{"id":7267,"date":"2024-09-06T06:10:57","date_gmt":"2024-09-06T05:10:57","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7267"},"modified":"2024-09-06T06:10:57","modified_gmt":"2024-09-06T05:10:57","slug":"as-calotas-polares-marcianas-nao-sao-iguais-eis-porque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/09\/06\/as-calotas-polares-marcianas-nao-sao-iguais-eis-porque\/","title":{"rendered":"As calotas polares marcianas n\u00e3o s\u00e3o iguais &#8211; eis porqu\u00ea"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/gGtqDRFk_o.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/gGtqDRFk_o-1024x576.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7268\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/gGtqDRFk_o-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/gGtqDRFk_o-300x169.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/gGtqDRFk_o-768x432.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/gGtqDRFk_o.jpg 1067w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra canais erodidos, perto dos polos marcianos, cheios de di\u00f3xido de carbono gelado e brilhante, em contraste com o vermelho suave do solo subjacente. No ver\u00e3o, o gelo desaparece para a atmosfera, deixando apenas os fantasmag\u00f3ricas canais araneiforme esculpidos na superf\u00edcie.\nCr\u00e9dito: NASA\/JPL\/Universidade do Arizona<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 s\u00e9culos que se observam os brilhantes polos marcianos, mas s\u00f3 nos \u00faltimos 50 anos \u00e9 que os cientistas descobriram que s\u00e3o constitu\u00eddos maioritariamente por di\u00f3xido de carbono que entra e sai da atmosfera ao ritmo das esta\u00e7\u00f5es. Mas a forma exata como isto acontece \u00e9 uma intera\u00e7\u00e3o complexa de processos planet\u00e1rios que os cientistas est\u00e3o continuamente a tentar determinar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cientista s\u00e9nior Candice Hansen, do PSI (Planetary Science Institute), no estado norte-americano do Arizona, lidera um novo artigo cient\u00edfico publicado na revista Icarus que junta d\u00e9cadas de investiga\u00e7\u00e3o passada com observa\u00e7\u00f5es mais recentes recolhidas pelo instrumento HiRISE (High-Resolution Imaging Experiment) da MRO (Mars Reconnaissance Orbiter), para comparar a forma como os polos marcianos diferem na sua absor\u00e7\u00e3o e liberta\u00e7\u00e3o sazonal de di\u00f3xido de carbono.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Todos os investigadores sabem que h\u00e1 uma diferen\u00e7a na forma como o di\u00f3xido de carbono interage com os polos, mas quantos compreendem porqu\u00ea?&#8221; disse Hansen. &#8220;Era isso que eu estava a tentar descrever. E, felizmente, tenho uma s\u00e9rie de coautores muito talentosos que estavam dispostos a ajudar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo era lan\u00e7ar luz sobre os processos que moldam a superf\u00edcie do planeta, bem como o clima geral de Marte &#8211; uma vez que cerca de um-quarto da sua atmosfera encontra-se num ciclo ao longo do ano marciano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal como a Terra, Marte gira com uma inclina\u00e7\u00e3o de cerca de 25 graus, pelo que tem esta\u00e7\u00f5es, mas a trajet\u00f3ria muito mais longa de Marte \u00e0 volta do Sol \u00e9 tamb\u00e9m mais oblonga &#8211; ou aquilo a que os cientistas chamam exc\u00eantrica &#8211; do que a da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a trajet\u00f3ria de Marte \u00e0 volta do Sol fosse um c\u00edrculo perfeito, todas as suas esta\u00e7\u00f5es seriam igualmente longas. Mas a sua excentricidade coloca Marte mais afastado do Sol durante o outono e o inverno meridionais &#8211; que s\u00e3o simultaneamente a primavera e o ver\u00e3o setentrionais &#8211; o que significa que estas esta\u00e7\u00f5es para cada hemisf\u00e9rio s\u00e3o as mais longas do planeta. O hemisf\u00e9rio sul de Marte \u00e9 tamb\u00e9m significativamente mais elevado do que o hemisf\u00e9rio norte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Assim, em \u00faltima an\u00e1lise, o outono e o inverno meridionais s\u00e3o os mais gelados e com menor press\u00e3o atmosf\u00e9rica&#8221;, uma vez que grande parte da atmosfera est\u00e1 congelada sob a forma de gelo seco, disse Hansen. &#8220;Estes s\u00e3o os principais factores das diferen\u00e7as no comportamento sazonal do di\u00f3xido de carbono entre os hemisf\u00e9rios&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O inverno setentrional de Marte, em contraste, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 mais curto do que o inverno meridional, como tamb\u00e9m coincide com a \u00e9poca das tempestades de poeira. Como resultado, a calota polar norte cont\u00e9m uma maior concentra\u00e7\u00e3o de poeira do que a calota polar sul, tornando o gelo menos robusto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;N\u00e3o s\u00e3o esta\u00e7\u00f5es sim\u00e9tricas&#8221;, disse Hansen.