{"id":7409,"date":"2024-10-29T07:19:01","date_gmt":"2024-10-29T06:19:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7409"},"modified":"2024-10-29T07:19:02","modified_gmt":"2024-10-29T06:19:02","slug":"as-amostras-lunares-sao-uma-capsula-do-tempo-que-ligam-o-passado-e-o-presente-da-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/10\/29\/as-amostras-lunares-sao-uma-capsula-do-tempo-que-ligam-o-passado-e-o-presente-da-lua\/","title":{"rendered":"As amostras lunares s\u00e3o uma &#8220;c\u00e1psula do tempo&#8221; que ligam o passado e o presente da Lua"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/1\/15\/The_Apollo_16_Prime_Crew_-_GPN-2000-001134.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"958\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/JQB1OOms_o-1024x958.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7410\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/JQB1OOms_o-1024x958.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/JQB1OOms_o-300x281.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/JQB1OOms_o-768x719.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/JQB1OOms_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A tripula\u00e7\u00e3o da Apollo 16.\nCr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Amostras recolhidas da superf\u00edcie da Lua pela tripula\u00e7\u00e3o da Apollo 16, h\u00e1 mais de 50 anos, ajudaram os cientistas a reconstruir milhares de milh\u00f5es de anos de hist\u00f3ria lunar.<br><br>As conclus\u00f5es da equipa de investiga\u00e7\u00e3o, publicadas na revista Meteoritics &amp; Planetary Science, baseiam-se na an\u00e1lise de um conjunto distinto de brechas lunares que nunca antes tinham sido examinadas em pormenor.<br><br>Os astronautas John Young, Charles Duke e Ken Mattingly trouxeram para a Terra mais de 95 kg de amostras da Lua, ap\u00f3s a sua miss\u00e3o \u00e0s terras altas de Descartes, em 1972.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre essas amostras estavam &#8220;brechas de reg\u00f3lito&#8221;, que se formam quando a poeira lunar &#8211; ou reg\u00f3lito &#8211; \u00e9 fundida em rocha por impactos de asteroides. Uma vez fundidas numa rocha, estas brechas preservam a composi\u00e7\u00e3o geoqu\u00edmica do reg\u00f3lito no momento da sua forma\u00e7\u00e3o, que pode ser cuidadosamente analisada para obter pistas sobre como e quando foram criadas.<br><br>O aspeto caracter\u00edstico da Lua, com muitas crateras, \u00e9 o resultado de in\u00fameras colis\u00f5es com asteroides desde a sua forma\u00e7\u00e3o, h\u00e1 cerca de 4,5 mil milh\u00f5es de anos. Com uma hist\u00f3ria t\u00e3o extensa, a quest\u00e3o do que aconteceu e quando aconteceu torna-se rapidamente complicada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores, do Reino Unido e dos EUA, utilizaram t\u00e9cnicas anal\u00edticas sofisticadas de espetrometria de massa para analisar a composi\u00e7\u00e3o dos gases retidos em amostras de lascas mais pequenas, conhecidas como &#8220;brechas tipo solo&#8221;. Estas amostras, que se encontravam entre as que foram recolhidas da superf\u00edcie da Lua pela tripula\u00e7\u00e3o da Apollo 16, nunca tinham sido sujeitas a espetrometria de massa.<br><br>O Dr. Mark Nottingham liderou a investiga\u00e7\u00e3o enquanto trabalhava na Universidade de Manchester. Entretanto, juntou-se \u00e0 Escola de Ci\u00eancias Geogr\u00e1ficas e da Terra da Universidade de Glasgow.<br><br>O Dr. Nottingham, principal autor do artigo, afirmou: &#8220;A espetrometria de massa, que identifica mol\u00e9culas em amostras e quantifica a sua abund\u00e2ncia relativa, pode ajudar-nos a determinar quanto tempo as amostras passaram expostas \u00e0 superf\u00edcie da Lua ou perto dela. Isso ajuda-nos a ter uma ideia mais clara da hist\u00f3ria dos impactos nesta \u00e1rea espec\u00edfica da Lua&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/nasa2explore\/9357420567\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/fe\/ef\/oy7xj8sg_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O astronauta John W. Young recolhe amostras de reg\u00f3lito lunar.<br>Cr\u00e9dito: NASA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados da equipa ajudam os cientistas a compreender melhor a forma como a superf\u00edcie da Lua foi alterada pelo vento solar e violentamente atingida por asteroides ao longo de mais de dois mil milh\u00f5es de anos.<br><br>&#8220;Ao longo do tempo em que as amostras estiveram na superf\u00edcie da Lua como reg\u00f3lito, foram expostas a quantidades vari\u00e1veis de vento solar &#8211; part\u00edculas carregadas que fluem do Sol e que tamb\u00e9m transportam vest\u00edgios de gases nobres como o \u00e1rgon e o x\u00e9non &#8211; que se acumularam nas camadas exteriores dos seus gr\u00e3os minerais durante milh\u00f5es de anos antes de serem atingidas por um asteroide&#8221;, acrescentou o Dr. Nottingham.<br><br>&#8220;A hist\u00f3ria da Lua \u00e9 tamb\u00e9m a hist\u00f3ria da Terra &#8211; o registo dos bombardeamentos de asteroides gravados na sua face e sob a sua superf\u00edcie pode ajudar-nos a compreender as condi\u00e7\u00f5es do Sistema Solar primitivo que formou o nosso planeta, bem como o seu vizinho mais pr\u00f3ximo.<br><br>&#8220;Ao contr\u00e1rio da Terra, por\u00e9m, a hist\u00f3ria da Lua est\u00e1 encerrada em c\u00e1psulas de tempo geol\u00f3gico na sua superf\u00edcie, intocada pela tect\u00f3nica de placas ou pela eros\u00e3o, o que nos permite utilizar tecnologia de ponta como a espetrometria de massa para desvendar os seus segredos&#8221;.<br><br>A investiga\u00e7\u00e3o poder\u00e1 tamb\u00e9m ajudar futuras miss\u00f5es lunares tripuladas a identificar recursos naturais valiosos para ajudar as bases lunares a serem autosustent\u00e1veis.