{"id":7441,"date":"2024-11-08T07:18:53","date_gmt":"2024-11-08T06:18:53","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7441"},"modified":"2024-11-08T07:18:53","modified_gmt":"2024-11-08T06:18:53","slug":"as-poderosas-frbs-foram-associadas-as-galaxias-massivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/11\/08\/as-poderosas-frbs-foram-associadas-as-galaxias-massivas\/","title":{"rendered":"As poderosas FRBs foram associadas \u00e0s gal\u00e1xias massivas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ukcRVG5w_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"520\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ukcRVG5w_o-1024x520.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7442\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ukcRVG5w_o-1024x520.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ukcRVG5w_o-300x152.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ukcRVG5w_o-768x390.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/ukcRVG5w_o.jpg 1498w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta montagem fotogr\u00e1fica mostra as antenas do DSA-110 (Deep Synoptic Array-110), que s\u00e3o utilizadas para descobrir e localizar com precis\u00e3o as rajadas r\u00e1pidas de r\u00e1dio (FRBs). Por cima das antenas est\u00e3o imagens de algumas das gal\u00e1xias hospedeiras de FRBs, tal como aparecem no c\u00e9u. As gal\u00e1xias s\u00e3o extraordinariamente grandes, desafiando os modelos que descrevem as fontes das FRB.\nCr\u00e9dito: Annie Mejia\/Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a sua descoberta, em 2007, que as FRBs (Fast Radio Bursts, em portugu\u00eas &#8220;rajadas r\u00e1pidas de r\u00e1dio&#8221;) &#8211; impulsos extremamente energ\u00e9ticos no r\u00e1dio &#8211; t\u00eam iluminado o c\u00e9u repetidamente, levando os astr\u00f3nomos a tentar descobrir as suas origens. Atualmente, as rajadas r\u00e1pidas de r\u00e1dio confirmadas contam-se \u00e0s centenas e os cientistas t\u00eam reunido evid\u00eancias crescentes do que as desencadeia: estrelas de neutr\u00f5es altamente magnetizadas, conhecidas como magnetares (as estrelas de neutr\u00f5es s\u00e3o um tipo de estrela morta). Uma evid\u00eancia fundamental surgiu quando um magnetar entrou em erup\u00e7\u00e3o na nossa pr\u00f3pria Gal\u00e1xia e v\u00e1rios observat\u00f3rios, incluindo o projeto STARE2 (Survey for Transient Astronomical Radio Emission 2) do Caltech, captaram a a\u00e7\u00e3o em tempo real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, na revista Nature, investigadores liderados pelo Caltech descobriram onde \u00e9 mais prov\u00e1vel ocorrerem FRBs no Universo &#8211; gal\u00e1xias massivas com forma\u00e7\u00e3o estelar e n\u00e3o gal\u00e1xias de baixa massa. Esta descoberta conduziu, por sua vez, a novas ideias sobre a forma\u00e7\u00e3o dos magnetares. Especificamente, o trabalho sugere que estas ex\u00f3ticas estrelas mortas, cujos campos magn\u00e9ticos s\u00e3o 100 bili\u00f5es de vezes mais fortes do que o da Terra, se formam frequentemente quando duas estrelas se fundem e depois explodem como uma supernova. Anteriormente, n\u00e3o era claro se os magnetares se formavam desta forma, a partir da explos\u00e3o de duas estrelas que se fundiram, ou se se formavam quando uma \u00fanica estrela explodia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A imensa energia dos magnetares faz deles alguns dos objetos mais fascinantes e extremos do Universo&#8221;, diz Kritti Sharma, autora principal do novo estudo e estudante que trabalha com Vikram Ravi, professor assistente de astronomia no Caltech. &#8220;Sabe-se muito pouco sobre o que causa a forma\u00e7\u00e3o de magnetares aquando da morte de estrelas massivas. O nosso trabalho ajuda a responder a esta quest\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto come\u00e7ou com uma pesquisa por FRBs utilizando o DSA-110 (Deep Synoptic Array-110), um projeto do Caltech financiado pela NSF (National Science Foundation) e sediado no OVRO (Owens Valley Radio Observatory), perto de Bishop, no estado norte-americano da Calif\u00f3rnia. At\u00e9 \u00e0 data, o extenso conjunto de radiotelesc\u00f3pios detetou e localizou 70 rajadas r\u00e1pidas de r\u00e1dio at\u00e9 \u00e0 sua espec\u00edfica gal\u00e1xia de origem (apenas 23 FRBs foram localizadas por outros telesc\u00f3pios). No estudo atual, os investigadores analisaram 30 destas FRBs localizadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O DSA-110 mais do que duplicou o n\u00famero de FRBs com gal\u00e1xias hospedeiras conhecidas&#8221;, diz Ravi. &#8220;Foi para isto que constru\u00edmos esta rede&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora se saiba que as FRBs ocorrem em gal\u00e1xias que est\u00e3o ativamente a formar estrelas, a equipa, para sua surpresa, descobriu que as rajadas r\u00e1pidas de r\u00e1dio tendem a ocorrer mais frequentemente