{"id":7258,"date":"2024-08-30T06:17:19","date_gmt":"2024-08-30T05:17:19","guid":{"rendered":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/?p=7258"},"modified":"2024-08-30T06:17:19","modified_gmt":"2024-08-30T05:17:19","slug":"telescopio-webb-descobre-que-as-primeiras-galaxias-nao-eram-afinal-demasiado-massivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/2024\/08\/30\/telescopio-webb-descobre-que-as-primeiras-galaxias-nao-eram-afinal-demasiado-massivas\/","title":{"rendered":"Telesc\u00f3pio Webb descobre que as primeiras gal\u00e1xias n\u00e3o eram, afinal, demasiado massivas"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/stsci-opo.org\/STScI-01J5E88G47278DA99RNZCED706.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"496\" src=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/R9VxMgBl_o-1024x496.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7259\" srcset=\"https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/R9VxMgBl_o-1024x496.jpg 1024w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/R9VxMgBl_o-300x145.jpg 300w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/R9VxMgBl_o-768x372.jpg 768w, https:\/\/ccvalg.pt\/astronomia\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/R9VxMgBl_o.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Esta imagem mostra uma pequena por\u00e7\u00e3o do campo observado pela c\u00e2mara NIRCam (Near-Infrared Camera) do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA para o levantamento CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science). Est\u00e1 repleto de gal\u00e1xias. Algumas gal\u00e1xias parecem ter-se tornado t\u00e3o massivas, t\u00e3o rapidamente, que as simula\u00e7\u00f5es n\u00e3o as conseguiam explicar. No entanto, um novo estudo conclui que algumas dessas primeiras gal\u00e1xias s\u00e3o, de facto, muito menos massivas do que parecem. Os buracos negros nalgumas dessas gal\u00e1xias fazem-nas parecer muito mais brilhantes e maiores do que realmente s\u00e3o.\nCr\u00e9dito: NASA, ESA, CSA, S. Finkelstein (Universidade do Texas)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Quando os astr\u00f3nomos obtiveram os seus primeiros vislumbres de gal\u00e1xias no in\u00edcio do Universo gra\u00e7as ao Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA, esperavam encontrar gal\u00e1xias pequenas, mas em vez disso encontraram o que parecia ser um bando de &#8220;culturistas&#8221; ol\u00edmpicos. Algumas gal\u00e1xias pareciam ter crescido t\u00e3o massivamente, t\u00e3o rapidamente, que as simula\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguiam explic\u00e1-las. Alguns investigadores sugeriram que isto significava que algo podia estar errado com a teoria que explica de que \u00e9 feito o Universo e de como evoluiu desde o Big Bang, conhecida como o modelo padr\u00e3o da cosmologia.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com um novo estudo publicado na revista The Astronomical Journal, liderado pela estudante Katherine Chworowsky, da Universidade do Texas em Austin, algumas dessas gal\u00e1xias primitivas s\u00e3o, de facto, muito menos massivas do que pareciam. Os buracos negros existentes nalgumas dessas gal\u00e1xias fazem-nas parecer muito mais brilhantes e maiores do que realmente s\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ainda estamos a ver mais gal\u00e1xias do que o previsto, embora nenhuma delas seja t\u00e3o massiva que &#8216;quebre&#8217; o Universo&#8221;, disse Chworowsky.<\/p>\n\n\n\n<p>A evid\u00eancia foi fornecida pelo levantamento CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science) do Webb, liderado por Steven Finkelstein, professor de astronomia na Universidade do Texas em Austin e coautor do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Os buracos negros acrescentam ao brilho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com este \u00faltimo estudo, as gal\u00e1xias que aparentam ser demasiado massivas provavelmente albergam buracos negros que consomem g\u00e1s rapidamente. A fric\u00e7\u00e3o no g\u00e1s em movimento r\u00e1pido emite calor e luz, tornando estas gal\u00e1xias muito mais brilhantes do que seriam se essa luz emanasse apenas das estrelas. Esta luz extra pode fazer com que as gal\u00e1xias pare\u00e7am conter muito mais estrelas e, por conseguinte, pare\u00e7am mais massivas do que seria de esperar. Quando os cientistas retiram estas gal\u00e1xias, apelidadas de &#8220;pequenos pontos vermelhos&#8221; (com base na sua cor vermelha e tamanho pequeno), da an\u00e1lise, as restantes gal\u00e1xias primitivas n\u00e3o s\u00e3o demasiado massivas para se enquadrarem nas previs\u00f5es do modelo padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O resultado final \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 uma crise em termos do modelo padr\u00e3o da cosmologia&#8221;, disse Finkelstein. &#8220;Sempre que se tem uma teoria que resistiu ao teste do tempo durante tantos anos, \u00e9 preciso ter evid\u00eancias esmagadoras para a p\u00f4r de lado. E este n\u00e3o \u00e9 o caso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>F\u00e1bricas eficientes de estrelas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Embora tenham resolvido o dilema principal, subsiste um problema menos complexo: nos dados do Webb do Universo primitivo, ainda h\u00e1 cerca do dobro de gal\u00e1xias massivas do que o esperado pelo modelo padr\u00e3o. Uma raz\u00e3o poss\u00edvel pode ser o facto das estrelas se terem formado mais rapidamente no Universo primitivo do que atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Talvez no in\u00edcio do Universo as gal\u00e1xias fossem mais eficientes a transformar g\u00e1s em estrelas&#8221;, disse Chworowsky.