{"id":7435,"date":"2024-11-08T07:13:43","date_gmt":"2024-11-08T06:13:43","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7435"},"modified":"2024-11-08T07:13:44","modified_gmt":"2024-11-08T06:13:44","slug":"a-descoberta-de-um-solitario-ourico-galactico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/11\/08\/a-descoberta-de-um-solitario-ourico-galactico\/","title":{"rendered":"A descoberta de um solit\u00e1rio &#8220;ouri\u00e7o&#8221; gal\u00e1ctico"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/YBvuRxO0_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"334\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/YBvuRxO0_o-1024x334.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7436\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/YBvuRxO0_o-1024x334.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/YBvuRxO0_o-300x98.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/YBvuRxO0_o-768x250.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/YBvuRxO0_o-1536x501.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/YBvuRxO0_o.jpg 1987w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Tr\u00eas imagens da gal\u00e1xia dw1322m2053, apelidada de &#8220;Ouri\u00e7o&#8221;. A gal\u00e1xia \u00e9 vis\u00edvel em comprimentos de onda \u00f3ticos e no infravermelho pr\u00f3ximo (imagens da esquerda e centro), mas n\u00e3o foi detetada no ultravioleta (imagem da direita).\nCr\u00e9dito: Li et al., 2024<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os investigadores descobriram uma gal\u00e1xia extremamente isolada. A gal\u00e1xia, apelidada de &#8220;Ouri\u00e7o&#8221; pela sua pequena dimens\u00e3o e natureza isolada, situa-se a cerca de 5,5 milh\u00f5es de anos-luz do grupo de gal\u00e1xias mais pr\u00f3ximo e n\u00e3o est\u00e1 a formar quaisquer estrelas, o que a torna uma raridade entre as gal\u00e1xias an\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Pequenas, mas fascinantes, as gal\u00e1xias an\u00e3s s\u00e3o o tipo de gal\u00e1xia mais comum no nosso Universo. Contendo, no m\u00e1ximo, cerca de 1% do n\u00famero de estrelas da Via L\u00e1ctea, estas gal\u00e1xias delicadas s\u00e3o facilmente perturbadas pela atra\u00e7\u00e3o gravitacional de gal\u00e1xias maiores. Estas intera\u00e7\u00f5es podem separar as gal\u00e1xias an\u00e3s em fluxos estelares ou p\u00f4r fim \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, longe da influ\u00eancia de gal\u00e1xias maiores, as gal\u00e1xias an\u00e3s isoladas tendem a produzir novas estrelas; apenas 0,06% das gal\u00e1xias an\u00e3s isoladas s\u00e3o quiescentes, sem novas estrelas. Quando uma gal\u00e1xia an\u00e3 quiescente \u00e9 encontrada longe de outras gal\u00e1xias, os astr\u00f3nomos tentam perceber porque \u00e9 que a gal\u00e1xia est\u00e1 adormecida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A descoberta de um &#8220;ouri\u00e7o&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma equipa da Universidade de Princeton liderada por Jiaxuan Li estava \u00e0 procura de gal\u00e1xias an\u00e3s que orbitassem a gal\u00e1xia NGC 5068 quando avistou uma pequena gal\u00e1xia catalogada como dw1322m2053. Inicialmente assinalada como poss\u00edvel sat\u00e9lite de NGC 5068, situando-a a 17 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia, a apar\u00eancia sarapintada de dw1322m2053 sugeria que a gal\u00e1xia estava muito mais perto &#8211; suficientemente perto para que a sua distribui\u00e7\u00e3o irregular de estrelas e enxames estelares fosse fracamente vis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de realizar observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento com o Telesc\u00f3pio Baade de 6,5 metros, um dos telesc\u00f3pios do par Magellan no Observat\u00f3rio Las Campanas, a equipa estimou a dist\u00e2ncia \u00e0 gal\u00e1xia utilizando o m\u00e9todo da flutua\u00e7\u00e3o do brilho da superf\u00edcie. Este m\u00e9todo aproveita o facto de as gal\u00e1xias n\u00e3o serem igualmente brilhantes ao longo das suas superf\u00edcies, e estas varia\u00e7\u00f5es de brilho s\u00e3o mais claramente vis\u00edveis nas gal\u00e1xias pr\u00f3ximas do que nas distantes. Ao calcular a varia\u00e7\u00e3o pixel a pixel do brilho da superf\u00edcie, a equipa de Li descobriu que dw1322m2053 estava muito mais perto do que se pensava inicialmente, a apenas 7,8 milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o sobre a vizinhan\u00e7a da gal\u00e1xia valeu-lhe um novo nome: Ouri\u00e7o. Tal como o seu ador\u00e1vel hom\u00f3nimo espinhoso, a gal\u00e1xia Ouri\u00e7o \u00e9 pequena e solit\u00e1ria: n\u00e3o existem gal\u00e1xias num raio de 3,3 milh\u00f5es de anos-luz e n\u00e3o existem grupos de gal\u00e1xias num raio de 5,5 milh\u00f5es de anos-luz, o que a torna uma das gal\u00e1xias an\u00e3s mais isoladas que se conhecem.