{"id":7444,"date":"2024-11-12T07:17:32","date_gmt":"2024-11-12T06:17:32","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7444"},"modified":"2024-11-12T07:17:33","modified_gmt":"2024-11-12T06:17:33","slug":"astrofisicos-usam-ecos-de-luz-para-iluminar-buracos-negros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/11\/12\/astrofisicos-usam-ecos-de-luz-para-iluminar-buracos-negros\/","title":{"rendered":"Astrof\u00edsicos usam ecos de luz para iluminar buracos negros"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/vt5cageU_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"859\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/vt5cageU_o-1024x859.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7445\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/vt5cageU_o-1024x859.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/vt5cageU_o-300x252.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/vt5cageU_o-768x644.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/vt5cageU_o.jpg 1074w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Devido \u00e0 lente gravitacional, os fot\u00f5es de um \u00fanico flash de luz perto de um buraco negro seguem caminhos sinuosos. Alguns seguem a trajet\u00f3ria da linha azul, onde tomam um caminho direto para o observador. Outros orbitam em torno do buraco negro uma vez, seguindo a trajet\u00f3ria da linha vermelha tracejada. Outros ainda orbitam o buraco negro duas vezes, seguindo a linha tracejada verde. Como os diferentes caminhos t\u00eam diferentes atrasos temporal, os fot\u00f5es chegam um a seguir ao outro em sequ\u00eancia, e o flash de luz original parecer\u00e1 ecoar.\nCr\u00e9dito: George N. Wong<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Uma equipa de astrof\u00edsicos, liderada por acad\u00e9micos do IAS (Institute for Advanced Study), desenvolveu uma t\u00e9cnica inovadora para procurar ecos de luz de buracos negros. O seu novo m\u00e9todo, que facilitar\u00e1 a medi\u00e7\u00e3o da massa e da rota\u00e7\u00e3o dos buracos negros, representa um grande passo em frente, uma vez que funciona independentemente de muitas das outras formas atrav\u00e9s das quais os cientistas sondaram estes par\u00e2metros no passado.<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o, publicada na revista The Astrophysical Journal Letters, introduz um m\u00e9todo que poder\u00e1 fornecer evid\u00eancias diretas de que os fot\u00f5es circulam em torno dos buracos negros devido a um efeito conhecido como &#8220;lente gravitacional&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma lente gravitacional ocorre quando a luz passa perto de um buraco negro e a sua trajet\u00f3ria \u00e9 distorcida pelo forte campo gravitacional do buraco negro. O efeito permite que a luz siga v\u00e1rios percursos desde uma fonte at\u00e9 um observador na Terra: alguns raios de luz podem seguir uma rota direta, enquanto outros podem dar a volta ao buraco negro uma vez &#8211; ou v\u00e1rias &#8211; antes de chegar a n\u00f3s. Isto significa que a luz da mesma fonte pode chegar em alturas diferentes, resultando num &#8220;eco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O facto da luz circular \u00e0 volta dos buracos negros, causando ecos, \u00e9 uma teoria que existe h\u00e1 anos, mas esses ecos ainda n\u00e3o foram medidos&#8221;, afirma o autor principal do estudo, George N. Wong, membro da Escola de Ci\u00eancias Naturais do Instituto e investigador na Universidade de Princeton. &#8220;O nosso m\u00e9todo fornece um plano para efetuar estas medi\u00e7\u00f5es, que poder\u00e3o revolucionar a nossa compreens\u00e3o da f\u00edsica dos buracos negros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A t\u00e9cnica permite que as fracas assinaturas de eco sejam isoladas da luz direta mais forte captada por telesc\u00f3pios interferom\u00e9tricos bem conhecidos, como o EHT (Event Horizon Telescope). Tanto Wong como uma das suas coautoras, Lia Medeiros, professora na Escola de Ci\u00eancias Naturais do Instituto e bolseira Einstein da NASA na Universidade de Princeton, trabalharam extensivamente como parte da Colabora\u00e7\u00e3o EHT.