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o artigo cient\u00edfico, as diferen\u00e7as entre os terrenos dos polos norte e sul tamb\u00e9m t\u00eam impacto na forma como o gelo e o di\u00f3xido de carbono moldam a paisagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por exemplo, no hemisf\u00e9rio sul, &#8220;leques&#8221; de poeira escura est\u00e3o distribu\u00eddos por toda a paisagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;No outono, no hemisf\u00e9rio sul, forma-se uma camada de di\u00f3xido de carbono gelado que, ao longo do inverno, se torna mais espessa e transl\u00facida&#8221;, disse Hansen. &#8220;Depois, na primavera, o Sol nasce e a luz penetra nesta camada de gelo at\u00e9 ao fundo, aquecendo o solo por baixo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O solo quente transforma ent\u00e3o o di\u00f3xido de carbono gelado em g\u00e1s, um processo chamado sublima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Agora, o g\u00e1s est\u00e1 preso sob press\u00e3o&#8221;, disse Hansen. &#8220;Vai procurar qualquer ponto fraco no gelo e romper como uma rolha de champanhe&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim que encontra um ponto fraco, o gelo rompe-se e o g\u00e1s vaza pela rutura, esculpindo a superf\u00edcie ao longo do caminho, criando uma rede de canais que se estendem pela paisagem. Estes canais s\u00e3o chamados araneiformes devido ao seu aspeto de aranha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o g\u00e1s rompe o gelo, sopra poeira escura para a atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Acontece que a meteorologia tamb\u00e9m \u00e9 muito importante nesta imagem, porque a partir da\u00ed, a poeira \u00e9 soprada por qualquer vento que esteja presente e aterra num dep\u00f3sito em forma de leque&#8221;, disse Hansen.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/1e\/ba\/73qnwQ6d_o.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images2.imgbox.com\/1e\/ba\/73qnwQ6d_o.jpg\" alt=\"\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Araneiformes na regi\u00e3o polar sul marciana, onde o di\u00f3xido de carbono escapa por baixo da calota sazonal.<br>Cr\u00e9dito: Hansen et. al<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O geof\u00edsico Hugh Kieffer descreveu esse processo em 2006. Alguns anos mais tarde, Hansen seguiu o seu pr\u00f3prio modelo para a calota polar norte, que tamb\u00e9m apresenta leques na primavera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Descobriu que os mesmos fen\u00f3menos ocorrem no norte, mas em vez de um terreno relativamente plano, estes processos ocorrem em dunas de areia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando o Sol nasce e come\u00e7a a sublimar a parte inferior da camada de gelo, existem tr\u00eas pontos fracos &#8211; um na crista da duna, outro na parte inferior da duna, onde esta se encontra com a superf\u00edcie, e depois o pr\u00f3prio gelo pode rachar ao longo da encosta&#8221;, disse Hansen. &#8220;N\u00e3o foi detetado nenhum terreno araneiforme a norte porque, apesar de se desenvolverem sulcos pouco profundos, o vento suaviza a areia das dunas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como membro da equipa da HiRISE, Hansen v\u00ea mudan\u00e7as na superf\u00edcie marciana ao longo de anos, meses e at\u00e9 dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A maioria dos meus colegas estuda as mudan\u00e7as que aconteceram em Marte h\u00e1 3,5 mil milh\u00f5es de anos, mas eu estou a falar de coisas que aconteceram no m\u00eas passado&#8221;, disse Hansen. &#8220;Marte est\u00e1 ativo hoje&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.psi.edu\/blog\/the-martian-polar-caps-are-not-created-equally-heres-why\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ PSI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0019103523003809?via=ihub\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (Icarus)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Marte:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mars_(planet)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/nineplanets.org\/mars\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The Nine Planets<\/a><strong><br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Atmosphere_of_Mars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Atmosfera de Marte (Wikipedia)<\/a><strong><br><\/strong><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Geysers_on_Mars\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Terreno araneiforme (Wikipedia)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta imagem mostra canais erodidos, perto dos polos marcianos, cheios de di\u00f3xido de carbono gelado e brilhante, em contraste com o vermelho suave do solo subjacente. 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