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/ae\/38\/q45AHrz8_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/ae\/38\/q45AHrz8_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gr\u00e1fico da vizinhan\u00e7a da gal\u00e1xia Ouri\u00e7o. Os vizinhos mais pr\u00f3ximos podem ser vistos a laranja. Os c\u00edrculos roxos mostram os raios de grupos de gal\u00e1xias.\u00a0<a href=\"https:\/\/astrojacobli.github.io\/research\/Hedgehog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pode ver uma vers\u00e3o interactiva desta figura aqui<\/a>.<br>Cr\u00e9dito: adaptado de Li et al., 2024<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>Como extinguir uma gal\u00e1xia isolada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da sua localiza\u00e7\u00e3o extraordinariamente remota, a gal\u00e1xia Ouri\u00e7o \u00e9 tamb\u00e9m not\u00e1vel pela sua aus\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o estelar. A gal\u00e1xia \u00e9 avermelhada, sem regi\u00f5es vis\u00edveis de forma\u00e7\u00e3o estelar ou faixas de poeira escura que possam albergar estrelas jovens. A aus\u00eancia de emiss\u00e3o ultravioleta, como demonstrado por dados de arquivo, sugere que n\u00e3o houve qualquer forma\u00e7\u00e3o estelar nesta gal\u00e1xia nos \u00faltimos 100 milh\u00f5es de anos &#8211; mas porqu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>A equipa de Li descobriu que a gal\u00e1xia Ouri\u00e7o \u00e9 muito provavelmente uma gal\u00e1xia &#8220;backsplash&#8221;, o que significa que passou suficientemente perto de um grupo de gal\u00e1xias para que o seu g\u00e1s de forma\u00e7\u00e3o estelar fosse retirado antes de ser atirada para o espa\u00e7o vazio. Dada a dist\u00e2ncia ao grupo de gal\u00e1xias mais pr\u00f3ximo, Centaurus A, e a idade das estrelas da gal\u00e1xia Ouri\u00e7o, este cen\u00e1rio \u00e9 poss\u00edvel, mas \u00e9 necess\u00e1ria uma estimativa mais refinada da sua idade para avaliar completamente esta possibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, pode haver uma explica\u00e7\u00e3o ainda mais simples: com uma massa estelar de apenas 631.000 massas solares, a gal\u00e1xia Ouri\u00e7o \u00e9 pequena, mesmo para uma gal\u00e1xia an\u00e3. Com um tamanho t\u00e3o pequeno, \u00e9 poss\u00edvel que a forma\u00e7\u00e3o estelar seja interrompida de v\u00e1rias formas, incluindo a passagem por uma mancha de g\u00e1s intergal\u00e1ctico ou a evapora\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio g\u00e1s de forma\u00e7\u00e3o estelar. Observa\u00e7\u00f5es futuras ajudar\u00e3o a explicar porque \u00e9 que a gal\u00e1xia Ouri\u00e7o tem estado a hibernar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Hedgehog - A Nearby, Completely Isolated Galaxy\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-cpowWCC2-M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/aasnova.org\/2024\/11\/06\/discovery-of-a-lonely-galactic-hedgehog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ AAS Nova (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad5b59\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2406.00101\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Gal\u00e1xias an\u00e3s:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dwarf_galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Telesc\u00f3pios Magellan:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.lco.cl\/magellan-telescopes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Observat\u00f3rio Las Campanas<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Magellan_Telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas imagens da gal\u00e1xia dw1322m2053, apelidada de &#8220;Ouri\u00e7o&#8221;. 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