{"id":7415,"date":"2024-11-01T07:28:49","date_gmt":"2024-11-01T06:28:49","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7415"},"modified":"2024-11-01T07:29:08","modified_gmt":"2024-11-01T06:29:08","slug":"miranda-uma-lua-de-urano-pode-ter-um-oceano-sob-a-sua-superficie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/11\/01\/miranda-uma-lua-de-urano-pode-ter-um-oceano-sob-a-sua-superficie\/","title":{"rendered":"Miranda, uma lua de \u00darano, pode ter um oceano sob a sua superf\u00edcie"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/miranda.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/miranda-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7416\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/miranda-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/miranda-300x300.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/miranda-150x150.jpg 150w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/miranda-768x768.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/miranda.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A lua gelada de \u00darano, Miranda, fotografada pela sonda Voyager 2 no dia 24 de janeiro de 1986.\nCr\u00e9dito: NASA\/JPL-Caltech<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Um novo estudo sugere que a lua Miranda, de \u00darano, pode abrigar um oceano de \u00e1gua sob a sua superf\u00edcie, uma descoberta que desafiaria muitas suposi\u00e7\u00f5es sobre a hist\u00f3ria e sobre a composi\u00e7\u00e3o da lua e poderia coloc\u00e1-la na companhia dos poucos mundos do nosso Sistema Solar com ambientes potencialmente habit\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Encontrar evid\u00eancias de um oceano no interior de um pequeno objeto como Miranda \u00e9 incrivelmente surpreendente&#8221;, disse Tom Nordheim, cientista planet\u00e1rio do APL (Applied Physics Laboratory) da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, coautor do estudo e investigador principal do projeto que financiou o estudo. &#8220;Ajuda a construir a hist\u00f3ria de que algumas destas luas de \u00darano podem ser realmente interessantes &#8211; que podem existir v\u00e1rios mundos oce\u00e2nicos \u00e0 volta de um dos planetas mais distantes do nosso Sistema Solar, o que \u00e9 simultaneamente excitante e bizarro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as luas do Sistema Solar, Miranda destaca-se. As poucas imagens que a Voyager 2 captou em 1986 mostram que o hemisf\u00e9rio sul de Miranda (a \u00fanica parte que vimos) \u00e9 uma mistura tipo Frankenstein de terreno com sulcos, dividido por escarpas \u00e1speras e \u00e1reas com crateras, como quadrados numa manta de retalhos. A maioria dos investigadores suspeita que estas estruturas bizarras s\u00e3o o resultado das for\u00e7as de mar\u00e9 e do aquecimento no interior da lua.<\/p>\n\n\n\n<p>Caleb Strom, um estudante da Universidade de Dakota do Norte que trabalhou com Nordheim e com Alex Patthoff do PSI (Planetary Science Institute) no Arizona, revisitou as imagens da Voyager 2. A equipa prop\u00f4s-se explicar a enigm\u00e1tica geologia de Miranda atrav\u00e9s de engenharia inversa das caracter\u00edsticas da superf\u00edcie, trabalhando para tr\u00e1s para descobrir qual deve ter sido a estrutura interior da lua para moldar a sua geologia em resposta \u00e0 for\u00e7a das mar\u00e9s.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de mapear as v\u00e1rias caracter\u00edsticas da superf\u00edcie, como fissuras, cristas e as coronas trapezoidais \u00fanicas de Miranda, a equipa desenvolveu um modelo de computador para testar v\u00e1rias estruturas poss\u00edveis do interior da lua, fazendo corresponder os padr\u00f5es de tens\u00e3o previstos \u00e0 geologia real da superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p>A configura\u00e7\u00e3o que produziu a melhor correspond\u00eancia entre os padr\u00f5es de tens\u00e3o previstos e as caracter\u00edsticas superficiais observadas exigiu a exist\u00eancia de um vasto oceano sob a superf\u00edcie gelada de Miranda h\u00e1 cerca de 100-500 milh\u00f5es de anos. Este oceano subsuperficial tinha pelo menos 100 quil\u00f3metros de profundidade, de acordo com o estudo publicado no passado dia 16 de outubro na revista The Planetary Science Journal, e estava escondido sob uma crosta gelada com uma espessura n\u00e3o superior a 30 quil\u00f3metros. Dado que Miranda tem um raio de apenas 235 quil\u00f3metros, o oceano teria preenchido quase metade do corpo da lua. &#8220;Este resultado foi uma grande surpresa para a equipa&#8221;, disse Strom.