{"id":7282,"date":"2024-09-10T06:17:41","date_gmt":"2024-09-10T05:17:41","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7282"},"modified":"2024-09-10T06:17:41","modified_gmt":"2024-09-10T05:17:41","slug":"os-detritos-do-impacto-da-dart-podem-chegar-a-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/09\/10\/os-detritos-do-impacto-da-dart-podem-chegar-a-terra\/","title":{"rendered":"Os detritos do impacto da DART podem chegar \u00e0 Terra"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/i.imgur.com\/aUjGbyh.gif\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i.imgur.com\/aUjGbyh.gif\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Impress\u00e3o de artista da pluma criada pelo impacto da DART no asteroide Dimorphos.<br>Cr\u00e9dito: ESA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2022, a nave espacial DART da NASA fez hist\u00f3ria e mudou o Sistema Solar para sempre, ao colidir com o asteroide Dimorphos e ao deslocar de forma significativa a sua \u00f3rbita em torno do maior asteroide Didymos. No processo, uma nuvem de detritos foi projetada para o espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mais recente modela\u00e7\u00e3o, dispon\u00edvel no site de pr\u00e9-impress\u00e3o arXiv e aceite para publica\u00e7\u00e3o no volume de setembro da revista The Planetary Science Journal, mostra como pequenos meteoroides provenientes desses detritos podem, eventualmente, atingir Marte e a Terra &#8211; potencialmente de uma forma observ\u00e1vel (embora bastante segura).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 26 de setembro de 2022, a nave espacial DART (Double Asteroid Redirect Test) da NASA, com cerca de meia tonelada, embateu no asteroide Dimorphos, com 151 m de di\u00e2metro, a uma velocidade aproximada de 6,1 km\/s, encurtando a sua \u00f3rbita em torno de Didymos em mais de meia hora, durante a primeira parte de uma colabora\u00e7\u00e3o internacional de defesa planet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nave espacial Hera da ESA ser\u00e1 lan\u00e7ada no pr\u00f3ximo m\u00eas de outubro para alcan\u00e7ar Dimorphos e efetuar uma &#8220;investiga\u00e7\u00e3o da cena do acidente&#8221;, recolhendo dados sobre a massa, a estrutura e a composi\u00e7\u00e3o do asteroide, para tornar este m\u00e9todo de impacto cin\u00e9tico de defesa planet\u00e1ria numa t\u00e9cnica bem compreendida e repet\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O impacto da DART fornece uma oportunidade rara para investigar a entrega de detritos a outros corpos celestes, gra\u00e7as ao facto de sabermos o local do impacto e de este impacto ter sido observado pelo italiano LICIACube, libertado da DART, bem como por observadores terrestres&#8221;, explica o coautor e cientista da miss\u00e3o Hera da ESA, Michael Kueppers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00f3s simul\u00e1mos a eje\u00e7\u00e3o de modo a corresponder \u00e0s observa\u00e7\u00f5es do LICIACube, utilizando tr\u00eas milh\u00f5es de part\u00edculas agrupadas em tr\u00eas popula\u00e7\u00f5es de tamanhos &#8211; 10 cm, 0,5 cm e 30 \u03bcm, ou mil\u00e9simos de mil\u00edmetro &#8211; que se deslocam a velocidades de 1 a 1000 m\/s ou a uma velocidade superior de at\u00e9 2 km\/s.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor principal do estudo, Eloy Pe\u00f1a-Asensio, do Departamento de Ci\u00eancia e Tecnologia Aeroespacial do Polit\u00e9cnico de Mil\u00e3o, explica: &#8220;Identific\u00e1mos \u00f3rbitas de detritos compat\u00edveis com o envio de part\u00edculas produtoras de meteoros tanto para Marte como para a Terra. Os nossos resultados indicam a possibilidade de material ejetado atingir o campo gravitacional de Marte daqui a 13 anos para velocidades de lan\u00e7amento da ordem dos 450 m\/s, enquanto que detritos mais r\u00e1pidos lan\u00e7ados a 770 m\/s podem atingir a sua vizinhan\u00e7a em apenas sete anos. As part\u00edculas que se deslocam a mais de 1,5 km\/s podem chegar ao sistema Terra-Lua numa escala de tempo semelhante&#8221;.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/var\/esa\/storage\/images\/esa_multimedia\/images\/2019\/08\/hera_scans_dart_s_impact_crater\/19660351-7-eng-GB\/Hera_scans_DART_s_impact_crater.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/kYS2uc40_o-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7283\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/kYS2uc40_o-1024x576.png 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/kYS2uc40_o-300x169.png 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/kYS2uc40_o-768x432.png 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/kYS2uc40_o-1536x864.png 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/kYS2uc40_o.png 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A miss\u00e3o Hera estuda a cratera de impacto da DART.\nCr\u00e9dito: ESA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eloy acrescenta: &#8220;Nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, as campanhas de observa\u00e7\u00e3o de meteoros ser\u00e3o cruciais para determinar se fragmentos de Dimorphos, resultantes do impacto da DART, v\u00e3o atingir o nosso planeta.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se isto acontecer, assistiremos \u00e0 primeira chuva de meteoros de origem humana.