{"id":7378,"date":"2024-10-18T06:09:01","date_gmt":"2024-10-18T05:09:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7378"},"modified":"2024-10-18T06:09:02","modified_gmt":"2024-10-18T05:09:02","slug":"novas-informacoes-sobre-a-forma-como-marte-se-tornou-inabitavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/10\/18\/novas-informacoes-sobre-a-forma-como-marte-se-tornou-inabitavel\/","title":{"rendered":"Novas informa\u00e7\u00f5es sobre a forma como Marte se tornou inabit\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/qbmuhMJj_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/qbmuhMJj_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7379\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/qbmuhMJj_o.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/qbmuhMJj_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/qbmuhMJj_o-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o de um Marte antigo com \u00e1gua l\u00edquida (\u00e1reas azuis) \u00e0 superf\u00edcie. Regi\u00f5es antigas de Marte apresentam sinais de \u00e1gua abundante &#8211; tais como caracter\u00edsticas que se assemelham a vales e deltas, e minerais que s\u00f3 se formam na presen\u00e7a de \u00e1gua l\u00edquida. Os cientistas pensam que h\u00e1 milhares de milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, a atmosfera de Marte era muito mais densa e quente o suficiente para formar rios, lagos e talvez at\u00e9 oceanos. \u00c0 medida que o planeta arrefecia e perdia o seu campo magn\u00e9tico global, o vento solar e as tempestades solares corroeram para o espa\u00e7o uma quantidade significativa da atmosfera do planeta, transformando Marte no deserto frio e \u00e1rido que vemos hoje.\nCr\u00e9dito: NASA\/MAVEN\/LPI<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>O rover Curiosity da NASA, que explora atualmente a cratera Gale em Marte, est\u00e1 a fornecer novos detalhes sobre como o antigo clima marciano passou de potencialmente adequado \u00e0 vida &#8211; com evid\u00eancias de \u00e1gua l\u00edquida generalizada \u00e0 superf\u00edcie &#8211; para uma superf\u00edcie in\u00f3spita \u00e0 vida tal como a conhecemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a superf\u00edcie de Marte seja fr\u00edgida e hostil \u00e0 vida hoje em dia, os exploradores rob\u00f3ticos da NASA em Marte est\u00e3o \u00e0 procura de pistas sobre se poderia ter suportado vida num passado distante. Os investigadores utilizaram instrumentos a bordo do Curiosity para medir a composi\u00e7\u00e3o isot\u00f3pica de minerais ricos em carbono (carbonatos) encontrados na cratera Gale e descobriram novas perspetivas sobre a forma como o antigo clima do Planeta Vermelho se transformou.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os valores isot\u00f3picos destes carbonatos apontam para quantidades extremas de evapora\u00e7\u00e3o, sugerindo que estes carbonatos se formaram provavelmente num clima que s\u00f3 podia suportar \u00e1gua l\u00edquida transiente&#8221;, disse David Burtt do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, e autor principal de um artigo cient\u00edfico que descreve esta investiga\u00e7\u00e3o publicado no passado dia 7 de outubro na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences). &#8220;As nossas amostras n\u00e3o s\u00e3o consistentes com um ambiente antigo com vida (biosfera) na superf\u00edcie de Marte, embora isto n\u00e3o exclua a possibilidade de uma biosfera subterr\u00e2nea ou de uma biosfera \u00e0 superf\u00edcie que come\u00e7ou e terminou antes da forma\u00e7\u00e3o destes carbonatos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os is\u00f3topos s\u00e3o vers\u00f5es de um elemento com massas diferentes. \u00c0 medida que a \u00e1gua se evaporava, as vers\u00f5es leves de carbono e oxig\u00e9nio tinham maior probabilidade de escapar para a atmosfera, enquanto as vers\u00f5es pesadas eram deixadas para tr\u00e1s com maior frequ\u00eancia, acumulando-se em abund\u00e2ncias mais elevadas e, neste caso, acabando por ser incorporadas nas rochas carbonatadas. Os cientistas est\u00e3o interessados nos carbonatos devido \u00e0 sua capacidade comprovada de agirem como registos clim\u00e1ticos. Estes minerais podem reter assinaturas dos ambientes em que se formaram, incluindo a temperatura e a acidez da \u00e1gua, a composi\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e da atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo cient\u00edfico prop\u00f5e dois mecanismos de forma\u00e7\u00e3o para os carbonatos encontrados na cratera Gale. No primeiro cen\u00e1rio, os carbonatos s\u00e3o formados atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de ciclos h\u00famidos-secos na cratera Gale. No segundo, os carbonatos s\u00e3o formados em \u00e1gua muito salgada sob condi\u00e7\u00f5es frias e de forma\u00e7\u00e3o de gelo (criog\u00e9nicas) na cratera Gale.