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o estelar ocorre quando o g\u00e1s quente arrefece o suficiente para sucumbir \u00e0 gravidade e se condensar numa ou mais estrelas. Mas \u00e0 medida que o g\u00e1s se contrai, aquece, gerando press\u00e3o exterior. Na nossa regi\u00e3o do Universo, o equil\u00edbrio destas for\u00e7as opostas tende a tornar o processo de forma\u00e7\u00e3o estelar muito lento. Mas talvez, de acordo com algumas teorias, devido ao facto de o Universo primitivo ser mais denso do que o atual, fosse mais dif\u00edcil expulsar o g\u00e1s durante a forma\u00e7\u00e3o das estrelas, permitindo que o processo fosse mais r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mais evid\u00eancias de buracos negros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Simultaneamente, os astr\u00f3nomos t\u00eam analisado os espetros dos &#8220;pequenos pontos vermelhos&#8221; descobertos com o Webb, tendo os investigadores da equipa do CEERS e outros levantamentos encontrado evid\u00eancias de hidrog\u00e9nio gasoso em movimento r\u00e1pido, uma assinatura dos discos de acre\u00e7\u00e3o dos buracos negros. Isto apoia a ideia de que pelo menos parte da luz proveniente destes objetos vermelhos e compactos prov\u00e9m de g\u00e1s que gira em torno de buracos negros e n\u00e3o de estrelas &#8211; refor\u00e7ando a conclus\u00e3o de Chworowsky e da sua equipa de que provavelmente n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o massivas como os astr\u00f3nomos pensavam inicialmente. No entanto, est\u00e3o a chegar mais observa\u00e7\u00f5es destes intrigantes objetos, que dever\u00e3o ajudar a resolver o enigma sobre a quantidade de luz que prov\u00e9m das estrelas e n\u00e3o do g\u00e1s em torno dos buracos negros.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, em ci\u00eancia, quando se responde a uma pergunta, isso leva a novas perguntas. Embora Chworowsky e os seus colegas tenham demonstrado que o modelo padr\u00e3o da cosmologia provavelmente n\u00e3o foi quebrado, o seu trabalho aponta para a necessidade de novas ideias sobre a forma\u00e7\u00e3o estelar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por isso, ainda h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de intriga&#8221;, disse Chworowsky. &#8220;Nem tudo est\u00e1 totalmente compreendido. \u00c9 isso que torna divertido fazer este tipo de ci\u00eancia, porque seria um campo terrivelmente aborrecido se um artigo cient\u00edfico descobrisse tudo, ou se n\u00e3o houvesse mais perguntas para responder&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/science.nasa.gov\/missions\/webb\/webb-finds-early-galaxies-werent-too-big-for-their-britches-after-all\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ NASA (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/news.utexas.edu\/2024\/08\/26\/early-galaxies-were-not-too-big-for-their-britches-after-all\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Universidade do Texas em Austin (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/contents\/news-releases\/2024\/news-2024-134\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ STScI (comunicado de imprensa)<\/a><br><a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/article\/10.3847\/1538-3881\/ad57c1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (The Astronomical Journal)<\/a><br><a href=\"https:\/\/arxiv.org\/abs\/2311.14804\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\/\/ Artigo cient\u00edfico (arXiv.org)<\/a><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Saiba mais:<\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Gal\u00e1xia:<\/strong><br><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Galaxy\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Levantamento CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science):<\/strong><br><a href=\"https:\/\/ceers.github.io\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">P\u00e1gina principal<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>JWST (Telesc\u00f3pio Espacial James Webb):<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.jwst.nasa.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NASA<\/a><br><a href=\"http:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI<\/a><br><a href=\"https:\/\/webbtelescope.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">STScI (website para o p\u00fablico)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.cosmos.esa.int\/web\/jwst\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA<\/a><br><a href=\"https:\/\/esawebb.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ESA\/Webb<\/a><br><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/JWST\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Wikipedia<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/NASAWebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Facebook<\/a><br><a href=\"https:\/\/twitter.com\/NASAWebb\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">X\/Twitter<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nasawebb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instagram<\/a><br><a href=\"https:\/\/blogs.nasa.gov\/webb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Blog do JWST (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-programs\/general-observers\/cycle-3-go\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ciclo 3 GO do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-programs\/guaranteed-time-observations\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.stsci.edu\/jwst\/science-execution\/approved-programs\/directors-discretionary-time\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/fgs.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRISS (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nircam.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRCam (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/webb.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/miri.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">MIRI (NASA)<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.jwst.nasa.gov\/content\/observatory\/instruments\/nirspec.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">NIRSpec (NASA)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta imagem mostra uma pequena por\u00e7\u00e3o do campo observado pela c\u00e2mara NIRCam (Near-Infrared Camera) do Telesc\u00f3pio Espacial James Webb da NASA para o levantamento CEERS (Cosmic Evolution Early Release Science). 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