{"id":7425,"date":"2024-11-05T07:06:55","date_gmt":"2024-11-05T06:06:55","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7425"},"modified":"2024-11-05T07:06:55","modified_gmt":"2024-11-05T06:06:55","slug":"utilizando-a-ia-para-tracar-a-evolucao-da-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/11\/05\/utilizando-a-ia-para-tracar-a-evolucao-da-ciencia\/","title":{"rendered":"Utilizando a IA para tra\u00e7ar a evolu\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.bifold.berlin\/fileadmin\/user_upload\/News\/atomisation_Tabellen.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"622\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2VRV8LKJ_o-1024x622.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7426\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2VRV8LKJ_o-1024x622.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2VRV8LKJ_o-300x182.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2VRV8LKJ_o-768x466.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/2VRV8LKJ_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Dois exemplos de p\u00e1ginas de dois livros da Cole\u00e7\u00e3o Sacrobosco.\nEsquerda: O. Fin\u00e9, De Mundi sphaera, sive Cosmographia, prim\u00e1ve Astronomiae parte, Lib. V (Simon de Colines, Paris, 1542, p. 99).\nDireita: O. Fin\u00e9, Opere&#8230;Divise in cinque parti; arimetica, geometria, cosmografia, et orivoli (Francesco de Franceschi, Veneza, 1587, Libro primo della Geometria, pp. 17v\u201318r).\nCr\u00e9dito: Cole\u00e7\u00e3o Sacrobosco, Biblioteca Digital do Instituto Max Planck de Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Investigadores desenvolveram um m\u00e9todo baseado em IA (Intelig\u00eancia Artificial) para analisar textos cient\u00edficos hist\u00f3ricos, revelando a forma como o conhecimento se difundiu e evoluiu no in\u00edcio da Europa moderna. Ao examinar s\u00e9culos de livros astron\u00f3micos, a IA mostra como os enquadramentos cient\u00edficos se expandiram e se adaptaram ao longo do tempo. Esta abordagem fornece uma ferramenta promissora para a investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, fornecendo novas perspetivas sobre a evolu\u00e7\u00e3o do pensamento cient\u00edfico e ajudando, potencialmente, estudos futuros em diversas \u00e1reas do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que a sociedade enfrenta os desafios do Antropoceno, \u00e9 cada vez mais importante compreender os desenvolvimentos cient\u00edficos e sociais que permitiram \u00e0 atividade humana influenciar o sistema terrestre. No entanto, devido \u00e0 abund\u00e2ncia de documentos dispon\u00edveis e \u00e0 escassez de investigadores especializados, a an\u00e1lise hist\u00f3rica necess\u00e1ria para compreender a evolu\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico \u00e9 dif\u00edcil de completar em grandes escalas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num estudo recente, uma equipa de investigadores testou um novo m\u00e9todo baseado em IA para analisar textos hist\u00f3ricos e descobrir mudan\u00e7as temporais e geogr\u00e1ficas na transforma\u00e7\u00e3o do conhecimento. Utilizando a Cole\u00e7\u00e3o Sacrobosco, uma grande cole\u00e7\u00e3o de manuais hist\u00f3ricos de astronomia, mostram que os m\u00e9todos de IA podem ser utilizados para estudar a forma como o conhecimento matem\u00e1tico e o conhecimento cient\u00edfico evolu\u00edram e se difundiram nas universidades europeias entre 1470 e 1650.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo m\u00e9todo foi concebido para permitir a aprendizagem de m\u00e1quina em ambientes com poucos recursos atrav\u00e9s de uma abordagem de atomiza\u00e7\u00e3o-recomposi\u00e7\u00e3o que tira partido da estrutura de composi\u00e7\u00e3o dos documentos. Essencialmente, a equipa identificou p\u00e1ginas de texto no conjunto de documentos que continham tabelas num\u00e9ricas. As tabelas foram divididas em d\u00edgitos individuais (atomiza\u00e7\u00e3o) e depois recombinadas pela IA em padr\u00f5es significativos (recomposi\u00e7\u00e3o). As tabelas foram depois comparadas entre livros da cole\u00e7\u00e3o de diferentes \u00e9pocas e regi\u00f5es, permitindo aos investigadores acompanhar a forma como o conhecimento astron\u00f3mico e o conhecimento matem\u00e1tico se difundiram geogr\u00e1fica e temporalmente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/e2\/02\/OlilrbDY_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/e2\/02\/OlilrbDY_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A estrutura da abordagem atomiza\u00e7\u00e3o-recomposi\u00e7\u00e3o para aprendizagem de modelos em configura\u00e7\u00f5es de anota\u00e7\u00e3o esparsa.