{"id":7406,"date":"2024-10-29T07:15:39","date_gmt":"2024-10-29T06:15:39","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7406"},"modified":"2024-10-29T07:15:39","modified_gmt":"2024-10-29T06:15:39","slug":"reanalise-de-dados-das-observacoes-do-buraco-negro-supermassivo-no-centro-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/10\/29\/reanalise-de-dados-das-observacoes-do-buraco-negro-supermassivo-no-centro-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Rean\u00e1lise de dados das observa\u00e7\u00f5es do buraco negro supermassivo no centro da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/3vNC8DdT_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"720\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/3vNC8DdT_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7407\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/3vNC8DdT_o.jpg 960w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/3vNC8DdT_o-300x225.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/3vNC8DdT_o-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A imagem reanalisada do buraco negro supermassivo (Sgr A*) no centro da Via L\u00e1ctea. As \u00e1reas de maior intensidade r\u00e1dio s\u00e3o mostradas a vermelho, enquanto as \u00e1reas mais fracas s\u00e3o mostradas a azul. A imagem \u00e9 alongada de este para oeste, com o lado este mais brilhante e o lado oeste mais escuro. Pensa-se que este efeito se deve ao efeito Doppler causado pela rota\u00e7\u00e3o a alta velocidade do disco de acre\u00e7\u00e3o. O lado oriental, que est\u00e1 a girar na nossa dire\u00e7\u00e3o, aparece mais brilhante, enquanto o lado ocidental, que est\u00e1 a rodar na dire\u00e7\u00e3o oposta, aparece mais escuro. No canto inferior direito temos a imagem divulgada pelo EHT para efeitos de refer\u00eancia.\nCr\u00e9dito: Miyoshi et al., NAOJ; colabora\u00e7\u00e3o EHT<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Uma equipa de investiga\u00e7\u00e3o liderada por Makoto Miyoshi, professor asisstente do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan), reanalisou de forma independente os dados das observa\u00e7\u00f5es do buraco negro supermassivo no centro da nossa Gal\u00e1xia obtidos e publicados pelo projeto internacional de observa\u00e7\u00e3o conjunta EHT (Event Horizon Telescope). Descobriram que a estrutura \u00e9 ligeiramente alongada na dire\u00e7\u00e3o este-oeste. Esta investiga\u00e7\u00e3o lan\u00e7a um novo olhar sobre os dados publicamente dispon\u00edveis do EHT e demonstra o processo cient\u00edfico no qual a certeza da resposta aumenta \u00e0 medida que diferentes investigadores continuam a examinar e a discutir uma teoria.<\/p>\n\n\n\n<p>A Via L\u00e1ctea, a gal\u00e1xia onde vivemos, cont\u00e9m mais de 100 mil milh\u00f5es de estrelas semelhantes ao Sol. Existem in\u00fameras gal\u00e1xias deste tamanho no Universo, a maioria das quais se pensa ter buracos negros supermassivos nos seus centros, com massas milh\u00f5es a milhares de milh\u00f5es de vezes a do Sol. A Via L\u00e1ctea tamb\u00e9m tem um buraco negro supermassivo no seu centro, chamado Sagit\u00e1rio A*. O buraco negro engole tudo o que lhe est\u00e1 mais pr\u00f3ximo, incluindo a luz, tornando imposs\u00edvel ver o pr\u00f3prio buraco negro supermassivo, mas a an\u00e1lise das estrelas que circulam o buraco negro a alta velocidade indica que Sagit\u00e1rio A* tem uma massa cerca de 4 milh\u00f5es de vezes superior \u00e0 do Sol. Observando cuidadosamente o seu meio envolvente, podemos obter pistas sobre a natureza deste buraco negro invis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>O EHT observou Sagit\u00e1rio A* em 2017 com uma rede de oito radiotelesc\u00f3pios terrestres, utilizando uma t\u00e9cnica conhecida como interferometria de r\u00e1dio para combinar os resultados dos v\u00e1rios telesc\u00f3pios. Os resultados destas observa\u00e7\u00f5es foram publicados em 2022, incluindo uma imagem de uma brilhante estrutura em forma de anel que rodeia uma regi\u00e3o central escura, indicando a presen\u00e7a de um buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em contraste com a t\u00edpica fotografia, os dados de observa\u00e7\u00f5es que ligam v\u00e1rios radiotelesc\u00f3pios muito separados cont\u00eam muitas lacunas na sua integridade, pelo que s\u00e3o utilizados algoritmos especiais para construir uma imagem a partir dos dados. Nesta investiga\u00e7\u00e3o, a equipa aplicou m\u00e9todos tradicionais amplamente utilizados aos dados do EHT, em oposi\u00e7\u00e3o ao m\u00e9todo de an\u00e1lise original do pr\u00f3prio EHT. Miyoshi explica: &#8220;A nossa imagem \u00e9 ligeiramente alongada na dire\u00e7\u00e3o este-oeste, e a metade oriental \u00e9 mais brilhante do que a metade ocidental. Pensamos que este aspeto significa que o disco de acre\u00e7\u00e3o que rodeia o buraco negro est\u00e1 a girar&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/ac\/6e\/a68EGTZq_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/ac\/6e\/a68EGTZq_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Porque \u00e9 que o brilho parece ser diferente nas metades oriental e ocidental? Os cientistas pensam que isto se deve ao efeito Doppler causado pelo disco de acre\u00e7\u00e3o que gira a 60% da velocidade da luz.