{"id":7270,"date":"2024-09-06T06:13:14","date_gmt":"2024-09-06T05:13:14","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7270"},"modified":"2024-09-06T06:13:14","modified_gmt":"2024-09-06T05:13:14","slug":"o-impacto-de-um-asteroide-deslocou-o-eixo-da-maior-lua-do-sistema-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/09\/06\/o-impacto-de-um-asteroide-deslocou-o-eixo-da-maior-lua-do-sistema-solar\/","title":{"rendered":"O impacto de um asteroide deslocou o eixo da maior lua do Sistema Solar"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/x0JeFzDA_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/x0JeFzDA_o-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7271\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/x0JeFzDA_o-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/x0JeFzDA_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/x0JeFzDA_o-768x512.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/x0JeFzDA_o-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/x0JeFzDA_o-310x205.jpg 310w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/x0JeFzDA_o.jpg 1844w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Hirata Naoyuki, Universidade de Kobe, foi o primeiro a aperceber-se de que a localiza\u00e7\u00e3o do impacto de um asteroide na lua de J\u00fapiter, Ganimedes, se situa quase exatamente no meridiano mais afastado de J\u00fapiter. Este facto implicava que Ganimedes tinha sofrido uma reorienta\u00e7\u00e3o do seu eixo de rota\u00e7\u00e3o e permitiu a Hirata calcular o tipo de impacto que poderia ter provocado esta situa\u00e7\u00e3o.\nCr\u00e9dito: Hirata Naoyuki<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>H\u00e1 cerca de 4 mil milh\u00f5es de anos, um asteroide atingiu a lua de J\u00fapiter, Ganimedes. Agora, um investigador da Universidade de Kobe, no Jap\u00e3o, apercebeu-se de que o eixo da maior lua do Sistema Solar se deslocou em resultado do impacto, o que confirma que o asteroide era cerca de 20 vezes maior do que aquele que p\u00f4s fim \u00e0 era dos dinossauros na Terra, e causou um dos maiores impactos com vest\u00edgios claros no Sistema Solar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ganimedes \u00e9 a maior lua do Sistema Solar, maior at\u00e9 do que o planeta Merc\u00fario, e \u00e9 tamb\u00e9m interessante pelos oceanos de \u00e1gua l\u00edquida que se encontram sob a sua superf\u00edcie gelada. Tal como a Lua da Terra, sofre acoplamento de mar\u00e9, o que significa que mostra sempre o mesmo lado para o planeta que orbita e, portanto, tamb\u00e9m tem um lado oculto [para J\u00fapiter]. Em grande parte da sua superf\u00edcie, est\u00e1 coberta por sulcos que formam c\u00edrculos conc\u00eantricos \u00e0 volta de um ponto espec\u00edfico, o que levou os investigadores na d\u00e9cada de 1980 a concluir que eram o resultado de um grande impacto. &#8220;As luas de J\u00fapiter Io, Europa, Ganimedes e Calisto t\u00eam todas caracter\u00edsticas individuais interessantes, mas o que me chamou a aten\u00e7\u00e3o foram estes sulcos em Ganimedes&#8221;, diz o planet\u00f3logo da Universidade de Kobe, Hirata Naoyuki. E continua: &#8220;Sabemos que esta caracter\u00edstica foi criada por um impacto de um asteroide h\u00e1 cerca de 4 mil milh\u00f5es de anos, mas n\u00e3o t\u00ednhamos a certeza da dimens\u00e3o desse impacto e do efeito que teve na lua&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados sobre o objeto remoto s\u00e3o escassos, o que torna a investiga\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil, pelo que Hirata foi o primeiro a perceber que a suposta localiza\u00e7\u00e3o do impacto se situa quase precisamente no meridiano mais afastado de J\u00fapiter. Com base em semelhan\u00e7as com um evento de impacto em Plut\u00e3o que causou a desloca\u00e7\u00e3o do eixo de rota\u00e7\u00e3o do planeta an\u00e3o e do qual tom\u00e1mos conhecimento atrav\u00e9s da sonda espacial New Horizons, isto implicava que Ganimedes tamb\u00e9m tinha sofrido uma reorienta\u00e7\u00e3o desse tipo. Hirata \u00e9 especialista na simula\u00e7\u00e3o de impactos em luas e asteroides, pelo que esta descoberta lhe