em gal\u00e1xias massivas com forma\u00e7\u00e3o estelar do que em gal\u00e1xias de baixa massa com forma\u00e7\u00e3o estelar. Este facto foi interessante porque os astr\u00f3nomos tinham pensado que as FRBs ocorriam em todos os tipos de gal\u00e1xias ativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com esta nova informa\u00e7\u00e3o, a equipa come\u00e7ou a ponderar o que os resultados revelavam sobre as FRBs. As gal\u00e1xias massivas tendem a ser ricas em metais porque os metais no nosso Universo &#8211; elementos que s\u00e3o fabricados pelas estrelas &#8211; levam tempo a acumular-se ao longo da hist\u00f3ria c\u00f3smica. O facto de as rajadas r\u00e1pidas de r\u00e1dio serem mais comuns nestas gal\u00e1xias ricas em metais implica que a fonte das FRBs, os magnetares, tamb\u00e9m s\u00e3o mais comuns neste tipo de gal\u00e1xias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas ricas em metais &#8211; o que, em termos astron\u00f3micos, significa elementos mais pesados do que o hidrog\u00e9nio e o h\u00e9lio &#8211; tendem a crescer mais do que as outras estrelas. &#8220;Ao longo do tempo, \u00e0 medida que as gal\u00e1xias crescem, sucessivas gera\u00e7\u00f5es de estrelas enriquecem as gal\u00e1xias com metais \u00e0 medida que evoluem e morrem&#8221;, diz Ravi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, as estrelas massivas que explodem como supernovas e que podem tornar-se magnetares encontram-se mais frequentemente aos pares. De facto, 84% das estrelas massivas s\u00e3o bin\u00e1rias. Assim, quando uma estrela massiva de um bin\u00e1rio incha devido a um conte\u00fado extra de metal, o seu excesso de material \u00e9 arrastado para a estrela parceira, o que facilita a fus\u00e3o final das duas estrelas. Estas estrelas fundidas teriam um campo magn\u00e9tico combinado maior do que o de uma \u00fanica estrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Uma estrela com maior teor de metal incha, impulsiona a transfer\u00eancia de massa, culminando numa fus\u00e3o, formando assim uma estrela ainda mais massiva com um campo magn\u00e9tico total superior ao que a estrela individual teria&#8221;, explica Sharma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resumo, uma vez que as FRBs s\u00e3o observadas preferencialmente em gal\u00e1xias massivas e ricas em metais, ent\u00e3o os magnetares (que se pensa desencadearem as FRBs) est\u00e3o provavelmente tamb\u00e9m a formar-se em ambientes ricos em metais, prop\u00edcios \u00e0 fus\u00e3o de duas estrelas. Os resultados sugerem, portanto, que os magnetares em todo o Universo t\u00eam origem nos remanescentes de fus\u00f5es estelares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No futuro, a equipa espera encontrar mais rajadas r\u00e1pidas de r\u00e1dio e os seus locais de origem usando o DSA-110 e, eventualmente, o DSA-2000, um conjunto ainda maior de antenas r\u00e1dio, planeado para ser constru\u00eddo no deserto do Nevada e com conclus\u00e3o prevista para 2028.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Este resultado \u00e9 um marco para toda a equipa do DSA. Muitos dos autores deste artigo cient\u00edfico ajudaram a construir o DSA-110&#8221;, diz Ravi. &#8220;E o facto de o DSA-110 ser t\u00e3o bom a localizar FRBs \u00e9 um bom press\u00e1gio para o sucesso do DSA-2000&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.caltech.edu\/about\/news\/mighty-radio-bursts-linked-to-massive-galaxies\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Caltech (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-024-08074-9\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2409.16964\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>FRB (Fast Radio Burst, em portugu\u00eas &#8220;rajada r\u00e1pida de r\u00e1dio&#8221;):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Fast_radio_burst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Magnetar:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magnetar\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/astronomyonline.org\/Stars\/Pulsars.asp\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">AstronomyOnline.org<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>OVRO (Owens Valley Radio Observatory):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.ovro.caltech.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Caltech<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Owens_Valley_Radio_Observatory\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.deepsynoptic.org\/instrument\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">DSA-110 (OVRO)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta montagem fotogr\u00e1fica mostra as antenas do DSA-110 (Deep Synoptic Array-110), que s\u00e3o utilizadas para descobrir e localizar com precis\u00e3o as rajadas r\u00e1pidas de r\u00e1dio (FRBs). 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