<\/p>\n\n\n\n<p>Para testar a sua t\u00e9cnica, Wong e Medeiros, trabalhando em conjunto com James Stone, Professor na Escola de Ci\u00eancias Naturais, e Alejandro C\u00e1rdenas-Avenda\u00f1o, bolseiro no Laborat\u00f3rio Nacional de Los Alamos e anteriormente associado \u00e0 Universidade de Princeton, efetuaram simula\u00e7\u00f5es de alta resolu\u00e7\u00e3o que tiraram dezenas de milhares de &#8220;instant\u00e2neos&#8221; de luz a viajar \u00e0 volta de um buraco negro supermassivo semelhante ao que se encontra no centro da gal\u00e1xia M87 (M87*), que se situa a cerca de 55 milh\u00f5es de anos-luz da Terra. Utilizando estas simula\u00e7\u00f5es, a equipa demonstrou que o seu m\u00e9todo podia inferir diretamente o per\u00edodo de atraso do eco nos dados simulados. Acreditam que a sua t\u00e9cnica ser\u00e1 aplic\u00e1vel a outros buracos negros, para al\u00e9m de M87*.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este m\u00e9todo n\u00e3o s\u00f3 poder\u00e1 confirmar quando a luz que orbita um buraco negro foi medida, mas tamb\u00e9m fornecer\u00e1 uma nova ferramenta para medir as propriedades fundamentais do buraco negro&#8221;, explica Medeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Compreender estas propriedades \u00e9 importante. &#8220;Os buracos negros desempenham um papel significativo na evolu\u00e7\u00e3o do Universo&#8221;, afirma Wong. &#8220;Embora nos concentremos frequentemente na forma como os buracos negros puxam as coisas para dentro, eles tamb\u00e9m expelem grandes quantidades de energia para o seu ambiente. Desempenham um papel importante no desenvolvimento das gal\u00e1xias, afetando como, quando e onde se formam as estrelas e ajudando a determinar como a estrutura da pr\u00f3pria gal\u00e1xia evolui. Conhecer a distribui\u00e7\u00e3o da massa e da rota\u00e7\u00e3o dos buracos negros, e a forma como essa distribui\u00e7\u00e3o se altera ao longo do tempo, melhora muito a nossa compreens\u00e3o do Universo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Medir a massa ou a rota\u00e7\u00e3o de um buraco negro \u00e9 complicado. A natureza do disco de acre\u00e7\u00e3o, nomeadamente a estrutura girat\u00f3ria de g\u00e1s quente e outra mat\u00e9ria que espirala para dentro em dire\u00e7\u00e3o a um buraco negro, pode &#8220;confundir&#8221; a medi\u00e7\u00e3o, observa Wong. No entanto, os ecos de luz fornecem uma medi\u00e7\u00e3o independente da massa e da rota\u00e7\u00e3o, e a exist\u00eancia de m\u00faltiplas medi\u00e7\u00f5es permite-nos produzir uma estimativa para esses par\u00e2metros &#8220;em que podemos realmente acreditar&#8221;, afirma Medeiros.<\/p>\n\n\n\n<p>A dete\u00e7\u00e3o de ecos de luz poder\u00e1 tamb\u00e9m permitir aos cientistas testar melhor as teorias da gravidade de Albert Einstein. Usando esta t\u00e9cnica, podemos encontrar coisas que nos fazem pensar &#8220;ei, isto \u00e9 estranho!&#8221;, acrescenta Medeiros. &#8220;A an\u00e1lise desses dados pode ajudar-nos a verificar se os buracos negros s\u00e3o de facto consistentes com a relatividade geral&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados da equipa sugerem que pode ser poss\u00edvel detetar ecos com um par de telesc\u00f3pios &#8211; um na Terra e outro no espa\u00e7o &#8211; trabalhando em conjunto para realizar o que pode ser descrito como &#8220;interferometria de longa linha de base&#8221;. Uma tal miss\u00e3o interferom\u00e9trica s\u00f3 precisa de ser &#8220;modesta&#8221;, afirma Wong. A sua t\u00e9cnica fornece um m\u00e9todo pr\u00e1tico e vi\u00e1vel para recolher informa\u00e7\u00f5es importantes e fi\u00e1veis sobre os buracos negros.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ias.edu\/news\/astrophysicists-use-echoes-light-illuminate-black-holes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ IAS (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad8650\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2410.10950\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Lentes gravitacionais:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gravitational_lensing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Buraco negro:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>M87*:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Messier_87#Supermassive_black_hole_M87*\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>EHT (Event Horizon Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/eventhorizontelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Event_Horizon_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Devido \u00e0 lente gravitacional, os fot\u00f5es de um \u00fanico flash de luz perto de um buraco negro seguem caminhos sinuosos. 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