permitiu calcular que tipo de impacto poderia ter provocado esta reorienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b0\/3f\/0ZaeCvsd_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/b0\/3f\/0ZaeCvsd_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Distribui\u00e7\u00e3o dos sulcos e localiza\u00e7\u00e3o do centro do sistema de sulcos no hemisf\u00e9rio que est\u00e1 sempre voltado para longe de J\u00fapiter (em cima) e no mapa de proje\u00e7\u00e3o cil\u00edndrica de Ganimedes (em baixo). As regi\u00f5es a cinzento representam terrenos geologicamente jovens sem sulcos. Os sulcos (linhas verdes) existem apenas em terrenos geologicamente antigos (regi\u00f5es escuras).<br>Cr\u00e9dito: Hirata Naoyuki<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Na revista Scientific Reports, o investigador da Universidade de Kobe publicou agora que o asteroide tinha provavelmente um di\u00e2metro de cerca de 300 quil\u00f3metros, cerca de 20 vezes maior do que o que atingiu a Terra h\u00e1 65 milh\u00f5es de anos e p\u00f4s fim \u00e0 era dos dinossauros, e criou uma cratera transiente com 1400 a 1600 quil\u00f3metros de di\u00e2metro (as crateras transientes, amplamente utilizadas em simula\u00e7\u00f5es laboratoriais e computacionais, s\u00e3o as cavidades produzidas diretamente ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da cratera e antes do material assentar na cratera e \u00e0 sua volta). De acordo com as suas simula\u00e7\u00f5es, apenas um impacto desta dimens\u00e3o tornaria prov\u00e1vel que a mudan\u00e7a na distribui\u00e7\u00e3o da massa pudesse fazer com que o eixo de rota\u00e7\u00e3o da lua se deslocasse para a sua posi\u00e7\u00e3o atual. Este resultado \u00e9 v\u00e1lido independentemente do local da superf\u00edcie onde ocorreu o impacto.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu quero compreender a origem e a evolu\u00e7\u00e3o de Ganimedes e de outras luas de J\u00fapiter. A colis\u00e3o gigante deve ter tido um impacto significativo na evolu\u00e7\u00e3o inicial de Ganimedes, mas os efeitos t\u00e9rmicos e estruturais do impacto no interior de Ganimedes ainda n\u00e3o foram investigados. Penso que a seguir poder\u00e1 ser efetuada mais investiga\u00e7\u00e3o sobre a evolu\u00e7\u00e3o interna das luas geladas&#8221;, explica Hirata.<\/p>\n\n\n\n<p>Interessante pelos seus oceanos subterr\u00e2neos, Ganimedes \u00e9 o destino final da sonda espacial JUICE da ESA. Se tudo correr bem, a nave espacial entrar\u00e1 em \u00f3rbita \u00e0 volta da lua em 2034 e far\u00e1 observa\u00e7\u00f5es durante seis meses, enviando uma grande quantidade de dados que ajudar\u00e3o a responder \u00e0s perguntas de Hirata.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.kobe-u.ac.jp\/en\/news\/article\/20240903-65914\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade de Kobe (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-024-69914-2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Scientific Reports)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2403.03371\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Ganimedes:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/moons\/jupiter-moons\/ganymede\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ganymede_(moon)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>J\u00fapiter:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/solarsystem.nasa.gov\/planets\/jupiter\/overview\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/jupiter.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nine Planets<\/a><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Jupiter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/www.esa.int\/Science_Exploration\/Space_Science\/Juice\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Jupiter_Icy_Moon_Explorer\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hirata Naoyuki, Universidade de Kobe, foi o primeiro a aperceber-se de que a localiza\u00e7\u00e3o do impacto de um asteroide na lua de J\u00fapiter, Ganimedes, se situa quase exatamente no meridiano mais afastado de J\u00fapiter. 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