<br>Cr\u00e9dito: Eberle et al., Science Advances (2024)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para testar o seu m\u00e9todo, a equipa realizou dois estudos de caso. O primeiro examinou o conceito de zonas clim\u00e1ticas, presente desde a Antiguidade, e mostra que, ao longo do tempo, o n\u00famero de zonas clim\u00e1ticas foi alargado das 7 originais para 7+2 e, por fim, para 24. Mostram assim que a &#8220;Era dos Descobrimentos&#8221;, frequentemente considerada uma \u00e9poca de mudan\u00e7a revolucion\u00e1ria na compreens\u00e3o cient\u00edfica do planeta, refor\u00e7ou e alargou o conceito antigo, em vez de o abolir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No segundo estudo de caso, a IA revelou a introdu\u00e7\u00e3o de uma tabela utilizada para determinar a posi\u00e7\u00e3o do Sol no zod\u00edaco em v\u00e1rias \u00e9pocas da Antiguidade. Esta poderia ter sido utilizada para inferir as datas dos acontecimentos nos textos cl\u00e1ssicos, que inclu\u00edam frequentemente observa\u00e7\u00f5es astron\u00f3micas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isto reflete um esfor\u00e7o europeu do in\u00edcio da modernidade para reconstruir cr\u00f3nicas antigas utilizando m\u00e9todos astron\u00f3micos, real\u00e7ando uma prefer\u00eancia pela precis\u00e3o matem\u00e1tica que reduz a interpreta\u00e7\u00e3o subjetiva e encoraja o consenso&#8221;, afirma Jochen B\u00fcttner, coautor do estudo e investigador do Instituto Max Planck de Geoantropologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em conjunto, estes resultados demonstram como os m\u00e9todos de aprendizagem de m\u00e1quina podem ser utilizados para analisar documentos hist\u00f3ricos com dados de treino limitados. Mas, mais do que isso, argumentam os autores, fornecem evid\u00eancias quantitativas da mudan\u00e7a e dissemina\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico no in\u00edcio da Europa moderna, mostrando como a ci\u00eancia moderna evoluiu a partir de uma combina\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o com a inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que a IA se torna mais comum na investiga\u00e7\u00e3o, o estudo prop\u00f5e uma forma de utilizar tanto a aprendizagem humana como a aprendizagem de m\u00e1quina para abordar quest\u00f5es complexas. Os autores esperam aplicar o seu m\u00e9todo a outras formas de documentos hist\u00f3ricos e \u00e1reas do conhecimento, conduzindo, em \u00faltima an\u00e1lise, a um assistente baseado em IA que possa ajudar a identificar padr\u00f5es e liga\u00e7\u00f5es na investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.gea.mpg.de\/108376\/using-ai-trace-science-evolution\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Instituto Max Planck de Geoantropologia (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.bifold.berlin\/news-events\/news\/view\/news-detail\/explainable-ai-illuminates-the-course-of-history\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ BIFOLD (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.adj1719\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Science Advances)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Projeto &#8220;The Sphere&#8221;:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/sphaera.mpiwg-berlin.mpg.de\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Max Planck de Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia<\/a><br><a href=\"https:\/\/db.sphaera.mpiwg-berlin.mpg.de\/resource\/Start\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Biblioteca digital do projeto &#8220;The Sphere&#8221;<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois exemplos de p\u00e1ginas de dois livros da Cole\u00e7\u00e3o Sacrobosco. 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