{"id":7309,"date":"2024-09-20T06:16:01","date_gmt":"2024-09-20T05:16:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7309"},"modified":"2024-09-20T06:16:19","modified_gmt":"2024-09-20T05:16:19","slug":"a-terra-podera-ter-tido-aneis-ha-466-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/09\/20\/a-terra-podera-ter-tido-aneis-ha-466-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"A Terra poder\u00e1 ter tido an\u00e9is h\u00e1 466 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/5DzmCpbG_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"690\" height=\"435\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/5DzmCpbG_o.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7310\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/5DzmCpbG_o.jpg 690w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/5DzmCpbG_o-300x189.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista da Terra com um sistema de an\u00e9is h\u00e1 466 milh\u00f5es de anos.\nCr\u00e9dito: Oliver Hull<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa descoberta que desafia a nossa compreens\u00e3o da antiga hist\u00f3ria da Terra, os investigadores encontraram evid\u00eancias que sugerem que a Terra pode ter tido um sistema de an\u00e9is, que se formou h\u00e1 cerca de 466 milh\u00f5es de anos, no in\u00edcio de um invulgarmente intenso per\u00edodo de bombardeamento de meteoritos, conhecido como o pico de impacto do Ordoviciano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta hip\u00f3tese surpreendente, publicada na revista Earth and Planetary Science Letters, resulta de reconstru\u00e7\u00f5es da tect\u00f3nica de placas para o per\u00edodo Ordoviciano, que registam as posi\u00e7\u00f5es de 21 crateras de impacto de asteroides. Todas estas crateras est\u00e3o localizadas at\u00e9 30 graus do equador, apesar de mais de 70% da crosta continental da Terra se encontrar fora desta regi\u00e3o, uma anomalia que as teorias convencionais n\u00e3o conseguem explicar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipa de investiga\u00e7\u00e3o pensa que este padr\u00e3o de impacto localizado foi produzido depois de um grande asteroide ter tido um encontro pr\u00f3ximo com a Terra. Quando o asteroide passou dentro do limite de Roche da Terra, partiu-se devido \u00e0s for\u00e7as de mar\u00e9, formando um anel de detritos em torno do planeta &#8211; semelhante aos an\u00e9is que se veem atualmente \u00e0 volta de Saturno e de outros gigantes gasosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ao longo de milh\u00f5es de anos, o material deste anel caiu gradualmente na Terra, criando o pico de impactos de meteoritos observado no registo geol\u00f3gico&#8221;, disse o autor principal do estudo, o professor Andy Tomkins da Escola da Terra, Atmosfera e Ambiente da Universidade Monash, na Austr\u00e1lia. &#8220;Tamb\u00e9m vemos que as camadas de rochas sedimentares deste per\u00edodo cont\u00eam quantidades extraordin\u00e1rias de detritos de meteoritos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que torna esta descoberta ainda mais intrigante s\u00e3o as potenciais implica\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas de um tal sistema de an\u00e9is&#8221;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os investigadores especulam que o anel poder\u00e1 ter projetado uma sombra sobre a Terra, bloqueando a luz solar e contribuindo para um evento de arrefecimento global significativo, conhecido como o Per\u00edodo Glaciar Hirnantiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este per\u00edodo, que ocorreu perto do final do Ordoviciano, \u00e9 reconhecido como um dos mais frios dos \u00faltimos 500 milh\u00f5es de anos da hist\u00f3ria da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A ideia de que um sistema de an\u00e9is poderia ter influenciado as temperaturas globais acrescenta uma nova camada de complexidade \u00e0 nossa compreens\u00e3o de como os eventos extraterrestres podem ter moldado o clima da Terra&#8221;, afirmou o professor Tomkins.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Normalmente, os asteroides atingem a Terra em locais aleat\u00f3rios, pelo que vemos crateras de impacto distribu\u00eddas uniformemente na Lua e em Marte, por exemplo. Para investigar se a distribui\u00e7\u00e3o das crateras de impacto do Ordoviciano n\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3ria e est\u00e1 mais pr\u00f3xima do equador, os investigadores calcularam a \u00e1rea da superf\u00edcie continental capaz de preservar crateras dessa \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Concentraram-se em crat\u00f5es est\u00e1veis, n\u00e3o perturbados, com rochas mais antigas do que o per\u00edodo Ordoviciano m\u00e9dio, excluindo as \u00e1reas enterradas sob sedimentos ou gelo, as regi\u00f5es erodidas e as afetadas pela atividade tect\u00f3nica. Utilizando uma abordagem GIS (Geographic Information System), identificaram regi\u00f5es geologicamente adequadas em diferentes continentes. Regi\u00f5es como a Austr\u00e1lia Ocidental, \u00c1frica, o Crat\u00e3o Norte-Americano e pequenas partes da Europa foram consideradas adequadas para a preserva\u00e7\u00e3o de tais crateras. Apenas 30% da \u00e1rea terrestre adequada foi determinada como estando perto do equador, mas todas as crateras de impacto deste per\u00edodo foram encontradas nesta regi\u00e3o. A probabilidade de isto acontecer \u00e9 como atirar uma moeda de tr\u00eas lados (se tal coisa existisse) e obter coroa 21 vezes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As implica\u00e7\u00f5es desta descoberta v\u00e3o para al\u00e9m da geologia, levando os cientistas a reconsiderar o impacto mais alargado dos eventos celestes na hist\u00f3ria evolutiva da Terra. Tamb\u00e9m levanta novas quest\u00f5es sobre a possibilidade de existirem outros antigos sistemas de an\u00e9is que possam ter influenciado o desenvolvimento da vida na Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Poder\u00e3o an\u00e9is semelhantes ter existido noutros pontos da hist\u00f3ria do nosso planeta, afetando tudo, desde o clima \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o da vida? Esta investiga\u00e7\u00e3o abre uma nova fronteira no estudo do passado da Terra, fornecendo novas informa\u00e7\u00f5es sobre as intera\u00e7\u00f5es din\u00e2micas entre o nosso planeta e o cosmos mais vasto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.monash.edu\/science\/news-events\/news\/current\/earth-may-have-had-a-ring-system-466-million-years-ago\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade Monash (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0012821X24004230?via=ihub\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Earth and Planetary Science Letters)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Not\u00edcias relacionadas:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.space.com\/ancient-earth-ring-system-asteroid-breakup\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">SPACE.com<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.universetoday.com\/168579\/earth-might-have-had-rings-half-a-billion-years-ago\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Universe Today<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/earth-may-have-once-had-a-ring-that-slowly-fell-from-the-sky\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ScienceAlert<\/a><br><a href=\"https:\/\/phys.org\/news\/2024-09-earth-million-years.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">PHYSORG<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.newsweek.com\/earth-rings-saturn-asteroid-meteorites-ordovician-period-impacts-1954990\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Newsweek<\/a><br><a href=\"https:\/\/gizmodo.com\/earth-had-rings-like-saturn-millions-of-years-ago-study-suggests-2000499772\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gizmodo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Planeta Terra:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/earth\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Earth\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Geological_history_of_Earth\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hist\u00f3ria geol\u00f3gica da Terra (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ordovician\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Per\u00edodo Ordoviciano (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hirnantian\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Per\u00edodo Glaciar Hirnantiano (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Craton\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Crat\u00e3o (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sistema de an\u00e9is:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ring_system\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Meteoritos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Meteorite\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Limite de Roche:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Roche_limit\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista da Terra com um sistema de an\u00e9is h\u00e1 466 milh\u00f5es de anos. 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