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Josep M. Trigo-Rodr\u00edguez, do CSIC\/IEEC (Consejo Superior de Investigaciones Cient\u00edficas\/Instituto de Estudios Espaciales de Catalu\u00f1a), apoiou o estudo da evolu\u00e7\u00e3o din\u00e2mica dos detritos gerados pelo impacto da DART no \u00e2mbito da sua contribui\u00e7\u00e3o para a miss\u00e3o, acrescentando: &#8220;Fic\u00e1mos espantados ao descobrir que \u00e9 poss\u00edvel que algumas part\u00edculas de tamanho centim\u00e9trico atinjam o sistema Terra-Lua e produzam uma nova chuva de meteoros&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O facto de os meteoroides se dirigirem para a Terra ou para Marte depende da sua posi\u00e7\u00e3o na pluma de impacto em forma de cone da DART &#8211; o material do lado norte tem mais probabilidades de se dirigir para Marte, enquanto o material do sudoeste tem mais probabilidades de chegar \u00e0 Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O maior destes meteoroides teria apenas o tamanho de uma bola de softbol. \u00c9 certo que se queimariam na atmosfera da Terra, embora possam conseguir atravessar a mais fina atmosfera marciana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em todo o caso, parece que apenas as part\u00edculas mais pequenas poder\u00e3o chegar \u00e0 Terra, pois s\u00e3o as que foram lan\u00e7adas a maior velocidade. N\u00e3o podemos ainda determinar se estas part\u00edculas ser\u00e3o suficientemente grandes para produzir meteoros observ\u00e1veis, pelo que ser\u00e1 essencial uma monitoriza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do c\u00e9u noturno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Michael acrescenta: &#8220;O nosso conhecimento exato do local de impacto e das propriedades do impactor em termos de tamanho, massa e velocidade, bem como as observa\u00e7\u00f5es da eje\u00e7\u00e3o, foram o que nos permitiu estimar o destino a longo prazo do material que sai do sistema de Didymos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Combinado com a pr\u00f3xima investiga\u00e7\u00e3o do asteroide alvo pela sonda Hera, acabaremos por ficar na situa\u00e7\u00e3o \u00fanica de ter informa\u00e7\u00e3o completa sobre o impactor, o asteroide alvo e o material ejetado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 mais de 1000 fluxos de meteoroides conhecidos a atravessar a \u00f3rbita da Terra, ligados a famosas chuvas de meteoros anuais, como as recentes Perseidas e as T\u00e1uridas no outono.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os astr\u00f3nomos tornaram-se h\u00e1beis em rastrear a origem dos meteoros at\u00e9 determinados fluxos de meteoroides ou corpos de cometas ou asteroides. Este estudo envolve o mesmo tipo de c\u00e1lculo, mas em sentido inverso, para prever as caracter\u00edsticas e os tempos prov\u00e1veis dos meteoros ligados ao impacto da DART.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Michael explica: &#8220;O que \u00e9 excitante \u00e9 a probabilidade de identificar e observar meteoros ligados ao impacto da DART, quer na Terra, quer talvez um dia em Marte, com o seu brilho e cor a revelarem detalhes da sua composi\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O nosso estudo inclui as caracter\u00edsticas orbitais distintas que distinguem estes meteoros de outros compar\u00e1veis. Os potenciais meteoros criados pela DART seriam de movimento lento, vis\u00edveis principalmente a partir do hemisf\u00e9rio sul e com maior probabilidade de ocorrer em maio.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Hera foi recentemente transportada da Europa para Cabo Canaveral, nos EUA, para ser lan\u00e7ada a bordo de um Falcon 9 da SpaceX em outubro. Dever\u00e1 chegar ao asteroide Dimorphos e iniciar a sua investiga\u00e7\u00e3o no final de 2026.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"DART asteroid impact impresses in ESA\u2019s view from the ground\" width=\"618\" height=\"348\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AoLJtUBXo8g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Space_Safety\/Hera\/Debris_from_DART_impact_could_reach_Earth\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ ESA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2408.02836\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Didymos e Dimorphos:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/65803_Didymos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Didymos (Wikipedia)<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dimorphos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dimorphos (Wikipedia)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>DART (Double Asteroid Redirection Test):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mission\/dart\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/dart.jhuapl.edu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">JHUAPL<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Double_Asteroid_Redirection_Test\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Miss\u00e3o Hera:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Space_Safety\/Hera\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.heramission.space\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina oficial<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Hera_(space_mission)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Impress\u00e3o de artista da pluma criada pelo impacto da DART no asteroide Dimorphos.Cr\u00e9dito: ESA Em 2022, a nave espacial DART da NASA fez hist\u00f3ria e mudou o Sistema Solar para sempre, ao colidir com o asteroide Dimorphos e ao deslocar de forma significativa a sua \u00f3rbita em torno do maior asteroide Didymos. 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