<\/p>\n\n\n\n<p>Chave para a cria\u00e7\u00e3o desse oceano, pensam os investigadores, foram as for\u00e7as de mar\u00e9 entre Miranda e as luas vizinhas. Estes pux\u00f5es gravitacionais regulares podem ser amplificados por resson\u00e2ncias orbitais &#8211; uma configura\u00e7\u00e3o em que o per\u00edodo de cada lua em torno de um planeta \u00e9 um n\u00famero inteiro exato dos per\u00edodos das outras. As luas de J\u00fapiter, Io e Europa, por exemplo, t\u00eam uma resson\u00e2ncia de 2:1: por cada duas \u00f3rbitas que Io faz em torno de J\u00fapiter, Europa faz exatamente uma, o que leva a for\u00e7as de mar\u00e9 que s\u00e3o conhecidas por manter um oceano sob a superf\u00edcie de Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas configura\u00e7\u00f5es orbitais e as for\u00e7as de mar\u00e9 resultantes deformam as luas como bolas de borracha, levando \u00e0 fric\u00e7\u00e3o e ao calor que mant\u00e9m os interiores quentes. Isto tamb\u00e9m cria tens\u00f5es que racham a superf\u00edcie, criando uma rica tape\u00e7aria de caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas. Simula\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas sugeriram que Miranda e as suas luas vizinhas provavelmente tiveram uma resson\u00e2ncia deste tipo no passado, oferecendo um potencial mecanismo que poderia ter aquecido o interior de Miranda para produzir e manter um oceano subsuperficial.<\/p>\n\n\n\n<p>A dada altura, o ballet orbital das luas dessincronizou-se, abrandando o processo de aquecimento, de modo que o interior da lua come\u00e7ou a arrefecer e a solidificar. Mas a equipa acha que o interior de Miranda ainda n\u00e3o congelou completamente. Se o oceano tivesse congelado completamente, explicou Nordheim, ter-se-ia expandido e causado certas fissuras na superf\u00edcie, que n\u00e3o existem. Isto sugere que Miranda ainda est\u00e1 a arrefecer &#8211; e pode ter ainda hoje um oceano sob a sua superf\u00edcie. O oceano atual de Miranda \u00e9 provavelmente relativamente fino, comentou Strom. &#8220;Mas a sugest\u00e3o de um oceano no interior de uma das luas mais distantes do Sistema Solar \u00e9 not\u00e1vel&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se previa que Miranda tivesse um oceano. Com o seu pequeno tamanho e idade avan\u00e7ada, os cientistas pensaram que seria provavelmente uma bola de gelo. Qualquer resto de calor resultante da sua forma\u00e7\u00e3o ter\u00e1 sido dissipado h\u00e1 muito tempo. Mas, como Patthoff salientou, as previs\u00f5es das luas geladas podem estar erradas, como \u00e9 evidenciado pela lua Enc\u00e9lado de Saturno. Antes da chegada da sonda Cassini em 2004, muitos cientistas pensavam que Enc\u00e9lado era uma bola de gelo e rocha. Mas, na realidade, alberga um oceano global e processos geol\u00f3gicos ativos. &#8220;Poucos cientistas esperavam que Enc\u00e9lado fosse geologicamente ativo&#8221;, disse Patthoff. &#8220;No entanto, est\u00e1 a lan\u00e7ar vapor de \u00e1gua e gelo do seu hemisf\u00e9rio sul neste preciso momento&#8221;. Enc\u00e9lado \u00e9 agora um alvo principal na procura de vida para al\u00e9m da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Miranda pode ser um caso semelhante. \u00c9 compar\u00e1vel em tamanho e composi\u00e7\u00e3o a Enc\u00e9lado e, de acordo com um estudo de 2023 liderado por Ian Cohen do APL, pode estar a libertar ativamente material para o espa\u00e7o. Se tiver (ou tiver tido) um oceano, poder\u00e1 ser um futuro alvo para estudar a habitabilidade e a vida. No entanto, Nordheim adverte que ainda h\u00e1 demasiado que n\u00e3o sabemos sobre Miranda e as luas uranianas para especular sobre a exist\u00eancia de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o saberemos com certeza se tem um oceano at\u00e9 voltarmos e recolhermos mais dados&#8221;, disse. &#8220;Estamos a extrair o m\u00e1ximo de ci\u00eancia poss\u00edvel das imagens da Voyager 2. Por agora, estamos entusiasmados com as possibilidades e ansiosos por regressar para estudar em profundidade \u00darano e as suas potenciais luas oce\u00e2nicas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.jhuapl.edu\/news\/news-releases\/241028-uranus-moon-miranda-with-ocean-beneath-surface-new-study\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ JHUAPL (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.und.edu\/press-releases\/2024\/10\/uranus-moon-miranda-may-have-an-ocean-beneath-its-surface-new-study-finds\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Dakota do Norte (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/PSJ\/ad77d7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Planetary Science Journal)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Miranda:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/moons\/uranus-moons\/miranda\/in-depth\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Miranda_(moon)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00darano:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/uranus\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Uranus_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sondas Voyager:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/voyager.jpl.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.heavens-above.com\/SolarEscape.aspx?lat=0&amp;lng=0&amp;loc=Unspecified&amp;alt=0&amp;tz=CET\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Heavens Above<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Voyager_1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Voyager 1 (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Voyager_2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Voyager 2 (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A lua gelada de \u00darano, Miranda, fotografada pela sonda Voyager 2 no dia 24 de janeiro de 1986. 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