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Estes mecanismos de forma\u00e7\u00e3o representam dois regimes clim\u00e1ticos diferentes que podem apresentar diferentes cen\u00e1rios de habitabilidade&#8221;, disse Jennifer Stern do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, coautora do artigo cient\u00edfico. &#8220;O ciclo h\u00famido-seco indicaria uma altern\u00e2ncia entre ambientes mais e menos habit\u00e1veis, enquanto que as temperaturas criog\u00e9nicas nas latitudes m\u00e9dias de Marte indicariam um ambiente menos habit\u00e1vel, onde a maior parte da \u00e1gua est\u00e1 presa no gelo e n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para a qu\u00edmica ou para a biologia, e a que existe \u00e9 extremamente salgada e desagrad\u00e1vel para a vida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes cen\u00e1rios clim\u00e1ticos para um Marte antigo j\u00e1 tinham sido propostos anteriormente, com base na presen\u00e7a de certos minerais, em modelos \u00e0 escala global e na identifica\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00f5es rochosas. Este resultado \u00e9 o primeiro a acrescentar evid\u00eancias isot\u00f3picas de amostras de rocha para apoiar os cen\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Os valores dos is\u00f3topos pesados nos carbonatos marcianos s\u00e3o significativamente mais elevados do que os observados na Terra para os minerais de carbonato e s\u00e3o os valores de is\u00f3topos de carbono e oxig\u00e9nio mais pesados registados para quaisquer materiais em Marte. De facto, segundo a equipa, tanto o clima h\u00famido-seco como o clima frio-salgado s\u00e3o necess\u00e1rios para formar carbonatos t\u00e3o enriquecidos em carbono e oxig\u00e9nio pesados.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O facto de estes valores dos is\u00f3topos de carbono e oxig\u00e9nio serem mais elevados do que qualquer outro valor medido na Terra ou em Marte aponta para um processo (ou processos) levado ao extremo&#8221;, disse Burtt. &#8220;Embora a evapora\u00e7\u00e3o possa causar altera\u00e7\u00f5es significativas nos is\u00f3topos de oxig\u00e9nio na Terra, as altera\u00e7\u00f5es medidas neste estudo foram duas a tr\u00eas vezes maiores. Isto significa duas coisas: 1) houve um grau extremo de evapora\u00e7\u00e3o que levou estes valores isot\u00f3picos a serem t\u00e3o elevados, e 2) estes is\u00f3topos pesados foram preservados, pelo que quaisquer processos que criassem valores isot\u00f3picos mais leves devem ter sido significativamente menores em magnitude&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta descoberta foi feita utilizando os instrumentos SAM (Sample Analysis at Mars) e TLS (Tunable Laser Spectrometer) a bordo do rover Curiosity. O SAM aquece as amostras at\u00e9 cerca quase 900\u00b0C e depois o TLS \u00e9 utilizado para analisar os gases que s\u00e3o produzidos durante essa fase de aquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/solar-system\/planets\/mars\/nasa-new-insights-into-how-mars-became-uninhabitable\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.pnas.org\/doi\/10.1073\/pnas.2321342121\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Proceedings of the National Academy of Sciences)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/168848\/how-did-mars-become-uninhabitable\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/cosmosmagazine.com\/space\/exploration\/curiosity-mars-uninhabitable\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">COSMOS<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2024-10-curiosity-rover-insights-mars-uninhabitable.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/curiosity-rover-finds-clues-to-how-mars-became-a-lifeless-wasteland-2000509419\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gizmodo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Marte:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rover Curiosity:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.nasa.gov\/mission_pages\/msl\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/MarsCuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/marscuriosity\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Curiosity_(rover)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilustra\u00e7\u00e3o de um Marte antigo com \u00e1gua l\u00edquida (\u00e1reas azuis) \u00e0 superf\u00edcie. 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