{"id":7412,"date":"2024-10-29T07:22:09","date_gmt":"2024-10-29T06:22:09","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7412"},"modified":"2024-10-29T07:22:10","modified_gmt":"2024-10-29T06:22:10","slug":"uma-supernova-em-forma-de-dente-de-leao-e-uma-estrela-zombie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/10\/29\/uma-supernova-em-forma-de-dente-de-leao-e-uma-estrela-zombie\/","title":{"rendered":"Uma supernova em forma de dente-de-le\u00e3o e uma estrela zombie"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/qFmcKO7q_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/qFmcKO7q_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7413\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/qFmcKO7q_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/qFmcKO7q_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/qFmcKO7q_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/qFmcKO7q_o.jpg 1400w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Um conceito art\u00edstico de um remanescente de supernova chamado Pa 30 &#8211; os restos de uma explos\u00e3o de supernova que foi testemunhada da Terra no ano 1181. Filamentos invulgares de enxofre sobressaem para l\u00e1 de uma concha poeirenta de material ejetado. Os restos da estrela original que explodiu, agora uma estrela quente e inflacionada que pode arrefecer e tornar-se uma an\u00e3 branca, s\u00e3o vistos no centro do remanescente. O KCWI (Keck Cosmic Web Imager) no Observat\u00f3rio W.M. Keck no Hawaii mapeou os estranhos filamentos em 3D e mostrou que est\u00e3o a voar para fora a aproximadamente 1000 quil\u00f3metros por segundo.\nCr\u00e9dito: Observat\u00f3rio W.M. Keck\/Adam Makarenko<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma supernova hist\u00f3rica, documentada por astr\u00f3nomos chineses e japoneses em 1181, esteve perdida durante s\u00e9culos &#8211; at\u00e9 muito recentemente. No entanto, o remanescente recentemente encontrado apresenta algumas caracter\u00edsticas impressionantes que est\u00e3o a intrigar os astr\u00f3nomos. Agora, revela os seus segredos. Uma equipa liderada por Tim Cunningham, do Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian, e por Ilaria Caiazzo, professora assistente do ISTA (Institute of Science and Technology Austria), fornece o primeiro estudo detalhado da estrutura da supernova e da sua velocidade de expans\u00e3o em 3D. O estudo foi agora publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1181, uma nova estrela brilhou perto da constela\u00e7\u00e3o de Cassiopeia durante seis meses antes de desaparecer. Este acontecimento, registado como uma &#8220;estrela convidada&#8221; por observadores chineses e japoneses h\u00e1 quase um mil\u00e9nio, intrigou os astr\u00f3nomos durante s\u00e9culos. \u00c9 uma das poucas supernovas que foram documentadas antes da inven\u00e7\u00e3o dos telesc\u00f3pios. Al\u00e9m disso, foi a que permaneceu mais tempo &#8220;\u00f3rf\u00e3&#8221;, o que significa que nenhum dos objetos celestes hoje vis\u00edveis lhe podia ser atribu\u00eddo. Atualmente conhecida como supernova SN 1181, o seu remanescente s\u00f3 foi localizado em 2021 na nebulosa Pa 30, descoberta em 2013 pelo astr\u00f3nomo amador Dana Patchick enquanto examinava um arquivo de imagens do telesc\u00f3pio WISE no \u00e2mbito de um projeto de ci\u00eancia cidad\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas esta nebulosa n\u00e3o \u00e9 um t\u00edpico remanescente de supernova. De facto, os astr\u00f3nomos ficaram intrigados ao encontrar uma &#8220;estrela zombie&#8221; sobrevivente no seu centro, um remanescente dentro do remanescente. Pensa-se que SN 1181 tenha ocorrido quando uma explos\u00e3o termonuclear foi desencadeada numa estrela densa e morta chamada an\u00e3 branca. Normalmente, a an\u00e3 branca seria completamente destru\u00edda neste tipo de explos\u00e3o, mas neste caso, parte da estrela sobreviveu, deixando para tr\u00e1s uma esp\u00e9cie de &#8220;estrela zombie&#8221;. A este tipo de explos\u00e3o parcial chama-se uma supernova do Tipo Iax. Mais intrigante ainda \u00e9 o facto de desta estrela zombie sa\u00edrem estranhos filamentos, semelhantes \u00e0s p\u00e9talas de uma flor de dente-de-le\u00e3o. Agora, a professora assistente do ISTA, Ilaria Caiazzo, e o autor principal Tim Cunningham, bolseiro Hubble da NASA no Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian, obtiveram uma vis\u00e3o detalhada e sem precedentes destes estranhos filamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Um modelo 3D de uma explos\u00e3o em expans\u00e3o bal\u00edstica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de Cunningham e Caiazzo p\u00f4de estudar em pormenor este estranho remanescente de supernova gra\u00e7as ao KCWI (Keck Cosmic Web Imager) do Caltech. O KCWI \u00e9 um espetr\u00f3grafo situado a 4000 metros de altitude no Observat\u00f3rio W. M. Keck, no Hawaii, perto do cume do vulc\u00e3o Mauna Kea, o pico mais alto da ilha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como o seu nome indica, o KCWI foi concebido para detetar algumas das fontes de luz mais t\u00e9nues e escuras do Universo, coletivamente designadas por &#8220;teia c\u00f3smica&#8221;. Al\u00e9m disso, o KCWI \u00e9 t\u00e3o sens\u00edvel e inteligentemente concebido que consegue captar informa\u00e7\u00e3o espetral para cada pixel de uma imagem. Pode tamb\u00e9m medir o movimento da mat\u00e9ria numa explos\u00e3o estelar, criando algo como um filme 3D de uma supernova. O KCWI f\u00e1-lo examinando a forma como a luz se desloca quando se aproxima ou se afasta de n\u00f3s, um processo f\u00edsico semelhante ao conhecido efeito Doppler que conhecemos das sirenes que mudam de tom quando uma ambul\u00e2ncia passa por n\u00f3s.