<br>Cr\u00e9dito: Miyoshi et al., NAOJ<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os dados observacionais e os m\u00e9todos de an\u00e1lise do EHT est\u00e3o dispon\u00edveis gratuitamente, e muitos investigadores validaram os resultados da an\u00e1lise do EHT. Esta investiga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m faz parte destas atividades regulares de verifica\u00e7\u00e3o. A radiointerferometria que liga telesc\u00f3pios em todo o mundo \u00e9 uma tecnologia em desenvolvimento e a investiga\u00e7\u00e3o sobre an\u00e1lise de dados e processamento de imagens est\u00e1 em curso, incorporando conhecimentos de estat\u00edstica e de outras disciplinas relacionadas. As estruturas apresentadas nesta investiga\u00e7\u00e3o diferem dos resultados da equipa do EHT, mas ambas s\u00e3o estruturas plaus\u00edveis derivadas dos dados utilizando os respetivos m\u00e9todos. O EHT desempenha um papel importante na investiga\u00e7\u00e3o dos buracos negros, solicitando verifica\u00e7\u00f5es independentes e fornecendo dados de cariz livre para verifica\u00e7\u00e3o. Espera-se que uma imagem mais fi\u00e1vel de Sagit\u00e1rio A* surja de uma discuss\u00e3o ativa entre investigadores, com base em m\u00e9todos de an\u00e1lise melhorados e em dados de observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento realizadas desde 2018.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.nao.ac.jp\/en\/news\/science\/2024\/20241025-sgra.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NAOJ (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"http:\/\/jasmine.nao.ac.jp\/2024_2\/EN\/press_release_20241025_en.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Projeto Jasmine do NAOJ (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/mnras\/article\/534\/4\/3237\/7660988?login=false\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Sagit\u00e1rio A*:<br><\/strong><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sagittarius_A*\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Buraco negro supermassivo:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Supermassive_black_hole\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Via L\u00e1ctea:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Milky_Way\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"http:\/\/messier.seds.org\/more\/mw.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SEDS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>EHT (Event Horizon Telescope):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/eventhorizontelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Event_Horizon_Telescope\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imagem reanalisada do buraco negro supermassivo (Sgr A*) no centro da Via L\u00e1ctea. As \u00e1reas de maior intensidade r\u00e1dio s\u00e3o mostradas a vermelho, enquanto as \u00e1reas mais fracas s\u00e3o mostradas a azul. A imagem \u00e9 alongada de este para oeste, com o lado este mais brilhante e o lado oeste mais escuro. Pensa-se que &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7407,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[151,1,59],"tags":[192,323,321,180],"class_list":["post-7406","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","","category-buracos-negros","category-telescopios-profissionais","category-via-lactea","tag-buraco-negro","tag-eht","tag-sgr-a","tag-via-lactea"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7406","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7406"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7406\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7408,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7406\/revisions\/7408"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7407"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7406"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7406"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7406"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}