{"id":7360,"date":"2024-10-11T06:22:28","date_gmt":"2024-10-11T05:22:28","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7360"},"modified":"2024-10-11T06:22:29","modified_gmt":"2024-10-11T05:22:29","slug":"duzias-de-estrelas-massivas-lancadas-do-jovem-enxame-estelar-r136","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/10\/11\/duzias-de-estrelas-massivas-lancadas-do-jovem-enxame-estelar-r136\/","title":{"rendered":"D\u00fazias de estrelas massivas lan\u00e7adas do jovem enxame estelar R136"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.astronomie.nl\/upload\/images\/2024\/10\/Wegren-sterren%20-%20clusters%20R136%2016x9%20medium%20size%20kopie.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/jDTwUbld_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7361\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/jDTwUbld_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/jDTwUbld_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/jDTwUbld_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/jDTwUbld_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o art\u00edstica do enxame estelar R136 com estrelas em fuga.\nCr\u00e9dito: Danielle Futselaar, Telesc\u00f3pio Espacial James Webb\/NIRCam &#8211; NASA, ESA, CSA e STScI<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Astr\u00f3nomos utilizaram dados do Telesc\u00f3pio Espacial Gaia da ESA para descobrir 55 estrelas velozes lan\u00e7adas do jovem enxame estelar R136 na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, uma gal\u00e1xia sat\u00e9lite da Via L\u00e1ctea. Este facto aumenta dez vezes o n\u00famero de &#8220;estrelas em fuga&#8221; conhecidas nesta regi\u00e3o. A equipa de astr\u00f3nomos da Universidade de Amesterd\u00e3o, da Universidade de Leiden e da Universidade de Radboud (Pa\u00edses Baixos), entre outras, publicou os resultados esta semana na revista Nature.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando os enxames estelares se formam, as estrelas rec\u00e9m-nascidas movem-se de forma cruzada e quase que ro\u00e7am entre si, o que pode resultar na eje\u00e7\u00e3o de estrelas para fora do jovem enxame. Os astr\u00f3nomos, liderados pelo estudante de doutoramento da Universidade de Amesterd\u00e3o, Mitchel Stoop, descobriram que o jovem enxame R136 ejetou praticamente um-ter\u00e7o das suas estrelas mais massivas nos \u00faltimos milh\u00f5es de anos, a velocidades superiores a 100.000 km\/h. Essas estrelas viajaram at\u00e9 1000 anos-luz do seu local de nascimento antes de explodirem como supernovas no final da sua vida, produzindo uma estrela de neutr\u00f5es ou um buraco negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas Stoop e os seus colegas fizeram outra descoberta surpreendente: n\u00e3o houve um \u00fanico per\u00edodo em que as estrelas foram dinamicamente ejetadas, mas sim dois. Stoop explica: &#8220;O primeiro epis\u00f3dio ocorreu h\u00e1 1,8 milh\u00f5es de anos, quando o enxame se formou. O segundo epis\u00f3dio ocorreu h\u00e1 apenas 200.000 anos e tinha caracter\u00edsticas muito diferentes. Por exemplo, as estrelas em fuga deste segundo epis\u00f3dio movem-se mais lentamente e n\u00e3o s\u00e3o disparadas em dire\u00e7\u00f5es aleat\u00f3rias como no primeiro epis\u00f3dio, mas numa dire\u00e7\u00e3o preferencial&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pensamos que o segundo epis\u00f3dio de expuls\u00e3o estelar se deveu \u00e0 intera\u00e7\u00e3o de R136 com outro enxame pr\u00f3ximo (que s\u00f3 foi descoberto em 2012). O segundo epis\u00f3dio pode prever que os dois enxames se v\u00e3o misturar e fundir num futuro pr\u00f3ximo&#8221;, diz o coautor Alex de Koter (Universidade de Amesterd\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estrelas massivas eventualmente explodem como supernovas. Durante a sua vida, s\u00e3o extremamente brilhantes &#8211; at\u00e9 mais de um milh\u00e3o de vezes mais brilhantes do que o Sol &#8211; e emitem principalmente luz ultravioleta que ioniza o g\u00e1s hidrog\u00e9nio circundante. Vivem apenas durante um curto per\u00edodo de tempo (milh\u00f5es de anos) e normalmente ainda explodem na regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar em que nasceram. Esta regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar \u00e9 constitu\u00edda por nuvens de g\u00e1s e poeira que amortecem o efeito que as estrelas massivas t\u00eam no seu meio envolvente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta \u00e9 a primeira vez que se encontra um n\u00famero t\u00e3o grande (55) de estrelas de alta velocidade origin\u00e1rias de um \u00fanico enxame. R136 \u00e9 um enxame muito especial, com centenas de milhares de estrelas, incluindo as estrelas mais massivas conhecidas (at\u00e9 300 vezes a massa do Sol). Faz parte &#8211; e \u00e9 a &#8220;prima-dona&#8221; &#8211; da maior regi\u00e3o de forma\u00e7\u00e3o estelar que conhecemos num raio de cinco milh\u00f5es de anos-luz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Agora que descobrimos que um-ter\u00e7o das estrelas massivas s\u00e3o ejetadas das suas regi\u00f5es natais no in\u00edcio das suas vidas &#8211; e que exercem a sua influ\u00eancia para al\u00e9m dessas regi\u00f5es &#8211; o impacto das estrelas massivas na estrutura e evolu\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias \u00e9 provavelmente muito maior do que se pensava anteriormente. \u00c9 at\u00e9 poss\u00edvel que as estrelas fugitivas formadas no in\u00edcio do Universo tenham dado um contributo importante para a chamada reioniza\u00e7\u00e3o do Universo causada pela luz ultravioleta&#8221;, diz o coautor Lex Kaper (Universidade de Amesterd\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos utilizaram dados do telesc\u00f3pio Gaia da ESA, que mede as posi\u00e7\u00f5es, dist\u00e2ncias e velocidades de mais de mil milh\u00f5es de estrelas. O Gaia est\u00e1 localizado muito para al\u00e9m da Lua, a uma dist\u00e2ncia de 1,5 milh\u00f5es de quil\u00f3metros da Terra. O principal objetivo da equipa era testar os limites das capacidades do Gaia. R136 est\u00e1 localizado na Grande Nuvem de Magalh\u00e3es, uma gal\u00e1xia irm\u00e3 da Via L\u00e1ctea, a uma dist\u00e2ncia de 160.000 anos-luz. \u00c9 uma dist\u00e2ncia muito grande para as medi\u00e7\u00f5es do Gaia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;R136 s\u00f3 &#8216;agora&#8217; acabou de se formar (isto \u00e9, h\u00e1 apenas 1,8 milh\u00f5es de anos) e, por isso, as estrelas em fuga n\u00e3o podem ainda estar t\u00e3o longe que se torne imposs\u00edvel identific\u00e1-las. Se conseguirmos encontrar muitas dessas estrelas, podemos fazer afirma\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas fi\u00e1veis. Isto funcionou para al\u00e9m das expetativas e estamos tremendamente satisfeitos com os resultados. Descobrir algo novo \u00e9 sempre uma emo\u00e7\u00e3o para um cientista\u201d, conclui De Koter.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.astronomie.nl\/nieuws\/en\/dozens-of-massive-stars-launched-from-young-star-cluster-r136-4309\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NOVA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-024-08013-8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Nature)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2410.06255\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>R136:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/R136\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estrelas em fuga:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Stellar_kinematics#Runaway_stars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Grande Nuvem de Magalh\u00e3es:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Large_Magellanic_Cloud\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Gaia:<\/strong><br><a href=\"http:\/\/sci.esa.int\/gaia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.esa.int\/Our_Activities\/Space_Science\/Gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA &#8211; 2<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gaia\/ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/gsaweb.ast.cam.ac.uk\/alerts\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa Alertas de Ci\u00eancia Fotom\u00e9trica do Gaia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/fpr\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FPR do Gaia (ESA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/focused-product-release\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FPR do Gaia (arquivo)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/fpr-papers\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FPR do Gaia (artigos)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/fpr-stories\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">FPR do Gaia (hist\u00f3rias)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/gaia\/data-release-3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cat\u00e1logo DR3 do Gaia<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gaia_(spacecraft)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o art\u00edstica do enxame estelar R136 com estrelas em fuga. 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