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/yqADscm.gif\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/yqADscm.gif\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Anima\u00e7\u00e3o da estrutura filamentar do remanescente de supernova Pa 30.<br>Cr\u00e9dito: Observat\u00f3rio W. M. Keck\/Adam Makarenko<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, em vez de verem apenas a t\u00edpica imagem est\u00e1tica de um espet\u00e1culo de fogo de artif\u00edcio comum \u00e0s observa\u00e7\u00f5es de supernovas, os investigadores puderam criar um mapa 3D detalhado da nebulosa e dos seus estranhos filamentos. Al\u00e9m disso, puderam mostrar que o material nos filamentos viajava balisticamente a cerca de 1000 quil\u00f3metros por segundo. &#8220;Isto significa que o material ejetado n\u00e3o foi abrandado, nem acelerado, desde a explos\u00e3o&#8221;, diz Cunningham. &#8220;Assim, a partir das velocidades medidas, olhar para tr\u00e1s no tempo permitiu-nos localizar a explos\u00e3o quase exatamente no ano 1181&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Evid\u00eancias de uma assimetria invulgar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m dos filamentos em forma de dente-de-le\u00e3o e da sua expans\u00e3o bal\u00edstica, a forma geral da supernova \u00e9 muito invulgar. A equipa conseguiu demonstrar que a ejeta &#8211; o material dentro dos filamentos que \u00e9 ejetado para longe do local da explos\u00e3o &#8211; \u00e9 invulgarmente assim\u00e9trica. Isto sugere que a assimetria tem origem na pr\u00f3pria explos\u00e3o inicial. Al\u00e9m disso, os filamentos parecem ter uma orla interna agu\u00e7ada, mostrando uma &#8220;lacuna&#8221; interna em torno da estrela zombie. &#8220;A nossa primeira caracteriza\u00e7\u00e3o 3D detalhada da velocidade e da estrutura espacial de um remanescente de supernova diz-nos muito sobre um evento c\u00f3smico \u00fanico que os nossos antepassados observaram h\u00e1 s\u00e9culos. Mas tamb\u00e9m levanta novas quest\u00f5es e estabelece novos desafios para os astr\u00f3nomos enfrentarem a seguir&#8221;, conclui Caiazzo. Ela come\u00e7ou a trabalhar neste projeto como bolseira em astrof\u00edsica te\u00f3rica no Caltech, EUA, antes de se juntar ao ISTA em maio deste ano.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"3-D Look at Unusual Remains of a Historical Supernova\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XP9UCehzhnQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/ist.ac.at\/en\/news\/dandelion-shaped-supernova-and-zombie-star\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ISTA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cfa.harvard.edu\/news\/dandelion-supernova-revealed-3-d\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Centro de Astrof\u00edsica | Harvard &amp; Smithsonian (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.keckobservatory.org\/dandelion-supernova\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Observat\u00f3rio W. M. Keck (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.caltech.edu\/about\/news\/dandelion-supernova-revealed-in-3-d\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Caltech (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/2041-8213\/ad713b\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astrophysical Journal Letters)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2410.10940\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.eurekalert.org\/news-releases\/1062475\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">EurekAlert!<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/zombie-star-dandelion-supernova\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2024-10-astronomers-dandelion-supernova-zombie-star.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedaily.com\/releases\/2024\/10\/241024130606.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceDaily<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>SN 1181:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/SN_1181\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>&#8220;Estrela Convidada&#8221;:<br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Guest_star_(astronomy)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Supernovas do Tipo Iax:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Type_Ia_supernova#Type_Iax\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Observat\u00f3rio W. M. Keck:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.keckobservatory.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Keck_telescopes\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www2.keck.hawaii.edu\/inst\/kcwi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">KCWI (Keck Cosmic Web Imager) (Observat\u00f3rio W. M. Keck)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um conceito art\u00edstico de um remanescente de supernova chamado Pa 30 &#8211; os restos de uma explos\u00e3o de supernova que foi testemunhada da Terra no ano 1181. Filamentos invulgares de enxofre sobressaem para l\u00e1 de uma concha poeirenta de material ejetado. 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