<br><br>Investiga\u00e7\u00f5es anteriores tinham analisado os tra\u00e7os de gases nobres em fragmentos maiores das amostras de brecha da Apollo 16, ajudando os investigadores a separar as amostras em dois grupos &#8211; &#8220;antigas&#8221;, com idades entre 3,8 e 2,4 mil milh\u00f5es de anos, e &#8220;jovens&#8221;, que se formaram h\u00e1 2,5-1,7 mil milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<br><br>A NASA forneceu aos investigadores 11 amostras da Lua para an\u00e1lise. Nove das amostras revelaram uma grande variedade de idades de exposi\u00e7\u00e3o, desde h\u00e1 2,5 mil milh\u00f5es de anos at\u00e9 h\u00e1 menos de mil milh\u00f5es. Isto sugere que s\u00e3o constitu\u00eddas por solo lunar de uma \u00e1rea que teve uma hist\u00f3ria variada de impactos, em que algumas foram expostas ao vento solar durante milhares de milh\u00f5es de anos, enquanto outras foram arrastadas para a superf\u00edcie por impactos mais recentes.<br><br>A equipa tamb\u00e9m descobriu que duas das amostras tinham concentra\u00e7\u00f5es muito mais baixas de gases nobres, o que sugere que foram formadas muito mais recentemente, e que talvez tenham sido expostas ao vento solar durante menos de um milh\u00e3o de anos. A equipa sugere que o impacto que formou a cratera vizinha South Ray poder\u00e1 ter sido a fonte dessa amostra.<br><br>O Dr. Nottingham afirmou: &#8220;Este estudo estabelece pela primeira vez que as brechas semelhantes a solo s\u00e3o uma categoria distinta, com as suas pr\u00f3prias hist\u00f3rias para partilhar. Em combina\u00e7\u00e3o com a an\u00e1lise das rochas antigas e jovens recuperadas pela Apollo 16, podemos construir uma imagem muito mais completa da hist\u00f3ria desta parte da Lua durante os prim\u00f3rdios do Sistema Solar, onde os impactos mais fortes na superf\u00edcie lunar nos seus primeiros milhares de milh\u00f5es de anos deram lugar a per\u00edodos menos intensos a partir de h\u00e1 cerca de dois mil milh\u00f5es de anos&#8221;.<br><br>A investiga\u00e7\u00e3o poder\u00e1 tamb\u00e9m ajudar a informar os esfor\u00e7os em curso para enviar futuras miss\u00f5es \u00e0 Lua num futuro pr\u00f3ximo, como o programa Artemis da NASA, que planeia estabelecer habitats lunares humanos a longo prazo.<br><br>O Dr. Nottingham afirmou: &#8220;Um dos desafios do estabelecimento de habitats de longa dura\u00e7\u00e3o para os seres humanos na Lua \u00e9 a tomada de decis\u00f5es sobre a forma como podemos utilizar os recursos naturais que aguardam as futuras miss\u00f5es, para que n\u00e3o tenham de transportar da Terra tudo o que necessitam.<br><br>&#8220;Estudos como este aumentam a nossa base de conhecimentos sobre onde se podem encontrar elementos \u00fateis, como os gases nobres, no reg\u00f3lito lunar, e qual a sua abund\u00e2ncia.<br><br>&#8220;\u00c9 not\u00e1vel pensar que as amostras que a Apollo 16 trouxe h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo ainda t\u00eam segredos a revelar sobre a hist\u00f3ria da Lua e que podem ainda ajudar a moldar a forma como exploramos o Sistema Solar nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.gla.ac.uk\/news\/headline_1119964_en.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Glasgow (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/maps.14244\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Meteoritics &amp; Planetary Science)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lua:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Moon\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Descartes_Highlands\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Terras altas de Descartes (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/sites.wustl.edu\/meteoritesite\/items\/lunar-regolith-breccias-and-fragmental-breccias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Brechas de reg\u00f3lito (Universidade de Washington em St. Louis)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Brecha:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Breccia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Programa Apollo:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/the-apollo-program\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Apollo_program\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/mission\/apollo-16\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Apollo 16 (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Apollo_16\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Apollo 16 (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Programa Artemis:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/specials\/artemis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Artemis_program\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/artemis-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Artemis I (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Artemis_1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Artemis I (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nasa.gov\/feature\/nasa-s-first-flight-with-crew-important-step-on-long-term-return-to-the-moon-missions-to\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Artemis II (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Artemis_2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Artemis II (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Artemis_3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Artemis III (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAArtemis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAArtemis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasaartemis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tripula\u00e7\u00e3o da Apollo 16. 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