nakhlites, tem sido um objetivo a longo prazo da ci\u00eancia planet\u00e1ria, porque os cientistas sabem que a altera\u00e7\u00e3o ocorreu na presen\u00e7a de \u00e1gua l\u00edquida em Marte. No entanto, estes materiais s\u00e3o especialmente dif\u00edceis de datar, e as tentativas anteriores de os datar eram muito incertas e\/ou provavelmente afetadas por outros processos que n\u00e3o a altera\u00e7\u00e3o aquosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Demonstr\u00e1mos uma forma robusta de datar minerais de altera\u00e7\u00e3o em meteoritos que pode ser aplicada a outros meteoritos e corpos planet\u00e1rios para compreender quando \u00e9 que a \u00e1gua l\u00edquida pode ter estado presente&#8221;, afirma Tremblay.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.eaps.purdue.edu\/news\/articles\/2024\/1106_tremblay_gpl.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade Purdue (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.geochemicalperspectivesletters.org\/article2443\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Geochemical Perspective Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.liebertpub.com\/doi\/full\/10.1089\/ast.2021.0180\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico sobre a linha temporal p\u00f3s-Terra do Meteorito de Lafayette (Mary Ann Liebert, Inc.)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1064778\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/the-universe\/mars\/mars-meteorite-found-in-drawer-reveals-history-of-water-on-red-planet\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.popsci.com\/science\/mars-meteorite-found-in-drawer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Popular Science<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2024-11-meteorite-evidence-liquid-mars-million.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/SNC_Meteorites\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Meteoritos marcianos (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Meteorito de Lafayette foi arrancado da superf\u00edcie de Marte e depois viajou pelo espa\u00e7o durante cerca de 11 milh\u00f5es de anos. 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